Homenagem a Humphrey Bogart²

Publicado em: 11-07-2007 @ 3:53 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Caros leitores, como anunciado (1), eis a continuação da matéria sobre Humphrey Bogart, uma retrospectiva de sua filmografia resumida em dez títulos.

UMA AVENTURA NA MARTINICA (COMPRE O FILME)
(To Have and Have Not, 1944. De Howard Hawks. Com Walter Brennan, Lauren Bacall, Dolores Moran, Hoagy Carmichael)


O cenário é a ilha caribenha Martinica da Segunda Guerra Mundial. Harry Morgan (Bogart), um norte-americano, sobrevive do aluguel de seu barco para passeios turísticos. A Resistência Francesa lhe propõe uma boa quantidade de dinheiro para fazer o transporte ilegal de um de seus membros, mas, decididamente, Morgan não está disposto a arrumar problemas. Porém, ele conhece no hotel em que vive a charmosa batedora de carteiras Marie Browning (Bacall), uma jovem que sonha em voltar ao seu país. Em benefício de ambos, Morgan aceita correr os riscos e prestar o serviço � Resistência. Baseado em “Ter e Não Ter”, considerada uma das piores obras de Ernest Hemingway, o filme foi assumido por Hawks como um desafio. Aliás, o diretor adorava desafios. Um entre os seus preferidos era lançar novos astros e, acatando a sugestão de sua esposa, resolveu contratar uma jovem atraente que viu em uma revista, Betty Perske. A moça de apenas 19 anos conseguiu um contrato de alguns meses na Warner e deram início � sua transformação em Lauren Bacall. O resultado todos conhecemos: em Uma Aventura na Martinica somos testemunhas do surgimento de uma tórrida paixão entre dois atores, que resultaria no casal mais famoso e querido de Hollywood desde Douglas Fairbanks e Mary Pìckford.

PRISIONEIRO DO PASSADO (COMPRE O FILME)
(Dark Passage, 1947. De Delmer Daves. Com Lauren Bacall, Bruce Bennett, Agnes Moorehead, Tom D’Andrea)


Em sua fuga da prisão, Vincent Parry (Bogart) é encontrado � beira da estrada por Irene Jansen (Bacall), uma jovem pintora que resolve dar tudo de si para ajudá-lo. Acusado de ter assassinado sua esposa, ele não entende o sentimento compassivo da moça, até que ela confessa ter sido cadeira cativa em seus julgamentos e que aposta em sua inocência. Nesta terceira parceria entre Bogie e Bacall, foi adotado o uso de uma técnica moderna, aplicada anteriormente em A Dama do Lago, do mesmo ano: a câmera subjetiva, em que o que vemos em tela é a visão do personagem. Diferente do longa-metragem de Robert Montgomery, o filme abandona o recurso antes da metade, recorrendo a bandagens cirúrgicas para ocultar o personagem de Bogart, evidenciando apenas sua voz inconfundível. O manda-chuva do estúdio, Jack Warner, detestou a idéia de o seu maior astro permanecer “escondido” por tanto tempo, mas, ainda assim, a parceria Bacall & Bogart atraiu bastante público aos cinemas, gerando mais um sucesso para a Warner.

O TESOURO DE SIERRA MADRE (COMPRE O FILME)
(The Treasure of Sierra Madre, 1948. De John Huston. Com Walter Huston, Tim Holt, Bruce Bennett)


Fred (Bogart) e Bob (Holt) são americanos que vivem de esmolas no México. Eles arrancam algum dinheiro de um homem que lhes ofereceu trabalho duro e saiu � francesa, passando-lhes a perna. Fred tira também a sorte grande ao jogar na loteria, ganhando algumas centenas de dólares. Os dois conhecem Howard (Huston), um velho minerador que lhes conta sobre algumas jazidas de ouro jamais acessadas pelo homem. O interesse dos rapazes é imediato, então os três unem fundos para pagar alguns equipamentos e partem para o local a fim de explorá-lo. Mais uma parceria entre o cineasta John Huston e Bogie, é ainda hoje considerada um dos melhores retratos da ganância humana. Em uma das interpretações mais marcantes da sua carreira, Bogart assume com realismo o papel de um homem que, aos poucos, tem o seu caráter desintegrado pela ambição, como profeta o personagem de Walter Huston, pai do diretor. O ator Robert Blake, que futuramente trabalharia com David Lynch e causaria polêmica ao assassinar sua esposa, faz aqui uma participação curiosa como o menino da loteria.

