Código dos Livros para o Cinema

Publicado em: 29-05-2006 @ 12:02 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Esse negócio de transformar livro em filme é meio complicado, vocês não acham? Andei pensando nisso já várias vezes, mas o assunto me veio tona novamente após a estréia do famoso “O Código DaVinci” nos cinemas.

Eu ainda não vi o filme. E podem me chamar do que for, mas eu não estou morrendo para vê-lo ainda. Os motivos? São vários. Primeiro, não gosto das adaptações de livros para o cinema. Sempre deixam a desejar. Não por incompetência, mas porque nunca é a mesma coisa, já que cada um é cada um – mas falo sobre isso mais adiante. Segundo, esse filme, para mim, é apenas um caça-níquel. Achei o Ron Howard até corajoso demais ao assumir um projeto tão perigoso. Sim, perigoso, já que o livro foi super polêmico, super lido, super comentado, super exposto. Até o Diabo deve ter lido. Terceiro, os personagens principais não me convenceram nos trailers. Sim, não posso julgar o filme pelo trailer, mas trailers são feitos para causarem impacto e chamarem a atenção das pessoas, certo? Pois bem, não funcionou muito bem comigo. Fora que eu detesto salas lotadas demais. Vou esperar a poeira baixar e então confiro o filme, que até agora chegou aos meus ouvidos como uma produção medíocre, de atores descartáveis. O que foi que houve com o Tom Hanks? E a tal da Audrey deveria ter ficado no mundo fabuloso da Amelie. Que pena!

Mas antes de começar a coluna de fato, alguém pode me explicar quem foi o maluco que deu a idéia do filme estrear em Cannes? Quem foi o insano?! Central do Brasil recebeu cinco minutos de palmas, de pé, e eles querem estrear “O Código DaVinci” em Cannes?! Confundiram com o Oscar, não foi? Só pode. Cannes é conhecido por ser exigente. Que pretensão estúpida a desse povo… Não é porque tem o nome do grande Leonardo Da Vinci que a obra leva o crédito dele não, hein!

Mas, saindo do foco do superpop aí, vou voltar para a coluna. Essa parceria de filmes e livros tem futuro? Acho que ela sempre aguça a curiosidade de quem leu o livro, cria uma expectativa. E justamente por gerar uma espera é que a possibilidade de se acontecer uma frustração é maior. Se você vai sem esperar nada, qualquer coisa pode ser lucro. Mas se você tem uma idéia do que pode ser, qualquer coisa que saia desse modelo pode causar reações adversas.

Ao ler um livro, você automaticamente produz um filme na sua cabeça. Imagina as cenas, os personagens. Eu mesma imaginei o Robert Langdon completamente diferente! E imaginei a Sophie Neveau realmente ruiva, sabe? Aí já começa aquela sensação de “Vai, me convence!”. A leitura provoca essa criação. A imagem não, ela já chega com tudo pronto para ser projetado nas nossas cabeças. Por isso não gosto da adaptação. É preciso sempre lembrar que o filme é uma versão dos olhos do diretor. Não podemos exigir que seja igual nossa, certo?

Acho que estou começando a ficar curiosa para ver “O Código” não pelo filme, mas pela curiosidade em ver minha cara após o filme. Será exceção ou cairá na rotina dos que deixaram a desejar?




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