Você, personagem

Publicado em: 27-08-2007 @ 9:31 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Quem nunca se identificou com um personagem? Quem nunca se espantou com a semelhança entre você mesmo e uma figura dentro de determinado filme? Quem nunca achou ter dito algo parecido com o diálogo de tal filme? Quem nunca imaginou ou se inspirou em determinado personagem? Quem, quem, quem?

Filmes com personagens fortes, acredito eu, tendem a provocar uma maior empatia com o público, principalmente se colocamos o cinema como uma imitação da vida, uma reprodução dela, de forma livre, na telona. Exemplos? Joel e Clementine, do várias vezes aqui citado “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. Jack Twist, de “Brokeback Mountain”. Alice Ayres, de “Closer” e os outros três também. Rick, de “Casablanca”. James Bond, o homem do 007. David Aames, de “Vanilla Sky”. Ah, são inúmeros os personagens que cativaram o público, que tornaram-se tão importantes – ou até mais – que os próprios filmes e ganharam até comunidades no Orkut. Depende de cada um, mas acredito que quem gosta mesmo de cinema, deve ter seus personagens favoritos e seus momentos de êxtase profundo ao se imaginar na pele de algum deles.

Há quem diga que buscamos o cinema para nos entreter, para viajarmos por mundos e nos projetarmos em situações que não poderíamos viver facilmente na realidade. E, se realmente buscamos isso (não só isso, mas também isso), fica muito mais fácil conseguir essa proeza se houver um personagem que seja como nós. Ou como gostaríamos de ser.

Lendo um comentário no meu blog, achei o assunto para a coluna dessa semana. Falando sobre um filme com o qual eu muito me identificava e de um personagem que vira e mexe aparece nas minhas citações, parei e pensei: afinal de contas, quem são os personagens? Essas “criaturas”, criadas em papéis em branco e projetadas em grandes telas nos encantam, irritam, consolam, divertem. É como se eles fossem um elo entre a gente, público real, e a virtualidade do cinema.

Mas, pensando ainda mais um pouco: personagens só existem no cinema? Nas grandes expressões de arte? Aproveito e pego a pergunta clássica do clichê existencial: afinal de contas, de onde vêm os personagens?

Bem, eu acho que nós somos os grandes personagens. Somos nós que inspiramos os personagens do cinema e as situações das nossas vidas sugerem criações para roteiros e o que mais puder. Nós somos a matéria bruta da sétima arte. Por isso mesmo nos identificamos tanto com certos personagens. Justamente porque eles são feitos a partir de sensações que alguém, como nós, um dia, sentiu.

E não só no cinema podemos perceber que nós merecemos crédito como personagens em nossas próprias vidas. Chico Buarque, na letra da música “Ela Faz Cinema”, questiona: serei eu meramente mais um personagem efêmero da sua trama? Ora pois, nós acabamos sendo personagens de inúmeras tramas, que variam de romance, drama, ação, suspense. Seja em um relacionamento, seja em uma intriga entre amigos, seja em uma aventura durante uma viagem, seja em um assalto no meio da rua. Ana Carolina em “A Câmera que Filma os Dias” fala: a luz que eu vi naquele dia escuro e ruim, era a luz por encomenda para te filme, teus gestos solitários pela lente sem fim, e lento o tempo parecia desfocar nosso enredo. Sim, sim, porque em algumas situações das nossas vidas, parece que tudo conspirava para uma “seqüência” de filme. E há quem ainda diga que tem a impressão de viver em um tipo de “show de Truman”…

Pensando assim, chega até a ser divertido. Não sei vocês, mas eu acho mais que sensacional quando vejo no cinema alguma situação semelhante ou um personagem que em muito parece comigo. E é divertido também imaginar que de situações corriqueiras da realidade, idéias boas são geradas para algum roteiro. O único detalhe importante é não esquecer que, se for para levar a sério que nós realmente somos a fonte de inspiração disso tudo, lembre-se de que você é o protagonista da sua história, e não um figurante qualquer. Portanto, aproveite a “fama” e enquadre bem o foco, porque o público mais exigente do seu “filme” é você mesmo. E nesse caso, não rola edição nem nova gravação.


