Missão dada é missão cumprida. Filme assistido é filme absorvido. E inspiração batida é coluna escrita. Depois de escutar comentários, curtir as frases de efeito e as músicas do filme e ignorar toda e qualquer pirataria, conferi “Tropa de Elite” nos cinemas. Seria impossível escrever sobre qualquer outro assunto nessa semana.
“Papara-papara-papara-clack-bum“. Essa foi a batida mais cantada por mim nos últimos dias, antes de ver o filme “Tropa de Elite”, até conseguir um tempo para conferi-lo no cinema. Tirar onda babando o personagem do Capitão Nascimento na pele do Wagner Moura virou rotina. Afinal, eu sempre adorei o Wagner Moura, profissionalmente e esteticamente, diga-se de passagem. E a boina “a la personal stylist Guevara” caiu muito bem. Acontece que depois de tirar essa “tropa” de brincadeiras e interpretações triviais sobre o filme, após assisti-lo, me senti uma idiota “de elite” por ter levado tudo tão frívolamente princípio.
Fazia tempo que eu não sentia um leve frio na barriga antes de entrar na sala de exibição para ver um filme. Que ficava ansiosa para ouvir os primeiros tons do início da trilha sonora, no caso, com o tão conhecido “Rap do Dendê”. Ver o rosto em close parado do Capitão Nascimento, com uma boquinha emburrada e a boina que triplicava o charme do Wagner Moura também foi outro “tiro” de emoção. Mas eu tenho que desabafar, porque eu saí com um transtorno interessante do cinema: uma mescla de revolta e compreensão.
Me senti estúpida por tratar o tema com banalidade, dançando o “Rap do Dendê” e brincando com as frases do Bope. Me senti mais uma no meio da multidão, sendo hipócrita, superficial e ignorante. Em determinada cena do filme, que novamente toca o refrão do “Rap do Dendê” – a qual eu não citarei para evitar atrapalhar quem ainda não viu, a ficha caiu: o que é que eu estava fazendo? Sim, porque normalmente não é esse o meu comportamento, não com os filmes nacionais que eu levo a sério. E digo nacionais porque eu tenho um cuidado maior com eles: são nossos.
Foi quando eu percebi que, para mim, “Tropa de Elite”, assim como outros filmes, contava uma história. Uma história até ordinária. Simples: como outros infinitos filmes, ele trazia uma narrativa. Ok. Acontece que aquela narrativa é a fotografia de histórias que se repetem no país, com personagens que podem ser encontrados facilmente na realidade, estampados em “curtas” nos noticiários de toda noite ou em “pôsters” na primeira página do jornal.
Não consegui analisar o filme de forma técnica, pelo menos, não claramente. Não consegui porque acredito ser mais importante analisar a mensagem dele no primeiro momento. Acho que a maioria dos filmes brasileiros usam o cinema para mostrar retratos de realidades nossas, e merecem ser absorvidos. Uma parcela do nosso cinema – e acredito que a maior e a melhor – usa o cinema como arte para invocar uma reflexão. É a expressão de um mundo. E “Tropa de Elite” entrou nessa linha, como um filme simples que pode ser compreendido por qualquer um. Talvez por usar uma linguagem fácil, ter ação e uma música-chefe conhecida (Tropa de Elite, do Tihuana) ele tenha atingido uma parcela maior dos brasileiros do que os outros filmes mais densos. E vejo isso de forma positiva. E esclareço: bom por ter sido divulgado e conhecido pela maioria, mas não necessariamente compreendido por ela.
Ver um filme assim, que traz um ponto de vista da realidade para a grande tela, me deixa aliviada e orgulhosa. Mesmo que fique chocada e fadada a crer que o melhor para a sociedade seria o seu fim: o homem, definitivamente, é o pior bicho que já pisou na Terra. Nesse ponto, sou radical e pessimista. Admito.
