Eu me acostumei a não criar grandes expectativas em relação a nenhum filme pelo simples fato de que a expectativa é diretamente proporcional satisfação e igualmente proporcional frustração. Felizmente, abri uma exceção para esse filme, e não me arrependi de forma alguma.
Pensando bem, acho que só me permiti ficar mais animada com o filme na semana que antecedeu o meu primeiro “encontro” com ele. Li várias matérias e fiquei imaginando como seria. No final das contas, nem lembro como imaginei. Só sei que adorei o filme e saí soltando foguinhos, super contente e satisfeita com o que vi.
Adianto logo que eu sei que o filme tem uma história pobre de tão óbvia, mas não são apenas os filmes “cabeça” que fazem a minha cabeça. Como já falei anteriormente, o que me interessa é a reação que o filme provoca em mim, mesmo que isso seja algo extremamente subjetivo e relativo. Mas é verdade, eu adorei o diabo no mundo da moda.
A começar pelo título: “O Diabo Veste Prada”. Eu sei que isso soa estranho e terrível para muita gente, mas eu simpatizo demais com o personagem do Diabo. E dispensem as ladainhas religiosas. O Mister D. faz o maior sucesso, já tendo estrelado grandes filmes e ganhado músicas geniais. Aí vem a parte mais óbvia: Prada. Definitivamente, bom gosto não está em discussão aqui. O título já exala a estética da produção.
Depois vem o elenco. Anne Hathaway. Ok, aquele “O Diário de um Princesa” nem de longe me desperta interesse, e eu criei um pouco de preconceito com a moça. Mas lembrando do seu papel em “O Segredo de Brokeback Mountain” como uma texana legítima, pensei duas vezes antes de prever algo. Quem sabe ela estivesse começando a escolher melhor os papéis e mostrando talento, que nem o Josh Harnett anda fazendo… Stanley Tucci. Esse eu sempre gostei. Seus personagens sempre foram convincentes. Prova da versatilidade e competência dele é o filme “Xeque-Mate”, que estreou recentemente aqui no Brasil, no qual ele faz o papel de um detetive, completamente diferente do profundo conhecedor de moda em “Diabo”. Agora você pára tudo e muda para outro parágrafo porque chega a hora da pérola do filme.
Meryl Streep. Magnífica. Não teria outra pessoa para fazer melhor esse papel do que ela. Ninguém com tanta moral, tanto charme, tanto talento. Para não dizer que eu não imaginei ninguém mesmo, eu pensei na Glenn Close, mas ela ficaria realmente beirando para o lado do Diabo mesmo… Enfim, Miranda Pristley está uma megera de causar medo e admiração encarnada pela premiada Meryl. Apesar de eu ter ouvido chiliques fenomenais escarrando a grande diva das telonas, isso prova apenas o quanto ela é boa. Afinal de contas, quanto mais importante a pessoa, maior o efeito nas pessoas.
Dito e feito. O filme começa bem. A trilha sonora está sensacional, empolgante desde o início ao som de KT Tunstall. Ainda teve uma canja do U2 – que eu particularmente gosto bastante, e óbvio, Madonna deixou sua marca. “Material Girl” e “Vogue” apareceram em momentos super oportunos, causando empolgação nos fãs e simpatizantes. Aliás, essa foi uma diferença divertida que percebi. Vou logo admitindo que assisti ao filme duas vezes. E já quero o DVD. A primeira vez, assisti com poucas pessoas, toda contida – na medida do possível. A segunda foi na esperada estréia nos cinemas daqui. A sala estava lotada e o ar-condicionado nem de longe conseguiu esfriar os ânimos dos pagantes. E a segunda vez foi muito melhor. Os comentários e os cantarolados pagaram o ingresso! “Ai meu Deus, Madonna!”, “Voogue! Adora essa música”. “Meu Deus, olha essa bolsa!” E o mais engraçado é que basta um acorde para despertar essa identificação toda. Mas se bem que eu ouvi coisas estranhas, do tipo: “Quem é esse daí?”, quando Valentino estava cumprimentando a poderosa “Mulher Dragão”.
Outra coisa que causou suspiros preocupantes foi o figurino. Bastava a sombra de um scarpin ou o relance de uma bolsa para algumas criaturas quererem pular na tela e levar para casa. Ali, todo mundo tinha o gosto pela moda. De diversas formas. Das saudáveis s obsessivas. Vi gente vestida como se fosse provar que era digna de assistir quele filme. Credo.
Mas enfim, voltando para o filme de fato. Ele é lindo. As roupas estão sensacionais. As músicas estão empolgantes… Quem gosta disso, vai amá-lo. E as interpretações estão super maravilhosas. Até a Emily Blunt, que faz o papel da primeira-assistente Emily e que eu não conhecia, está bem no papel. Fiquei surpresa. Nem o fato de história ser super clichê – salvando uns três momentos do filme, me deixou desanimada.
Agora, saindo do óbvio. O filme tem muitos pontos que me agradam. E que me causaram uma identificação tremenda. Um deles foi o dilema da jovem Andrea. Bem, um coisa que não posso deixar de falar: graças Miranda ela amadureceu e deixou de se chamar Andy e passou a usar o nome mesmo. Andrea é tão bonito. E Andy é tão babaca… Mas sim, o dilema da Andrea. Atire a primeira pedra quem não conhece um “workaholic”. Ou alguém que tenha um celular tão gasguito quanto aquele, ou uma vida tão corrida quanto aquela. Para uns, aquilo é uma inferno. Para outros, um inferno bom de se ter, tão bom que o céu só pareceria convidativo se fosse um lounge com “open” bar. Essa variação de ponto de vista é sempre polêmica. E depende da personalidade e do limite de cada um saber que tipo de “workaholic” ser, ou melhor: que tipo de “workaholic” não ser. Mas o que vale é que aquela situação acontece com várias pessoas. Aquelas discussões entre os casais por motivos profissionais já virou pauta das DRs, e isso sim é um sinal da vida moderna. E eu tenho que desabafar: aquele namoradinho me deu nos nervos em alguns momentos…
Outro ponto que achei positivo foi o fato de não se exibir modelos, exceto a participação especial da Gisele Bündchen, que nem estava como top model. De qualquer forma, o filme não explora as modelos, nem a anorexia, nem o consumismo. Esse lado da moda já foi super explorado, e continua sendo. E deve continuar sendo. Mas “O Diabo Veste Prada” explora mais as relações, de trabalho e pessoais. Moda é uma área de trabalho, afinal de contas, e não uma brincadeira de escolher as roupas da estação. Pode parecer tolo e inútil para muitos, mas é uma área extremamente valorizada e rica no mundo atual. Não se trata apenas de estilistas, pessoas chiliquentas e cheias de fru-frus. Esse estereótipo só cola nos ignorantes. Trata-se de uma indústria, com pessoas competentes e empresários engajados.
“O Diabo Veste Prada” é um colírio para os olhos de quem gosta de moda, um divertimento despretensioso com ótimas atuações.


3 | julho | 2008 às 14:49
beijos.
Simony Silva