Agnes Varda tem um estilo beirando o pitoresco de apresentar imagens que desencadeiam sua história. O jeito quase documental de “Os Respigadores e a Respigadora” é brindado pela maneira leve que ela tem de brincar com fatos, e com a própria câmera. Como se estivesse ali descobrindo não só histórias, mas também o uso da câmera, seus efeitos, suas cores – e apresentando tudo isso para quem assiste aquela experiência. Muito interessante os momentos em que ela se filma: penteando os cabelos, depois a imagem da própria mão e enfim a brincadeira com relógio re-aproveitado.

Dessa forma ela vai entrelaçando os fios desse quase embate, mostrando personagens que não são exatamente personagens, e que nos fazem sentir que estão contando para nós (e não para uma câmera) suas descobertas. Como se eu tivesse a oportunidade de conhecer aquelas pessoas e compartilhar de suas experiências, num momento descontraído.
Quase parece um filme caseiro, uma câmera na mão e uma expectadora curiosa e profundamente observadora. E de certa forma, é. Mas a junção de outros elementos que compõe o filme, nos faz perceber a profundidade do trabalho que foi realizado. Essa característica da “expectadora curiosa e observadora”, é levada aos seus projetos, como uma marca mesmo do seu trabalho. Já no seu primeiro trabalho (La Pointe-courte, 1956), ela demonstra isso, mesmo que a linguagem utilizada seja diferente (há ficção, personagens criados).
Existe um constante diálogo com a câmera nos trabalhos de Varda, uma ligação forte em seus filmes. Em Lions Love (1969), o “ensaio” com o documentário acontece mais uma vez, mas através de mais uma ficção. Agnès Varda gosta de trabalhar com documentários, mas claro, � sua maneira própria e característica: eles normalmente são documentários que não parecem exatamente documentários. E paralelo a isso, trabalha com suas ficções, caminhando com tranqüilidade pelos gêneros, como comédias, dramas e até fantasia. É interessante o costume que ela conserva de fazer parte de seus filmes de alguma maneira, de aparecer na tela mesmo em alguns deles.
Da mesma geração de Godard, Agnes Varda chegaram a trabalhar juntos em Loin du Vietnam (1967), onde alguns cineastas (como Joris Ivens, William Klein, Claude Lelouch, Chris Marker e Alain Resnais) juntaram-se na realização deste documentário quase político, onde apóiam o exército Vietnamita durante a tão falada Guerra do Vietnã.
Vencedora de pelo menos 23 prêmios em festivais respeitados de cinema, Agnès Varda continua dirigindo filmes, sendo uma cineasta ativa. Aliás, não só dirigindo, como produzindo, escrevendo, editando e atuando!


29 | outubro | 2007 às 20:26
Parabéns pela matéria! Vivas ao blog!
Fiquei extasiado e admirado de ver em um site tão jovem um conteúdo de tanta importância como esse. Não é costume ver nem nas publicações mais experientes escritos deste cunho, com mistura de segurança e humildade para falar do assunto. Acertaram na matéria, estava precisando mesmo dar mais importância a assuntos como esse. Agnes Varda é além de uma cineasta uma importantíssima artista para qualquer um que queria se aprofundar em seus conhecimentos de cinema. Ela é ao mesmo tempo contemporânea e tem uma história biográfica que deve ser lembrada. Parabéns ao site! Vivas a Beatriz por ter sido feliz em sua escolha! E aguardo mais tópicos como esse! Parabpéns!