Antes tarde do que nunca! É isso que dizem, certo? E foi isso que eu fiz. Finalmente, volto a escrever minhas colunas semanais. Depois de tanto tempo, será que vou dar conta? Não sei. Quem sabe é que nem andar de bicicleta ou assistir ao mesmo filme novamente. Será? Será que é a mesma coisa? Digo, assistir ao mesmo filme novamente tem o mesmo efeito? Ok, acabei de achar a pauta dessa coluna. Bingo!
A primeira vez é sempre mais valorizada por nós. E calma, não estou falando de sexo. Ou pelo menos não só disso… O primeiro sutiã (desculpem, meninos, mas a cuequinha de vocês não tem muita fama), o primeiro beijo, o primeiro namoro, o primeiro fora, o primeiro carro, o primeiro porre, o primeiro salário e por aí vai. Temos que admitir que os “primogênitos” sempre ganham mais atenção. O desprezo pelos segundos, terceiros e lanterninhas é fato. Acho que o único que não é primeiro e tem mais atenção é o Ricardão.
Atentando a essa unanimidade que é o “primeiro”, eu penso: e a primeira “assistida” a um filme é a melhor? Ou é que nem vinho e melhora com o tempo? Ou é que nem jornal que dia seguinte perde o valor? Uma professora de português na minha nona série dizia: para se entender melhor o texto, leia-o pelo menos três vezes. Então, para melhor entender um filme, é preciso revê-lo repetidas vezes? Ok, cessaram as perguntas. Vamos s explanações.
Eu acho que varia. A relatividade de Einstein se emprega aqui no Cinema também. Ver determinado filme pela primeira vez tem seu valor. A primeira impressão é realmente importante. Só que não deve ser supervalorizada. Certos filmes merecem ser revistos. Outros filmes, pedem uma segunda chance. E temos aqueles outros que nunca deveriam nem ter sido filmados. E se pegarmos pela filosofia de que nós mudamos constantemente e que “a água do rio nunca é a mesma”, claro que todo “encontro” com um filme será diferente. Se vai ser melhor ou pior, aí depende do filme, de você, do seu estado emocional, da sua atenção, até da qualidade da exibição. Mas toda “assistida” é diferente, porque você percebe novos detalhes, foca a atenção no que é de interesse e, se o filme for bom mesmo, acaba se surpreendendo novamente.
Vamos ver alguns exemplos, certo? “Cidade dos Sonhos”, do David Lynch. Ai de quem disser que viu esse filme só uma vez e não quis ver outra. Ou que entendeu tudo de uma vez. Por favor, me mande um e-mail que eu faço questão de dar os parabéns a você. E “Pulp Fiction – Tempos de Violência”, do Quentin Tarantino? Eu mesma vi três vezes no mesmo dia, com caneta e papel na mão, tentando pôr os capítulos em seqüência cronológica. Mas esses são filmes intrigantes por natureza, então, é meio que instintivo ter essa vontade de rever o filme. Certo, vamos pegar outros estilos então.
E aqueles filmes que fizeram momentos na sua vida? Bem, eu só possa falar da minha, então, vou falar de “Socidade dos Poetas Mortos”, do Peter Weir. Assisti quando era bem mais nova e me apaixonei pelo filme. Me inflamei com a paixão de Neil e quis escrever poemas junto com eles. E mais do que tudo: queria ter um professor inspirador como aquele do Robbin Williams e gritar “Oh, captain, my captain”. Admito: fiquei com os olhinhos marejados por causa daquele filme. Então, um belo dia, tive que assisti-lo novamente em uma aula da faculdade. Foi uma sensação muito boa. Primeiro, pude me comparar comigo mesma. Segundo, estava vendo o mesmo filme com olhos completamente diferentes, cheia de novas experiências, novo comportamento, novas perspectivas, novas opiniões.
