O que mudou para os amantes da sétima arte em tempos de internet? Sites especializados, listas de discussão, blogs, filmes para download são algumas das novidades que têm contribuído para um enriquecimento da cultura cinematográfica. Uma breve reflexão sobre os novos tempos.
A internet tem mudado a relação das pessoas com o cinema. Não que se tenha passado a gostar mais ou menos de ver filmes. Mas houve uma mudança e ela veio para melhor. Hoje é possível encontrar filmes que seriam praticamente impossíveis de se ver dez anos atrás. Isso porque a internet se tornou não apenas um meio de se aprender sobre cinema através de sites especializados ou de listas de discussão: é que ela também disponibiliza os próprios filmes para download mesmo. Não duvido nada que filmes raros como “The Day the Clown Cried”, de Jerry Lewis, ou “Fear and Desire”, de Stanley Kubrick, já estejam nos e-mules ou torrents da vida.
Baixar filmes na internet é um ato ainda controverso e a indústria cinematográfica americana está lutando, com dificuldades, contra isso. Para alguns, pode parecer quase um roubo. Afinal, as pessoas estão deixando de ver o filme no cinema para ver na tela do computador. Eu por exemplo, só recorro aos filmes pelo computador quando não tenho outra alternativa. Só vou atrás de filmes raros ou inéditos no Brasil. Mas quem mora em cidades do interior que não têm nenhuma sala de cinema, com certeza, está sendo beneficiado com essa tecnologia. Principalmente agora, com o advento dos players que tocam divx.
Mas será que essa facilidade de baixar filmes está fazendo mesmo com que o público de cinema diminua? Se sim, como explicar as enormes filas nos cinemas, formadas em sua maioria pelo mesmo público jovem que tem intimidade com o mundo dos divx e codecs? Bom, a resposta não é tão simples e é preciso que se faça uma pesquisa séria antes de se dar qualquer diagnóstico, mas quando vejo filmes nos multiplexes reparo que a maior parte desse grande público está ali apenas por diversão. Para eles, o cinema é como um parque de diversões ou uma praia: um lugar para encontrar os amigos, paquerar, beijar na boca, comer pipoca. E não vejo nada de errado com isso. Esse povo está curtindo a vida. E alguns deles vão se tornar cinéfilos medida que o gosto pelos filmes for se solidificando e se transformando em amor.
Em certo sentido, a internet até tem ajudado a ampliar o público dos cinemas, já que ela se tornou uma ferramenta de informação muito importante. O fenômeno dos blogs de cinema também tem ajudado a divulgar filmes de menor repercussão na grande mídia. Divulgam o amor de seus mentores pela sétima arte, incentivando muitos a ver certos filmes que passariam desapercebidos se dependêssemos apenas da imprensa escrita ou da televisão.
Uma outra característica desses novos tempos é uma maior exigência dos cinéfilos com o formato de tela original dos filmes, a janela. Na época do videocassete pouca gente ligava para isso. A gente alugava “Era uma vez no Oeste”, por exemplo, e assistia só metade do filme, já que só era possível ver o filme em “tela cheia”, perdendo os lados do quadro. E pouca gente reclamava. Hoje é possível ver o filme bonitinho, integral, versão restaurada e em glorioso scope. E com um monte de extras.
Claro que há aqueles que ainda têm saudade do passado, mas mesmo o público mais idoso, que não liga muito para os novos filmes e não quer saber de baixar filmes pela internet, ainda pode fazer a festa alugando DVDs de filmes antigos. Distribuidoras como a ClassicLine, a Versátil, a Aurora, a Magnus Opus, além das majors (Columbia, Warner, Fox etc) que também têm lançado seus clássicos, têm contribuído para o enriquecimento do mercado de DVD no Brasil, que só tem crescido. Mas isso é assunto para uma outra ocasião. No mais, há que se concordar que vivemos em tempos de alegria para os apreciadores do cinema.
Lembrando que de forma alguma eu quero incentivar as pessoas a fazerem download de filmes, já que em vários países isso ainda é ilegal. É mais uma opinião pessoal sobre esse assunto que é realidade hoje em dia. Afinal, jogue uma pedra em mim caso você nunca tenha feito um download de um filme ou de uma mp3 na vida …
21 | November | 2007 às 12:26
Com o avanço da tecnologia, as pessoas tem mais um meio de acesso para se divertir seja pra ver filmes, ouvir músicas etc. Isso talvez não pareça fazer tanta diferença , mas realmente estamos mudando, se bem que eu prefiro dizer que estou acompanhando a minha geração.
Eu faço dowload de filmes, musicas mas nem por isso deixo de ir ao cinema ou de locar filmes, ou até de comprar filmes pra minha coleção. É mais um acesso fácil, rápido e ilegal (?) de se divertir, e acho que a coisa vai ainda mais além.
Esse é um tema de difícil discussão pra nós hoje em dia. O máximo que podemos fazer é deixar a nossa opinião aqui, e tentar não jogar pimenta no c* dos outros.
21 | November | 2007 às 19:24
Mais um texto legal Ailton!
To virando teu fan cara!
Quero dar meu testemunho sobre esse assunto dizendo que amo ir aos cinemas, mas como se não fosse minha querida mula (emule), jamais teria me tornado um apreciador de classicos antigos e de filmes europeus…
21 | November | 2007 às 21:08
Meu caro, que tema maravilhoso foi esse?
