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Chapeuzinho na versão B

Publicado em: 26-10-2006 @ 12:27 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Apesar de ser nova no mercado das animações, a Blue Yonder Films/Kanbar Entertainment não se saiu mal. Com uma interpretação diferente da história super conhecida da menina de capuz vermelho, a animação me rendeu boas risadas, apesar dos vacilos nos clichês e nas musiquinhas bregas.

Apesar dos traços diferentes e dos personagens não tão desenvoltos como estamos acostumados a ver nos sucessos da Pixar e da Dreamworks, “Deu a Louca Na Chapeuzinho Vermelho” conseguiu tirar boas risadas da minha pessoa. E, diga-se de passagem, da minha vizinha mais ainda!

Desde a primeira vez que vi o trailer, fiquei ansiosa para ver o filme na íntegra. Aquele esquilo hiperativo e aquelas tartarugas tentando correr me mataram de rir. Mas eu costumo rir de muita besteira e tenho um verdadeiro vício em animações, principalmente com bichinhos e com muito humor – melhor ainda se for inteligente, como em “Os Sem-Floresta”.

Então, finalmente assisti ao lado B da história da Menina-Chapéu e, apesar do estranhamento com a forma de desenho diferente, gostei bastante. Sim, adoro ver versões das coisas. Tanto de músicas como de filmes. E quando parte para a comédia, melhor ainda. A história da Chapeuzinho original é um porre. Sou mais a da Branca de Neve – aqueles anões são sensacionais! Então, fazer uma versão daquela historinha foi uma tirada super bacana. E já que é uma versão nova, que seja a versão inesperada de cada um dos personagens principais.

O Lobo. Não, ele não é tão mal assim. E nem queria comer a Chapeuzinho. Nem no sentido literal, nem no sentido dos tarados de plantão! Na verdade verdadeira, ele era um jornalista! Genial! Será que o diretor tem raiva de jornalista? Quis comparar a raça a lobos? Bem, eu, como publicitária, sou suspeita a fazer piadinhas. Até porque gosto mesmo é de Comunicação, logo, me apetece muito certas áreas do jornalismo. Enfim, o Lobo era um jornalista famoso por seus furos de reportagem e estava buscando informações para sua coluna sobre o “ladrão das receitas de doces”. A Chapeuzinho apenas estava no meio da enrolada, ora. Agora, melhor do que ele ser um jornalista, é a frase que ele solta durante um momento difícil: Devia ter sido mesmo era crítico de cinema! Olha só! Estou no caminho certo!

Ligerinho. Um lobo jornalista precisa de uma equipe, certo? Então, aqui está o fotógrafo. Um esquilo extremamente hiperativo, obviamente chamado de Ligeirinho. Sim, o nome não foi lá muito original, mas o esquilo é dos bons. Hilário! Deve ser um primo não tão famoso do Hammy. Identifiquei-me demais com o pequeno peludo. Primeiro, ele é hiperativo, nervoso, fala rápido e quase ninguém o entende. Segundo: ele é fotógrafo! E ainda fala o nome das lentes e das câmeras! Muito bom.

Chapeuzinho. Ah, ela só é uma menina que sabe lutar bem. Não me provocou muita empatia não. Tem a voz da Anne Hathaway, que já não é uma das minhas preferidas (essa aí só começou a ter moral comigo depois da partipação em “O Diabo Veste Prada”, então…), fora que os dotes dela não são nem de longe engraçados. Acho que faria muito mais sucesso se ela fosse uma patricinha reclamona da vida na floresta, desengonçada ou com algum tique nervoso engraçado… Sei lá.

A Vovó. Essa daí também não fez muito meu gênero. Gostei do inverso extremo de ser uma vovó radical e tal. Mas não morri de rir. Tem, sim, umas encaixadas legais. Por exemplo, quando ela está no telefone com a Chapéu e parece que está com agulhas de tricô na mão, enquanto, na verdade, são dois esquis.

O Lenhador. Pronto. Esse daqui eu gostei também. O ator mongol que quer passar num comercial de desodorante ou sei lá o que é. As partes dele tentando aprender a cortar madeira são divertidas. E as referências a ele dentro do filme também são bem engraçadas.

Resumindo. Entre os quatro personagens, o Lobo e o Ligeirinho são os mais queridos. O Lenhador vem na rabada e a Vovó e a Chapeuzinho, bem, vamos deixá-las de lado.

Mas isso não é tudo. Acho que os personagens que nasceram especialmente para essa versão B são os mais legais da história. O porquinho policial, a cegonha assistente, o sapo inspetor… Todos têm tiradas engraçadas. Agora, não posso ficar sem falar do mais perturbado de todos: o Bode!

O Bode. Só com aqueles chifres o cara já ganha! É chifre para tudo! Os cornos devem ter ficado felizes descobrindo tanta utilidades para seus chifres, ou com inveja, diante do aparato do Bode. Mas ele vai além da estética! Ele canta! Aliás, ele “só” canta, por causa do tal feitiço da bruxa. Mesmo nos momentos mais inconvenientes, lá está o Bode tiroleando coisas. É para chorar de rir.

Voltando ao desenrolar do filme, pensei que eles fossem fazer referências a outros filmes, como fizeram com o sapo Pirueta no flashback explicando o porquê desse apelido com trechos do John Travolta em “Os Embalos de Sábado a Noite”. Mas me enganei. Depois disso, só a Vovó imitando o Tom Cruise em Missão Impossível, e a Chapeuzinho sendo amarrada e carregada como o Hannibal Lecter em “O Silêncio dos Inocentes”.

Basicamente, o filme é um passatempo despretensioso e com sacadas legais. Faltou um pouco mais de envolvimento na trama. Tiveram longos momentos sem piadas, o que esfria o público, além dos musicais bregas que só divertem as crianças e do drama dispensável e barato da Chapéu com a Vó.

Mas, para ter sido o primeiro, já está de bom tamanho. Querer algo altura dos grandes nome do 3D já é pedir demais.



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