Já venho falando nas últimas colunas sobre os requisitos que um bom filme deve ter. Falei do roteiro e agora lembrei de outro: a edição. Afinal de contas, você pode ter um ótimo elenco, um enredo bacana e tudo acertado. Mas se o editor não tiver um bom timming e ainda estiver perdido na década de 80, muito do filme (ou ele por inteiro) pode ir por água abaixo.
Edição é algo espetacular. Eu, particularmente, acho super divertido. Você tem um mundo de possibilidades e sensações que pode criar através de efeitos e imagens. E ela está presente em tudo que for relacionado a audiovisual nos dias de hoje: clipes, comerciais, filmes, vinhetas, trailers… Acho que quanto menor o tempo, mais importante a edição se torna, porque você tem menos tempo para causar uma ótima impressão.
Seguindo por essa vertente e pegando como “objeto de estudo” dessa semana os citados trailers, decidi escrever a coluna dessa semana após conferir uma série de “fake-trailers” que vi no YouTube. São vários trailers de filmes conhecidos nossos, feitos com a intenção de vender uma idéia completamente diferente do original. Super bem feito, extremamente convincente e ótimo para exemplificar o que digo ser “o poder da edição”, vou mostrar alguns links para que vocês possam conferir também.
O Iluminado: Clássico de Stanley Kubrick, adaptado do livro de Stephen King, o filme em questão é tenso e passa longe de dramas pastelões americanos. Eis que o “fake-trailer” de “O Iluminado” consegue ir ao extremo oposto e sugerir uma história fofa, cheia de emoção paterna e bons momentos. Desde a voz do narrador até as cenas perfeitamente bem escolhidas e montadas, o trailer convence demais e deixa muita gente boquiaberta, além de enganar direitinho quem não tiver visto o filme. E diga-se de passagem: quem não viu, merece ser pregado uma peça mesmo!
Link: “O Iluminado” em versão serelepe
Mary Poppins: Quem não lembra daquela babá simpática e bonita, cheia de truques legais que animavam as criancinhas afobadas e mimadas? Eu tinha esse filme em VHS, gente. Assistia quando era um protótipo de pessoa, morta de feliz, doida para ter uma babá “a la Mary Poppins”. Eis que eu vejo o “fake-trailer” do filme e todas as minhas doces lembranças, felizes e nostálgicas, somem repentinamente. A re-edição do trailer traz uma babá sombria, um filme de suspense, de colocar qualquer criança “pimentinha” nos eixos. A inserção das legendas deu todo um ar maligno e o áudio brilhante, tanto no timing quanto nas notas para dar aquele susto. Confiram vocês mesmos!
Link: Mary “Scary” Poppins
Top Gun: Aqui, descobrimos que “O Segredo de Brokeback Mountain” não foi o primeiro filme clichê americano a ser enturmado pela mídia. Na verdade, a re-edição do trailer de “Top Gun” mostra que antes dos cowboys vieram os mocinhos da aeronáutica norte-americana. Uh! Com direito a olhares comprometedores e tudo mais. Val Kilmer e Tom Cruise até que formam um casal simpático, tirando a cor brega de cabelo do Kilmer.
Link: O segredo de “Top Gun”
Clube da Luta: E já que citei o casal passado, vou aproveitar para falar da semelhança invertida em “Clube da Luta”. Só que aqui não é tão romântico quanto o passado. A obsessão e a intensidade do filme original continuam, só que focadas (focadas mesmo) em outra coisa. Vale ressaltar o final do “fake-trailer”, quando o editor usa um sabonete, mais que conveniente, para divulgar o “fake-movie”. Nossa, muito bom. Brad Pitt e Edward Norton, dois dos meus atores favoritos, em uma versão que eu adoraria ver!
Link: Um Clube diferente do da Luta
Táxi Driver: Essa é para rir. E para pregar peças nos infames que se dizem cinéfilos e não viram esse filme. E esse “fake-trailer” foi audacioso! Tirou toda a essência do original e transformou em algo completamente “saltitante”. E mais: em clima do seriado “Sex and the City”. Minha nossa, o que é uma edição, não é mesmo?
Link: Taxi Driver “a la Bradshaw”
O Chamado: Aqui também não poderia ser diferente. Assisti re-edição pela primeira vez e, claro, se não conhecesse o filme, jurava que a Naomi Watts iria morrer de câncer e o filme ia se lambuzar com toda aquele drama de “os últimos dias de minha vida” e algo do tipo “Doce Novembro”. Deu vontade perguntar o que a Samara achou disso. Confiram!
Link: “O Chamado” em outra linha
Bem, acho que já dei pano demais para manga para entreter vocês com exemplos de como a edição faz um diferença significativa em um filme, ou qualquer produção audiovisual que seja. Divirtam-se. E para os mais inquietos, recriem filmes!
13 | August | 2007 às 22:09
E essa foto hein Maíra? Hahahaha!
