Continuando o que eu falei na semana passada, a coluna dessa semana trás a Parte II daquela hipotética lista dos filmes dos “Pseudo-Cults”. Como na coluna passada eu já havia dissertado sobre o tema, agora eu vou apenas repassar mais uma parte da listinha.
Ao contrário do que eu tinha dito semana passada, eu achei uma denominação para “cult” no dicionário, mais especificamente, no dicionário Koogan-Houaiss. Quem quiser se aventurar procurando, aí está. Mas a de “pseudo-cult” ainda não foi adicionada… De qualquer forma, quem quiser se informar mais, procura o verbete “cult” + “pseudo” + “moda” + “tendência” + “volúvel” + “vazio” + “encenação” que você deve achar algo parecido…
Os Sonhadores (2003). Talvez por ser uma metalinguagem do cinema, por ter por si só um clima meio intelectual, aquele ar de estudante rebelde, ousado e prepotente, “Os Sonhadores” se encaixa perfeitamente nos anseios “pseudo-cultistas”. Assim como Giuseppe Tornatore em “Cinema Paradiso”, Bernardo Bertolucci investiu na metalinguagem, mas de uma forma completamente diferente. Enquanto “Cinema Paradiso” é mais emocional, sensível em todos os aspectos, bem mais puro e humano até, “Os Sonhadores” é uma história mais específica, sensual e ousada, que gira em torno de três personagens distintos e tem como fundo o Cinema Novo e as questões sociais e protestos da juventude da época. Mas isso é só pano de fundo mesmo. É um bom filme, e para os psicólogos, a personagem de Eva Green é um prato cheio. Mas acho que algumas pessoas exageram nos elogios… Potencializam e intelectualizam até o vácuo, se duvidar.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembraça (2004). É um filme louco. Extremamente inteligente. Por isso tem a fama de louco. E a protagonista expressa toda essa complexidade simpática nas suas madeixas. “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança” é capaz de causar grandes discussões, muito riso e muito choro, principalmente naqueles que compartilham experiência igual ou semelhante a do casal, Clementine e Joel . Kate Winslet e Jim Carrey estão ótimos. Até me espantei porque nunca havia imaginado nem um nem outro num drama daquele… E muito dificilmente alguém os escalarias para algo “cult”. Mas entraram no projeto e se saíram muito bem. Gosto demais desse filme. E não só eu. Argh! Tem gente que só porque sofreu uma dor de cotovelo, elege “Brilho Eterno” como filme da sua vida, e de uma hora para outra, pessoas que se faziam de inatingíveis, dissecam seu “sofrimento” se comparando Clementine, querendo pintar os cabelos e ter Alzheimer genérico e específico também. Como Ana Lee fala: é o filme da minha vida! Credo, viu. Esse é filme de “pseudo-cult” demais. Além de ser filme, é fonte de inspiração para como se tornar um sofredor. Porque o sofrimento é arte. Ui! Tem gente que confunde o fim de uma relação íntima com arranhão proposital no cotovelo… E dessa confusão, vem a idolatria vazia esse tipo de filme.
Edukators (2004). Ai vem a onda dos filmes estrangeiros, e quando digo “estrangeiros” me refiro aos filmes não-americanos, já que o cinema mais conhecido é o deles e quando não são eles, são estranhos. Daí surge a falsa idéia de que todo filme europeu faz sucesso, provavelmente pela fama artística que a Europa tem. Como eu suspeito, deve ser o sotaque diferente que cativa as pessoas… O cara pode falar a maior besteira do mundo, o maior clichê, mas fez biquinho, cuspiu rápido, falou com charme, tá valendo. É aqui que lembro de ” Edukators”.
Kill Bill (2003). Ok. Eu realmente nem acho que esse seja um filme de “pseudo-cult” de verdade não. Mas ele é do Tarantino, e Tarantino é ícone “pseudo-cult”, sim. Porque ele é louco. Loucura deve ser coisa de “pseuco-cult”… Como ouvi Ana Lee hoje dizendo: eu não gosto de coisas normais, de coisas que todo mundo tem. Então, filosofo eu nessa atitude - nada clichê… – e penso que, como o normal é ser normal, ser louco vai virar – se não já virou – moda. Crazy Fashion Show. Sei lá. Então, meu querido Quentin Tarantino tem que aparecer na lista. E esse, para mim, foi o filme dele mais banalizado e idolatrado toa. Mesmo assim, o filme é muito divertido, a Uma Thurman está de dar inveja aos sedentários e aos samurais, mas eu ouvi muita gente babando nele sem motivo aparente. A Ana Lee tem fortes motivos. O tênis amarelo que ela comprou na semana seguinte, por sinal, é um deles. Eu acho “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel” muito melhores, desculpa aí. Mas aí já exigir demais dos “pseudo-cults”, né? Vamos combinar… Eles teriam que pesquisar um pouco para descobrir… E já me falaram que pensar dói.
Ok. Já estiquei demais o assunto, certo? E ele já deixou de ser novo. Eu quis apenas cutucar. Digamos que as últimas duas colunas foram um desabafo, e acredito demais, não foi apenas meu.

Deixe um Comentário