Para mim cinema é que nem música. Tudo na minha vida tem um fundo musical. E muitos dos grandes momentos que vivi – e vivo –tem um fundo cinematográfico que provoca uma enorme identificação. Será que cada tipo de filme se adapta com cada tipo de humor do momento?
Eu lembro de alguns momentos marcantes da minha simplória existência que foram carimbados com alguns filmes. E tenho também aquelas cenas – e até filmes inteiros, que provocaram uma identificação tão grande que quase cobro os direitos autorais.
Para o segundo caso, o de total identificação, “Closer – Perto Demais” encabeça a lista. Lembro que o filme me arrebatou desde o começo. E os diálogos e emoções, todos, tinham sido roubados do meu subconsciente e inspiradores daquele filme espetacular. Dissecaram dois anos da minha vida e jogaram ali. Absurdo! Pena que na minha triste realidade não tinha um Jude Law da vida, canalha ou não, dando sopa daquele jeito. Enfim, a interação entre eu e “Closer” foi tão grande que uma coluna inteirinha minha foi dedicada inflamadamente a essa produção. E se fosse para essa coluna ter fundo musica, Damien Rice já estaria emocionando a cibernética com “The Blower´s Daughter”.
Outro filme que vem em segundo lugar é “Encontros e Desencontros”. Inventei de assistir ao filme despretensiosamente, no meio de uma madrugada paulista de insônia e chuva, e acabou que rolou uma química arrebatadora entre eu e a Scarlet Johanson. A pobre garota perdida na grande Tóquio com um recém-marido ridículo que não tem a menor sensibilidade para perceber o dilema da moça. Oh, meu Deus! Foi o destino que me fez sentar naquele sofá e assistir a esse DVD.
Quando acontecem essas identificações malucas, com qualquer tipo de arte, eu fico pensando: será que o cidadão fez isso pensando exatamente nisso que eu estou pensando? Será que ele tava passando por isso também? Ou foi algum conhecido que chegou contando um fato pessoal triste e gerou a idéia? Ou foi um insight nada a ver? Enfim, na verdade, eu não estou preocupada em saber da origem. Fico arrepiada só de ver pensamentos e emoções minhas – e de tantos outros – retratadas na telona.
Mas calma, também não tenho minha vida toda retratada por filmes. Já era demais, né? Na verdade, o mesmo filme pode ter mil “retratações”, por que a identificação, o feeling, varia de pessoa para pessoa, de vivência para vivência, experiência para experiência. E tem aqueles filmes que apenas inspiram. Ou apenas causam aquela sensação de “ahhhh”. Exemplo: “Simplesmente Amor”.
Fui assistir a esse doce filme com uma grande amiga na simplória intenção de me divertir. Acontece que fui invadida por uma onda de “All You Need Is Love”. Acredite ou não, saí da sala aceitando um pedido de namoro pendente há tempos. Só faltava eu dizer que depois assisti a um filme e saí da sala querendo terminar o mesmo namoro, né? Mas não, já saí com essas idéias e frustrações a mais, mas nunca coloquei em prática! Cinema é quase, mas não é meu Oráculo ainda…
E “O Fantasma da Ópera”? Que eu saí me sentindo a cantora, doida pra encontrar um Erick da vida. Será que não rola um “Fantasma da Sétima Arte”? Mas, falando sério. Aquela história de amor sofrida, amarga, dolorosa e mesmo assim, linda de morrer. Aquelas músicas… Fiquei envolvida com o tema por anos a fio. Mesmo o filme não sendo tão maravilhoso, nem chegando aos pés da peça, o que vale é a intenção!
Ah, adoro sair de filmes com essa sensação de “rolou um clima”. É como se fosse um amigo seu que te compreendeu em todos os quesitos. Tirando a viagem na maionese que passa na sua cabeça… Se deixar levar nos raios de luzes é o que há. Experimente!

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