Mordi minha língua! E com uma felicidade tremenda! Ah, eu saio saltitante do cinema quando vejo um filme que eu goste e diga “esse é bom, rapaz!”. Me dá uma sensação de esperança e alívio que você nem imagina… Obviamente, vejo muitos filmes bons nas locadoras, mas estou falando especialmente de filmes bons nos cinemas populares dos shopping centers. Maravilhoso saber que filmes assim estão disposição de todos.
Na minha última coluna, falei sobre minha angústia e sede de filmes bons, de roteiros originais, de algo que valesse a pena pagar para ver. Citei até que os livros poderiam servir de inspiração!
Felizmente, coincidentemente ou sei-lá-mais-o-que-mente, conferi ótimos filmes nos últimos dias nos cinemas comuns da cidade! Uma luz no final do túnel, rapaz! Recomendo a todos assistir os filmes que comentarei a seguir.
Como eu não vou guardar segredo, vou dizer logo quais são meus queridinhos: “O Senhor das Armas”, “O Jardineiro Fiel”, “Plano de Vôo” e “A Noiva Cadáver”. Agora, deixe-me só explicar uma coisa. O último eu não vi. Mas acho que é muito bom. Então, para não ter que escrever a Parte II dessa coluna, comentarei sobre o bendito elemento, ok?
“O Senhor das Armas”. Nicolas Cage e Jared Leto. Um ótimo ator e um ator bom de ver. Não estou desmerecendo o Jared, mas perto do Cage ele ganha só na beleza mesmo. Não vamos esquecer da bagagem do Tio Cage: “Despedidas em Las Vegas”, “A Outra Face”, “Cidade dos Anjos”, “Adaptação”, “60 Segundos”… Ora, confira o resto na Metamorfose aqui do CCR! Filme bom é que não falta.
Agora, Nicolas veio com “O Senhor das Armas”, que tem critica aqui no CCR também interpretando Yuri Oslov, um comerciante de armas ilegais. Mas vamos ao que interessa mesmo. O filme é espetacular. Trás um tema super atual, principalmente por que estreou uma semana antes do Referendo. Não é sensacionalista. Não é apelativo. Fala de algo que vemos nos jornais, mas não é tedioso. É polêmico e questionador, mas de forma sutil. Aborda vários pontos de vista sobre o assunto, mas discretamente. Ah, pena que não pode falar palavrão aqui… Por que o filme é F mesmo.
Ele trás a África, assim como “O Jardineiro Fiel”. Mostra a sub-vida que se desenvolve lá. Mais ousado ainda, ele escancara o esquema de comércio de armas, sustentado pelo próprio Exército e Estado. A lei corre atrás do erro. E essa mesma lei propicia a execução do erro.
A história se desenrola normalmente com foco no protagonista Yuri Oslov. Simples assim. Parece que o filme foca só no comércio de arma, mas não. O assunto que invade o drama, não o filme ataca o assunto. Questões humanas do próprio personagem são abordadas. Parentes e amigos são afetados. Culpa, amor, desespero, angústia, euforia. Tem de tudo, com doses medicinais. E o desfecho da história quebra. A última frase do filme é no mínimo preocupante e controversa. Mas até parece que eu vou contar… Faça um ato bom no dia: confira esse filme.
“O Jardineiro Fiel”. Ralph Fiennes e Rachel Weisz. Um ator de qualidade e discreto e uma atriz competente que não abusa da imagem. Eu não vou nem mentir. O nome Ralph Fiennes não me trazia muita coisa na mente, mas depois que conferi o filme e a Metamorfose dele aqui no CCR, virei fã. “Dragão Vermelho”, “A Lista de Schindler”, “O Paciente Inglês”… Filmes muito bons que contam com o trabalho distinto do ator. Rachel Weisz já tem um nome mais fácil. Depois de “Constantine” com o Neo, digo, com o Keanu Reeves, a mocinha ficou mais conhecida.
O nome do filme pode causar interpretações errôneas. E quem escutar sobre a história pode até se perguntar: e o que jardineiro e fidelidade tem a ver com isso?
