Quem acha que Cinema, o fantástico mundo da Sétima Arte, se resume quelas exibições em salas escuras para um grupo de pessoas, está redondamente enganado. A história desse mundo de criatividade vai bem mais além do que pipocas e divertimento.
Os homens mais antigos tinham o hábito de se juntar ao redor de uma fogueira e passar horas contando histórias. Na maioria das vezes, eram anciões que se reuniam com crianças para encantá-las com seus contos fantásticos.
Os irmãos Lumiére criaram a concepção de cinema como nós conhecemos hoje. Em uma sala escura, um grupo de pessoas se reúne para assistir a uma história que é refletida por raios de luz. Ah, só por curiosidade: Lumière significa ‘iluminação’.
Alguma relação com as duas observações? Talvez sim, talvez não. O que interessa é que foi essa coincidência que me deu idéia para fazer a coluna dessa semana. Todo mundo vai ao cinema. Mas, todo mundo tem idéia de quão grandioso ele é? Ou pelo menos sabe um pouco da sua história? Pois é. Partindo desse pressuposto, resolvi escrever resumidamente sobre o início da trajetória desses raios de luz cinematográficos.
Só para começar a polêmica, você sabe quem é o pai do Cinema? Os norte-americanos dizem que é o tal do Thomas Edison, por que ele inventou o cinetoscópio. Os franceses - e com razão - dizem que as honras devem ser feitas aos irmãos Lumière. E ainda tem também os primeiros pensadores da idéia do cinema, como Aristóteles, que vivia a observar o fenômeno da luz solar atravessando um orifício e se refletindo numa parede.
Agora, deixe-me clarear as idéias de vocês. O cinetoscópio, inventado pelo Thomas Edison em 1888, estabeleceu todas as características do cinema atual: um filme em 35mm em preto e branco ou colorido, mudo ou sonorizado, representando cenas interpretadas por atores e gravadas no primeiro dos estúdios, o Black Maria.
Acontece que o nosso querido inventor era bastante ganancioso, e, achando que assim ganharia mais dinheiro, limitou as visões do cinetoscópio a um espectador por vez, pagando 25 cents por sessão. Imagina aí que coisa mais sem graça! Sem ninguém para rir ou chorar junto e sem aqueles barulhos de pipoca e bombons - chatos, mas típicos! Mas foi isso mesmo. A idéia de Edison tirou toda a emoção coletiva que só uma platéia dá. Felizmente, os irmãos Lumière não seguiram essa proposta, ouvindo a observação de Henri Langlois, ex-diretor da Cinemateca Francesa, que afirmou que ‘em uma sala de espectadores, a arte sai dos espectadores’.
Os irmãos Lumière tinham nomes: Louis e Auguste. Em 1895, os dois registraram oficialmente a patente da invenção do cinematógrafo. Na verdade, eles vinham de uma família de industriais obcecados pela ciência. Seu pai, Antoine Lumière, viveu frente dos negócios com fotografia, estudando o desenvolvimento da fotografia colorida, enquanto o resto do mundo pesquisava sobre a foto em movimento. Seguindo o pai, Louis e Auguste decidem pesquisar a cronofotografia e alcançam resultados maravilhosos: surge o cinematógrafo, a imagem em movimento.
Aperfeiçoando o cinematógrafo e inserindo seu invento na ascendente indústria de espetáculo – cinema, os irmãos Lumière se imortalizaram quando colocaram as projeções de imagens em salas escuras com espectadores pagantes confortavelmente sentados. Foi a explosão planetária do cinema, se espalhando pelo mundo todo.
Entretanto, em 1905 os Lumière paravam a produção de filmes e, três anos depois, fechavam a última sala. Motivos? Os Lumière dedicavam-se apenas produção de documentários, deixando livre a parte de ficção, que seria resgatada por Méliès, Pathé e Gaumont. Além disso, a perda do mercado devido a protecionismo e o incontrolável desejo de pesquisa dos dois irmãos. Como dizia Louis, ‘como ficar inerte na presença da floresta de pontos de interrogação que nos rodeia?’.
Explicou-se assim o fato de o cinema representar apenas um dos momentos de descoberta dos irmãos. Mas não quer dizer que ele pare por aí. De jeito nenhum! Ainda há muito o que se saber sobre a trajetória das telonas. Entretanto, isso é assunto para a próxima coluna. Fiquem vocês apenas com a ponta da iceberg, ou melhor, com a réstia do raio de luz!
E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br


12 | maio | 2008 às 10:53
adorei eeses cara que fizeram o cinema sao muito inteligentes…..essa pagina e otima para fazer trabalhos pequisas e tudo mais…