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Pink Flamingos

Publicado em: 18-09-2007 @ 11:51 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Evitando atrair maiores atenções para si, Divine, uma mulher inescrupulosa, esconde-se adotando o falso nome de Babs Johnson. Ela é a pessoa mais imunda que existe, e mora em um trailer cor-de-rosa próximo � cidade de Baltimore, na companhia de uma fiel amiga e assistente de crimes; de seu pervertido filho; e de sua mãe, uma senhora doente mental que vive de lingerie em um berço infantil e é obcecada por ovos.

No centro da cidade, um casal invejoso mantém um negócio ilegal de bebês: continuamente seqüestram moças para serem fecundadas por um empregado e terem seus recém-nascidos vendidos para casais de lésbicas. O dinheiro é investido na venda de drogas para escolas. Toda essa sujeira a troco de nada além do almejado título de “pessoa mais imunda que existe”, pertencente � excêntrica (e imunda, claro) Divine.

Com a ingênua “(How Much Is) That Doggie in The Window”, de Patti Page, John Waters coroou um dos filmes mais ultrajantes já feitos, dando música � célebre cena de coprofagia (Divine devora fezes fresquinhas de um poodle) que lhe rendeu a honra de representar para o cinema o Papa do Trash e Príncipe do Vômito. Conheça um pouco sobre John Waters e Glen “Divine” Milstead, ícones do cinema independente; diretor e estrela de Pink Flamingos (1972), respectivamente.
John Waters nasceu em 22 de abril de 1946, nos EUA; mais especificamente em Baltimore, cidade-cenário de muitos de seus filmes. Foi onde conheceu grande parte de sua equipe, os Dreamlanders, inclusive o jovem Glen Milstead, que logo se tornou a glamurosa Divine. Waters tinha 18 anos quando realizou seu primeiro filme: o curta-metragem em 8 mm Hag in a Black Leather Jacket (1964). Mas foi com Multiple Maniacs (1970), seu segundo longa, que chamou a atenção. O filme foi exibido nas loucas sessões da meia-noite do Palace Theatre, em São Francisco, para onde Waters partiu na tentativa de arrecadar dinheiro para produzir seus próximos filmes. Abaixo, uma foto de John Waters e Glen Milstead juntos:

Seu objetivo era promover um novo tipo de humor, afrontando a tirania do bom gosto, e assim lançou Pink Flamingos (1972), que não permite duvidar de sua ousadia. O filme estourou nas sessões da meia-noite do cinema Elgin, em Nova Iorque, consagrando Waters como o “papa do trash”. Nos próximos anos, ele dirigiu pérolas como Problemas Femininos (1974), Polyester (1981) e Hairspray (1988; este virou peça de sucesso na Broadway, que, por sua vez, inspirou a recente versão com John Travolta), abordando temáticas como drogas, sexo, religião, donas de casa incompreendidas e adolescentes rebeldes. Recentemente, Waters parodiou o cinema independente na apaixonada comédia Cecil Bem Demente (2000), provando que sua filmografia é o perfeito exemplo da transição do underground para o cinema de massa, sem a perda de sua integridade estética. Também publicou livros de ensaios e de fotografia, e, atualmente, dá aulas de cinema e estudos subculturais na European Graduate School, na Suíça.

Glen Milstead nasceu em 19 de outubro de 1945, no subúrbio de Baltimore, nos Estados Unidos. Cedo, demonstrou comportamento afeminado e foi levado pela mãe ao médico, que o “diagnosticou” como homossexual. Em 1963, aos 18 anos, foi ao baile do colégio caracterizado como Elizabeth Taylor, sua diva. Nessa mesma época, conheceu o aspirante a cineasta John Waters e, louco por fama, aceitou firmar uma parceria que duraria até o fim de sua vida. Segundo Waters, seu objetivo era mostrar a beleza de Glen e testar sua própria loucura. O resultado disto foi o nascimento de Divine e, além de alguns filmes experimentais, longas como Pink Flamingos (1972), Problemas Femininos (1974) e Polyester (1981). Abaixo, três imagens de Divine:

Não tardou até que Glen se sentisse incomodado com sua criação, desejando ser reconhecido por sua capacidade cênica; não por um show de atrocidades. Fez uma série de apresentações, lançou o single “I’m So Beautiful”, viajou o mundo em turnê, estrelou dois filmes (em um deles, com um personagem masculino), mas voltou a trabalhar com Waters, em Hairspray (1988). No mesmo ano, aos 42 anos, decidiu guardar a saia no armário e empolgou-se com a idéia de estrelar um papel masculino na série de sucesso Married With Children, mas foi vitima de seu peso (170 quilos), falecendo depois de um ataque cardíaco durante o sono, na madrugada de sua estréia.



7 Comentários

  1. Maíra Suspiro
    19 | setembro | 2007 às 19:13

    eu sou LOUCA para ver esse filme.
    peguei uma vez na locadora, mas o VHS tava muito ruim.

    nossa, tava pensando nele esses tempos.
    arrasou, Bia, querida :*

  2. Jurandir Filho
    19 | setembro | 2007 às 19:38

    Eu nunca vi esse filme, mas só em ter mulher porca e suja, já não vou passar nem perto. Hahahaha!

  3. Igor Vieira
    20 | setembro | 2007 às 11:49

    fiquei curioso pra ver

  4. Custódio
    20 | setembro | 2007 às 13:24

    Tem coisas no cinema que são meio assustadoras, não só de ver, mas de imaginar, uma mente que concebe cenas como as de Pink Flamingo para a película, pode concebe-las também na realidade.
    Humanos nos somos, mas as vezes nem tanto.
    Abraços.
    Belo Horizonte MG

  5. Beatriz Saldanha
    20 | setembro | 2007 às 14:09

    Custódio, obrigada pelo seu comentário. Não precisa temer pelo John Waters. Ele já é um senhor de 60 anos ou mais, vive tranqüilamente dando aulas sobre cinema e, vez ou outra, diverte-se falando do seu passado maluco na filmografia dos anos 70. Não é nenhuma ameaça sociedade. No mais, “Pink Flamingos” é muito mais divertido do que abominável.

  6. Juliano Aragão Pessoa
    24 | setembro | 2007 às 23:31

    Juras, antes fosse mulher, mas pelo que eu entendi é um homem vestido de mulher..

    E a foto desse(a) Divine em preto e branco da medo.

    Dessa matéria o que eu já tinha ouvido falar era do Hairspray(refilmagem) e do Cecil Bem Demente, mas ainda não assisti nenhum.

    Me parece altamente trash. Gostaria de ver mais pela curiosidade.

  7. Monica Ash
    28 | fevereiro | 2008 às 14:04

    Assisti Pink Flamingos ha pocos dias e minha impressão é a seguinte:bizarro, hilário e pervertido(rs).
    não há o desnecessário nesse filme. Waters não comete falhas. Ele parte do estranho, atravessa o bizarro e chega ao sujo sem tropeços.
    a cena de sexo com galinhas :shock: , o aniversário de Babs e o Homem dos Ovos são marcantes.
    um clássico dos filmes B.

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