Cinema para Um ou Dois?

Publicado em: 26-06-2006 @ 12:05 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Fiquei pensando nisso quando vi “alguém” ser repreendida por ter passado o Dia dos Namorados num cinema, sozinha. Por que as salas de exibição de cinema se tornaram lugares “incomuns” para pessoas solteiras? Quem disse que o filme só é bom se você estiver acompanhado? Por algum acaso a interpretação da história precisa de um terceiro elemento?

Não sei desde quando isso acontece. Nem se é uma convenção, uma conseqüência, uma invenção dos depressivos de plantão ou uma norma social para separar os casais dos solteiros. Sei que desde que eu me dou por gente eu escuto essa ladainha de que ir ao cinema sozinho é muito melancólico.

Eu nunca fui sozinha, então, não sei bem qual a sensação. Mas tenho amigas que preferem muito mais irem desacompanhadas do que acompanhadas. Algumas dizem que a compreensão é melhor, que a atenção não é interrompida. Eu prefiro ir com boas companhias. E quando digo boas companhias, digo boas companhias e não parceiros. Vou ao cinema para ver o filme, não para aproveitar o baixar das luzes. Mas, que jogue a primeira pedra quem nunca teve um romance após os trailers, certo? O escurinho do cinema realmente é clássico. Da maneira de cada um: desajeitado, surpreendente, “aperreado”… Até comprido.

Engraçado que existem até os lugares marcados. Casais devem sentar ao final das cadeiras. Parece até convenção. Quanto mais longe, maior a vontade de ficar junto da pessoa e longe do enredo do filme. E prova disso são as últimas filas dos cinemas UCI! Agora foi! Por que só as últimas, e não todas as cadeiras, podem levantar o apoio do braço? Que discriminação é essa? Essa opção é prova da teoria do “cinema para dois, nunca para um”, e a desculpa esfarrapada de “proporcionar maior conforto” não cola. Até porque subentende-se que quem vai ao cinema, vai para ver o filme, e não para tirar um cochilo - por mais que isso aconteça até demais. Quem quiser uma poltrona, que procure na sua própria sala, ora.

Eu inclusive já li uma pesquisa que dizia que quem senta da metade das filas para frente capta muito melhor o filme, enquanto quem se senta da metade para o fim perde muitos detalhes. Por que será? Além do motivo físico e óbvio, será que a tal teoria aí altera as estatísticas? Interfere no produto final?

Sei que essa história aí acontece demais. Quem sabe, com a idade, ela vá se atenuando. Mas ainda existe. Ainda é estranho ver uma pessoa sozinha na fila do cinema. Alguém sempre pensa: deve estar esperando pela companhia. Ou, os mais terríveis e tradicionais: pobre coitado(a) da alma solitária…

Na verdade, sozinha eu nunca fui. Mas já me senti um peixe fora d´água por estar com uma amiga e não um amigo, formando aquele típico casal. Lembro ainda e morro de rir. Uma vez, quando fui conferir “Lisbela e o Prisioneiro”, no final do filme – quem assistiu, sabe – eu quase explodo de rir. Não sabia se era rindo para não chorar ou o quê, mas eu ri. Outra vez foi durante “Simplesmente Amor”. Nossa, só casal, um filme super romântico… Sai beirando a depressão. Mas fiquei super inspirada depois. Chegou até a influenciar minha vida pessoal!

Vai ver não devemos levar em conta apenas que a pessoa está sozinha. Devemos avaliar também o gênero do filme ao qual ela vai assistir. Se for romântico, aquele ingresso pode ser uma tentativa de curtir a fossa ou apenas uma descontração sadia. Afinal de contas, a modernidade nos dias de hoje é tanta que esse mito já está se perdendo. É tanta correria e tanta gente falando no nosso dia-a-dia que alguns minutos de paz e lazer são muito bem-vindos! E, aliás, esse é um dos melhores pontos de ir ao cinema sozinho: acabam os comentários inconvenientes. Odeio!

Mas voltando questão dos gêneros, pensei em algumas besteirinhas. Realmente ele faz a diferença. Imagina você ir ver sozinho “Máquina Mortífera 3″, “Todo Mundo em Pânico 4″, “Harry Potter”… Dá para aguentar sozinho, certo? E, sinceramente, no caso de alguns filmes, se você for sozinho, estará fazendo um grande favor ao seu companheiro! Agora, imagina aí um cidadão indo assistir “Titanic”, “Um Amor para Recordar”… Esses filmes são bem mais emocionantes, ou seja, o risco de se sentir o frio da vazio da cadeira ao lado é maior. Mas, quer saber, até em uma comédia pode ser que você sinta falta da companhia, ou não, nas horas das risadas, na hora de compartilhar uma cena particular.

Enfim, acho que da próxima vez que encontrar alguém sozinho na fila, vou tirar minha dúvida. Ou quem saiba deva eu mesma conferir essa sensação… Independente de com quem se vá, como se vá, o cinema ainda é um lugar mágico, onde ninguém sabe exatamente o que vai fazer quando as luzes se apagam.


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