A idéia deste post surgiu em uma conversa de bar com o nosso amigo Raphael Santos. O assunto é um tanto polêmico para alguns. Há quem diga que, com a industrialização do cinema em Hollywood, o cinema autoral parou de existir. A influência do produtor é tanta que o filme acaba sendo mais dele do que do próprio diretor. Walter Salles utilizou essa justificativa para o fracasso de crítica de “Água Negra”, seu debute na indústria americana.

Volver: Cores e Mulheres de Almodóvar:
marca registrada do cineasta
Outros ainda afirmam que o roteirista e o editor são tão importantes no resultado final quanto o diretor das películas. Isso é fato, mas não podemos negar que em meio enxurrada de produções comerciais, cineastas de verdade resistem bravamente.
Podemos citar alguns tipos de autores. Existem aqueles que trabalham em sintonia com o resto da equipe e seus trabalhos podem ser reconhecidos facilmente. Estética, direção de atores, temáticas, tudo em uníssono, como uma espécie de marca registrada. Esse é o caso de nomes como Pedro Almodóvar e Martin Scorsese. O espanhol e o americano têm um estilo muito peculiar e mesmo quem não é muito fã reconhece fácil a sua assinatura. Quem se enquadra nessa categoria é o também americano Woody Allen. O excêntrico nova-iorquino construiu a carreira com um tipo de comédia só seu e mesmo quando foge regra produzindo dramas tensos como é o caso de “Match Point – Ponto Final” deixa escapar em alguns momentos as características que o tornaram famoso. Allen e Almodóvar se diferenciam aqui de Scorsese por escreverem seus próprios roteiros. Talvez por isso o diretor de “Os Infiltrados” mereça maiores créditos por conseguir manter uma unidade.

Eastwood em “Menina de Ouro”:
temática recorrente
Outro grupo de autores é daqueles que não imprimem uma marca visual a seus filmes, mas somente temática. Clint Eastwood conta histórias diferentes em suas fitas, mas não esconde a preferência por questões éticas e sempre com um olhar bondoso para aqueles que escolhem caminhos por vezes condenados pela opinião pública. Foi assim com “Sobre Meninos e Lobos”, “Menina de Ouro” e os dois mais recentes “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”. Mel Gibson também é adepto deste grupo, ao tratar da expiação dos pecados pela dor em seus três últimos projetos realizados no comando da direção.
Por fim, encontramos os que trabalham com estórias diferenciadas, temas divergentes, estética própria a cada nova incursão cinematográfica. Nem por isso, eles deixam de imprimir na tela sua ideologia e visão de mundo produzindo uma obra de arte que carrega uma autoria. Darren Aronofsky é, quem sabe, o maior expoente desse bando. Você consegue imaginar algum outro diretor realizando “Fonte da Vida”?

Quentin Tarantino: autor de
seus próprios filmes
Não podemos esquecer de Quentin Tarantino e Tim Burton, difíceis de classificação já que apresentam todas as características citadas. O que todos esses nomes têm em comum é a idéia de que um verdadeiro autor de cinema trabalha não só dirigindo câmeras e atores, mas passeia pelo mundo das idéias seja na forma ou conteúdo de seus filmes.