Você é um fanfarrão! Todos nós somos, na minha opinião. E muitos são moleques, como é afirmado em determinado momento pelo Capitão. Quem realmente pode julgar a realidade? Quem pode dizer se ele falou a verdade ou não? Quem pode dizer que está certo ou não, se tem jeito ou não? Quem ousa jogar uma pedra e dizer que nunca se comportou como um daqueles “playboys” estudantes de Direito, nem que seja pela corrupção, pela omissão ou pela estupidez de achar estar fazendo “consciência social” enquanto vive em cima do muro com a classe média? Todos nós somos culpados, civis e polícia, e até o Papa, que insiste em ser estrela e se hospedar em zona de risco. Fazemos todos parte dessa “merda” e somos todos hipócritas. Cínicos. A dose pode variar de um para outro – e varia. Mas não vamos deixar de dormir por causa disso. Podemos aliviar e dizer que é culpa do sistema. E até é. Nascemos nele e não é fácil mudar. Aliás, vendo os próprios argumentos do filme, eu nem sequer acredito que seja possível mudar. Somos todos fanfarrões. Fato.
Shine happy people. A trilha do sonora do filme é irônica e conveniente. “Rap do Dendê” chega com uma apologia ao crime organizado, como um hino contra os “alemão”. O nome do filme lembra a música do Tihuana, que para mim, é uma banda de “fanfarrões”, para não dizer outra coisa. E nos créditos temos O Rappa, banda de grange referência social, cantando “Lado B, Lado A”. Digno. Até o famoso “Rap da Felicidade” marcou presença. Agora, para mim, a pérola da trilha é quando toca “Shine Happy People” durante uma festinha. Tapa na cara da classe média. Soco no estômogado dos blasés que acham que podem julgar algo e que “metralham” frases feitas sobre a realidade e os problemas do país. Pessoas felizes e radiantes no meio de uma guerra fria e não-declarada. Pessoas omissas e sem ética. E todos dançando ao som de alguma melodia que bote pra correr a culpa. Eu não tenho raiva da polícia ou dos traficantes. Antes de ter algum tipo de sentimento em relação a eles, eu fico indignada com a classe média, que não caga nem descupa o mato, e acaba condizendo com a realidade, tendo a cara de pau de criticar como vemos claramente no filme. Os personagens do filme são reais demais. É isso que tira do sério.
Pede pra sair, pede pra sair! Todo mundo quer sair. Ninguém aguenta viver com o peso dos problemas do Brasil nas costas. Ninguém aguentaria ser patrulheiro para mudar o mundo o dia todo, vários dias. Não é fácil. E existem pessoas e pessoas. Fábios e Netos. Matias e Marias. Seria muita ingenuidade minha ser utópica e dizer que todos deveríamos sair s ruas e mudar. Não faz parte do nosso DNA isso, da nossa geração. Mas eu torço para que aconteça o mínimo: a consciência. Aquele tapa, tão bem dado pelo Capitão Nascimento repetidas vezes, foi um tapa que o filme tentou nos dar. E nós merecemos bem mais do que um tapa bem dado. Precisaríamos de um saco para nos sufocar até que acordássemos desse estado de comodismo-programado e compreendêssemos o que realmente acontece. Ou tentássemos simplesmente entender.
Põe na conta do Papa. Eu não sou muito religiosa, daí começa a meu sarcasmo quando entendo a missão para garantir o sono do Papa. Adoraria dizer para ele que a Igreja poderia rezar menos e investir os dízimos em algum laboratório “santo” que inventasse uma injeção contra o vírus da corrupção. Ou um bloqueio contra as influências do meio, já que no final das contas, nota-se que o homem é um produto do meio, meio criado por ele mesmo. É um ciclo vicioso e virulento, e o Papa só entra para atrapalhar essa emboscada toda.