Eis que vi o filme de forma muito mais madura, interessada em saber sobre a literatura lida pelos estudantes e não apenas os dramas dos personagens. E, claro, estava extremamente mais atenta a detalhes como fotografia, direção, atuação e outras coisas mais. Portanto, a primeira vez foi marcante, mas a segunda me rendeu muito mais “retorno”, já que a reflexão foi mais profunda.
Outro filme que mudou de cara para mim foi “O Pianista”, de Roman Polanski . Em 2002, vi o filme ainda no cinema. Já gostava do Andrien Brody e respeitava a direção de Polanski, mas meu humor não estava muito sensível no dia. Eis que saí da sala pensando: mais um filme de guerra. Felizmente, meses depois voltei a estudar piano e uma amiga havia alugado o DVD. “Minha nossa senhora, que filme espetacular”. Voilá! Quem sabe a musa da inspiração deu o ar da graça na minha cabeça e a minha reconciliação com o piano me fez entender melhor o personagem. Sei que percebi detalhes antes despercebidos e fiquei abismada com a sensibilidade do filme, a intensidade da arte e os detalhes dos personagens.
Agora, quebrando de estilo, sempre temos os exemplos engraçados. Assisti “As Bruxas de Salém” em um domingo com meus pais, na minha doce infância. Meu problema maior era entender de onde as bruxas vinham e porque não aparecia nenhuma delas voando em vassouras. Fiquei tensa o filme todo e não entendi nada. Dispenso comentários, certo? Devo dizer que meus pais me renderam descobertas maravilhosas, já que sempre assistia com eles aos clássicos e filmes “cabeçudos” da época, que me deixavam flashes sem nenhum entendimento. “Ah, você viu o filme tal?”, “Pois é, vi, mas não lembro de ter entendido nada”. Acontece.
Sim, vale lembrar também dos filmes que mesmo velho e maduro, você acaba por ter aquela sensação de “perdi alguma coisa” ou o típico “hein?”. Aconteceu comigo quando eu terminei de ver “Sexo, Mentiras e Videotapes”, do Steven Soderbergh… Esse vácuo por acontecer tanto porque o filme realmente é muito bom e exige um pouco mais de atenção (e inteligência, talvez) ou porque é ruim mesmo e não tinha nada de bom para ser aproveitado. E não digo o filme do Soderbergh é ruim. Pelo contrário, adoro, mesmo continuar com a sensação de não ter encaixado todas as peças.
Finalizando, a primeira vez é boa. Mas é válido considerar outras “chances” ao filme. Vai ser bom tanto pra você, quanto pra ele.


11 | julho | 2007 às 16:56
Primeiro a comentar.. será que vai ser o melhor? Disso eu duvido muito. hehehe..
Me lembro um dia desses, meu pai veio me perguntar por que eu via o mesmo filme “trocentas” vezes, e que ele achava que não valia a pena comprar DVDs de filmes. Eu simplesmente respondi, “Você num escuta a mesma música ‘trocentas’ vezes e continua gostando, eu também vejo os filmes ‘trocentas’ vezes e continuo gostando”.
Essa matéria me lembrou muito da primeira vez que vi Clube da Luta. Não entendi muita coisa e o filme não fez muito sentido pra mim, chegando até a não gostar do filme. Mas depois de um certo tempo vi o filme de novo, e hj, já o entendo melhor e gosto muito desse filme.
E isso foi acontecendo em vários outros filmes, por isso que eu, em quase todas as vezes, dou uma segunda chance para um filme. E o próximo filme que vai ganhar essa segunda chance é Syriana, assisti uma vez, e não assisti todo, porque eu não tava conseguindo acompanhar o filme, mas vou tentar mais uma vez e prestar mais atenção.
Grande pauta, e foi uma boa volta!
Bem vinda de volta, e espero que também volte para o Rapadura Cast.
Beijo!
11 | julho | 2007 às 18:22
O bom da primeira vez é o impacto que o filme causa em você. Não digo a primeira impressão, mas o choque e a emoção (seja ela um riso, uma lágrima, uma dor) causados em você.
Das outras vezes, como a própria Maíra já disse, ficam os detalhes que passaram despercebidos.
