Lembranças do VHS

Publicado em: 11-09-2007 @ 2:50 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Hoje em dia, com a popularização do DVD e com a facilidade de se encontrar filmes na internet, pouca gente lembra o quão importante foi o surgimento das fitas VHS. Muitos, inclusive, até já aposentaram o seu videocassete. Eu, por enquanto, ainda uso o meu bastante. E estou aqui hoje para falar um pouco sobre a minha experiência com o velho VHS. Meu primeiro aparelho foi um Sanyo duas cabeças, que comprei em 1991. Foi o melhor que eu pude comprar na época. No começo, não fiquei muito satisfeito com o aparelho. A imagem das fitas não ficava tão boa quanto a recepção da Rede Globo, por exemplo. Mas com o uso e depois de uma limpeza nas cabeças a imagem ficou boa.


Hoje em dia pouca gente se dá conta da revolução que foi o videocassete. Imagina só: você mesmo fazer a sua própria programação e não ficar sujeito ao que as emissoras passavam. E ainda por cima, ter acesso a obras que só os seus pais ou avós tiveram a chance de ver no cinema. Lembro de alguns dos primeiros filmes locados: “A Maldição dos Mortos-Vivos”, de Wes Craven, “O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante”, de Peter Greenaway, “Coração Selvagem”, de David Lynch, “Eros – O Deus do Amor”, de Walter Hugo Khouri.

Depois de ver o que tinha de melhor nas locadoras do bairro, fui atrás das melhores locadoras da cidade. Na época, a King Vídeo, na Avenida Santos Dumont, era uma das melhores. Tinha um excelente acervo e as prateleiras reservavam espaço para clássicos e filmes alternativos. Os diretores que mais me atraíam eram Alfred Hitchcock, Woody Allen e Luis Buñuel. Pra você ver como a paixão por esses senhores é antiga. Em feriadões, como o Carnaval ou a Semana Santa, eu saía de lá com um pacote enorme de fitas. Pedia para a atendente colocar as fitas em dois sacos, já que eu ia pegar dois ônibus para chegar em casa e não queria correr o risco de o saco rasgar no caminho.

Como ainda não existia internet na minha vida, os meus meios de consulta eram os guias de vídeo da revista SET – a Cinemin já tinha acabado e eu nunca gostei dos guias da Nova Cultural. Todo ano a publicação lançava um guia atualizado. Dentro desses guias, sempre havia aqueles filmes que eu sonhava encontrar nas locadoras, mas nunca encontrava. Alguns desses títulos - “O Amigo Americano”, “O Medo do Goleiro diante do Pênalti” e “O Estado das Coisas”, todos de Wim Wenders; “Macbeth”, de Orson Welles, “Smoking/No Smoking”, de Alain Resnais -, até hoje eu não tive a oportunidade de ver.


A falta de internet também me deixava com a impressão de que algumas obras eram sagradas, de que alguns diretores eram inquestionavelmente sagrados. Por isso, sempre me incomodava com o fato de não ter gostado de alguns filmes de Fellini, Bergman ou Kurosawa. No tempo do VHS, também não se ligava muito para a “janela errada”. Hoje há uma exigência muito maior para o formato correto dos filmes. Com o tempo e a popularização maior dos televisores widescreen, isso vai se tornar cada vez mais importante.

O advento do videocassete também mudou a indústria pornográfica. Antes, os espectadores que iam para o cinema ver esse tipo de filme tinham mais paciência para acompanhar um filme pornô com estória. Com a chegada do vídeo e da tecla “fast forward” do controle remoto, a estória já não interessava mais. Por isso, os pornôs da era do vídeo partiam logo para os finalmente. Teve um tempo que eu era mais interessado nesse gênero, no tempo da excelente publicação Guia do Vídeo Erótico. Com o fim da publicação e a cada vez maior decadência do gênero com a facilidade de se baixar trechos de vídeos na internet, meu interesse pela pornografia como arte diminuiu.

Por outro lado, o western, que era um gênero que não me atraia muito, hoje se tornou um objeto de culto, graças possibilidade que eu tive de conhecer mais de mestres como John Ford, Howard Hawks, Anthony Mann e Sergio Leone. Já o cinema de horror, que eu sempre gostei desde a infância, passou a ser ainda mais interessante depois que eu tive contato com um grupo de pessoas de uma lista de discussão. Mas isso já aconteceu no início do novo milênio e as fitas de vídeo passaram a se tornar ítem de sebos. As videolocadoras, com a chegada dos DVDs passaram a se desfazer de suas fitas mofadas. E assim, aos poucos, essa mídia vai morrendo e dando lugar aos mais práticos e baratos discos digitais. Foi bom enquanto durou.




16 Comentários

  1. Renan bandeira
    13 | September | 2007 às 07:43

    Mt boa a matéria!
    mas onde consegue esses guias de cinemas? ql o melhor?

  2. Bruno Garcia
    13 | September | 2007 às 08:49

    As locadoras estão acabando, é o fim de uma era. As de video já eram e até as de dvds estão fechando. No auge, todo posto de combustivel que se preze tinha uma.

    Alugava muito na King Video da Av. Rui Barbosa, que já foi, voltou e foi de novo, desta vez acredito que para sempre. Geralmente animes e desenhos antigos que não passava mas na TV.

