Filmes Cults - O Retorno

Publicado em: 19-09-2006 @ 12:19 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Sim, sim, sim. Eu já falei sobre esse assunto! Mas é que li algo sobre isso essa semana e quis puxar essa pasta mais uma vez. Até porque, agora meu foco não é as pessoas “cults” ou “pseudo-cults”, mas sim os próprios filmes! Sim, sim, sim: as películas vão para o banco dos réus!

Estava eu, distraidamente, passeando por uma livraria, encantada por todos aqueles livros caríssimos que eu adoraria poder levar para casa, quando avistei lá na estante das revistas algo do tipo “30 filmes cults do cinema”. Meu primeiro pensamento foi: se é filme, é quase óbvio que seja do cinema, né Chiquinho? Depois seguiu para algo do tipo: e por que mesmo que vocês não publicaram isso quando eu tive a idéia da coluna, hein? Ora, bolas… Lá fui eu buscar a revista para ver do que se tratava.

Foi quando achei uma matéria sobre os 30 maiores filmes cults do cinema. Rá! Voei para as páginas “cults” e percebi que não tinha muito – bem dizer, nada – a ver com o tipo de conteúdo que eu tinha colocado naquelas minhas duas colunas sobre “Filmes dos Pseudo-Cults”. Sim, porque eu tinha falado sobre as produções que eu achava que tinham essa fama de ser “filme de gente inteligente e etc tal”. E a revista nas minhas mãos estava falando sobre os próprios filmes, e diferencialmente, não estava se referindo aos supostos filmes “inteligentes”. O ponto divisor ali era diferente do qual eu havia colocado. E foi aí que eu gostei mesmo. Claro, é sempre muito bom ter visões diferentes.

Aí lá fui eu ler. E entendi que eles estavam listando filmes que marcaram o cinema. E quando digo marcaram, nem sempre foi porque o filme foi “inesquecível”. Aliás, pode até ser, mas nem sempre foi por seu talento na técnica ou por sua excelência no enredo. Exemplo? “Pink Flamingos” (1972). Uma história que fala sobre um travesti que deseja reaver o título de pessoa mais “podreira” do mundo deixaria até os carinhas do Jackass e os irmãos Farrelly enjoados. E é disso que se trata o filme de John Waters, filmado em dois dias e com baixíssimo orçamento. Imagina aí… Esse seria um DVD que eu daria de Amigo da Onça.

Mas nem só de horrores a lista foi feita. E nem só de produções “que até o Diabo duvida”. “O Massacre da Serra Elétrica” (1974) está no páreo, filme no qual Tobe Hooper diz adeus sutileza com o seu orçamento de 300 mil dólares. Por que dizem que é cult? Ora, você nem deve ter assistido a essa versão de 1974, mas já viu ou pelo menos ouviu muito falar dos remakes, dos fãs e da lenda do Leatherface. Ai vem “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” (1966), que nem de longe lembra o “Kill Bill”, falando sobre uma stripper karateca. Isso já basta para causar risos, né? E cinematograficamente falando, Russ Meyer escancarou o erótico e a violência, influenciando uma pessoa aculá que vocês já devem ter imaginado: Quentin Tarantino. Precisa ainda falar o porquê de ser cult?

Aí aparecem algumas figurinhas carimbadas: “O Estranho Mundo de Jack” (1993), no qual Henry Selick resgatou a animação em stop-motion, “Como Enlouquecer Seu Chefe” (1999), a suposta mancada de Mike Judge que virou sucesso quando passou para DVD e que conta com a atuação de Jennifer Aniston como garçonete! Aparece também “A Bruxa de Blair” (1999), a pegadinha que Daniel Myrick e Eduardo Sanchéz pregaram em todo mundo, alegando ser um vídeo verídico.

Eis que surge uma pérola que me emocionou só de ler: “Cães de Aluguel” (1992). Primeiro filme do querido Tarantino, que tarantaniou muita gente com os “moços coloridos” e a cena dos seis ladrões andando em direção câmera. Como se não bastasse, o já falado e idolatrado – tanto que ensaia perder a graça, “Laranja Mecânica” (1971), mas que nunca deixa o posto de polêmico. Kubrick se tornou subversivo, levando em conta o momento e todo o efeito que o filme provocou, desde estudos aprofundados a fãs aprendendo o dialeto dos druguis. “Matrix” (1999) chega para dar uma passada também, e nem eu nem o Neo precisamos explicar o porquê. E “Donnie Darko” (2001) também não passa despercebido. Por sinal, ele foi muito bem lembrado por minha colega Yumi nas listas anteriores… E ele além de cult é louco. Richard Kelly deve ter sofrido para criar um coelho gigante que prevê o apocalipse e sai praticando o vandalismo por aí.

E de repente, não mais que de repente, me aparece o fantástico “Clube da Luta” (1999). Nossa, eu fico sem palavras. Como se não bastasse ter o Brad Pitt e o Edward Norton, dois atores que eu adoro, a história ainda é algo assim, bom demais. Quem não viu, tem que ver. E quem já viu, custa nada ver de novo – é, quase aquele “vale a pena ver de novo” da Globo, só que esse vale a pena mesmo!

E esses foram alguns filmes da lista que chamaram a minha atenção. E acho que a intenção da lista foi válida. É sempre bom lembrar dos filmes que marcaram época ou qualquer coisa. Seja por ser muito bom, seja por ser muito ruim. Aliás, devemos louvar a coragem dos que lançam lixos na telona… Serve como exemplo, ora. E se não tivéssemos algo tão ruim assim, não poderíamos comparar e enxergar outra coisa tão boa! Só não exagerem na dosagem…


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