Não Vi e Não Gostei

Publicado em: 19-12-2007 @ 8:02 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Luiz Belmiro

Minha paixão pelo cinema começou ainda na infância, com Jerry Lewis, Peter Sellers, o Gordo e o Magro e Charles Chaplin naquelas sessões dominicais dos anos 80. Mas foi na adolescência que me tornei aquilo que comumente chamam de cinéfilo, um verdadeiro compulsivo, chegando a assistir dois ou três filmes por dia. Confesso que não tinha muito critério para escolher qual filme assistir, bastava ligar a tv e ver os créditos iniciais para me dispor a passar duas horas ali parado, mesmo que fosse a maior bomba do mundo.

Mas de uns anos pra cá resolvi ser um pouco mais seletivo, decidi que já tinha visto bombas suficientes pelo resto da minha vida. E por algumas vezes sou radical a ponto de me recusar assistir alguns filmes, cheguei até mesmo a criar uma categoria pessoal para essas obras: NÃO VI E NÃO GOSTEI. Pode ser um nome no elenco, um trailler sem graça ou na maioria das vezes, a sinopse, e pronto, não faço o menor esforço para ver o filme. A princípio pode até parecer um preconceito, em alguns casos talvez seja mesmo, mas não é nada que não possa ser remediado. Eu disse que não me esforço para ver o filme, mas se estiver em casa e ele estiver começando na televisão, e eu não tiver nada melhor para fazer no momento, até me disponho a por prova minha pré-avaliação.

Deixem-me dar alguns exemplos. Primeiramente, novas versões para alguns de meus filmes preferidos: “Cidade dos Anjos” e “Mensagem para você”. O primeiro é uma versão hollywoodiana para um dos grandes filmes de Win Wenders, “Asas do Desejo”. No original um anjo passando por uma crise existencial, se questionando pelo sentido da vida eterna, acaba apaixonando-se por uma trapezista e resolve tornar-se um mortal para viver esse amor. Na versão americana temos os rostos conhecidos de Nicolas Cage e Meg Ryan, ela é uma médica e ele é o anjo caído e apaixonado.

O filme de Wenders possui beleza e sutileza apaixonantes, além do mérito de transformar filosofia em cinema a partir de uma história de amor. Isso sem falar na fotografia, belíssima feita metade em preto e branco e metade colorida. Todas essas qualidades afirmam o diretor como um grande artista, possuidor de uma linguagem tão própria e de uma obra tão característica que qualquer tentativa de copiá-las ou de se aproximar delas não passa disso, de uma cópia.

Agora falando de “Mensagem para você”, temos aí uma refilmagem de um clássico dos anos 40, “A Loja da Esquina”. Na primeira versão James Stewart e Margaret Sullavan são dois funcionários da loja do título, que se odeiam, mas trocam juras de amor por correspondência sob pseudônimos. Sessenta anos depois o casal é formado por Tom Hanks e Meg Ryan, dois livreiros concorrentes que trocam mensagens de amor por e-mail, estamos na era da Internet afinal de contas.

Aqui o central é justamente a questão conjuntural, simplesmente não estamos mais nos anos 40, toda a inocência e otimismo que dão o tom no clássico do diretor Ernest Lubitsch soam no mínimo démodé em nossos tempos cínicos. Isso sem contar no carisma de James Stewart, Tom Hanks pode ser o queridinho de Hollywood hoje em dia, mas com certeza não tem a mesma força que o ator preferido de Alfred Hitchcock, Frank Capra e John Ford (simplesmente os três maiores diretores do cinemão holywoodiano). Quanto a Meg Ryan não se trata de perseguição de minha parte, mesmo ela tendo atuado em um de meus filmes preferidos, “Harry e Sally”, não são todos os trabalhos dela que chamam minha atenção.

Já um ator que me afasta de qualquer filme simplesmente com seu nome nos letreiros é o ex-astro Kevin Costner, desde o mega fracasso “Waterworld” o nome do americano para mim é sinônimo de bomba. Me parece que o sucesso alcançado depois de “Dança com Lobos”, subiu cabeça dele, ou alguém se lembra de algum filme memorável após o oscarizado western? Ele teve a cara de pau de protagonizar bobagens como “O Mensageiro” e “Dez dias que abalaram o mundo”, além de recentemente ter bancado o serial killer em “Instinto Secreto” (e ameaçar que este na verdade é a primeira parte de uma trilogia). E pelos números das bilheterias não foi só o meu interesse pelos filmes de Costner que desapareceu, se um dia ele já foi o galã número um de Hollywood, hoje ele não passa de um coroa boa pinta.

Isso não quer dizer que meu interesse se conduz apenas pelo sucesso de público, alguns filmes que tiveram sucesso retumbante também não me apetecem, nesses casos é a temática nada original que me afasta. Vide a série “Jogos Mortais” e todos seus derivados: “Albergue” e “Turistas”. Todas essas produções possuem como maior atrativo o bizarro e o escatológico para fazer terror, me bastou assistir o primeiro “Jogos” pra constatar algo que parece claro como água, esse novo subgênero do terror nada mais é do que um derivado de mau gosto de “Seven”. Ao lado de “Clube da Luta”, outro filme também do diretor David Fincher, o suspense protagonizado por Brad Pitt e Morgan Freeman conseguia ir a fundo no que diz respeito banalização da violência e perda do valor da vida humana, enquanto o assassino Jigsaw se destaca exatamente pelo contrário: choca pelo excesso, transformando em mero espetáculo o grotesco como se fosse uma proposta estética. E essa receita parece ter sido feita para as bilheterias, tanto que já estamos na quarta parte dessa bizarrice.