Jack Baüer e Capitão Nascimento. Eu queria utilizar a vassoura, como o Capitão Nascimento sugeriu em uma seqüência do filme, em quem disse que o ele era o Jack Baüer brasileiro. Para mim, o pequeno Jack é um personagem de entretenimento, que tem lá suas ligações com a realidade e abusa das tecnologias e da equipe competente pronta para safar o seu rabo. Já o Capitão Nascimento é que chega mais perto de ser um herói, nem por tentar ser justo ou salvar A ou B, mas por conseguir voltar para casa todo dia, com as mazelas do sistema e a briga emocional interna. São duas realidades absurdamente diferentes, que só uma pessoa muito ingênua poderia realmente pensar em cogitar seriamente. A única coisa que as duas tem em comum é a violência, que assume inúmeros papéis: o de defesa, o de sobrevivência, o de educação, o de ataque e aí é ladeira abaixo.
Enfim, “Tropa de Elite” é um filme que merece ser assistido. No mínimo, será divertidos para quem quiser ser um fanfarrão – e somos muitos. Não esperem esclarecimentos sobre a política ou a política. Para mim, a maior crítica ali não é polícia, e sim classe média. A lama da corrupção já está alta demais para perdermos tempos com julgamentos superficiais. E até o Papa seria chamado para o réu se a corrupção fosse ser julgada. O silêncio s vezes é a melhor opção para ocultar a ignorância. E como o Bope falou: ninguém é obrigado a ver o filme ou levar o tapa que ele dá. Então, peça para sair.

29 | October | 2007 às 11:11
Mocinha ta meio revoltada, hehehehe.
29 | October | 2007 às 13:45
Maíra Suspiro tambem é consciência social. Tapa na cara para desmoralizar, tapa na cara para mostrar quem é que manda.
Conheci vários tipos de armas escutando a letra deste “Rap do Dendê”. Um trecho: “lá vem dois irmazinhos com uma 462″, “dando tipo pra cima so para testar”.
Bela analise do filme. Preciso ver no cinema.
29 | October | 2007 às 15:35
Existe vida inteligente no Brasil!
29 | October | 2007 às 19:58
Maíra Suspiro…
É eu também sofro de “quero-quero” e “ai ai ai profundo”…
Fiquei assim… perplexa, paralaisada com o Tropa de Elite, e o tiro no final, foi na minha cara… Fiz um comentário no meu blog.(imagem capturada do “Rapadura”.
O filme é histórico, importantíssimo ( tirando o prazer de ver o Wargner Maravilhoso Moura…)
Fui usuária de droga e fiz um mea culpa lá no blog…chorei sem parar…
Mas é isso. A gente quer sair fora dessa sujeira e acaba se lambusando nela…
Um abração!
inté..
30 | October | 2007 às 14:27
Eu já dei minha opinião aqui no site, mas em dia de caos no trânsito no Rio de Janeiro escutei o papo de dois carinhas: “os playboys tão boladão com o filme.”
O grande mérito do filme foi se tornar acessível ao grande público, mas a “inteligentsia” não gostou nada disso porque filme bom é aquele que só meia dúzia é capaz de entender.
E pra finalizar sou otimista. Tem jeito sim!!
Liga não Maíra, eu dancei horrores também!! Nada como uma dança da bundinha pra aliviar as tensões!!
30 | October | 2007 às 19:13
fiquei abismado quando li sua coluna. está absurdamente boa, se posso assim dizer. foi a melhor analise que li sobre o filme ate agora. me senti ate inspirado para reve-lo, pq voce me mostrou um ponto de vista que eu nao tinha percebido antes. e concordo com muito com voce.
babi, voce interpretou errado o que a maíra falou. realmente, certas mensagens do filme nao sao obvias de serem assimiladas por quem nao tem uma reflexao maior sobre a realidade do pais.
sem mais delongas, maira, meus parabens pela coluna. desde que comecei a ler o blog, essa certamente é uma das melhores colunas que voce escreveu
um grande abraço!
1 | November | 2007 às 12:10
Olá, Maíra!
