A vida pode lhe pregar peças. Aliás, ela adora fazer isso. Ela e Murphy. E claro, os casos mais comuns são os amorosos. Ou vai ver os notamos mais porque eles doem mais. Enfim, continuo achando que o cinema é a imitação da vida. E, quem sabe, essas inúmeras peças que a vida nos prega acabam virando situações de filmes que emocionam quem passou pela mesma situação.
Quem nunca sofreu com a desconfiança de um chifre? Ou ficou imaginando cenas e situações com o alvo de afetos? Ou sofreu por ser deixado de lado ou quis mudar a realidade para reatar um relacionamento? Ora, se você já teve um relacionamento na vida e se apaixonou de verdade, certamente já passou por alguma dessas situações. E no cinema, a gente pode ver uma “penca” de filmes que trazem essas situações, cada um do seu jeito.
Pensando distraidamente em como vejo no cinema situações parecidas com as que já passei ou vi amigos passando, quis fazer uma lista de filmes que me marcaram por terem colocado na telona algo muito próximo do que eu sentia ou pensava. “Closer” certamente coroa a lista concentrando muitos dos dramas de um relacionamento. “Bem Me Quer, Mal Me Quer” é o ápice da nóia de uma pessoa apaixonada. “O Fantasma da Ópera” chega como clássico da dor de cotovelo. “Brilho Eterno de um Mente Sem Lembranças” entra para liderar os relacionamentos falidos ou perdidos no tempo. E “Vanilla Sky” entra para ilustrar os sonhadores ansiosos por um sonho lúcido.
Closer. Para mim, certamente é um dos filmes que trata a verdade da forma mais nua e crua. Com diálogos claros e sinceros, “Closer” cutucou muita gente que já tenha passado ou levado um par de chifres. Só que mais do que isso, ele cutucou cada um que já sofreu com a insegurança e com o desconhecido. É como se ele explorasse a fragilidade dos relacionamentos e as reviravoltas do mundo. E como se não bastasse, a música-tema do Damien Rice chega como uma cereja.
Bem Me Quer, Mal Me Quer. Tá certo que a protagonista do filme sofria por ser erotomaníaca e nem todo mundo é assim, mas pegando o “feeling” do filme, pensei nesse trabalho da Audrey Tautou para representar aqueles momentos em que você fica divagando, pensando em tudo que a outra pessoa está fazendo, pode vir a fazer ou o que mais der na telha. E mais ainda, em como s vezes viajamos imaginando os significados de pequenos detalhes na expectativa de que eles signifiquem algo bom para nós. No caso do filme, a personagem da Audrey exagera demais na dose, então, não se baseiem nela, por favor.
O Fantasma da Ópera. Peça de teatro clássica que foi refilmada recentemente com o Gerard Butler no papel do Fantasma, arrebata pelas músicas sensacionais e pela história dolorida. Esse aqui é um viva dor de cotovelo. Representa na lista, o drama dos que foram trocados, deixados de lado, tratados com ingratidão e até mesmo pena. Acho que muita gente sofreu com o Fantasma, cantando com ele e se revoltando a cada situação que desenrola o romance.
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança. Esse até dispensa comentários, certo? Já virou inúmeras comunidades no Orkut e a identificação com os personagens da história foi tanto que muita gente saiu pintando os cabelos “a la Clementine”. Quem não quis, pelo menos uma vez na vida, ter um tratamento daquele? Esquecer a pessoa que nos magoou e apagar todas as lembranças que viriam a nos maltratar nos momentos mais frágeis? E quem não tentou, de todas as forma que pôde, salvar um relacionamento nos seus últimos suspiros? O mundo está cheio de Clementines e Joels…
Vanilla Sky. Esse, para mim, é o golpe de misericórdia. Só por ter Jeff Buckley na trilha cantando “Last Goodbye” enquanto o David Aames está no apartamento da Sofia, pedindo “one kiss” de recompensa e dizendo gostar da vida dela… Cameron Crowe pegou pesado. O filme é cheio de frases lindas, extremamente sensíveis. “Seu sorriso é minha ruína”. “Eu te encontrarei em outra vida, quando ambos seremos gatos”. “O doce nunca é tão doce sem o amargo, e eu conheço o amargo”. Ah, o paradoxo do doce&amargo que virou tema de muita gente… Principalmente porque o amargo é tão mais fácil de achar, né? E os tais sonhos lúcidos? Quem nunca quis ter um, para reviver algo bom que ficou para trás ou para vencer fronteiras do tempo e da distancia? Tudo para ficar com quem se gosta, mesmo que através de uma ilusão.
