Engraçado. Ingênuo. Previsível. Talvez… “Era do Gelo 2” pode ser uma animação, mas seu tom de brincadeira e de muitas cores pode esconder uma série de reflexões sobre os tipos de pessoas que habitam nosso mundinho.
Eu sou fã de animações. Não perco uma! Me troco pelos bichinhos fofinhos e rio por qualquer besteira. Talvez seja mais fácil agradar a mim do que a uma criança de verdade! Mas depois de assistir “A Era do Gelo 2” e matar minha sede de risadas, percebi que esse filme segue uma linha de animações para adultos, no mesmo estilo de “Shrek”.
Após algumas conversas com um amigo cinéfilo e com outro companheiro fã de animações – principalmente do tipo monocromática, percebi mesmo que poderíamos tirar boas reflexões do filme.
Aquele esquilo mazelado eternamente em busca da última noz. A gente ri da desgraça do pobre coitado, mas muitos de nós podemos nos identificar com ele. E deveríamos nos inspirar nele! Apesar de todos os obstáculos, ele não desiste. Tá certo que ninguém sobreviveria ao que ele passou, mas ninguém aqui também é doido de levar tudo ao pé da letra. Eu acho… Quem sabe um aviso “não façam isso em casa” seria conveniente durante o filme. Mas independente do sucesso do infeliz, devemos invejar a disposição que ele tem, a garra!
Mas sim. Continuando. De cara, já temos uma lição de determinação e força de vontade. Depois chegam as mais mastigadas: instinto de sobrevivência, necessidade de provar coisas a todos e a si mesmo, checar os fatos antes de fazer algo…
Agora tiveram duas que achei mais interessantes: a do Sid, a preguiça aglutinadora, e a crise de existência da Ellie, a mamute-gambá. Devo dizer que sou fã do Sid. Ele é um prego carismático. Ninguém dá nada pelo pobre. Ele é alvo de chacotas sempre e nada que ele fala é levado em consideração a princípio. Mas acontece que apesar disso tudo, ele é um dos melhores personagens, de grandíssima importância. É ele quem une a turma. É ele quem faz o Diego vencer o medo de água. É ele quem manobra a cabeça-dura do Manny. É ele quem faz a galera rir também. Ele é o chiclete necessário. Aquela coceirinha chata, mas boa de sentir. Sim, sim.
E a questão da Ellie? Para começo de conversa, que viagem torta! Uma mamute pensar que é uma gambá! Mas nem falem muito. Aquilo ali nem está tão longe de nós. O mundo aí está cheio de casos assim.
Mamutes que pensam que são gambás. Gambás que pensam que são mamutes. Mas esses não são os piores casos. Pior é um gambá que pensa que é mamute e convence os outros de que é mesmo um mamute! Aliás… Tem coisa pior. Pior ainda é um gambá que sabe que é gambá, finge que é mamute e convence os outros disso. Já dizia Picasso: para ser um gênio, basta convencer os outros disso. E por aí temos muitos casos assim. São os famosos “convencidos”. Ou também chamados de esnobes, sem-noção, enxamistas… Existem diversos nomes para esse tipo de comportamento. Mas ainda acredito que isso é coisa de “gente sabida”…
E para começar falando disso, vamos diferenciar o que é sabedoria e o que é sabidoria. Sabedoria é digno daquele que é sábio, sapiente. Inteligência. Sabidoria é digno do malandro, do “sabido”, do espertinho que tem sempre um jeito de facilitar a própria vida s custas dos outros. É nesse quadro que encontramos o tal “jeitinho brasileiro”.
Tem gente que acha a sabidoria um “must”. “É o certo mesmo!” Mas acontece que nos dias de hoje as coisas estão mudando, e nem sempre o espertinho consegue se safar de tudo. Ninguém consegue fechar todas as torneiras, certo? Prova disso são as várias descobertas e punições que estão acontecendo por aí. Estamos longe de alcançar o “nirvana” da justiça, mas quem sabe estamos dando os primeiros passos da ética.
Já é um ponto de reflexão interessante. Hoje em dia, dizem que é mais importante “parecer” do que “ser”. Será que continuará assim por muito tempo? Ou as máscaras estão começando a cair mais rapidamente? Os gambás estão sendo descobertos e os mamutes descobrindo sua real capacidade?
Leonardo Boff já falou sobre isso usando águias e galinhas. Não usando necessariamente essa minha abordagem do “fingir para enganar”, mas usando a do “fingir por que não sei quem sou”. Uma pessoa-mamute que cresceu entre pessoas-gambás não vai saber que tem sangue de mamute. Não vai conhecer sua força e sua capacidade, e logo pode tornar-se alguém medíocre involuntarimente. Ainda tem a pessoa-gambá que quer pertencer aos mamutes e se esforça ao máximo para isso, ultrapassando seus limites, passando até para o grupo das pessoas-esquilos!
Já viram que dá para sair classificando as atitudes e os indivíduos de diversas maneiras, hein? Cada personagem do “Era do Gelo 2” pode representar um perfil. Quem sabe aquilo ali é uma paródia de situações corriqueiras nossas, disfarçadas com humor. Descubra qual personagem combina com você, então. Só não tente enganar os outros. A conta sempre chega para ser paga.


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