22 Comentários

  1. Caio Everton
    27 | August | 2007 às 23:32

    Aew, primeiro a comentar!

    Bela escolha dessa coluna. Você é sempre genial com as palavras…

    Cinema é isso mesmo: emoção, entretenimento, identificação, reflexão, diversão…

    Cinema é cinema!

    E Maíra Suspiro é Maíra Suspiro!

    (Senti falta sua no RapasCast)…

    Abraços

  2. Rafael
    28 | August | 2007 às 23:07

    Por isso eu sou muito fã dos Star Wars.

    Em um documentário, George Lucas revelou que estudou mitologia, pra colocar os mitemas — conflitos comuns dos seres humanos — na história dos personagens.

    Na hexologia você encontra todas as personalidades possíveis. Não há como não se sentir um pouco mal e um pouco bem.

    ^^

  3. Livia Ramos
    28 | August | 2007 às 23:31

    Nossa, uma vez eu me assustei ao ver num filme uma personagem tao parecida comigo. Cheguei a chorar (de tristeza, eu acho) no cinema, que bizarro, o fime era bem engracado em algumas cenas…
    As vezes me pergunto se ainda sou asssim… acho q estou mudando… :)

  4. Vanessa Carvalho
    29 | August | 2007 às 02:03

    Eu me identifico com a Elizabeth Bennet de “orgulho e preconceito”

  5. Rui Gomes
    29 | August | 2007 às 09:58

    Eu sempre vejo nas animações um personagem parecido comigo, hehehe

  6. Jurandir Filho
    29 | August | 2007 às 10:33

    Eu sou um Simba: “Eu rio na cara do perigo”. Huahauaha

  7. Suspiro
    29 | August | 2007 às 11:12

    VALHÊÊÊU, jurandir. hahaha
    adorei! ja aachei teu novo apelido =X

    e rui!

    nossa. eu sou super fã de animações
    principalmente porque eu sempre acho um bichinho parecido comigo. hahaha

    tipo o remy de “os sem floresta”
    ou o switchy de “deu a louca na chapeuzinho vermelho” :D

    beijo

  8. Jurandir Filho
    29 | August | 2007 às 11:16

    O Thiago Siqueira, do RapaduraCast, tá ficando conhecido como Papaléguas e Ligeirinho.

  9. Juliano Aragão Pessoa
    29 | August | 2007 às 11:37

    Eu já quis ser um hacker depois de assistir Hackers, já quis ser um jedi depois de assistir Star Wars, já quis ser um pirata depois de assistir Piratas do Caribe, já quis ser um mutante depois de assistir X-men e vários outros personagens que eu tinha vontade de ser.

    Agora parecido mesmo, só se for com o Albert do filme Hitch. ¬¬

  10. Nathalia Diniz
    29 | August | 2007 às 12:27

    arrasou, suspiro.
    mas enfim, preciso nem dizer qual personagem psicopata parece comigo né?
    eu até diria, mas eu acho que my mask of sanity is about to slip.

    :P

    ass. cleo bateman.

  11. Fran
    29 | August | 2007 às 12:54

    Se eu fosse alguma animação seria aquela Hipoótama em Madasgar!!!!!

    muito fofa!

    Mas meu personagem favorito é o Edward,o garoto com mãos de tesoura,sempre me emociona.
    E apesar de não parecer nada comigo a Assassina em Monster é fascinante….

    beijo Maíra.

