Por que o gênero mulher-desastrada provavelmente-desquitada provoca tanta simpatia? Estava eu assistindo ao hilário “O Diário de Bridget Jones” pelas terceira vez e fiquei me fazendo essa pergunta: será que todas as mulheres tem uma Bridget dentro de si?
Vou começar logo dizendo que a coluna dessa semana está a mais feminina de todas. Desculpem-me, rapazes. Prometo que recompenso vocês na próxima vez. Mas foi uma mera coincidência do destino eu estar, ontem à noite, na casa da minha vizinha, reassistindo casualmente “O Diário de Bridget Jones”. Acontece que fiquei me perguntando: por que será que esse filme é tão queridinho? Vou sair elencando pontos que podem ser responsáveis por esse carinho todo.
Tá certo. Tem o Hugh Grant e o Colin Firfh. Me dá uma dor só de olhar aqueles dois britânicos maravilhosos. Ai, só perdem para o Jude Law e o Clive Owen em “Closer”… Enfim, já temos nossa dupla de galãs: o canalha e o correto. Temos uma protagonista hilária e desastrada, talvez a mistura certa para arrecadar empatia do público. Sim, só na primeira cena ela já nos ganha. Bridget, uma garrafa de vodka (e Absolut ainda!) e Celine Dion detonam no dueto de “All By Myself”! Atirem a primeira bolsa aquela que nunca cantou emocionadamente um desses clássicos melosos em situações desbotadas da sua vida! No chuveiro ou na cozinha, no carro ou no elevador… Podem admitir. Rola uma identificação sim, bem básica, mas rola!
Fora isso, logo de começo a Bridget já declara guerra às gordurinhas indesejadas - drama de toda mulher de verdade, fora os cigarros e
abstinência sexual. Vou ignorar as últimas duas opções, mas da primeira, ninguém escapa. Nem a Kate Moss, nem a Gisele Bundchen. Gordurinhas indesejadas estão no topo da lista negra feminina. E nossa heroÃna desastrada vive bem esse drama. “Eu pensei que você tinha dito que ela era magra”. Ninguém merece ouvir isso, ainda mais no instante em que se descobre que é corna!
E falando em chifre… Que mulher nunca sofreu nos braços de um canalha por excelência? Pior quando é do tipo do personagem do Hugh Grant. Daniel Cleaver: lindo, charmoso, rico e canalha. Para quê melhor? Ou pior? Até o nome do cafajeste já diz: Cleaver. Do inglês “cleaver”, inteligente, sabidinho. Pensa que engana! Mas engana. E a infeliz da personagem de Renée Zellweger caiu que nem uma patinha, e não só ela.
Mas para equilibrar a gangorra, aparece o personagem do Colin Firfh: Mark Darcy. Discreto, mas desconcertante. Inteligente e com futuro promissor. Sem muitas ações, mas com uns olhares fuzilantes. O tÃpico queridinho da mamãe e das mulheres adjacentes também! E melhor, ele ainda gosta dela do jeito que ela é. Matou. Tá amarrado!
Claro que isso tudo não foi desenrolado tão facilmente. Quase que não sai, por sinal. E no durante, é uma mescla de risada com agonia, sorte e azar. Só sei que se você parar para prestar atenção, o público que se envolve com o filme acaba se transformando numa torcida organizada! Justamente pelas possÃveis identificações que podem vir a surgir, de
forma bem brincalhona, claro. O filme é uma comédia romântica, mas que traz dramas bem comuns de nós todas, de uma forma bem descontraÃda. Por isso deve ter tanta empatia. Afinal, eu ainda acho que dentro de cada mulher por aÃ, existe uma essência a la Bridget Jones. Nem que seja por uma fase, nem que seja o tempo de uma garrafa de vodka!

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