Quem ouviu os RapaduraCasts sobre “Lições para a Vida” e “Influências” vai se sentir bem íntimo com o tema dessa semana. Quem sabe, eu devesse até evitar falar novamente sobre o assunto, mas acho relevante e sempre existe a possibilidade de apresentar um ponto de vista diferente. Sendo assim, o comportamento e o consumo são a dupla dinâmica dessa semana.
Depois do podcast rapadureano sobre lições para a vida, resgatei meu DVD do “Clube da Luta” e fui revê-lo depois de muito tempo. “Caceta!”. Tinha esquecido, realmente, como esse filme é espetacular. E para alguém apaixonada por Marketing, por comportamento e por reflexões, ele vira um prato cheio. Ele dá pano para inúmeras análises. Lembrei de colocá-lo no “Top of Mind” da minha memória, ao lado de “Obrigado Por Fumar”. Quem não viu, veja. Vale a pena demais. Pelo menos para ver o Brad Pitt mais querido (eufemismo) do que nunca e o Edward Norton, mais uma vez, provando que sabe o que faz. (Para ler ouvindo “Where´s My Mind”, do Pixies).
Começando de vez a coluna e deixando de enrolar vocês, devo dizer que “Clube da Luta” pega pelo “colarinho” logo no começo. (E aqui, vou pegar apenas uma das análises que ele permite acontecer.) Sutil e objetivo, o roteiro traz falas que resumem, quase fotografam, o que vivemos hoje. “Antes tínhamos a pornografia, agora temos os catálogos de lojas”. “Que tipo de porcelana me define como pessoa?”. Essas duas frases fizeram meus olhinhos brilhar. Consumo. Vivemos intensamente a “vibe” do consumo mais do que nunca, principalmente porque agora vivemos intrinsecamente o consumismo – sim, é diferente. Precisamos comprar, consumir algo, para nos sentirmos bem. Completos. Até, feliz. Por isso é comum ouvirmos “Ai, eu PRECISO daquela jaqueta”. Precisa? E existe felicidade?
Consumimos idéias, consumimos serviços, consumimos produtos e, agora, consumimos informações. E tudo isso é previsto e analisado pelo “povo” das “comunicações”.
Comportamento do Consumidor. Quem estuda Publicidade e Propaganda deve ter um espaço para estudar isso. E quem não estuda vira “cobaia” disso. E essa parte da faculdade é espetacular. Boa ou ruim, não vou julgar isso. Vou deixar a hipocrisia e o Fidel fora dessa. Quero apenas comentar alguns fatos…
Pois bem. O “Comportamento”. Estudar o comportamento do consumidor nada mais é que analisá-lo e imaginar o que ele fará logo depois. Como ele vai reagir. O que ele vai querer em seguida. Que necessidade ele vai ter, ou mais, que necessidade iremos criar para ele e que consumo irá satisfazê-lo. Sim, é tudo premeditado. “Guilty!” As grandes multinacionais não gastam tubos de dinheiro em comunicação para nada: eles querem lucro. E você também iria querer. “Welcome to the jungle, baby”, já diria os Guns´n´Roses. É o capitalismo.
O personagem de Edward Norton, o narrador, pode ser visto como a personificação disso. Ele está tão inserido nesse contexto que nem nome ele tem. Como Marla Singer diz: “Qual é o seu nome, afinal?”. Porem, a “válvula de escape” dele tem: Tyler Durden. Radical e descolado, Sr. Durden vem e quebra com a apatia do consumo compulsivo e “cortar o mal pela raiz”. (E não só isso, mas também).
Minha pergunta, saindo do filme, é: será que iríamos mesmo topar explodir as empresas de cartões de crédito? Afinal de contas, podemos ser levados e influenciados a fazer algo, mas não somos obrigados. No final das contas, gostamos de consumir, sim, e não aprovaríamos voltar ao tempo da pedra. Para começar, se não fosse esse ciclo de consumo e movimentação de dinheiro, não existiria um filme como “Clube da Luta”. Primeiro, porque não iria rolar pagar o cachê do pessoal e manter um estúdio para tal. Segundo, não teríamos material para tanto, já que a realidade seria outra.
É tudo cíclico. Che Guevara, aquele rapaz barbudo que ficou famoso como ícone do Socialismo. Sabe? Pois é, o capitalismo movimenta muitas verdinhas vendendo camisas com a fotos, boinas e broches. Simpático, hein? Rola até a piada de que, assim como o Elvis, Guevara não morreu e só se escondeu nos matos e abriu uma serigrafia. E os sabonetes do filme me soam até engraçados, pensando assim. Consumimos uma estética-padrão e, para isso, lipoaspirações são feitas. E do “lixo” dessas lipoaspirações – caríssimas, sabonetes maravilhosos são feitos e vendidos de volta para as “dondocas” desenhadas. Nada é desperdiçado. Tudo é ciclicamente reciclado. E o engraçado é criticarmos o consumo na Internet, segmento que cresce cada vez mais e assume papel de mídia do futuro. Aquela mesma mídia que “sustenta” o sistema. Ai, Clube das Contradições, talvez. Ou Clube dos Ciclos. Escolha o seu e nunca, nunca comente sobre ele com os outros.

