Foram 1999 anos de evolução humana e poucos de existência cinematográfica agregada à sua evolução; poucos, porém eficazes. As técnicas foram se aperfeiçoando, a visão se expandindo e a coragem aumentando; a prática foi demonstrada como grande implicante para um produto final. É lógico que somente não existiram obras primas nesse intervalo de um ano, mas podemos dizer assim, uma maior incidência delas. Indivíduos inspirados e determinados a trazer a vida objetos de adoração, existiram aos montes; deixaram marcas para nunca mais serem apagadas. Nunca, nem antes nem depois do feito, vimos algo desse tipo tão raro de se acontecer quanto chuvas no sertão, algo tão bom quanto gotas finais de um copo d’água. Obras para todas as idades, gostos e estilos foram criadas. Tudo em apenas 365 dias e 6 horas. Nasceram há quase 10 anos, mas viverão eternamente.
Na verdade, toda a década de 90 no aspecto cinematográfico, foi singular. Acompanhamos a brilhante estréia de Quentin Tarantino nos cinemas com “Cães de Aluguel”, logo depois com seu segundo e maravilhoso trabalho “Pulp Fiction - Tempos de Violência”. Também tivemos sucessos como “Forrest Gump - O Contador de Histórias”, o inigualável filme de Steven Spielberg “A Lista de Schindler”, o clássico da animação “O Rei Leão”, etc. Digamos que foi toda uma década de sucessos. Seguindo a regra, vários notáveis títulos fecharam esses dez anos com chave de ouro; uma real convenção da genialidade. Somente para materializar essa idéia, segue uma pequena lista do tanto que se fez em tão pouco tempo; obras de valores ainda inestimáveis pelo homem. Particularmente quase todos os filmes que serão citados, figuram como os que mais admiro. Concorde ou não, acredito que é necessário reconhecer suas qualidades.
Magnólia
Talvez nem todos conheçam esse longa-metragem; ou até mesmo não tiveram paciência para assisti-lo. Entretanto aqueles que viram, provavelmente, concordam quando se afirma que ele é “divino”. “Magnólia”, obra-prima máxima do diretor Paul Thomas Anderson (“Boogie Nights – Prazer Sem Limites”), narra a história de nove personagens aparentemente desconhecidas, mas que aos poucos tem suas histórias interligadas por algum ponto em comum. Aos poucos vai mostrando o quanto é complexa, e ao mesmo tempo simples, a relação das pessoas na organização atual da sociedade. São três horas e meia de diálogos, com direito a resoluções bíblicas e tudo mais. Indicado a três Oscar, sendo eles: Melhor Canção Original, Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante para Tom Cruise (“Missão Impossível”).

À Espera de Um Milagre
Segundo filme dirigido por Frank Darabont (“Um Sonho De Liberdade”), que foi adaptado de um romance de Stephen King. Como já diria Kubrick a respeito de King: “obras literárias medianas rendem bons filmes”. A trama mostra o drama vivido por Paul (Tom Hanks, de “Um Dia a Casa Cai”), que é um dos responsáveis pelo corredor da morte durante o ano de 1935. Num dia comum, chega à prisão um enorme rapaz chamado Jonh Coffey (Michael Duncan) que foi condenado à morte por estuprar e assassinar duas meninas. Eles vão se conhecendo aos poucos. Paul percebe que Coffey é capaz de operar milagres através de sua “oração”. A vida de todos que eram responsáveis por aquele corredor, são mudadas depois da chegada desse novo e milagroso prisioneiro. Entretanto, ficamos incertos da sua inocência, e descobrimos gradativamente o que realmente aconteceu para aquele divino indivíduo estar ali. Em minha opinião, a melhor obra de Darabont, que teve apenas quatro indicações ao Oscar, entre elas está a de Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (Duncan). Uma das maiores injustiças já cometidas pelo Oscar, por sequer conceder uma estatueta para essa inigualável obra.