11 | julho | 2007 às 19:30
Já pensei nisso também.
E tem vários filmes que são bons de rever. Um dos que gosto é À Espera de um Milagre, por mais que sejam 3 horas de filme. Anna e o Rei é outro que sempre agrada assistir.
Podem me chamar de infantil, mas gosto de assistir A fantástica Fábrica de Chocolate com Johnny Depp, tem uma moral muito legal por trás de toda a loucura e diversão do filme. Comprei em DVD e já assisti não sei qtas vezes.
Outro que tenho do Johnny e que não me canso de assistir é Edward Mãos de Tesoura. Assisto desde criança esse filme trocentas vezes e ainda assim é um filme que cativa.
Mas tem aqueles que você realmente pensa, pensa e repensa e não entende. Falando dos filmes do Johnny(nem sou fã dele né??) alguns dos que não entendi de início mas foram se tornando mais claros são Do Inferno, O Libertino(assisti 3 vezes pra entender qdo aluguei).
Um que não entendo mesmo é Um sonho Americano.
Ainda estou pra entender esse filme.
E tb tem aqueles que não deveriam ser filmados. Uma comédia nada Romântica é um deles. Qdo assisti achei tão ridículo e sem conteúdo. Podia ter uma coisa ou outra que achasse engraçado, mas de um modo geral era uma risada forçada. A garota principal(nem lembro mais o nome dela, e olha que pesquisei no IMDB e aqui no CCR) só faz filme desse tipo, não entendo como não se cansa. Quando li as críticas do filme aqui do CCR todas esculachavam e no final das contas todas faziam jús ao filme de “comédia” e perda de dinheiro.Diziam ser uma “paródia” outros filmes…que tal eles tentarem ser originais??
11 | julho | 2007 às 19:46
Aiai, tambem vale citar aqueles filmes que, você está tão empolgado para ver que quando você o vê pela primeira vez axa uma merda, mas depois, vc o reassiste e ve que não é tão ruim.
Aconteceu comigo isso, em 2 filmes que foram o Harry Potter e o Cálice de Fogo e em 300
11 | julho | 2007 às 20:18
Um tipo de filme que ninguém citou foi o daquele que só se vê uma vez.
Não que ele seja ruim e descartável, mas sim porque faz transbordar todas as suas emoções, intriga, desperta curiosidade e fica para sempre na memória.
E isso tudo logo na primeira vez que você o assiste.
Depois, já passa mais o encanto e o espectador começa a se prender em detalhes e informações extras.
Acredito que um bom exemplo desse tipo de filme sejam os grandes clássicos, como Casablanca, Um homem e uma mulher, Bonequinha de Luxo, Quanto mais quente melhor.
Como grande apreciadora do gênero, devo deixar claro que esses filmes continuam causando emoções mesmo depois de assistidos exaustão, mas dificilmente o fará como na primeira vez.
Tais obras são como tatuagens: marcam de forma instantânea e duram uma vida inteira.
11 | julho | 2007 às 23:42
o maior exemplo de filme bom para rever, é “oldboy”, na primeira vez que o vi fiquei chocado com aquela roteiro intrigante, depois tornando-se um de meus filmes preferidos, quando percebi a verdadeira proposta do filme!!!
vale citar também “amnésia” de christopher nolan, não entendi nada na primeira vez, mas revendo ele, prestei atenção em todos os detalhes, e hoje faço questão de indicar este filme para todos!!!
outro filme perfeito nesse quesito é “donnie darko”, tive que ver ele 3 vezes para entender, obra magnifica!!!
tem também aqueles filmes que emocionam,e mesmo revendo diversas vezes nunca perdem a magia, são eles perfume de mulher, forrest gump, o rei leão, amor além da vida e muitos outros!!!
e juliano eu também farei o mesmo, tantas críticas boas de syriana, preciso revê-lo, pois não entendi nada!!!
estou com saudades dos 30 segundos nos casts, o q aconteceu Maira?
