Olhar da Ficção

Publicado em: 25-07-2005 @ 12:11 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

A partir da ficção, conseguimos extrair a maioria dos gêneros do cinema. E quem disse que ela é aquela viagem científica está precisando atualizar-se. A ficção abre as portas para a fantasia, exatamente como Meliès fez com seus filmes, e nos deixou de herança o molde da maioria dos filmes que conhecemos hoje.

Dramas. Emoções. Identificação. Quem nunca assistiu a um filme e sentiu isso? Sempre escuto alguém aqui e acolá dizendo que o filme tal influenciou naquilo, foi igual àquilo ou fez alguém estampar reações. Eu vivo tendo isso. E certamente, esse é um dos grandes motivos do meu gosto pelo cinema. Odeio filmes que não mexem comigo. E por isso agradeço ao Meliès por ter expandido os horizontes da telona.

Meliès foi o primeiro cineasta da ficção que inaugurou uma linhagem de autores, entre eles, Orson Welles, e até Ed Wood, o pior diretor dos últimos tempos, mas que rendeu um filme bem interessante sobre sua trajetória trágica com a câmera na mão, sob a direção de Tim Burton. Enfim, sobre esses diretores, o que interessa é o que eles tem em comum: a idéia de que o cinema pode questionar as imagens e sua verdade. Sim, o que é passa a não ser, depois volta a ser verdade, a fantasia se mescla com a realidade e chegamos ao delírio.

Não acredito que a ficção seja uma mentira. Não… Se há identificação, é por que algo parecido aconteceu com alguém. Logo, provavelmente aconteceu com outros e assim vai. A ficção é uma sugestão. Expressão, desabafo, tentativa do autor. E essa é a magia do cinema.

Só o que tem são filmes que conseguem arrancar risadas, choros, suspiros e o que mais puder. ‘Closer’ é meu favorito. ‘Melinda e Melinda’ também é outro, simples e real. ‘Modigliani’. Impressionante como certas biografias nos instigam! ‘Encontros e Desencontros’, ‘Simplesmente Amor’… São inúmeros os filmes que já vi que me adicionaram algo bom, ou me fizeram questionar algo mais. Aposto que você também tem os seus. E até aqueles filmes de serial killers, de ficção científica, ação e etc tal podem nos tocar assim também. Você pode sair do cinema querendo ser um detetive, ou o próprio serial killer! Você pode imaginar o mundo super cibernético ou cheio de pílulas azuis e vermelhas, como no ‘Matrix’… Melhor ainda se fosse cheio de Keanus ou Trinitys! Quem sabe você sai da sala com uns golpes novos, uma dançinha caliente de ‘Dirty Dancing’ ou aquela da Uma Turman e do John Travolta em ‘Pulp Fiction’. Você pode adentrar pela tela e pegar emprestado essas sensações que poderiam ser difíceis de sentir na real realidade de cada dia. Por que não? Faça do ingresso seu passaporte para um mundo novo!

E para tantos tipos diferentes de pessoas, é necessário existir vários tipos de histórias. Tem aquelas pessoas que vivem intensamente, aquelas que apenas existem, aquelas que sobrevivem… Tem aqueles filmes que são super intensos, aqueles que só passam o tempo, aqueles que nem deviam sair do papel… Pior que desse último tipo existem muitos!

O mais interessante de tudo é que a ficção, partindo apenas da fantasia, engloba isso tudo. A tela do cinema é grande, mas se torna mínima diante da extensão de coisas que os raios de luzes projetados podem alcançar.



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