7 | April | 2008 às 17:05
A sociedade acomodou-se com o a tecnologia e ficou cada vez mais dependente dela, assim ninguem realmente quer fazer como no filme e fazer a gente retroceder, os tempos são outros. Mas não seria interessante se a gente não desse tanto valor ao que podemos comprar, eu não preciso de um celular de última geração pra me sentir parte da sociedade.
Parabens Maira pela matéria, sempre aprendo algo novo nas suas colunas, até a próxima.
7 | April | 2008 às 18:08
Só para dizer que comprei na sexta-feira meu CLUBE DA LUTA e irei assistir novamente para reflexão!
8 | April | 2008 às 09:38
Ótima coluna!
Clube da Luta é o melhor filme que já tive o deleite de assistir! atuações fantásticas! fotografia excepcional; David Fincher afiadíssimo! além de uma trilha expetacular realizada pelos The Dust Brothers! (quem puder escute!).
Isso sem falar no roteiro, baseado no livro do meu guru pessoal: Chuck Palahniuk! (livro esse disponivel no Brasil pela editora Nova Alexandria).
PS: Para quem curtiu o roteiro de Clube da Luta, além do próprio livro que inspirou o filme, recomendo os livros do mesmo autor: “Sobrevivente” e “No Sufoco”.
8 | April | 2008 às 12:52
Bela coluna Maíra…
Clube da Luta merece ser visto e revisto…
Todos os rapaduras com tem agora mais um motivo para ver e rever este belíssimo exemplar da sétima arte.
8 | April | 2008 às 22:29
Então eu fiz o recomendado. Sentei o dedo no play, Pixies na agulha e “Where is my mind”. Parabéns Suspiro, show seu texto.
E meus comentários não vão ter graça, pois senhores, eu sou o sistema, trabalho para ele e me orgulho disso. Sim, eu juro e admito. Como aprendiz de publicitário não posso ser contra o consumismo. E de fato não sou.
Criar desejos, melhor necessidades é o que o mercado quer. Ele que aflorar o consumo, plantar na cabeça do mundo que aquilo é bom para você, é util, agradável e te faz feliz. E esse é o ponto final que derruba qualquer tese de pseudo-anti-consumistas, quem é feliz? Ok ok, viajou, hipotético de mais, “o que é felicidade pra você?”. Não é isso que quero dizer. Vou com calma explicar. Qual é o cinéfilo, aqui presente, que não sentiu um prazer de outro mundo a assistir uma pré-estréia, comprar um dvd de colecionador ou adquirir aquela camiseta maneira de seu fita preferida? Ninguém te tira esse prazer, ele é único. Essa compra não foi vã, ela alimentou teu desejo, movimento um mercado e te fez feliz. Quantas crianças não sorriem com seus brinquedos novos, mulheres com suas bolsas, sapatos e qualquer artigo de liquidação? Por um pequeno momento você foi ou está feliz. E não adianta você explicar que isso é momentâneo, passageiro ou fútil, pode morrer tentando. Essa é a maneira que nossa sociedade achou para ser feliz, afinal não temos uma causa para lutar, uma guerra para vencer, uma grande depressão e vamos as compras para nos sentir felizes.
8 | April | 2008 às 22:32
Errei meu nome! hahaha
8 | April | 2008 às 22:50
Rapha,
valeu pelo comentário
Jurandir,
ótimo investimento, esse seu! hehe
Alan,
ótimo cê ter comentado do livro e da trilha… vou atrás de conferir, inclusive.
Ronaldo!
beijo
que bom que agradou, hein? espero que você continue voltando por aqui
Bruno,
tu já tá íntimo, e eu já sabia que tu ia comentar isso. haha. tu tá no mesmo time que eu. se empolgou tanto que trocou até o próprio nome.. hehe beijo, querido
9 | April | 2008 às 09:44
a ONU divulgou uma lista com as condições mínimas para se atingir o estado de felicidade e pasmem: entre os itens da lista, apenas uma televisão para cada 100 habitantes. Lógico que esse item vêm acompanhado de muitos outros como uma biblioteca a cada 100 mil pessoas, uma bicileta por unidade familiar etc.
acontece que se pararmos para pensar, é verdade. Víviamos há 50 anos assim. E nem por isso éramos menos felizes. A sociedade de consumo criou um estado de “desejar ter” que gera mais satisfação do que o possuir propriamente dito. E é terrível constatar que nos satisfaçamos com isso. Minha culpa, tua culpa, nossa máxima culpa!
