Recebemos com exclusividade o pôster do thriller THE MORGUE, filme dirigido por Halder Gomes e co-dirigido por Gerson Sanginitto. O longa será lançado nos EUA dia 02 de setembro pela LIONSGATE FILMS! No mesmo mês o filme chega também ao Brasil, em DVD, pela Universal Pictures (com o título “Cadáveres 2“). O longa não é nenhuma continuação, mas como é de praxe para as distribuidoras brasileiras (elas adoram inventar moda mudando os nomes originais dos filmes e lançando como seqüências), o resultado é esse mesmo. Ainda este ano o filme será lançado também no Japão, Espanha, Portugal e Romênia. Confira abaixo o cartaz:

Nós tivemos a oportunidade de assistir ao longa em sessões exclusivas e damos nossas impressões em primeira mão no mundo. O filme assimila fácil os elementos básicos do suspense e faz referências a outros filmes do gênero, como “O Sexto Sentido”, por exemplo.
Halder Gomes e Gerson Sanginitto são brasileiros que já há algum tempo fazem sucesso fora dos limites verde-amarelo. Gerson tem uma produtora em Califórnia, EUA, chamada Reef Pictures. De lá a dupla trilha uma competente carreira cinematográfica. Halder Gomes também colhe de lá seus frutos, mas mantém laços estreitos com o Brasil, mais especificamente no Ceará.
Em outras oportunidades, o cineasta cearense - que já foi dublê de luta em Hollywood, dentre várias outras funções durante sua vida – já havia ganhado destaque no âmbito dos curtas-metragens com a comédia “Cine Holiúdy - O Astista Contra o Caba do Mal”. Curta esse que é até estudado em universidades, além de bastante premiado pelo Brasil todo. Não é à toa que estou falando bastante dos diretores. A direção de “The Morgue” é o ponto forte. Até um olhar menos crítico consegue perceber tal detalhe. Para se ter idéia, o filme tem um plano que beira os quatro minutos, sendo que a câmera se encontra sempre em movimento. Movimentos complicados, diga-se de passagem. Na cena em que Margot (Lisa Crilley, de “Annapolis”) acende algumas velas, a câmera sai de uma tomada superior se movendo de forma interessante até ficar na horizontal. Sem nenhum corte ou defeito de enquadramento. Halder e Gerson acertaram nessa tomada – bem como em outras que não vou ficar contando e estragando as sensações que você deve ter da fita.
O roteiro de “The Morgue”, apesar de usar os elementos básicos do suspense (três atos: uma apresentação sem muita explicação, o desenrolar entrelaçando todos os personagens, e um terceiro com muitas revelações), conseguiu deixar todas as pontas, antes soltas durante o decorrer da trama, totalmente amarradas. Najla Ann Al-Doori não foi original, é fato, pois se apoderou de vários elementos de “O Sexto Sentido” (filme de M. Night Shyamalan), por exemplo. O espectador mais experiente pode muito bem facilmente matar a charada. Todavia, é o terceiro ato que faz o roteiro valer a pena. Além de juntar todas as pontas, como já disse, ele faz isso de uma maneira inteligente. É tanto que assistir ao filme pela segunda vez, já conhecendo de seus aspectos, é bastante válido e faz você captar alguns pequenos detalhes que enriquecem o título.
Por falar em tais detalhes, é interessante sempre guiar um olho atento. Ao longo dos seus minutos de projeção, “The Morgue” conta com vários pequenos detalhes. Uma característica de direção do Halder Gomes, agora aliado a seu amigo Gerson Sanginitto. Os dois lotaram as cenas com particularidades. Um exemplo é a pequena participação dos dois diretores no filme (mais referencias à M. Night Shyamalan?). Halder, e seus cabelos esvoaçantes, fecha o filme, enquanto que Gerson faz uma rápida participação como para-médico. Porém, são os detalhes que fazem sentido na trama que valem a pena. De uma forma ou de outra tudo ganha certo sentido: fotografia, trilha sonora e até a falta de ação em certas cenas. Será possível que nem um simples livro ganhando vários close-ups está a esmo? Pois bem, não está!
The Morgue” conta com nomes conhecidos no elenco. Heather Donahue, por exemplo, foi a protagonista de “A Bruxa de Blair” – filme que foi sucesso de bilheterias, mesmo sendo de baixo orçamento. O simpático Bill Cobbs, veterano de vários filmes sendo o último “Uma Noite no Museu” com Ben Stiller, também esteve lá. Inclusive, o personagem de Cobbs, no caso George, é peça chave no entendimento da trama.
O baixo orçamento de “The Morgue” talvez não tenha deixado o filme mais pomposo, mas para seus moldes não deixa de ser um destaque. Enquanto filmes medíocres com bom orçamento para o gênero - como “A Caverna”, de 2005, por exemplo - são bem vendidos, mas fracassam na opinião popular, “The Morgue” pode ter muito mais receptividade perante o público. À medida que outros se vendem com ultras-perseguições ou cenas que tentam tirar o fôlego (eu disse “tentam”), “The Morgue” se apresenta sutil, e acaba até propondo uma nova interpretação de aspectos religiosos que para todos é um mistério, quer queira, quer não.
Acima de tudo já citado, o filme ainda chega para reafirmar a versatilidade do diretor Halder Gomes. Para se ter idéia, o cearense já trilhou vários caminhos na vida. Agora no cinema tenta fazer o mesmo. Ele já passou de “filme de porrada” (“Sunland Heat”, de 2005), para um clássico da comédia regional que por onde passou conquistou chamado “Cine Holiúdy” e o fantástico “Loucos de Futebol”, para agora dar continuidade à sua carreira com o suspense “The Morgue”. Que venha mais de Halder Gomes!
PARA SABER MAIS DETALHES
- Trailer Oficial de THE MORGUE
- Podcast: Dublês no Cinema, com Halder Gomes
- Podcast: Carreira de Halder Gomes (versão nacional)
- Podcast: Carreira de Halder Gomes (versão internacional)
- Compre “Loucos de Futebol” + “Cine Holiúdy”