Matrix
Um dos maiores marcadores da “linha do tempo” cinematográfica. Atualmente um dos maiores ícones do cinema, um dos filmes mais cultuados e, depois de “2001: Uma Odisséia no Espaço” é o melhor filme de ficção científica. “Matrix” foi uma grande surpresa, que veio de diretores e roteiristas até então considerados amadores, mas que deixaram o mundo boquiaberto com efeitos especiais maravilhosos, uma história super inteligente, e um roteiro bem fundamentado como poucos - tudo isso embalado com muitas acrobacias e Kung-Fu. Essa “maravilha da computação” mostra a dinâmica entre máquina/homem, situado num futuro sombrio, onde as máquinas dominam os homens. Nessa mistura teológica, filosófica e científica, acompanhamos a história de Neo (Keanu Reeves, de “Velocidade Máxima”), que é tido como The One (O Escolhido), aquele que livrará a humanidade dessa subordinação para com as máquinas. Ele é conduzido por Morpheus (Laurence Fishburne, de “Assalto à 13ª DP”) e acompanhado por sua musa Trinity (Carrie Anne-Moss, de “Chocolate”) nessa jornada de auto-conhecimento da sua nova identidade. Ganhador de quatro Oscar: Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Som, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Montagem.

Clube da Luta
Depois de comandar um dos filmes mais cultuados do cinema, “Seven - Sete Crimes Capitais”, David Fincher cria a - considerado por alguns - nova Bíblia. Com uma narrativa extremamente interessante e bem conduzida, “Clube da Luta”, mesmo oito anos depois de sua criação, consegue ser atual devido à forma moderna com que Fincher conduz as coisas. O filme mostra a monótona vida de Jack (Edward Norton, de “O Ilusionista”), que apesar de ter uma boa vida financeira e levemente equilibrada, sofre de problemas de insônia. Tudo prossegue assim, até quando ele conhece Tyler (Brad Pitt, de “Tróia”) durante um vôo de avião e ficam amigos. Dessa amizade, surge a idéia de criar um “clube da luta”, onde os amigos se espancam violentamente durante combates sangrentos. Algum tempo depois, a relação entre Jack e Tyler vai se desgastando, fazendo com que as desavenças comecem. Seria uma briga muito simples, se não fosse pelo fato de Tyler fazer parte da vida de Jack mais do que ele pensava. Um grande estudo sobre a mente das pessoas, além de uma grande e bela crítica à sociedade na qual estamos inseridos. Foi injustamente indicado a somente o Oscar de Melhores Efeitos Sonoros.

O Sexto Sentido
Uma produção humilde, com um diretor de segunda viagem e que não prometia muito. O que mesmo esperar sobre isso? É justamente aí que M. Night Shyamalan nos pega de surpresa. O cara carrega milhões de cidadãos para o cinema a fim de assistir um suspense. Não me recordo outra vez que aconteceu algo de forma tão eficaz como essa. O longa-metragem conta com um roteiro muito bom, uma direção surpreendente e atuações inspiradas. Do que mais precisamos? Tornou-se um ícone do cinema, dotado de um dos melhores e surpreendentes finais. Talvez hoje em dia já se saiba mesmo antes de assistir, mas a sensação de acompanhar toda a história é extraordinária. A película tem em sua bagagem a história do Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis, de “Duro de Matar”) que é um grande profissional da área de psicologia, mas falhou anteriormente com um de seus pacientes. Algum tempo depois ele está trabalhando para ajudar Cole (Haley Joel Osment, de “A.I. – Inteligência Artificial”) que tem um quadro difícil, pois é dotado de um grande agravante: o garoto tem visões de pessoas mortas. Indicado a seis Oscar, dentre eles: Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Roteiro Original.

Beleza Americana
A supremacia do recheado Oscar de 2000; oito indicações e cinco estatuetas conquistadas. Sam Mendes (“Estrada para a Perdição”) caprichou nessa película sobre relacionamentos não só amorosos como familiares. Sensível, moderno, dinâmico e inteligente, que condena o “American Way Of Life”, o filme conta a vida de Lester Burnham (Kevin Spacey, de “Corrente do Bem”). Ele é um chefe de família tradicional que toma diversas decisões para fazer de sua vida algo extraordinária. Entretanto, ele vive uma crise familiar com a traição de sua esposa Carolyn (Annette Bening, de “Marte Ataca!”) e a constante rebeldia de sua filha Jane (Thora Birch, de “Agora e Sempre”). Após conhecer a amiga de sua filha, ele começa a ter fantasias com ela, ao mesmo tempo em que tenta aproximar-se da mesma. Destaque para as atuações de Kevin Spacey e Annette Bening, para o roteiro e pela direção de Sam Mendes.

