A Vida Se Mistura Com o Cinema

Publicado em: 05-09-2006 @ 12:18 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Eu sempre me pego imaginando como seria a nossa vida mortal se ela fosse passada nas telonas. Mas, por algum acaso do destino – ou da película mesmo, nos últimos dias, me peguei pensando o contrário: como seriam certas situações do cinema se estas fossem colocadas na vida real?

Vamos logo ser práticos: tudo o que se vê no cinema, provavelmente saiu dos trilhos da vida real. Até mesmo o Darth Vader e o Gandalf. É sim, ou o diretor de cada um desses filmes não era humano, com uma criatividade extremamente fértil e alguns parafusos a menos? Quem disse que o Darth Vader não poderia ser aquele chefe megalomaníaco que invade o escritório para manipular e acabar com todos os estagiários que sonham em ser modelo da empresa? E quem disse que a Mary Poppins e a Noviça Rebelde não são o grito de desabafo de uma babysitter, de uma faxineira, de uma “Marinete” estrangeira?

Certamente, todos os personagens que marcaram nossa ida ao cinema devem ter marcado, antes, a vida do diretor ou do roteirista, a ponto de eles buscarem inspiração nisso e colocar no filme. Imagina aí. Se você pudesse transformar em filme algumas cenas da sua vida, que cenas pegaria? Aquela briga fenomenal com o namorado(a), tanto aquela em que você dá uma de megera indomada e acaba com ele, quanto aquela que ele joga você no chão, chama de lagartixa e bate a porta – algo no estilo de “Sr. e Sra. Smith”. Ou aquela reconciliação super romântica, tão “i will always love you”, que o câmeraman teria ficado diabético? Ou aquele pé na bunda digno de uma garrafa de vodka e alguns dvds ao estilo flashback para sofrer ao som de “more than words to show you fell”, parecida com “Bridget Jones”?

O cinema se mistura com a vida e a vida se mistura com o cinema. É por isso que nos identificamos tanto com certos filmes. Por isso nos emocionamos tanto. E odiamos tanto também… Quem não sentiu uma ponta do chifre nascendo ao final de “Closer”? Com aquela voz do Damien Rice dizendo que não poderia tirar os olhos de você? Aposto que teve um grupo de “acompanhantes” que olhou o parceiro de rabo de olho e pensou: será? E aposto mais ainda que teve outra “banda” que olhou e pensou: será que ele(a) desconfia? Claro que teve. “Closer” é um dos filmes que fala da vida nua e crua. E pior, de um assunto super popular na relações: síndrome da infidelidade justificada. “Bridget Jones” é outro. Duvido que a maioria das mulheres não tenha se identificado com a simpática Miss Jones em algumas situações. Tá bom que provavelmente, se a Bridget fosse passar para a vida real, ela não teria aquela sorte toda de arranjar um canalha lindo como o Daniel Cleaver, muito menos um partidão charmoso como o Mark Darcy. Poderia chegar perto, mas ia demorar, hein? Se alguém achar por aí, me avisem!

E imagina ai se a vida fosse um musical. Hilário! Essa foi a primeira palavra que me ocorreu. Como brincou um professor da faculdade, o famigerado Bittencourt, até os ônibus entrariam na história. “Trocador, quero o meu trocô!”. E os passageiros, todos sincronizados e empolgados, “Dê o troco, Dê o trocô!”. Olha só… cada uma teria uma trilha sonora. E você poderia até antecipar o que iria acontecer com você dependendo da música que começasse a tocar. Por exemplo, se viesse a vinheta do Plantão da Globo ou de “Psicose”, era melhor você sair correndo. Como já diria uma amiga minha, “o rabo era um rei”! Mas se viesse uma musiquinha estilo “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, você poderia partira para o abraço. Ou se começasse a tocar um “I Fell Good”, era hora de curtir a vida adoidado. Seria bem legal, né? Mas por enquanto, e pelo menos por aqui, a única trilha sonora que aparece inevitavelmente na minha rotina é o forró da minha vizinha, que passa a ser combatido ferozmente pelo meu “bom-gosto player”.

Olha só, “O Show de Truman”. Vai ver o diretor tinha síndrome de perseguição e teve um ataque de ansiedade no meio de um supermercado, agoniado com todas aquelas câmeras. Aí ele escuta a voz do gerente avisando “Atenção, cliente problemático no portão B” e no subconsciente dele, e na loucura também, ele imagina a vida dele vigiada por câmeras e guiadas por uma voz do além.

Ah, são tantas cenas que podem ter inspirado filmes e tantos filmes que podem coincidir com cenas do nosso cotidiano. É divertido procurar essas coincidências e semelhanças. Quem sabe você não tenha alguns takes de fama, achando-se em algumas situações do cinema…



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