12 | julho | 2007 às 00:08
Em breve terão novos 30 segundos nos Casts
12 | julho | 2007 às 13:18
Maíra senti sua falta… Seus textos são ótimos.
Quanto ao assunto tratado digo que a primeira vez tem sua importância, mas nada como ver e rever uma obra de arte.
Os filmes se renovam a cada dia, por isso é importante tê-los na estante para rever noutro momento.
Cito o exemplo de ‘21 Gramas’, filme que visto é bom, revisto é melhor ainda…
12 | julho | 2007 às 13:24
Adorei o post.
muito bem escrito,e concordo plenamente.
Na verdade eu revejo todos os filmes,sempre.faço questão.E como vc mudo de opniões sobre eles a cada nova “assistida”.
Um filme que nao canso de rever,e chorar loucamente todas as vezes é “Beleza Americana”.
oO
12 | julho | 2007 às 16:56
“Acho que o único que não é primeiro e tem mais atenção é o Ricardão.”
(SEMPRE! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK)
“Então, um belo dia, tive que assisti-lo novamente em uma aula da faculdade.”
(foi com a nilda num foi? uahiahiouauaa.
acho q fizemos essa disciplina juntos, amiga. rs)
“Vai ser bom tanto pra você, quanto pra ele.”
(HAUIOHAIHIAUHIUAHIUAHAIUOAUHAHIUA essa eu não comento)
AMEI a coluna baby! :***
12 | julho | 2007 às 19:07
Esse texto caiu como uma luva em algo que eu já vinha raciocinando a tempos, haja vista que a primeira impressão é a que fica. Relembro filmes como “O Céu de Outubro” e “Rios Vermelhos”, de roteiro e fotografia espetaculares e não tenho a mínima vontade de revê-los, ao menos por enquanto, por temer achar algo errado neles.
Há também exemplos de filmes baseados em livros nos quais os best-sellers são bem melhores que a versão em tela grande, a exemplo de “A Caçada ao Outubro Vermelho”, da obra de Tom Clancy, “Acima de Uqlaquer Suspeita”, da obra de Scott Turrow, e “O Exorcista 3″, baseado no livro de Williuam Peter Blaty, de título “Legion (O Espírito do Mal)”. Livros magistrais, mas que quando trazidos para o cinema tornaram-se verdadeiros enlatados sem futuro, Quem duvidar faça o teste.
14 | julho | 2007 às 20:59
adorei esses comentários.
achei uma penca de ideias novas e relembrei filmes sensacionais que se encaixam na minha ‘tese’
obrigado a todos que comentaram!
:*
15 | julho | 2007 às 22:51
Olá Maíra,
Sinto falta da sua voz no RapaduraCast… volte logo a fazer participações ou crie um podcast só para você…rs
Parabéns peal coluna!
Daniel Eto
16 | julho | 2007 às 19:02
Minha nossa… entrei aqui, pensando: vou escrever alguma gracinha, mas comecei a ler os comentários e noto que há tempos não via tanta gente com conteúdo (e claro:cinéfilos) para poder se expressar tão bem.
Parabéns a todos e um filme que menciono aqui que gostei muito de ver na primeira, segunda e quantas vezes assistir (na verdade são três filmes…) foi a trilogia do filme “De Volta para o Futuro”.
Os três filmes são verdadeiros quebra-cabeças, ou seja, quanto mais você assiste, mais as peças vão sendo postas em ordem…e quando se nota, ainda faltam algumas, sendo que você volta a assistir o primeiro para entender o próximo e vice-versa.. Muito bem-feito o roteiro…
Chato é só o final (não só pelo fato do carro se estraçalhar), onde o Dr. Brown diz que o futuro depende do que a gente faz… e etc. Dá aquela impressão de que nada do que você viu deve ser considerado…
Uma observação do filme: a máquina do tempo original, no roteiro era pra ser uma GELADEIRA!!!
Ainda bem que não foi, senão com certeza os segundo e terceiro episódios iriam ficar dentro de uma!!!
Abração, pessoal!!!
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