Acredito que apresentei seis bons motivos para que as pessoas possam reconhecer o quanto foi importante esse ano para o cinema. Agradando a Gregos e Troianos, mas, acima de tudo, agradando a todos. Infelizmente, a premiação do Oscar do ano seguinte não foi justa, mas isso não é nenhuma novidade - tento me conformar aos poucos. Injustiças à parte, existe gratidão que tenho para com Hollywood por essas formidáveis obras que superam qualquer decepção. Como poucas vezes aconteceram, posso afirmar sem receio: a perfeição foi alcançada com êxito.


27 | setembro | 2007 às 20:06
Nossa, são todos filmes ótimos MESMO!
Mas nunca tinha reparapado que são todos do mesmo ano.
Excelente postagem…
28 | setembro | 2007 às 00:28
Apenas uma palavra define esses filmes. Espetacular!
São grandes obras de mestres nem tão conhecidos, alguns devidamente apresentados e mostrando o que sabem fazer de melhor.
Realmente a equipe do CCR estão de parabéns.
Abraços a todos, e um beijo em “Suspiro”.
28 | setembro | 2007 às 00:46
Só filmes fodásticos, nem tinha reparado que são todos do mesmo ano.
E realmente,O Sexto Sentido foi uma grande e bela surpresa, indo surpreendentemente bem nas bilheterias.
28 | setembro | 2007 às 07:44
NÃO ESQUEÇAM A HORA DO RUSH 1 E MAQUINA MORTIFERA 4, aquela cena dois dois levando um pau no final do Jet Lee, foidemais
28 | setembro | 2007 às 12:15
só filme foda
clube da luta é o meu preferido
28 | setembro | 2007 às 14:01
Excelente post!
Também não tinha me dado conta que todos esses filmes são do mesmo ano. Difícil escolher um filme apenas, já que todos são exemplos do que há de melhor em seus estilos.
28 | setembro | 2007 às 14:06
Parafraseando o nome de um filme…
1999 - Primeiro ano do resto de nossas vidas.
Oh ano bom, acho que como 99 não haverá outro!
28 | setembro | 2007 às 14:38
Acho que os cineastas pensaram que o mundo ia acabar na virada do milênio e capricharam…
realmentes todos excelentes, só nao assisti o magnólia nem sei porque ainda… vou correndo assistir agora heheheh
belísssima matéria
blza
28 | setembro | 2007 às 16:18
Eitaaa bons filmes!
Não sei se é oportuno mas vale acrescentar ai, ao meui ver diga-se de passagens, mais alguns filmes desse inusitado ano de 1999.
Ai mais alguns:
1)Tudo Sobre Minha Mãe; espetacular filme do espetacular diretor Pedro Almodovar. Ótimo filme.
2)De Olhos Bem Fechados; muitos não gostam deste filme, mas cabe lembrar que foi o ultimo do genial Stanley Kubrick.
3) A Bruxa de Blair; não se pode deixar de fora esse filme um tanto quanto inusitado e original. Afinal de contas um reality show cinematográfico.
Acho que tem mais! Mas esses foram o que lembrei.
Eita aninho bom!
29 | setembro | 2007 às 00:37
devo admitir que chorei no final de a espera de um milagre
na hora que o grandão morre
gosto muito desse filme
tambem naum tinha reparado que esses filmes são do mesmo ano
29 | setembro | 2007 às 00:56
A Bruxa de Blair, é verdade, Miguel. Bem lembrado! FILMAÇO! Um clássico e um dos filmes mais rentáveis da história do cinema (quiça o mais rentável).
29 | setembro | 2007 às 07:56
Realmente 1999 foi um excelente ano.
De lá pra cá não tivemos nenhum ano que se comparasse a esse.
Clube da Luta e Beleza Americana são os meus favoritos.
Tb não devemos esquecer do filme “O Informante”, outro filmaço desse ano.
Parabéns, show de matéria.
cydão –> tanto “Hora do Rush” como “Máquina Mortífera 4″ foram de 1998 e não 1999.
29 | setembro | 2007 às 10:57
Dos seis filmes citados
so assisti 3
+ devo dizer tbm q todos foram otimos e marcaram .
Seria legal uma materia com os melhores filmes da decada de 90
29 | setembro | 2007 às 11:24
Cadê a Bruxa de Blair????
29 | setembro | 2007 às 12:13
Ontem eu assisti espera de um milagre… gente pelo amor de deus, já assistir milhoes de vezes o filme e nao tem como nao se emocionar com esse filme…
