Clichê. Tem gente que tem mania de chamar as coisas de clichê. Mas o que diabos é clichê exatamente? Tem padrão? Depende de cor, credo ou classe social? Tempo, humor, ponto de vista? Depois de presenciar uma discussão excêntrica sobre esse assunto no cinema, pensei em tornar isso tema da coluna dessa semana. Espero não cair no clichê!
Segundo o dicionário, clichê é sinônimo de lugar-comum, chavão, banalidade repetida com freqüência, coisa que se diz ou escreve com costume e etc tal. Algo sem originalidade, talvez. Não acho que seja algo que simplesmente se repita. Até porque, se fosse assim, estaríamos todos encrencados! Como disseram uma vez, “fomos traídos pelas gerações passadas”, que disseram e fizeram as melhores descobertas e chegaram s mais inéditas conclusões. Então, para mim, clichê não é apenas um simples caso de repetição. Prefiro pensar que algumas repetições são “perdoáveis”. Mais relevante do que apenas repetir, é como repetir. Você pode falar do mesmo tema através de diversos pontos diferentes, abordagens diferentes. Certo?
Eis que toda essa questão surgiu na minha cabeça depois de uma discussão numa mesa de bar. Duas colegas discutiam o teor de clichê d”O Conde de Monte Cristo”. E aí comecei a pensar nos típicos clichês que se falam por aí: o amor proibido, o perdão antes da morte, o ódio que se transforma em amor, a traição do melhor amigo, a último suspiro do assassino… Alguém ajuda?
O mais engraçado é que enquanto eu pensava nos casos de clichê, encontrei um site chamado “Manual do Clichê” que trazia inúmeros exemplos! Descobri que os pedestres de Hollywood tem os melhores reflexos do mundo. Já percebeu que as lojinhas sempre são destruídas mas o carinha- geralmente asiático - sempre corre antes de ser atingido? E que o personagem com cicatrizes sempre é o mais maluco e cheio de obsessões? E os beijos no final dos resgates, encontros e etc tal? Tudo é desculpa. Fora que a mocinha dos filmes de terror ou suspense barato sempre está seminua.
Os campeões de clichês são as comédias babacas e os filmes de terror tosquíssimos. Ou aqueles romances melodramáticos. É quase tão ruim quanto novela, que você começa a ver e já sabe como vai terminar.
Mas o que é que o clichê tem de tão ruim? Tem gente que nem os percebe. E se nota, não reclama. Eu, particularmente, detesto clichês. Pelo menos aqueles mais escrachados. Gosto de ver novidades. Adoro cinema. Então, não vou querer ver figurinhas repetidas nas telonas. Por isso reclamei tanto da falta de bons roteiros de Hollywood! Quero ser surpreendida. Aliás, quero ser surpreendida por coisas boas e bacanas. De jeito nenhum quero ser surpreendida pelo ruindade de um filme ou pela falta de criatividade do diretor. Credo!
Quem sabe nos resta alguém dar um novo tom aos clichês. Usá-los de forma inovadora. Ou irônica. Ou engraçada. Na verdade, duvido muito que um dia eles deixem de existir. Vai ver, todo ano se criam mais. Eles copulam rapidamente e passam a nos impregnar.
Qual seria a suposta solução para evitá-los? Cada dia fica mais difícil. Alguém devia escrever um manual listando todos os clichês e etc tal, com a história deles. Algo tão encrustado no cinema e em tantas outras artes não deveria ser simplesmente ignorado. Caia no clichê. Vamos reconhecer essa condição e aprender a lidar com eles. É o que nos resta, não? Vou parar por aqui, senão começo a me repetir e pronto, clichê.
E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br


24 | maio | 2007 às 18:00
ola, equipe do rapaduras! sei q vcs devem estar ocupados cuidando desse megasite… mas eu to numa crise de abstinencia. cadê as colunas da maíra suspiro? ate na equipe fui procurar pra saber o q ela anda fzndo… digam a ela q toda produção dela é bemvinda, ainda mais pq ela representa bem ate dmais a classe feminina ai do rapadura.com.br. aproveito para parabenizar tds vcs! continuem assim.