Continuações despropositadas também me irritam, como as séries já infinitas “Premonição” e “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”. Idéias que a princípio eram até interessantes, e bem resolvidas num único filme são espremidas até o bagaço em mais duas ou três continuações, chegando a irritar os seus próprios fãs. Em suma, o grande problema de todas essas produções lamentáveis é um só: grana. É uma pena que em sua sanha por lucros astronômicos os grandes estúdios por vezes percam o bom senso, e revelem seu maior talento, acabar com qualquer idéia realmente original e inovadora.



9 Comentários

  1. Rodrigo Tavares
    19 | December | 2007 às 21:28

    Assino embaixo, excelente coluna.

    Parabéns Luiz!

    Abraços,

    Rodrigo Tavares

  2. Juliano Aragão Pessoa
    20 | December | 2007 às 00:59

    Essa coluna eu não li e não gostei!

    To frescando.. Eu li e gostei! =D

    Tem alguns poucos filmes que eu não vejo e não gosto, mas ainda me considero na fase de assistir qualquer filme que estiver passando na TV.

    Mas tenta dar um crédito pra “Cidade dos Anjos” e “Mensagem Pra Você”, não são filmes ruins não, dá pra assistir legal. Só não posso dizer quais são os melhores, porque não assisti os originais, mas um dia eu ainda os alugo.

    Boa matéria!!

  3. Alessandro Correia
    20 | December | 2007 às 09:29

    Fortaleza –ce

    Excelente matéria Belmiro,

    Cara como vc há filmes de só olhar a capa ou ler o titulo eu digo
    “mó paia”, principalmente quando é uma comedia romântica, pq a maioria é a mesma coisa, num da pra vc rir de uma piada 4 vezes, num da pra vc engolir essas coisa.

    Acho que é preconceito meu mas não gosto de filmes brasileiros, primeiro por ter na maioria das vezes uma qualidade muito baixa, e segunda ser sempre aquela velha comediazinha romântica com atores da globo, que parece novela, então como eu detesto novela detesto muitos filmes brasileiros, terceiro eu nem vou comentar muito, o que mata o cinema brasileiro são duas coisas, opa coisas não, pessoas, que se chamam DIDI E XUXA cara eu não sei como eles conseguem fazer tanta coisa ruim juntas, é impressionante a merda que eles fazem e ainda tem gente que nas propagandas dos filmes dizem que o filme é bom, poxa.

    Um abraço Belmiro

  4. Lucas Mendes
    20 | December | 2007 às 12:08

    Ótima matéria! Também tenho bastante preconceito com comédia romântica porque o meio e o fim da história são quase sempre iguais, a única coisa que muda é o ínicio.
    E também podia citar American Pie como uma série que nunca mais acaba, nem os primeiros 3 filmes que conseguiriam numa proeza manter o elenco.
    Outro actor que também ter o nome dele no elenco é quase já rotulado de fracasso é Eugene Levy.

  5. Daniel “Charlinger” Gasparri
    20 | December | 2007 às 12:09

    Diadema - SP
    25 anos

    Boa matéria só faltou citar os filmes de adaptações de livros/jogos.

    Estou me encaminhando para o mesma filosofia, algo que não me agradou em qualquer um dos itens já é um bom motivo para me desestimular.

    E nesses casos só assisto depois de bastantes recomendações a favor.

  6. Rui Gomes
    20 | December | 2007 às 16:09

    Muito boa essa categoria de filmes, eu tenho uma lista grande de filmes que não vi e não gostei.

  7. Ronaldo
    1 | January | 2008 às 20:57

    Interessante ponto de vista, só creio que vc deslizou feio ao chamar o filme “10 dias que abalaram o mundo” de bobagem. É um filme importante sobre acontecimentos reais que quase levaram o mundo a uma terceira guerra mundial e bem realizado, com bom nível de tensão e boas interpretações, mesmo a de Kevin Costner. Agora, como complemento, entram no rol as refilmagens de filmes de terror orientais.

  8. beatriz cordeiro fiuza
    2 | January | 2008 às 10:51

    Concordo com o Alessandro de Fortaleza! Os filmes brasileiros são muito chatos, eu não vi e não gostei de Carandiru e Cidade de Deus, acho que os únicos que gostei foram Lisbela e o prisioneiro e O auto da Compadecida, também é Ariano Suassuna!Agora se eu ler nos créditos Adam Sandler, eu nem sento na frente da tv, também odeio filmes com Jean Claude Van Damme, Steven Segall(ui!), aquele canastrão Dolph Ludgren , dono do Domingo Maior da Globo, aquele chinês metido a americano Jackie Chan, (ruim demais!). Sem falar de uma remessa de atores negros americanos que querem entrar numa de copiar o Ed Murphy. Agora um suposto galã americano que é mal ator é Bem Afleck é muito ruim, tá doido!

  9. paulo lima
    2 | January | 2008 às 18:26

    tambem concordo com voce em partes infelizmente para nos cinefilos por mais que seja torturante temos que assistir as bombas depois de ver tantos filmes so de ler as sinopses ja sabemos a historia do começo ao fim, infelizmente hoje no cinema principalmente o americano o excesso de dinheiro ea falta de boas ideias,eles tendem a seguir receitas de sucesso ate ficar somente o bagaço, a muitos filmes horriveis mas muitos sempre tem alguma coisa boa como um figurino um efeito sempre se da para salvar alguma coisa logico que tambem tem os que nao si salva nada

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