Lindo lindo… pra mim o melhor de 99, depois vem o sexto sentido.
29 | setembro | 2007 às 13:20
Eu vi ontem tb Vanessa. Universal rox!
29 | setembro | 2007 às 13:44
Filmes realmente BONS
=]
29 | setembro | 2007 às 14:26
concordo q esse ano foi um grande ano p o cinema…
mas não sei se foi o melhor…fico em duvida entre 1999 e 1994 q teve filmes como
forrest gump,
um sonho de liberdade,
pulp fiction,
e O Rei Leão
3 deses entre os melhores da historia…
29 | setembro | 2007 às 18:05
Rapaz, agora que eu li isto eu me dei conta. Que ano, hein?!
30 | setembro | 2007 às 03:51
Sexto Sentindo!
Um dos filmes que mostrou como se faz um bom suspense sobrenatural!
Clube da Luta!
Um bom filme “louco”.
Matrix…
Acho legal, mas, nada demais…
Mas foi um filme aclamado…
Mangnólia!
Ápice de muitos artistas…
30 | setembro | 2007 às 09:58
Sobre qual ser o melhor filme de Frank Darabont, eu considero “Um Sonho de Liberdade” melhor que “À Espera de um Milagre”.
30 | setembro | 2007 às 13:15
O SEXTO SENTIDO é um dos melhores filmes que ja vi, com um final surpreendente. Nota dez.
30 | setembro | 2007 às 14:59
São filmes muito bons apesar de não ter assistido todos. Matrix revolucionou os efeitos especiais de um filme e Forrest Gump um clássico!
Parabéns pelo site e pela reportagem!
30 | setembro | 2007 às 16:18
Pessoal, valeu mesmo pela boa recepção por parte de vocês, até porque essa é minha primeira matéria aqui no CCR.
Contudo, fiquei surpreso também quando percebi que todas essas obras geniais foram lançadas somente em um ano; e como uma homenagem, redigi essa matéria. Bom ano, não é mesmo?
Valeu a todos. Enjoy it.
30 | setembro | 2007 às 20:55
Belo post!
São filmes muito bons mesmo. Legal que tenham sido do mesmo ano!
O Sexto Sentido… putz, muito, muito, muuuuito bom mesmo!
30 | setembro | 2007 às 21:01
Vale lembrar que também foi o ano de Episódio 1 - A ameaça fantasma, que, se não tem lá a mesma qualidade dos filmes da lista,´ganha em importância por se tratar da retomada da saga star wars no cinema.
1 | outubro | 2007 às 09:46
Discordo apenas de um filme, Beleza Americana, detestei e tive vontade de sair do cinema antes mesmo do fim, a personagem de Annette Bening é pegajosa na atuação, detestei, o melhor filme daquele ano com certeza foi Matrix, principalmente por que adoro ficção-cientifica.
Abraço a todos!
1 | outubro | 2007 às 10:45
Não esqueçamos do fantástico “Quero Ser John Malckovich”, que faz falta nesta lista…
Fora isso, ela é ótima!
1 | outubro | 2007 às 19:32
clube da luta é meu filme predileto. depois que vi este filme sempre quando via o ano de outros filmes bons que eu via, me deparava com 1999. eu sempre pensava nisso! me identifiquei muito com o post. tirou palavras de minha boca.
2 | outubro | 2007 às 13:09
Assisti a todos eles e só posso concordar em genero, numero e grau que são filmes que valem a pena ser vistos e revistos sempre!! Beleza Americana é simplesmente fantástico!!!!
3 | outubro | 2007 às 11:24
Realmente este ano foi um ano de boas películas. Além das citadas, eu incluiria o filme “Meninos não Choram”. Dos filmes citados, só ainda não assitir Clube da Luta, que não encontrei na locadora ainda, e Magnólia, que desconhecia.
3 | outubro | 2007 às 21:09
aah q pena q eu era pirralho na epoca! =/
tinha uns 10 anos.. n sabia mt d cinema neh huasuhas!
mas realmente pelos filmes q estrearam naquele ano, n tem como dizer q foi um ano de fundamental importancia ao cinema!
Espero q tenhamos mais anos daquele jeito!
E nao um ano d mts criaçoes sem qualidade ou soh pensando no lucro.. Q nao tenham soh efeitos especias (q hoje eh doença) e q tb tenha um otimo roteiro!
A espera d um milagre acho o melhor entre esses! =)
13 | outubro | 2007 às 02:04
concordo plenamente