SABRINA (COMPRE O FILME)
(Sabrina, 1954. De Billy Wilder. Com Audrey Hepburn, William Holden, Walter Hampden, John Williams, Martha Hyer)


Sabrina (Hepburn) é filha do chofer da importante família de empresários Larrabee. Criada na mansão dos patrões de seu pai, nutre desde menina uma paixão platônica pelo caçula da família, David (Holden), um boa-vida que coleciona casamentos. Enviada a uma grande escola de culinária em Paris, amadurece em sua estada, voltando � Long Island com a devida elegância. Preocupado em garantir um acordo empresarial, Linus (Bogart), o filho mais velho dos Larrabee, arruma mais um casamento para o irmão mais novo. Intencionando manter Sabrina longe do irmão prometido, Linus aproxima-se dela, mas acaba envolvendo-se. Depois de uma gama de personagens relacionados ao gangsterismo e outros crimes, Bogie adiciona � sua galeria um galã de meia-idade, provando a sua indiscutível versatilidade. Ele foi dirigido pelo já premiado Billy Wilder, hoje considerado um entre os maiores diretores de todos os tempos. Há boatos de que Bogie antipatizava com a doce Audrey Hepburn, insistindo que o papel deveria ser repassado � sua esposa, Lauren Bacall. Felizmente, essa não era uma possibilidade e Audrey realizou uma das performances mais graciosas do cinema; além de dar início a uma parceria com Hubert de Givenchy, estilista francês que a transformaria também em uma lenda da moda. Realizado há mais de 50 anos, Sabrina continua emocionando com a mesma intensidade os espectadores de um bom romance.

A TRÁGICA FARSA (COMPRE O FILME)
(The They Harder They Fall, 1956. De Mark Robson. Com Rod Steiger, Jan Sterling, Mike Lane, Max Baer)


Eddie Willis (Bogart), consagrado jornalista esportivo, é contratado por um grupo de homens para trabalhar como assessor de imprensa de um novo talento do boxe. Logo ele descobre que o “habilidoso” rapaz não passa de um homem corpulento e ingênuo que acredita ser forte e resistente como ouve dizer. Apesar de respeitado comunicador, Willis está desempregado e, em troca de uma boa fortuna, aceita a proposta de forjar para a imprensa informações acerca do lutador. Diferente de grande parte dos filmes estrelados por Bogart, A Trágica Farsa é assumidamente crítico. Propõe o desmascaramento da indústria milionária e desumana do boxe, que não distingue seus esportistas de um cavalo de corrida. Em um desempenho mais do que digno de respeito, é com este filme que Humphrey Bogart, uma entre as lendas imortais de Hollywood, despede-se do cinema.

Bogie faleceu em 14 de janeiro de 1957, vitimado por um câncer de garganta ocasionado pelo cigarro, seu inseparável companheiro (inclusive nos filmes). Com sua última esposa, a atriz Lauren Bacall, dividiu as telas quatro vezes e teve dois filhos: Stephen Humphrey Bogart e Leslie Bogart. O nome de sua filha é uma demonstração de gratidão ao ator Leslie Howard que, como citado na primeira parte da matéria, foi quem fez a carreira de Bogie em Hollywood deslanchar, na segunda metade da década de 30. Nestes 50 anos de sua morte, não há melhor homenagem do que comemorar seu legado: os seus filmes.

Ele foi agraciado com o maior dom que um homem pode ter: talento. O mundo inteiro o reconheceu… Sua vida, ainda que não longa se medida em anos, foi rica e plena… Não temos motivos para sentir pena alguma dele; apenas de nós mesmos por tê-lo perdido. Ele é absolutamente insubstituível. Jamais haverá outro como ele”. (John Huston)




7 Comentários

  1. Jurandir Filho
    11 | July | 2007 às 16:19

    SENSACIONAL (Aplaudindo de pé)! Excelente coluna. Ótimos que filmes também. Mas esses dizeres do John Huston aí no final são tocantes ao extremo. Perfeito! Parabéns Bia!

  2. Igor Vieira
    11 | July | 2007 às 19:19

    Confesso que nunca fui de assistir a filmes clássicos, mas esta coluna tá me deixando com muita vontade de ver todos esses filmes.

    Parabéns, Bia!

  3. Diego Benevides
    12 | July | 2007 às 16:49

    ain, q vontade de ver todos esses também!
    Bia, não esqueci q ‘cê vai me emprestar, hein?
    ehehehehe xD

    Beijo e ótimo texto! :*

  4. wilmar ferraz
    13 | July | 2007 às 14:54

    Parabens Bia, esta coluna e simplesmente maravilhosa. O comentario de John Huston e tocante.
    Quero lhe sugerir uma coluna com o grande John Wayne, com certeza ele merece esta sua e nossa homenagem. Estamos esperando

  5. Patrícia
    17 | July | 2007 às 00:44

    Espetacular, assim como a matéria anterior! Parabéns, Beatriz! Sou, agora, uma fã de carteirinha da sua coluna!

  6. Celso Vernizzi
    5 | August | 2007 às 13:15

    Procurando por Bogart descobri você e já virei fã também….

    Estou procurando o filme Passagem para Marselha. Vc. teria como arrumar este filme de 1944?

  7. Beatriz Saldanha
    5 | August | 2007 às 16:01

    Caro Celso,

    Já foram lançados em DVD muitos filmes importantes do Bogart, mas ainda há essa carência em relação a vários outros. Uma das maiores reclamações dos fãs do Bogie é o segundo volume do box lançado pela Warner, tão prometido, mas jamais lançado no Brasil. Sobre PASSAGEM PARA MARSELHA. Não sei se dizer se o filme chegou a ser lançado em VHS, mas é provável que você encontre com colecionadores. Muita gente costuma gravar da TV. Boa sorte na procura.

    Abraço,
    Beatriz.

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