Olha, já li um catatau de coisas sobre o Tropa de Elite, com tudo quanto é viés que você possa imaginar: artístico-estético, sociológico, antropológico…. o escambau. Isso em editoria especializada em artes e espetáculos, em revistas, em Internet, em site de política… Mas nenhum texto se igualou a este seu.
Você foi extremamente feliz. Pode até ter exagerado um pouco na dose em alguns momentos, mas foi de uma lucidez absoluta na maioria das vezes. Conseguiu colocar todas as impressões que o filme lhe causou e ao mesmo tempo levantou algumas reflexões bem válidas, mas sem fazer proselitismo.
E ainda por cima deixou quem não viu o filme, como é o meu caso, num misto de peso na consciência e aperreio para correr ao cinema.
Parabéns!
1 | November | 2007 às 17:34
Realmente o filme é espetacular,e tive a msm sensação de culpa por ter feito zoações com um filme desses.E ele realmente nos trás mtas reflexões,a minha preferida é o personagem Matias,pois de acordo com o discurso do professor de direito daquela faculdade,os moradores da favela viravam bandidos por causa de sua condição,mas o Matias foi criado nessas mesma condições e acabou entrando no BOPE,o que é(ou deveria ser)o oposto do discurso do professor.
1 | November | 2007 às 19:01
muito bem escrito o texto, maíra. dá pra notar quevoce tinha acabado de ver o filme mesmo! gosto da forma como voce expoe as ideias. principalmente por defender com tudo as tuas opinioes. parabens pela coluna.
1 | November | 2007 às 20:31
aprenda sobre cinema,depois escreva uma reportagem!
1 | November | 2007 às 23:26
Precisavamos de um filme que mostrasse a realidade nua e crua de nosso sistema. A Família não tem mais tempo para seus filhos, a escola não educa, a igreja não aceita a planejamento familiar e a sociedade quer que a polícia resolva tudo. A polícia somente não é a solução. Nunca será, jamais será…
Parabéns Maíra pela ótima análise !
2 | November | 2007 às 10:22
muito bacana o texto!! sempre bom ver opinioes, fugindo daquela mesmice do jornal que analisa sempre o mesmo. eu nao entendo de cinema, mas acho que isso nao me impede de absorver o filme como voce absorveu. ate me inspirei pra saber mais! parabens
2 | November | 2007 às 11:19
Saudações Maíra!!
Que matéria! Ótima e reflexiva, vi o filme e fiquei só na empolgação, não olhei dessa maneira que você escreveu. Parece que tudo que estava até ontem, se foi. Você conseguiu transmitir excelentemente a sua idéia e agora eu tenho mais uma opção no meu leque para organizá-los e reformar a minha!
2 | November | 2007 às 13:46
Não é necessário traçar paralelos com o Jack Bauer e suas aventuras em 24 Horas. O fato de Tropa de Elite ser bom é porque pela primeira vez na historeia do cinema do Brasil (ops!, alguém teve coragem de contar uma história ácida sobre o sistema adotado para as politicas do país.E eu não digo só as contravenções de Nascimento e cia. mas o jeito que a população encontrou de assistir um filme que deixaria qualquer sala de cine lotada até as poltronas coladas tela.
2 | November | 2007 às 22:00
blerhg! ODIEI ESSE FILME!!!
3 | November | 2007 às 10:06
É um bom filme nacional…existem melhores e existem piores. Em mim não alterou nada, exceto por ter feito tanto sucesso nos camelôs .
3 | November | 2007 às 10:36
Concordo em muitas coisas do que você disse. Só não sou tão pessimista quando você. Eu acredito que tem jeito sim, mas ainda vai demorar para darem um jeito.
Esse país só vai começar a mudar quando os politicos começarem a sentir medo, a sentir na pele o que é sair de casa todo dia sem saber se vamos voltar a noite. QUando eles tiverem medo de serem vitimas inocentes da grande impunindade que assola o país.