Ótima matéria.
Todos os links são ótimos e divertidos.
Vale a pena conferir.
14 | August | 2007 às 10:04
É verdade Jurandir: E essa foto hein Maíra???
HEHEHEHEHEHE!
Mas a matéria está muito boa mesmo, pra variar…
Os vídeos de O Iluminado e Clube da Luta são impagáveis, mas os outros também são muito bons.
Parabéns!
14 | August | 2007 às 12:04
Espetacular… hahahahaha… tem trailer aí q se eu não tivesse assistido o filme eu cairia direitim..
Realmente, edição faz muuita diferença em um filme. Eu fiquei até com medo da Scary Mary.
Mas os melhores são O Iluminado e o Taxi Driver. O editor pegou umas cenas muito boas, conseguiu fazer uma mistura e passar a ideia de outro filme completamente diferente.
Só não gostei muito do Clube da Luta, achei meio forçado.
Muito boa essa matéria!
=*
Ps: E essa foto hein Maíra?[3] Pegou aqueles clip-art do celular foi?
14 | August | 2007 às 21:33
ahh, que bom que gostaram!
e sobre a foto, bem, a intenção era ser bem tosca mesmo, me ‘editar’ da forma mais cômica possivel, ja que fazia tempo que eu nao aprontava uma assim nas fotos das colunas!
e nao foi no clipart, nao, Juliano. haha. foi no santo-google mesmo, catando coisas bregas para pôr em mim e postar o mais rápido possível
beijos
15 | August | 2007 às 11:00
o mais legal da “Scary” Mary é que até a canção utilizada no trailer faz parte da trilha do filme. Pura edição!
16 | August | 2007 às 15:40
Achei muito interessante os trailers… Nunk tinham parado pra prestar atenção na importância da edição, mas dps dessa matéria pude percebê-la claramente. Gostei muito do Top Gun e O Chamado, hilários… O bom é q eu sempre abro mais meus olhos pra o cinema a cada visita ao CCR…
16 | August | 2007 às 19:02
É mesmo interessante o poder da edição. Há algum tempo atrás, fui ao cinema e assisti um trailer do filme “Across the Universe” (não sei o nome em portugues) e achei o máximo!! estou doida pra ver esse filme, é um musical romantico com músicas dos Beatles… mas desta ultima vez que eu fui ao cinema, passou um teaser deste mesmo filme, mas totalmente diferente do trailer oficial. simplesmente eu não o associei ao filme, chegando a dizer: que filme chato… eu não quero ver não… rsrs
Enfim, espero que o filme seja mesmo bom…
beijos Maíra
16 | August | 2007 às 19:50
Caraca! É ótima essa matéria pq explica mta coisa que mta gente não sabe sobre cinema.
Pessoas pensam que cinema tem o diretor e pronto, não eh assim. Os editores deveriam ter mais reconhecimento pelo seu trabalho, que aliás, até a metade do ano eu não sabia mesmo oq queria fazer de faculdade, entaum…bom…eu sempre amei e adorei fimes, vivia na locadora e todo domingo no cinema, aí teve um bendito passeio da escola para ir ver palestras sobre cursos de facul., de cara eu já fui ver edição…quando deu a hora de ir assistir a palestra, nossa mãe! me apaixonei mais ainda…e sem sombra de dúvida eh isso que eu quero.
OBS: Talvez seja positiva ou negativa essa obs, pois a mídia controla tudo, faz com que pessoas crescam ou caiam, a vida eh assim. A mágica do cinema eh isso, nunca para, sempre se renova, eu amo cinema! A edição de emociona, te faz rir e faz tudo que está além do impossível.
Parabens pela coluna, AMODOREI!!!
bjus *Laysa*
16 | August | 2007 às 23:50
Realmente. A edição é uma das coisas principais num filme. Cito um bom exemplo do filme “Amnésia” em que a edição fez tudo no filme. Peguem o DVD e assistam a versão filmada pelo Diretor e a versão final que foi para as telas. Vejam o que a edição pode fazer por um filme.
18 | August | 2007 às 23:10
Mandou bem Maíra de novo!Vi todos os links legal demais,A gente pode ver como é importante uma edição bem feita.Parabéns pela matéria!
21 | August | 2007 às 09:54
Legal a matéria, vou dar uma conferida nos links pois adoro essa difícil arte da edição de vídeos.
xxx
7 | March | 2008 às 09:37
Realmente, o trabalho de edição é demais… O Iluminado ficou totalmente diferente, Mary Poppins ficou sombrio… assustador. Os outros trailers também ficaram muito bons. Vi também alguns outros como:
O Silêncio dos Inocentes
http://br.youtube.com/watch?v=bCxF6idjqnk
O Rei Leão
http://br.youtube.com/watch?v=RbBNqNaZVc8
Matrix
http://br.youtube.com/watch?v=EsNyiB2J1Gk