Em “O Jardineiro Fiel”, Fiennes e Weisz fazem um casal apaixonado que muda-se para a África. Justin e Tessa Quayle. Assim como “O Senhor das Armas”, “Jardineiro” não necessariamente foca no drama africano acerca da política da saúde feita lá. Isso é apenas o plano de fundo. Como vi num artigo da revista VEJA, o filme é uma história de amor. Quem disse que romance só pode acontecer em Paris? Ou no outono?
Justin Quayle, após saber do assassinato da esposa, se dedica a ver com os próprios olhos o que a esposa viu. E paga caro por isso. Viagens desgastantes, situações perigosas, descobertas, decepção, traição… Uma mescla de emoções são exploradas no desenrolar do drama. E ao fundo dessa ficção, temos a realidade assustadora da África.
Crianças e adultos tratados como cobaias. O poder e a ganância falando mais alto, subjulgando os mais pobres. Pode-se dizer até que há uma relação com o curta-metragem “Ilha das Flores”… Eu me emocionei. É repugnante o que fazem por lá, e isso deve ser mostrado para o mundo.
Fernando Meirelles provou que sabe fazer cinema. “Cidade de Deus” já o consagrou no cinema nacional. Agora, depois de “O Jardineiro Fiel”, quero nem saber quem é Walter Sales… Perdão. Depois dizem que brasileiro não sabe fazer cinema. Não vamos exagerar. Também não vamos achar que somos os “bonitos”. O mérito, na verdade, é do Fernandinho…
Vale a pena assistir. Por que é bom. Por que é inovador. Por que é de um diretor brasileiro e nós temos que valorizar o que é nosso.
“Plano de Vôo”. Jodie Foster. Só com esse nome o filme já calava a boca. A atriz espetacular de “Táxi Driver”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Quarto do Pânico” reaparece em mais um drama-suspense que serve de bom entretenimento. Mas não vamos monopolizar as atenções. O filme trás também alguns atores não tão conhecidos que ajudam no desenrolar da trama, como por exemplo: Sean Bean, que interpreta o capitão, outrora foi Boromir em “O Senhor dos Anéis”; Erika Christensen interpreta a aeromoça Fiona, e antes havia feito “Fixação”.
Enfim, não é um filme estupendo que mudará sua vida. Mas é uma história bem bacana, que foge dos clichês, e quando cai em algum, pelo menos é de forma elegante! Sem falar da fotografia, a iluminação do filme. Não é cansativo e nem de longe é entediante. Feito para uma sexta-feira despretensiosa, quando se quer apenas um entretenimento sem compromisso.
“A Noiva Cadáver”. Tim Burton e Johnny Deep. Novamente! A dupla nada convencional se encontra mais uma vez nessa animação, após Willy Wonka e “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. O nome já é estranho. E sabendo de quem se trata, aí que rola curiosidade mesmo.
Espero conferir o filme essa semana, logo, estou falando de algo que não conheço… Mas acredito que, como sempre, Tim Burton vai trazer algo aparentemente comum e normal, e transformar isso numa fantasia, em novos pontos de vista e no que mais ele tiver direito. E isso tudo com a voz do meu querido Johnnie!
O tema aparentemente é o amor. Aquele que todo mundo acha que já sentiu, ou que conhece e que nada mais nele pode se mostrar novo. Por ser um tema tão comum e tão complexo, ao mesmo tempo, é que estou apostando que Burton vai, novamente, arrebentar em “A Noiva Cadáver”.
E é isso aí. Estréias boas podem ser conferidas nos cinemas. Aproveitem! Fora outros que também prometem, como “Crash”. E não deixem de conferir. Não se sabe quando seremos presenteados com tantos filmes decentes novamente!
E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br


1 | julho | 2007 às 10:37
Sou professora de Geografia e procuro sempre ilustrar/complementar as aulas com filmes. Ano passado assiti o filme “O jardineiro fiel”. Ele é realmente muito bom e mostra o quanto algumas pessoas precisam aprender a respeitar os direitos humanos mais elementares, principalmente os dos povos africanos…
Se você conhece mais títulos de filmes que contam histórias africanas, envie-os para o meu E-mail, por favor.
Abraços.