9 | April | 2008 às 11:32
Filme legal, pena que aqui no Brasil ficou meio esquecido por causa so maluco que entrou no cinema matando todo mundo…recomendo a trilha sonora que é fantástica, e fora da trilha, recomendo também uma faixa do Chemical Brothers pro filme “What is Fight Club?” Abraços!
9 | April | 2008 às 12:17
Publicitário ô raça…
9 | April | 2008 às 12:21
O consumismo nunca deixará de existir, mas podemos ao menos diminuí-lo…
vc não é seu carro do ano
vc não é o que tem na carteira
Chega de materialização de sentimentos….
9 | April | 2008 às 16:56
Consumo . Consumo .Consuno
Hoje em dia ninguém quer mais 12 músicas num Cd e sim 200 de uma vez !!!!
Uma frase que é dita no filme Clube da luta e eu nunca esqueço:
” As coisas que vc possue acabam te possuindo ”
Bela Matéria
9 | April | 2008 às 19:09
Igor,
complementou bem demais. pensei nisso enquanto escrevia, só não sabia do dado da ONU. nossa, hein…
Márcio,
valeu pela dica
Joker,
essa é uma das melhores frases do filme. bem lembrado…
Marcelo,
sempre bom ver seus comentários por aqui
9 | April | 2008 às 22:31
Querendo ou não, por mais que eu possa relutar, uma hora ou outra o marketing me alcança, de formas muito sutis diga-se de passagem. Hoje pra não ser “fisgado” por propagandas cada vez mais atrativas, a pessoa tem que morar no mato sem televisão e/ou qualquer outro meio de comunicação. É foda, querendo ou não o capitalismo é atraente. Sempre quando assito a MTV fico imaginando como eu seria se eu estivesse vestindo a roupa de certo artista, como eu seria se tivesse o cabelo dele(já repararam que os vocalistas das bandas de hoje, principalmente os líderes de bandas emo, sempre tem um cabelo maneiro?) e logo quando tomo conciência de que é o capitalismo outra vez, as vezes entro em desespero(nem tanto assim!). O problema do consumismo é que se você não está com as bugigangas mais atuais, os tênis da moda, enfim, parafernalhas modernas, você não é bem visto pela sociedade e até tachado de retrógrado(diga-se de passagem Jurandir Filho). Mas quando paro pra pensar se o socialismo seria melhor, fico pensando naquela música do The Clash “Shold i Stay or Should i go”, porquê não tem pra onde correr. Finalizando, hoje em dia ou consumimos ou seremos niandertais!
10 | April | 2008 às 18:13
Clube da luta é legal prá caralho!
10 | April | 2008 às 20:07
clube da luta é um filme espetacular que me deixou com cara de bosta no final….
só acho que deveria ser menos parado,um tantinhozinho mais de açao,por que chega uma hora na metade que começa a cansar de assistir…
11 | April | 2008 às 10:56
Cara Maíra,
ao ler seu texto, muito interessante, não posso deixar de dizer que para o bem e para o mal já vi análises tipo “niilistas” como a sua antes? São muito interessantes mas, a meu ver, sempre discordo delas porque levam apenas ao imobilismo. Independente da sua linha de pensamento, quando diz que o clube da luta só é possível ser feito por causa do mundo do consumo que ele critica você, mesmo sem querer talvez, segue a mesma idéia daqueles que criticam as passeatas contra a globalização e tomam coca cola e vestem jeans. Uma análise simplista da realidade. Creio que aqui você nem está defendendo o consumo ou coisa que qualquer outra coisa, não me leve a mal. Mas criticar a crítica ao consumo, na minha opinião, é se perder dentro de uma análise simplista do papel de tornarmor melhor nossa sociedade. Acaba virando uma ditadura das idéias onde não podemos criticar por estarmos inseridos nela. Mas uma vez, não sei se esta foi sua intenção, mas geralmente quando ouço esse tipo de análise é sempre daquela linha de pensamento intelectual que critica encima de um muro soberbo que, de tanto pregarem a apologia ao sistema que permite obras de crítica, no caso o filme Clube da Luta, terminam agindo como ditadores do sistema que estamos inseridos.
11 | April | 2008 às 10:59
Perdão pelos erros de datilografia e pontuaçao, é minha primeira vez aqui. Um beijo.
11 | April | 2008 às 16:23
Leandro,
realmente é difícil escapar dessa onda. e nem se se ela é de todo maligna como pode ser pintada vez ou outra… complicado é por ela atrapalhar a nossa percepção e se tudo realmente é consequencia direta dele. obrigada pelo comentário!
