O Cinema é composto por diversos tipos de filmes. Vai desde os tipos mais clichês até os mais psicodélicos. Na coluna dessa semana, quero falar justamente dos menos tradicionais, aqueles que quebraram tabus e deixaram sua marca na história da Sétima Arte.
Para um filme marcar época, ou ele deve ser muito bom, muito ruim ou muito polêmico. Se bem que os que são muito ruins até que estão sendo ignorados de vez – amén!
Quero lembrar agora dos filmes que fizeram história, que são comentados até hoje e que quebraram tabus. Tenho dois que vieram minha mente rapidamente: Pulp Fiction e Laranja Mecânica. Quentin Tarantino e Stanley Kubrick – que também dirigiu a pérola “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Dois diretores famosos por serem polêmicos. E os dois filmes até que abordam um tema em comum: a violência. Mas não daquela forma hipócrita de dizer “paz para a humanidade” ou passando lição de moral. Justamente o contrário: banalizando e intensificando a violência, não por endeusá-la, mas talvez numa tentativa de sacudir os passivos nas cadeiras do outro lado. Não são filmes leves, nem um pouco. Aposto que quem viu Laranja Mecânica, nunca mais conseguiu ouvir “Singing in the rain” da mesma forma! E quem viu Pulp Fiction, nunca mais viu os sanduíches da McDonalds com a mesma rotina.
Outro filme que marcou, e que classifica outro tipo de produção, é Cinema Paradiso. Bem longe de ser um “horrorshow”, Cinema Paradiso é a metalinguagem do cinema mais magnífica que já ouvi falar. O diretor Giuseppe Tornatore arrepia cinéfilos até hoje. De 1990 para cá, poucos filmes foram tão tocantes, tão doces e ao mesmo tempo tão suavemente amargos como este. A cena final, absurdamente bela, merece ser incluída em qualquer antologia de grandes finais.
Mas, vamos com calma. Quero procurar aqueles que causaram estrondo mesmo, tipo um que mostrou pela primeira vez um homem e uma mulher se beijando apaixonadamente, filmado por Thomas Edison para ser exibido nos nickle-odeons, constituindo o primeiro grande escândalo da Sétima Arte.
Aí tem gente que idolatra o tal do Titanic e baba dizendo que ele ganhou 11 oscars. Pois saiba que ele não foi o primeiro e único. Ben Hur também levou 11 estatuetas, sendo considerado um dos melhores épicos já feitos
Nos termos de ficção científica, Matrix realmente deu o que falar e sempre será comentado nas rodas de ficção, mas Blade Runner foi o ápice desse estilo, que ajudou a definir a estética cinematográfica dominante nos anos 80, quando o cinema seria cada vez mais influenciado pela linguagem dos videoclipes.
Passando da ficção para os desenhos, quem diria: Branca de Neve e os Sete Anões. Melhor desenho da Disney, revolucionário por ser o primeiro longa-metragem animado e brilhante em sua realização. E até hoje é comentado por aí. Virou até about de Orkut! Tem gente por aí se auto-denominando “os sete anões da Branca de Neve”…
E ainda vem “As Times Goes By” fazendo clima romântico para Bougart e Hepburn em “Casablanca”. Definitivamente, o clássico. O filme mais amado de todos os tempos, talvez o mais influente, a maior quantidade de grandes frases por centímetro celulóide – e no fundo é apenas uma bela história de amor e redenção.
Mas se for para falar de música, temos que falar de “Cantando na Chuva”. Quem nunca imitou a cena do poste e do guarda-chuva? Um dos melhores musicais.
Temos ainda o idolatrado “O Poderoso Chefão”! A belíssima saga da família Corleone em um dos mais empolgantes momentos do cinema, certamente a melhor trilogia de todos os tempos.
E um dos meus preferidos: A Primeira Noite de um Homem. Dustin Hoffman bem novinho e desconhecido, num filme de grande roteiro e boa direção. Poucos filmes conseguem capturar tão bem o estado de espírito de toda uma geração, a estupefação diante do mundo e o senso de inadequação a conceitos que, aparentemente, já não eram os seus.
E falando de gerações, “Juventude Transviada” foi o maior símbolo cinematográfico da geração rock´n´roll.
São tantos. Deveria ter divido a coluna em parte um, dois… Mas quis falar desses filmes que marcaram épocas, por que me emocionei quando vi “O Segredo de Brokeback Mountain”. Numa atitude audaciosa e despreconceituasa, Ang Lee tratou do homossexualismo de forma sincera, emocionante e realista. Atuações magníficas. Sem palavras. Uma pena que ainda existam pessoas de cabeça fechada o suficiente para não reconhecer um bom filme, simpatizando ou não com o tema.


1 | dezembro | 2008 às 15:36
É, poucos diretores tem vontade de se arriscar em temas polêmicos ou mais complexos. Ficam nos clichês mesmo. Agora eu admiro muito diretores que não estão nem aí, arriscs mesmo. Pegam temas um pouco apagados pela sociedade e mostram como a coisa funciona. Poucos são assim, mas esses poucos merecem muito crédito por isso. Excelente coluna Maíra, como sempre!