Enquanto eles saem impunes, felizes e ricos de suas falcatruas esse país não vai mudar nunca. Estamos criando um filho mimado, an verdade já mimamos o filho demais. E ele agora tá adulto achando que manda nos pais dele.
Tropa de Elite realmente tem que ser visto como uma tapa na cara da classe média. Não só da classe média, mas na cara de todos. È culpa nossa a situação ter ficado assim.
Parabéns pelo texto Maria Suspiro.
3 | November | 2007 às 15:11
Excelente reflexão você fez! Me fez ver o outro lado da coisa, que realmente o filme não devia ter sido visto apenas pelas frases, músicas, atitudes. Realmente, somos todos fanfarrões. Mas o problema está nas mãos de cada um, no maior poder que uma pessoa tem nas mãos nesse país: o voto. Não se pode continuar no “voto de cabresto” do inicio do século passado, que perdura até os dias de hoje. O Brasileiro não pode continuar reelegendo governantes hipócritas, que fazem muita “merda” e riem tranquilos, sabendo que a justiça para eles é outra.
3 | November | 2007 às 15:52
mandou bem demais, suspiro! estou babando com teu texto e super abismado com as reflexoes! virei seu fã depois dessa coluna. procurarei visitar sempre o portal agora. meus parabens
4 | November | 2007 às 01:35
Há algumas verdades em seu texto, mas logo vejo que você não entende muito de cinema e não levou em conta as mensagens mais fortes do filme. Só se preocupou no que ela causou diretamente na sua vida social, na sua classe, você ainda está no mesmo nível que você não quer ser! O filme foi muito mais que excelente!!! Eu diria quer não há espaço para essas besteiras impostas no seu texto.
Se você se acha idiota, hipócrita, superficial e ignorante… Você pode até ser mesmo mas não garante a uma imagem quer passe sobre sua “vidinha”, o mundo não gira ao seu redor!
Lembre quer quando você for fazer uma analíse de um filme, vá até o filme e não o tragar para sua realidade,(…) Desculpe mais essa sua analíse sobre o filme foi pessíma! E olhe que é porque tenho fazer! Nunca pensei que um nível tão baixo desses estaria a cargo do blog do CCR. Espero repostas!
5 | November | 2007 às 08:25
Acho que daqui alguns dias os comentários no CCR serão moderados, se já não são!? O cara não satisfeito em criticar, ainda espera respostas. É um fanfarrão.
5 | November | 2007 às 09:18
muito blablba bla o filme naum eh tudo isso o brasli jah fez melhoeres filmes sim
mas nao com esta “estrategia de marketing” que teve tropa de eleite kkk
se fosse tudo isso bom de publico e critia como tecnacamente talvesa seria indicado ao oscar mas a realidad eh cruel somos todos fanfaroes hauahauaha
5 | November | 2007 às 14:12
Não achei nada demais nesse filme. Outro dia discuti com um cara no ônibus por causa disso. O cara, sentando na cadeira atrás de mim conversava com uma moça ao seu lado “Você já viu Tropa de Elite? Muito bom! Melhor que Cidade de Deus!”. Fiquei inquieto e tive que me meter “Melhor que Cidade de Deus? Nem de longe!”. O cara ficou rebatendo de um lado e eu mandando de volta enquanto a moça, assustada, falava “Calma gente, calma.”. Comparar Tropa de Elite com Cidade de Deus é pura ignorância. Sinceramente…
5 | November | 2007 às 14:17
Esse leandro já leu algum livro de gramática?!
6 | November | 2007 às 06:40
Cara Maíra;
Antes de tudo gostaria de dizer que tua crítica foi uma das melhores sobre o filme, equivalente a uma análise psicológica que li antes.
