Dizem que no mundo de hoje não há mais nada a ser criado. Resta-nos apenas o plágio e a adaptação. Se isso for verdade verdadeira, aqui temos uma explicação do porquê que agora é tão raro ver um filme bom e original. Mas, por mais difícil que seja, ainda se vê. Então?
Após várias idas e vindas quela sala escura, umas felizes e outras frustradas, cheguei a uma simples conclusão: menina, não crie grande expectativa! Eu não sei lidar muito bem com minhas frustrações. Logo, quando vou ver um filme, morrendo de expectativa, acaba que eu morro mesmo, só que de raiva.
Parece que os trailers estão ficando melhores que os filmes! É uma expectativa, uma “preliminar” tão bem feita que só falta causar “ejaculação precoce”… Mas quando você vê, é “broxante” mesmo. Aconteceu comigo várias vezes. “Alexandre”, “O Aviador”, “Vôo Noturno”, “Guerra dos Mundos”… Nem lembro mais. Faço questão de esquecer! Esses nem são filmes péssimos. O problema é que eu fui super animada e iludida, que nem aquelas meninas que iam nos aeroportos ver boys-band.
Durmi, fiquei entediada e não gostei. E já foi tema de coluna minha o que digo agora. Onde diabos foram parar os bons roteiristas? E quando digo isso, falo predominantemente do cinema americano, por que não conheço bastante do cinema europeu. Falha minha, eu sei! Mas, então, eu me pergunto: fugiram para Atlântida? Morreram queimados em Roma? A Inquisição acabou com os coitados? Tem um telefone para onde ligar?
Não vou exagerar. É a relidade. A maioria é excremento. Mas tem uns anjos da criatividade que conseguem se sair. “Menina de Ouro”, “O Jardineiro Fiel”, “A Vida de David Galé”, “Sin City”, “O Júri”… Não vou citar os clássicos da década de 80 para trás. Estou falando é do agora. E provavelmente, da posteridade, dando uma de Nietzsche. Quem sabe, talvez, nesses filmes eu estava “adestrada” em relação minha frustração. Mas, racionalmente falando, acho que esses filmes trazem histórias interessantes. Expurgam aquela sensação “ah, sim, de novo” ou “agora ele faz, aquilo e mais aquilo ali”. Dá pra notar que eu não sou muito chegada em comédias besteirol e dramas românticos demais, né? Perdão, como já diria um colega meu.
Eu ficava perambulando por esse limbo dos roteiros originais perdidos sem nenhuma nova idéia. Até que me apareceu uma. Eureka! Criei vergonha na cara e voltei a me dedicar leitura. Nerd ou não, voltei a ler um livro por semana, e foi daqui que veio minha mais nova pergunta: por que existem livros tão bons e atuais, e no cinema tem tanta coisa clichê? Ahá! Quem dá mais, quem dá mais?
Andei lendo Ken Follet e Noah Gordon nos últimos dias. Ambos com histórias maravilhosas e intrigantes, e bem mais interessante que aquelas histórias infames e mecânicas do Dan Brown! Por que não rola uma adaptação básica aí? Vai ver os roteiristas estão lendo de menos e farreando demais. Estão indo na fonte errada, rapazes.
Andei conversando com umas criaturas sobre isso e me vieram algumas possíveis respostas. Direitos autorais são caros! Droga. Mas então, que servisse de inspiração! Deve ter uma “ruma” de livros maravilhosos, com várias histórias ou argumentos que dariam bons filmes. Filmes que valesse a pena sentar para ver e que, no final, acrescentasse algo positivo na pessoa. Ou negativo mesmo, que nem quando eu vi “Jogos Mortais” e saí com um instinto serial killer… Mas acrescentou!
Será que ler mais não seria uma solução para o povo do cinema? Ou viver mais? A vida em si proporciona experiências notáveis! Enfim, que achem uma solução. Que seja apenas uma fase pós-moderna. Não é assim que funciona? A próxima ‘escola’ vem para negar anterior. Que venha logo e negue essa falta de criatividade, oh!
E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br


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