26 | June | 2007 às 19:03
Exclelente post! Simples, rápido, completo e objetivo.
Parabéns Igor.
27 | June | 2007 às 09:46
Legal gostei mesmo parabéns pelo post.
27 | June | 2007 às 10:04
Faltou os IRMÃOS COHEN…
27 | June | 2007 às 12:30
O texto aí captou mesmo a essencia de tudo que tá acontecendo hoje em dia.
excelente.
Pra mim tim Burton é o melhor!
27 | June | 2007 às 13:00
Franze,
confesso que o nome dos irmãos Coen nem passou pela minha cabeça. Apesar de minoria, os diretores/autores não são poucos e fica difícil lembrar de todo mundo. O prórprio Tim Burton só apareceu em um segundo momento, na revisão do texto. Quem sabe em uma próxima vez?!
27 | June | 2007 às 13:02
Caio, glaucilene e Fran,
valeu pelos comentários! Podem surgir posts mais detalhados autor por autor daqui pra frente.
27 | June | 2007 às 16:49
Parabéns pelo texto Igor.
É engraçado como alguns posts parecem captar alguns pensamentos nossos sobre o cinema, como se folheassem um arquivo de uma prateleira.
Sempre observei as características de certos autores/diretores.
Quanto mais indústria se torna, mais o cinema busca segurança de retorno, através de adaptações, visando clientela já definida de leitores de livros, hqs, jogadores de vídeo-game, etc.
Um dos maiores exemplos da atualidade é: O Senhor dos Anéis, que teve nada menos que 50 anos de propaganda e formação de fã clubes, terreno pronto para receber a boa semente da adaptação, com retorno garantido.
Felizmente, como pude observar nas críticas do CCR, e a crítica mundial, os diretores que ainda ousam ser autores, recebem nota 10 em seus trabalhos.
Clap Clap de pé para todos estes “Dirautores”, ao CCR e a todos nós que buscamos ver uma história original. Amamos SIM, as BOAS adaptações, e não apenas Ctrl+C, Ctrl+V de uma “Arte” para outra.
27 | June | 2007 às 20:07
Texto mto bom mesmo.. e com certeza esses diretores ai estão entre os preferidos de 10 entre 10 cinéfilos.. falando em diretores da atualidade claro!!
28 | June | 2007 às 15:17
faltou michael bay melhor diretor dos umltimos 10 anos
28 | June | 2007 às 20:06
Brilhante matéria Igor. Eu me lembro da nossa conversa sobre esse assunto. Ou melhor, nossa conversa sobre Kill Bill. Hehehehe!
Então, eu vou me inspirar eu sua matéria e escrever um pouco sobre também. Isso é só um dia, quem sabe. Hahaha!
Tu considera os irmãos Wachowsky pra essa categoria? É uma dúvida que tenho. ;\
O bom hoje em dia de termos DVDs e não mais fitas cassetes são os extras. Rapaz, é impagável quando um dvd vem com o comentário do diretor, mesmo que seja um curto making of, e esses diretores que tu citou fazem ótimos extras. Sobretudo o Tarantino. Você ver o amor dele fazendo o filme, como nos extras de Cães de Aluguel e Kill Bill, por exemplo. Outro extra muito bom é de “Corpo Fechado” do Shyamalan. Tem uma faixa onde ele explica tin-tin por tin-tin porque tirou determinadas cenas antes de exibi-las. Vale a pena!
É isso. Até me prolonguei sobre o assunto.
Abraço,
28 | June | 2007 às 22:15
OOOHH Igorrrr cadê o Steven Spielberg e George Lucas na sua matéria?
29 | June | 2007 às 10:55
Raphael,
sabe que nunca parei pra pensar sobre os irmãos Wachowsky. Acho que vou deixar pra responder essa pergunta depois, pra evitar polêmicas. :p
E espero que você faça mesmo uma matéria do tipo, afinal fiz questão de deixar o Shyamalan para você, que tem mais propriedade pra comentar o trabalho do cara.
29 | June | 2007 às 11:13
Felipe,
gosto muito do Spielberg, mas não sei se o considero assim. Existem formas e formas de se fazer cinema imprimindo suas idéias no que está sendo filmado. Acho que ele tem muitas qualidades, mas nesse quesito não sei se o colocaria no mesmo patamar que os citados na matéria.
30 | June | 2007 às 00:58
Muito interessante a matéria e muito bem a escolha dos diretores, para mim só pecou o fato de Alejandro González Iñárritu não estar ai.. Acho simplesmemnte brilhante.
30 | June | 2007 às 15:53
Show de bola o post, mas penso comigo, nem todo filme sai como deve ser, não é que nem antigamente em que os diretores conseguiam tranparecer o que realmente queriam passar para o público, hoje em dia é tudo questão de R$…
Na maioria das vezes…
17 | July | 2007 às 23:20
Gostaria de saber como entrar em contato,através
de e-mail ou sites dos diretores Almódovar,Martin
Scorcese, Mel Gibson,Costas Gravas, Coppola, gosta-
ria de saber se há algum concurso de roteiros e como
participar.
Obrigado
18 | July | 2007 às 00:46
Tarantino é rei!
hahaha, excelente matéria