Porém, gostaria de revisar alguns pontos de tua opinião; Eu discordo profundamente de ti, quando dizes que é utopia sair s ruas e mudar. Primeiramente, fazer isto, é ser a pessoa cínica e hipócrita que tanto criticaste acima, o que é conhecer os problemas e omitir ajuda ?
Indigna-me os Brasileiros pensarem desta forma, não abaixem vossas cabeças para o futuro brilhante que poderia existir se vocês tivessem-na levantado.
Isso de DNA, não existe, crer nisso, é praticamente “dançar ao som da alegre música do R.E.M.”, ou seja, é afastar a responsabilidade do que somos e da consequência de nossos atos ou omissões.
Isso, biologicamente falando, seria caso fenotípico(e não genotípico). Aonde, o que apenas não existe em nossa geração, não é esse “DNA da luta pela justiça”, e sim uma falta de educação política, e até mesmo jurídica, afinal, não esqueça que somos apenas produto do meio, como você mesmo afirmou acima.
Logo, reafirme-se, repense, reflita, o poder está também em tuas mãos, assim como na minha e na de todos nós; assim como o sangue derramado está em nossas mãos, agora cabe a nós lavar as mãos ou esfregá-la na cara da nação !
6 | November | 2007 às 10:31
Maira, mandou bem na coluna, principalmente nesta questao: Todos viram, todos falam, poucos se esforçaram para compreender. A maioria entrou neste clima do Tihuana e encarou o filme como Jack Bauer mesmo, aventurinha extrema, adrenalina e rock”n”roll…pior, quase todos viram o filme em copias piratas, naquela velha cara de pau de culpar o governo e a policia pela violencia, mas nao se sentem culpados por fazer parte da sociedade e transgredi-la ao mesmo tempo. Agora todos falam “tem que torturar mesmo”, “tem que matar”…O bom e que o filme nao deixa barato pra ninguem, e so prestar atençao…Melhor mesmo foi o “bota na conta do papa” (tomara que o vaticano assista) e a musica do Rappa no final, pois aquela letra e demais…abraços!!!!
6 | November | 2007 às 10:38
Ah, assim como tem muito “pe rapado” que nao entendeu o recado do filme, tambem tem muito playboy que ate entendeu, mas fingiu que nao e com ele…ja notaram como a consciencia de maconheiro e sempre limpa???Culpa dos anos 60 que legitimaram essa idiotice de drogas e ainda fazem sucesso ate hoje…
6 | November | 2007 às 13:49
O fato mais importante de um bom trabalho de entretenimento(e o filme Tropa de Elite é entretenimento em forma bruta)é o poder de repercussão que ele gera. Lembro-me da época de colégio quando assistíamos a um bom filme pela TV, e no dia seguinte discutía-mos no pátio durante o intervalo. Era sempre um bom assunto para preencher nossa falta de visão do mundo, aumentar nosso vocabulário e desviar de problemas mais importantes (como se os tivéssemos). Li vários textos dissecando a película em questão, e todos eles, de alguma forma acertaram e erraram em suas reflexões. A crítica acima é apenas mais uma onde são expostas questões abordadadas e compreendidas de uma forma bastante pessoal. Cada um de nós que se furtar a discutir(e escrever) sobre algum fato ou evento cultural poderá contribuir para aumentar a discussão. E é exatamente nisso que está a riqueza de obras como o filme Tropa de Elite, que não é perfeito, tem edição muito parecido com o filme Cidade de Deus (aliás feito pela mesma equipe)e o roteiro que caberia num parágrafo. Mas seus realizadores conseguem levar o filme no peito e com uma intensidade poucas vezes vista no cinema nacional. E sim,tem assunto pra gerar discussão por um bom tempo ainda. E que seja sempre assim. Abraço e continue escrevendo.