  12. Joana
    29 | August | 2007 às 15:08

    As minhas personagens favoritas (femininas):

    Lizzie (Orgulho e Preconceito)
    Sayuri (Memórias de Uma Gueisha)
    Amelie (Amelie Poulain)
    Satine (Moulin Rouge)

    Masculinas:

    Jack Sparrow (Piratas)
    Burro do Shrek
    Ennis Del Mare (Brockeback Mountain)

  13. Vanessa
    29 | August | 2007 às 18:27

    pois é, muito boa a coluna!

    as personagens que eu mais me identifiquei até hoje foram duas.
    uma , uma mulher,Amèlie Poulain
    a outra , um homem, Drew Baylor, de elizabethtown

  14. Heloísa Sousa
    29 | August | 2007 às 21:42

    “Nós somos a matéria bruta da sétima arte.”
    Ptz, essa foi A frase… resumiu a matéria inteira de uma maneira hilária…
    Axo q os filmes são feitos com esse objetivo mesmo, que a gente se sinta o personagem , se identifique com ele… Seja pra se divertir ou pra aprender uma bela lição de moral…
    Afinal além de diversão, o cinema te proporciona belos ensinamentos, q sempre vem daquele “você” do filme…
    Fantástico, Maíra, parabéns…

  15. Marcelo Coldfer
    30 | August | 2007 às 13:19

    Eu não me lembro de ter me identificado com nenhum personagem, mas eu tenho o dom de descobrir em outras pessoas. Tem uma amiga minha que é igualzinha a personagem do filme ” Ghost World - Aprendendo a viver ” papel da atriz Thora Birch .
    Eu diria que tenho o sarcasmo de Sawyer do seriado Lost

  16. Patrick
    31 | August | 2007 às 19:16

    Caralho!!!Me identifico muito com o citado Jack Twist,de Brokeback Mountain.Os mesmos conflitos,ideias,situações…

  17. Will Nygma
    1 | September | 2007 às 17:04

    Em uma fase de minha vida durante a exibição de O Sol de Cada Manhã com Nicolas Cage e Michael Caine me senti o próprio David Spritz (Cage). Justamente naquele momento estava como ele vivenciando um momento importante em minha carreira, alguns projetos, testes e shows agendados mas havia terminado um relacionamento por coisas que aparentemente soavam bobas como o próprio protagonista do filme recorda e o problema de aceitação do pai, onde David (Cage) faz de tudo para ser um orgulho para o Sr. Robert Sprittz (Caine) que é totalmente meu pai, as frases prontas e tudo mais, o medo de falar certas coisas, a angústia. Ao assistir este filme pude fazer várias reflexões desde as pessoas que tiravam sarro dele (minha adolescência), as coisas que ele deixava pela metade, tudo que ele achava ser bacana e tudo mais. Juro que me emocionei tanto com o filme a ponto de encarar durante a exibição que estava assistindo a minha vida sendo representada na tela. Como se aquele fosse meu futuro, como se o tal Homem do Tempo fosse eu mesmo ali na tela, como se aquilo era a única coisa que eu iria alcançar. Se continuasse fazendo as mesmas coisas iria obter os mesmos resultados.

  18. Thiago Siqueira
    2 | September | 2007 às 14:57

    andale! andale!

    bip, bip!

  19. Yoko
    2 | September | 2007 às 15:08

    Putz,realmente,você “traduziu almas”.

    Impressionante.

  20. Felipe “Stoker” Goulart
    2 | September | 2007 às 16:06

    Parabéns pela coluna, Maíra…

    Eu sempre me identifiquei bastante com os personagens feito por Anthony Hopkins…

    Eu acho que a cada dia, na medida que os personagens são criados, á sempre uma coneção entre público e personagem, além do que apenas assistir o filme…

    Coluna nota 10…

  21. José Henrique
    3 | September | 2007 às 18:51

    Bem, mesmo eu sendo homem eu me identifico com a personalidade da Amanda [Shawnee Smith] de Jogos Mortais, principalmente no Jogos Mortais 3 quando ela começa a ficar nervosa e sem saber o que fazer, então ela acaba se cortando porque acha que isso acalma a dor que ela sente, sem dúvidas eu sou muito parecido com ela emocionalmente.

  22. Maíra Suspiro
    4 | September | 2007 às 10:24

    Henrique,
    tomara que você não queira se cortar tão cedo!
    A Amanda aí é um personagem bem intenso mesmo.

    beijo :)

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