E esses são apenas alguns filmes. Os mais densos, digamos. Mas vira e mexe a gente vê uma situação em um filme que nos sensibiliza de alguma forma e relembra algo que passou. E o mais intenso nesses cinco filmes é que nenhum deles maqueia a realidade. Todos tem um desfecho que vai contra o clichê “e viveram felizes para sempre”, sem passar a mão na nossa cabeça em forma de consolo.

23 | July | 2007 às 23:22
Filmes são sempre uma ótima catarse.
=)
Eu me identifiquei muito sim com o Eternal Sunshine, Before Sunset & Sunrise, Amelie Poulain e Elizabethtown.
Chorei muito em todos eles!
=$
24 | July | 2007 às 15:46
Um clichê de vez em quando é tão bom, dá uma pontada de esperança.
Filmes que “não passam a mão na nossa cabeça” doem, talvez por isso sejam tão marcantes.
24 | July | 2007 às 20:02
ah, droga, deveria ter colocado esse clipe do Cordel do Fogo Encatado na matéria.
O Amor é Filme - trilha de Lisbela e o Prisioneiro
http://br.youtube.com/watch?v=Rc4U8bDCVvo
25 | July | 2007 às 12:46
ai ai, Vanilla.
;~
25 | July | 2007 às 15:04
belíssimas escolhas, me identifiquei com esses filmes de formas diferentes e marcantes.além desses outros filmes que também tiveram destaque nesse quesito, foram match point e encontros e desencontros!!!
maira estou lendo todas as suas colunas, além das matérias serem ótimas, você escreve muito bem, parabéns!!!
25 | July | 2007 às 15:12
Faremos em breve carteirinhas do fã clube da Maíra. Terá apenas um custo simbólico. 12 vezes de R$ 600,00.
Sobre a coluna, eu gostei de todos os filmes, menos Fantasma da Ópera. Como peça funciona muito bem, mas pra cinema? Eu não gostei de ver os atores cantando pra tudo não. Tem como ser musical, mas sem ser chato. Eles cantavam pra tudo. Impressionante. Era melhor ter ficado no teatro mesmo. Em termos de história, sim, concordo com a Maíra. Boa escolha pro tema. -)
25 | July | 2007 às 16:29
De fato ao sair da sala depoisde assistir com meu namorado a BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS, me deparei com meu Eu interior, o mais profundo, saímos com os olhos lacrimejados e nos abraçamos mutuamente loucamente e nos perguntamos a mesma coisa:
Se a gente terminar um dia vc vai querer me apagar pra sempre?
Eu disse: - Isso seria impossível, viu no que deu com Joel e Clementine?
Muito tempo depois nos separamos e me apagou do Orkut, Msn, agenda e tudo mais… hoje estamos juntos novamente.
Quando o amor é verdadeiro resta a cada um se sujeitar e consertar os erros de cada um.
25 | July | 2007 às 16:32
HEY!
eu quero os direitos autorais do meu nome, hein?
haahhaha
beijos!
25 | July | 2007 às 16:36
E sim, Leonardo, muitissimo obrigada!
Vou tentar manter esse nivel sempre, ta?
haahhahah
e aceito sugestoes!
beijo
25 | July | 2007 às 17:22
Maíra, vc jah pensou em ser psicóloga ou conselheira amorosa?? Sei lá, aprofundar seus conhecimentos sobre o ser humano… kkkkk
Brincadeira, gostei da matéria…
Closer tbem está no topo de meus filmes favoritos, pela identificação que eu tive com ele, tbem gostei muito de Pecados Íntimos, Uma Mente Brilhante…
Tem outra coisa, muitas vezes o filme não precisa ser parecido com algo que passamos pra nos identificarmos, só o fato de mostrar uma história onde vc passe a admirar o personagem ou entender melhor a situação em que estão passando, ele pode significar muito pra vc…
Parabéns pela matéria, e principalmente pela maneira como vc a desenrola…
25 | July | 2007 às 22:23
tá, heloisa.
vou por psicologa/conselheira pessoal como segunda opção de vida profissional pra mim!
hahaha.
beijo
25 | July | 2007 às 22:28
mas nao pensem que a maira nao fica confusa também não viu. ja ouvi muito desabafo dela. hehehehehehee
mas eh assim mesmo. a gente vai conversando e fazendo uma analise mais delicada dos relacionamentos.. ou nao. rs
:**
25 | July | 2007 às 22:51
Ressaltar apenas o bom comentário do Wilmar. Tem muita relação com a matéria e mostra mais um caso real.