Realmenete cara, as coisas mudaram muito e principalmente do início desse século pra cá, somos invadidos por essa relação pra lá de amorosa entre cinema/internet. Tenho que admitir que sou fissurado em adquirir Dvd’s (Somente Originais) e de vivenciar a maravilhosa experiência que é adentrar em uma sala de cinema. Mas devo salientar, que o meu emule dá uma tremenda força, por trazer até a mim, filmes que raramente se acham por aí, como “Psicose”, “Réquiem para um sonho”, “Janela secreta” ou até mesmo lançamentos que saem lá nos E.U.A e demoram diversos meses para sair aqui; aí não tem curiosidade que aguente né?
21 | November | 2007 às 21:15
Somente ratificando o nome de um dos filmes citados por mim, o título correto é “Janela Indiscreta” de Alfred Hichcock, e não o “Janela Secreta” estrelado por Johnny Depp.
22 | November | 2007 às 10:37
Ótima coluna como sempre, acho fantástico o fato de haver mais essa possibilidade para as pessoas que não tem muito recursos ver os filmes mais recentes (ou nem tão recentes assim) através da internet, mas eu confesso que eu não gosto muito de baixar filmes pela internet, poxa estraga a graça de ir ao cinema quando alguem chega e fala: ei você já assistiu o filme tal que ainda nem estreiou no cinema? Sinceramente eu acho isso ridículo já que o gostoso é ir ao cinema com aquela telona enorme, com aquele “baita” som e se encantar com a magia do cinema dentro de uma sala de cinema e não frente de uma tela de computador ridiculamente pequena na frente de uma tela daquelas.
Baixar filmes é bom depois que você já viu a estreia no cinema, isso sim, aí eu posso concordar que é bom, já que os filmes que você gostou no cinema demoram um pouco para sair em DVD que eu afirmo, sempre os originais, as cópias que eu tenho são sempre presentes de amigos que sabem que eu gosto e me dão, mas assim que saem os filmes em DVD eu vou e compro o original, já estragou muito aparelhos aqui em casa para que eu fique gastanto dinheiro assim com eles. Entao é bem melhor gastar dinheiro com um filme em DVD original que o aparelho!
22 | November | 2007 às 15:26
Matéria ótima!
Acho que hoje em dia baixar filmes na Internet é algo normal entre qualquer grupo de pessoas entre 12 e 28 anos. E baixar música então…
A Internet muitas vezes acaba por ajudar o cinema, porque com sites sobre o cinema que passam tanta informação, como o CCR, divulgam o cinema, sem contar trailers, fotos e notícias que deixam a pessoa com água na boca para um filme chegar no cinema (estou doido para chegar Iron Man graças a CCR).
22 | November | 2007 às 17:25
Vanessa, concordo com você. Quando TROPA DE ELITE apareceu primeiro nos camelôs e na internet, eu me recusei a ver antes. Preferi esperar com paciência até a estréia na telona. E fiz o mesmo com PLANETA TERROR e farei com IMPÉRIO DOS SONHOS e Á PROVA DE MORTE. São filmes que merecem ser apreciados na telona. Para os divx, melhor deixar pra ir atrás dos raros e inéditos.
Paulo Flausino, fico feliz por isso!
Abraços a todos que comentaram.
22 | November | 2007 às 18:30
Ótimo texto. A internet mudou tudo mesmo.
Eu nunca baixei filmes como a Vanessa disse acho chato ver pela telinha. Mas se não tivesse acesso talvez isso acontecesse. Trailers eu baixo direto.
Uma coisa que eu acho muito legal é ter um canal de comunicação direto com os produtores e diretores que muitas vezes entram em sites específicos pra conversar com o público. Num desses sites, o pessoal que viu o filme Edukators(Educadores)comentava o final do filme, que por sua vez era diferente do que vimos aqui no Brasil e nos Estados Unidos. Posteriormente o diretor explicou que por pressão para apresentar o filme num festival, não pode editar o final do filme do jeito que queria então fez um final alternativo…
De qualquer forma se não fosse pela internet nunca saberíamos disso.
23 | November | 2007 às 13:51
Os raros eu até concordo em correr atrás na internet, afinal de contas, são raros, hehe…
E como a Babi falou, a internet pra mim tem muito mais utilidade quando isso acontece, de produtores, diretores, enfim os responsáveis pelo filme abrem mão do seu tempo para poder falar com o público, acho isso até uma forma de respeito com os cinéfilos!
29 | November | 2007 às 16:14
Falou tudo!!! Não vou mentir que eu nunca baixei filmes na net! Hoje em dia eu naum tenho tanto tempo pra assistir filmes no cinema então grande parte eu deixo pra baixar na net. Mais quer mal há? Nenhum! Pensa comigo…fora isso minha unica solução seria compra um DVD pirata! Eu mesmo baixando naum estou ajudando a toda essa organização quem quer ganhar dinheiro em cima das obras cinematograficas. Verdade é qndo você mecionou quer as pessoas vão ao cinema pro prazer. Toda esse ritual já está concretizado nos shoppings da vida!Parabéns pela matéria!!!
13 | March | 2008 às 15:15
A internet ajuda muito o cinema… uso muito ela para ver trailers, matérias, entrevistas. Não gosto de baixar filmes pela internet, só baixei três filme, que foram: A Dama na Água, do M. Night Shyamalan; Carros e Deu a Louca na Chapeuzinho. Mas não foi por isso que deixei de ir vê-los no cinema. Hoje já não baixo mais filmes. Prefiro no cinema mesmo ou em DVD.