6 | November | 2007 às 21:11
Maíra, gostei dos argumentos, realmente você entendeu a mensagem passada pelo filme. Mas…
Você disse antes que brincava com as falas do filme antes mesmo de assisti-lo e sentiu-se superficial por ter feito parte dessa massa, após te-lo visto… Pois então, eu não. Alias, eu brinquei com as falas depois de ter visto o filme, pois toda a realidade pregada ja estava na minha cara, eu ja tinha ciencia dela, não fiquei envergonhado, desmoralizado ou atraido pela “faca na caveira”.
Brinquei com as falas porque independente do que for eu sei reconhecer um belo trabalho e ao contrario da maioria burguesa, que nomeou o Nascimento como herói da pátria e o BOPE o orgulho do Brasil, fiquei indiferente quando sai do cinema porem surpreendido com a reação do publico, mesmo que em parte, tenha sido uma reação diferente da desejada. Nascimento não é herói, pois uma guerra não faz heróis!
Eu faço parte da classe média e fumo maconha sim, não tenho medo de admitir, nunca tive. Vou parar de usar ou começar a plantar por causa do filme? De jeito nenhum. Aquilo ali é a visão de um policial, eu tenho a minha e um traficante tem a dele.
Você disse que o filme retrata a realidade nua e crua, pois bem, neste aspecto, basta pensar na seguinte pergunta: Existe algum inocente no filme?
É como você disse, as pessoas precisam criar consciência da realidade e de seus atos. Quem sai daquele cinema com peso na consciência porque fuma maconha, com pena de alguem ou com raiva dos playboys na cena em que repreendem o Matias na sala de aula, não passa de um ignorante hipócrita e que mereceu levar um tapa na cara.
[ ]´s
7 | November | 2007 às 07:52
Bandidos, policiais, playboys da classe média, etc. Somos todos farinhas do mesmo saco. Cabe a escolha de cada um se alistar nesta guerra terrível. Ou ser apenas um espectador mordiscando sua pipoca.
7 | November | 2007 às 16:15
Eu concordo em alguns pontos com você. De fato, muitos estudantes universitários acham que são “muita coisa” por lerem Foucault, Marx, Nietzsche, Deleuze ou outro desses brilhantes pensadores. Acham que são intelectuais por criticarem o sistema. Eu fico tão puto com isso que, parafraseando o Capitão Nascimento, “Me dá vontade de sair metendo a porrada”. Fico puto porque esses estudantes não sabem o que é trabalhar para pagar as contas e só sabem consumir drogas dentro das universidades e, ainda, têm a cara de pau de botar a culpa no sistema e dizer que a polícia é violenta sendo que eles é que sustentam essa merda de tráfico.
7 | November | 2007 às 23:10
Achei seu texto interessante. O meu principal questionamento é a partir desta afirmação: “O silêncio s vezes é a melhor opção para ocultar a ignorância”.
Então pra quê você falou tudo isso? Acho extremamente importante propor intervenções quando se critica. Falar acerca da realidade brasileira, das suas impressões em relação a isso… vamos combinar que não tem lá suas dificuldades, né?
O meu segundo comentário é sobre: “Nota-se que o homem é um produto do meio”. Se você coloca as coisas desse jeito, como criticar o ‘rap do dendê’ e as dancinhas se isso exemplifica justamente sua afirmação?
Acredito que você teve uma coragem legal pra expor assim suas impressões. Mas recomendo um certo cuidado, pois muitas vezes você colocou certas questões como verdades absolutas. Acho que seu texto merece uma reflexão. De repente por você mesma.
5 | December | 2007 às 14:42
Maira,você é so suspiros pelo capitão, mas esqueceu de comentar o banho de sangue que aconteceu no filme.Em que ponto da história uma farda da o direito a tirar a vida do outro, a agir de forma brutal e invadir casas com a maior cara de pau pedindo licença depois que ja esta la dentro. A vida deve ser sempre valorizada e respeita e simplesmente os traficantes e a tropa de elite são iguais so com motivos para matar diferentes.
11 | March | 2008 às 10:45
Parabéns, Maíra, um ótimo post sobre um grande Filme. Tapa na cara de muitos.