“Mais importante que ver é rever”. O hábito de rever filmes. Os filmes que crescem na revisão, os que caem. A memória afetiva. As retrospectivas.
Certa vez, conversando com um amigo pela internet, ele me falou que tinha assistido a “Amor à Flor da Pele”, de Wong Kar-wai, umas seis vezes, a fim de compreender melhor. Da primeira vez, ele não havia gostado muito, mas depois passou a achar Kar-wai um gênio. Fiquei realmente admirado com o que ele disse, já que tenho um problema de ansiedade que faz com que eu dificilmente adquira o hábito de rever filmes. São tantos os tÃtulos pra se ver que eu ia achar que estaria perdendo tempo. Poderia estar vendo um inédito.
Lembro que há alguns anos, numa lista de discussão sobre cinema, um colega costumava dizer: “mais importante que ver é rever.” Rever um filme pode ser fundamental para uma melhor compreensão do mesmo. O lado ruim é rever um que se adorou no passado e ver cair a cortina do desencanto. Com medo de que isso aconteça, alguns filmes que eu gostei muito, até prefiro não revê-los para conservá-los em minha memória afetiva como peças mágicas.
Por exemplo, “Evil Dead” é um dos poucos filmes que vi duas vezes no cinema. Revi-o em DVD há algum tempo e não achei mais tão divertido ou assustador. Filmes que vejo mais de uma vez no cinema, eu posso contar nos dedos das mãos. O recordista dessa categoria é “Sociedade dos Poetas Mortos”, que eu vi três vezes no saudoso Cine Fortaleza. E teria visto mais, se o filme demorasse um pouco mais a sair de cartaz. Os outros que revi no cinema foram: “A Vila”, “Máquina MortÃfera 4″, “Corra que a PolÃcia Vem AÔ, “Quem Vai Ficar com Mary?” e “Matrix”.
Alguns cineastas se beneficiam da revisão. Filmes de Jean-Luc Godard só têm a ganhar com as revisões. Recentemente pude rever “Acossado” e foi melhor do que a primeira vez. Em breve, poderei rever “Pierrot le Fou”. Suspeito que irei gostar muito mais. Francis Ford Coppola é outro cineasta que cresce muito com a revisão. Lembro que vi “Peggy Sue - Seu Passado a Espera” e da primeira vez não gostei. Na segunda, o filme foi pras alturas. Hoje é o meu favorito da fase oitentista de Coppola. A trilogia “O Poderoso Chefão”, então, é um caso especialÃssimo. Ainda pretendo rever nessas edições especiais em DVD.
Há os filmes que vimos na infância e que consideramos especiais. Quando era criança, eu não gostava tanto de filmes. Os que eu mais via eram as comédias de Jerry Lewis, que passavam bastante na Sessão da Tarde. Agora que alguns desses filmes foram lançados em DVD, é possÃvel ver se eles continuam tão bons. Tive a oportunidade de rever alguns deles no ano passado. O que muda é que agora estamos mais velhos e perdemos a inocência, algo que ajuda na apreciação dessas comédias. Por outro lado, o conhecimento que se adquire com o tempo nos permite ver o filme com outros olhos e ver o quanto Lewis era genial. Quase tanto quanto Charles Chaplin. Ainda sobre os favoritos da infância, recentemente adquiri o DVD de “Fugindo do Inferno”, de John Sturges. Finalmente vou poder vê-lo na janela correta.
De vez em quando, escolho alguns cineastas para acompanhar suas obras em ordem cronológica. Fiz isso com Alfred Hitchcock e com Howard Hawks e estou fazendo atualmente com Godard e Leo McCarey. Dentro dessas incursões, a gente, além de se divertir muito, aprende muito também. Quero ver quando eu tiver fazendo uma retrospectiva dos filmes de Orson Welles e tiver que rever “O Processo”, filme que da primeira vez que vi achei-o insuportável e perturbador. Eu chego lá.
12 | December | 2007 às 09:07
fortaleza -ce
Tudo bem Ailton, belissima materia.
Vc falou em rever o filme para compriender melhor, nao é isso? Cara acho muito falido isso, para nos adultos ja que quando assistimos um filme procuramos sempre buscar algo no filme que o diretor ou roteirista colocou nas entre linhas.
Cara quando pequeno eu alugava um filme, quase sempre de comedia ou de aventura e eu assistia 5, 6 vezes o filme, assistia realmente porque quando criança vc nao procura algo ha mais em algum filme, voce busca a diversão e a magia que o filme passa.
Um filme que me lembro nesse estilo de ver varias vezes foi QUERIDA ENCOLHI AS CRIANÇAS cara eu assisti umas 6 vezes, assistia voltava assistia denovo, pq isso é coisa de criança, isso que o cinema voltado para as crianças buscam.
um abraço continue com belas materias
13 | December | 2007 às 08:42
Existem filmes que forma feitos para se ver mais de uma vez.
* O sexto sentido
* Trilogia Matrix
* O grande Truque
Néh ?
13 | December | 2007 às 13:52
Rever DVDs sim, entretanto ha uma locadora do RJ que está prometendo mentiras, propaganda enganosa pois prometem dar de presente um DVD que ainda nem saiu no mercado, nem há data para pré-venda. Esta mocadora, a MyMovies diz que dará de presente o DVD Tropa de Elite! Ha,ha, ha… só se for o pirata! Temos que ter cuidado com empresas de faixada que prometem o que não podem cumprir!
18 | December | 2007 às 17:42
Eu gosto bastante de rever filmes, acho que além de compreender-se melhor o filme ainda caso tenha-o visto há algum tempo fica para relembrar.
Filmes como “O Grande Truque” e “O Ilusionista” já vi e revi 4 vezes cada, Rocky IV é o filme que já vi mais vezes (5 ao todo).
20 | December | 2007 às 19:08
Mas o dvd original de TROPA DE ELITE, se ainda não saiu, deve estar prestes a ser lançado nas locadoras, não?
13 | March | 2008 às 16:52
São poucos os filmes que assisto novamente, alguns eu assito uma segunda vez para assistir com os comentários do diretor, produtor ou ator/atriz. Mas raramente faço isso.
12 | August | 2008 às 19:35
Eu queria ver o filme Canp Rock pq ele é emocionante e linda !!!!!!!!!