Bruno,
de fato, o filme é do papoco…
Gustavo,
sério que voce se sentiu cansado? eu realmente me envolvi totalmente. ainda fiquei viajando no final com a música do Pixies
André,
achei muito bacana ter um comentário como o seu. é esse tipo de pensamento que gosto de provocar com um txto desse. na verdade, nao quis defender nem acusar nada. quis so tirar um pouco da hipocrisia, coomo voce cita a questao da critica à globalização e o uso continuo da coca-cola. acho que mais importante do que se preocupar em acusar e criticar, devemos pelo menos discernir realmente o que acontece. foi essa pulga que eu quis provocar com o texto. ate porque, para falar de consumo e tudo mais, eu deveria passar beeeem mais tempo escrevendo… ja pensou? gostei muito da tua participação.
11 | April | 2008 às 18:06
102 vezes pra acertar, em cheio.
12 | April | 2008 às 14:12
\o/
13 | April | 2008 às 21:17
Semana passada, podcast “Lições de Vida”, nessa, “Influências” e finalmente, navegando no Rapadura Blog, vi esse texto! Pronto, eu PRECISAVA tomar vergonha na cara e ver Clube da Luta.
Hoje, domingo de manhã, finalmente vi o filme e acabei de ler seu texto. Maira, parabéns, post simplesmente sensacional, como a maioria dos que você faz. E obrigado por me convencer de vez de que eu precisava MESMO ver esse filme. Claro, assisti hoje, ainda estou tentando entender e digerir tudo que vi, é muita coisa, muita informação. Depois talvez volte aqui para comentar melhor, mas por enquanto…
David Fincher fez um filme excelente, cutucando na ferida de todo mundo, dando um tapa na nossa sociedade molenga. Uma pena que muita gente não entendeu o filme e só acha “fooooooooooda” por causa das cenas de luta. Há muito pra ser falado sobre ele, muito mesmo.
E a cada filme de 1999 eu afirmo: este foi e será e por muito tempo, o melhor ano da história do cinema.
13 | April | 2008 às 21:31
Marcelo,
melhor que receber um comentário bacana como o seu sobre um texto meu é saber que te convenci a ver um filme espetacular como o “CLube”. ganhei meu dia! haha beijo prôce :*
13 | April | 2008 às 21:54
Você não é o que você consume, você fode mal, você se importa em engordar e se importa em emagrecer. Você é um bosta. Você precisa de uma porra de um filme hollywoodiano mergulhado em dinheiro pra rever pelo menos um pouquinho dos seus conceitos.
Você é um bosta.
Você escolhe até a marca da bebida que te vai chapar, até a televisão que vai te alienar. Somos treinados para achar que um dia mudaremos o mundo todo, que um dia nos livraremos desse capitalismo que solta e puxa as rédeas, hahahaha.
Você vota em branco.
Eu sou você. E isso é pra mim.
Bem vindo aos problemas da vida, e a primeira regra é: NÃO FALE SOBRE OS PROBLEMAS DA VIDA.
…
Lincoln Péricles, São Paulo - SP, 18 anos.
Falar de Clube da Luta é perigoso e nescessário. É o filme da minha vida, desde sua direção até seu roteiro é muito bom, mas perfeito no filme é a edição e mixagem de som. É bom pra galera descompromissada e bom pra galerinha bunitinha que acha que cinema é mais que uma diversão. Eu sinceramente acho que ao fazer esse filme David Fincher queria dizer: Conheça Chuck Palahniuk.
Eu sou escravo do consumismo, ou melhor, eu tenho minha abolição assinada (Clube da luta), mas como aqui no Brasil, essa abolição não serviu muita coisa ainda. Eu sou muito diferente de quando minha abolição foi assinada, sinto que aprendi muito, mas ainda sou falho, e estou aprendendo cada vez mais.
O filme é um soco na mente, um chute nas bolas (pra meninas: um beliscão nos mamilos), um dedo no olho, mas só de quem quer ter a mente socada, as bolas chutadas (ou os mamilos beliscados) e o olho dedado.
Hoje eu penso antes de agir.
Hoje eu tomo café PILÃO ao invés de tomar café do STARBUCKS.
Obrigado Clube da Luta, obrigado David Fincher por mostrar que até o Brad Pitt pode ficar feio após uns socos na cara.
Obrigada Maíra pela primeira coluna sua que eu senti vontade de expor minha opinião inútil.
É nóis.
13 | April | 2008 às 21:57
Por que 1999 foi um ano foda? Veja o especial!
14 | April | 2008 às 09:37
Chucky Palahniuk é foda !!!!!!!
Li todos os livros do cara, ele é doente.
Quem leu “No sufoco” sabe o que eu estou dizendo e quem não leu vai entender o que eu estou falando.
Algum fã do cara por aqui ?
15 | April | 2008 às 00:24
Yep, é meu escritor favorito. E não acho ele doente não viu…
15 | April | 2008 às 00:33
Só que eu tenho medo do Chucky.