    “meu interesse pela pornografia como arte diminuiu”, Pornografia como arte!? Certo.

    Hoje em dia, baixo muito filmes na Internet, não alugo mais dvds, e so vou no cinema quando o filme merece ser visto na tela grande. Acho que o cinema não comecar a se reiventar vai pelo mesmo caminho.

  3. Kanji Iwamoto Jr
    13 | September | 2007 às 08:57

    Só… bons tempos mesmo. Mas voltando ao ponto dos velhos XXX, não fazem mais filmes como antigamente. Tudo bem, a atuação era péssima, mas as atrizes tinham personalidade e não se galgavam na glória de irem pros finalmente sem um bom papo cabeça. Saudades de Tracy Lords, Aja, Christy Canyon, Savannah e Racquel Darrian.

    ps.: desculpe se coloquei o post “para maiores de 18 anos”

  4. flavio oliveira
    13 | September | 2007 às 09:51

    Realmente a era do videocassete vai deixar muitas
    saudades,era uma época que inclusive até a pirata-
    ria era menor,a quantidade de locadoras,aumentava a cada semana gerando até mais empregos.
    Só não sinto saudades de quando terminava o filme era presciso ter que esperar a fita rebobinar toda, ou quando a fita inssistia em enrolar dentro do aparelho(as assistências técnicas adoravam isso),e quando as fitas com os programas que gravávamos criavam mofo?era terrivel.bons tempos que infelizmente/felizmente não voltam mais.

  5. Leonardo de Paiva Fernandes
    13 | September | 2007 às 13:10

    alguém acredita que com a chegada do do dvd de alta definição alguma coisa vai mudar?

  6. Jurandir Filho
    13 | September | 2007 às 13:42

    Se você podia gravar filmes que passavam na tv em VHS e não era considerado pirataria, por que gravar filmes que você baixar na Internet em DVD é pirataria?

  7. Pedro Figueredo
    13 | September | 2007 às 18:44

    Porque você não tem nenhum direito de reproduzir aquilo[no caso o filme] Jurandir.

  8. Jurandir Filho
    13 | September | 2007 às 20:06

    Bem colocado, Pedro.

  9. Rodrigo der Windsor
    14 | September | 2007 às 09:01

    A era do VHS foi muito boa, o video cassete foi um aparelho muito atraente para a epoca e cheio de avanços tecnologicos com muitos comandos interessantes, você podia gravar seus filmes, programar datas e horas, existia um certo prazer em assistir a filmes no video cassete e também a pirataria era mais dificil, ir numa locadora e escolher a seus filmes preferidos era tão bom que você vinha de la com muitos filmes de uma vez só, foi uma epoca que os aparelhos e as fitas não eram tão comerciais, não muito acessíveis a todos; porém hoje os aparelhos e os discos de DVD são acessíveis a todos tirando o charme de uma epoca. Tenho meu video cassete até hoje um SHARP 2 cabeças que comprei com muito dificuldade em 1993.

  10. Juliano Aragão Pessoa
    14 | September | 2007 às 11:47

    Me lembro muito, todas as ferias iamos, meu primo e eu, na Hot Vídeo perto la de casa e alugavamos pelo menos 2 filmes(tinha uma promoção, alugava um lançamento e ganhava um filme mais antigo) todos os dias.

    Era bom demais!

    =D

  11. Nicholas Antonio
    16 | September | 2007 às 11:41

    Aqui em casa tem Dois DVDs mas ainda tem um VHS e muitas fitas ainda. Praticamente o VHS e um classico e ele nunca vai perder seu charme.

  12. Ailton Monteiro
    17 | September | 2007 às 10:12

    Renan, acredito que esses guias não se acham mais. E mesmo se vc encontrar, com certeza a qualidade do papel (jornal) deixa o material meio mofado.

  13. uli6
    17 | September | 2007 às 12:13

    saudades não só dos vhs mais tb dos cinemas de rua

  14. Custódio
    20 | September | 2007 às 13:47

    Tenho tanto amor pelas fitinhas que meu primeiro DVD Player foi um combo (LG-DG800)se não me agradasse o DVD ainda podia usar ele como vídeo-cassete. Pasmem, durante um bom tempo (e até acabarem as minhas fitas virgens que encareceram bastante na contra-mão do DVD) eu locava filmes em DVD e gravava num velho vídeo cassete da CCE que não tinha proteção contra cópia, já não podia se chamar de pirataria, ninguém ia pagar R$10,00 numa VHS…hehehehe
    Abraços!

  15. Antonio
    29 | March | 2008 às 14:48

    Tem um site que vende em dvd ou VHS perfeitas raridades eroticas da decada de ouro do VHS o email para solcitar o catalogo eletronico eh nunesfilmesraro@gmail.com,vale a pena dr uma olhada nos albuns com imagens das capas dos filmes de atrizes como nina hartley, malu marqeus,maggy vilella e etc. deem uma olhada.

  16. nunes
    12 | June | 2008 às 16:12

    Da uma olhada nesse link (http://picasaweb.google.com/nunesfilmesraros) vende muitas raridades XXX em VHs e DVD.

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