25 | July | 2007 às 23:01
Maíra, realmente, tem filmes que parecem ter sido feitos baseados em momentos da nossa vida… eu sinto uma identificação tão forte s vezes que é difícil tirar certa cena ou diálogo da cabeça, mesmo após anos…
Mas o que acho legal na sua coluna é que a sua visão das coisas é sempre bem transparente, pessoal, queria saber o quanto do que você escreve é influenciado por suas próprias experiências, de onde vem sua inspiração?
Você também já quis ter sonhos lúcidos? Seria ótimo se eles existissem…
26 | July | 2007 às 13:56
bem, o diego tem toda razão. eu sou a mais famosa por ter situações inusitadas no campo amoroso.
é daí que tiro minhas inspirações, Ana Carolina. tenho o defeito de nao conseguir escrever sem a “musa da inspiração” do meu lado (falei bonito, hein?) por isso, todas as minhas colunas tem uma influencia grande do meu lado pessoal.
e sobre essa, particularmente, eu ando muito atrás de sonhos lúcidos. demais da conta ,até. e dos filmes que citei, pode culpar o Vanilla Sky pela dose de transparência-quase-desabafo-real.
beijo!
26 | July | 2007 às 14:03
e sobre o comentário, Wilmar,
que historia, hein? tenho certeza que voces se apagaram dos meios “eletronicos”, mas nunca esqueceram um do outro, hein? que bom que voces tiveram um “final feliz”
valeu por compartilhar a experiencia!
26 | July | 2007 às 20:36
A coluna ficou muito boa, e as idéias foram tão parecidas com as minhas, que despensa comentários. Gostei muito de Closer, por ser justamente real ao extremo e não ter medo de ousar. Já Brilho eterno, é algo que eu não consigo definir por ser tão inteligente e por relacionar pelo o menos um dos personagens com o espectador, sem contar com a genial idéia e roteiro de Charles Kaufman e a magnífica e imortal Clementine. E sobre Vanilla Sky… bem é simplesmente um dos melhores filmes que eu já ví, com uma definição magnífica sobre o viver, sobre as pessoas, os sentimentos… Todos os três filmes que citei, para mim, são grandes exemplos de como o cinema ganha vida, e como a representa. Simplesmente perfeita a coluna!
27 | July | 2007 às 11:51
Até parece que esse primeiro paragrafo foi baseado em mim…
Mas é muito fácil nos identificarmos com filmes, dentre os citados eu me identifico um pouco com cada um e mais ainda com o Memórias de Uma… porque por duas vezes eu poderia ter feito o que a Clementine fez. Ainda bem que não precisou, passou com o tempo.
Como sempre, muito boa matéria.
=*
27 | July | 2007 às 12:35
Goiânia-GO, 24 anos.
Olá Senhores e Senhora da Rapadura.
Assistí apenas ao Closer, Brilho Eterno e Vanilla, e, detalhe, na adolescência, quando a imaginação divaga tanto, que pensamos que os filmes nunca serão capazes de imaginar nossa vida.
Tanto que, ao tentar comentar tais filmes com pessoas que curtem apenas pipocão, elas dizem que não compreendem o filme ou simplesmente não gostam.
Coincidentemente não conseguem sentir o espírito da Literatura, do Teatro, e curtem novelas. Concordo com o Jurandir, pois algumas coisas funcionam muito bem em uma arte e não funciona em outra. Particularmente, amo, adoro trilhas sonoras, mas não sou muito fã de musicais no cinema.
Parabéns pela matéria.
Quero 2 carteirinhas do Fã Clube da Maíra.
27 | July | 2007 às 15:04
São filmes que simplesmente as pessoas em algum momento na vida PRECISAM assistir. Fantasma, Closer e Brilho eterno são filmes perfeitos, até mesmo com o Jim Carrey que eu não gosto muito
27 | July | 2007 às 16:09
Closer é o filme mais perfeito!
E por mais tolo que esse título pareça,marcou uma parte da minha vida.
‘O casamento do meu Melhor amigo’.
Dispenso comentários.
¬¬
beijaooooo Maira!
28 | July | 2007 às 13:52
hahahah!
ADORO “o casamento do meu melhor amigo”.
nossa. que drama, hein, Fran?
28 | July | 2007 às 16:18
Hum , será que a nossa colunista preferida anda apaixonada, então? Espero que seja isso e não uma desilusão amorosa que tenha levado ao desabafo “Vanilla Sky”. Porque é um filme lindo, mas triste…
Maíra, descobri a pouco esse site e já espero ansiosamente a próxima coluna!
E também vou querer minha carteirinha de fã!!!
Beijos!
13 | September | 2007 às 19:32
Obrigado Jurandir e por nada Maíra!!!
Continuem assim, com essas colunas para quem de fato tem o q dizer!!!
Parabens!!!