Mulheres, Desesperadas

Publicado em: 14-04-2008 @ 2:29 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Semana passada, o RapaduraCast tratou de como o Cinema pode influenciar a vida. Pensando sobre o que escrever neste começo de semana, aproveitei uma idéia sobre essas influências, inclusive dada por uma criatura de azul aculá, e vi ligações entre os filmes e um seriado em particular. “Desperate Housewives” e as mulheres desesperadas do Cinema é o tema desta segunda-feira de Abril.

(Para ler ouvindo “Feeling Good“, Nina Simone)
Ando me envolvendo com as personagens do seriado “Desperate Housewives” de uma forma bastante agradável, seja pelas risadas, pelas identificações óbvias ou pelas semelhanças surpreendentes. Eis que eu queria muito falar sobre isso aqui explicitamente. (Sim, já que a coluna sobre o passado começou por uma reflexão provocada por uma personagem do seriado). Aí, ouvi a sugestão do menino de azul e pensei: de fato, existem várias mulheres desesperadas no Cinema.

Julianne Moore, em “As Horas”, é a minha favorita. O filme por si só é sensacional. E digamos que ele tem três mulheres desesperadas. Mas Laura Brown, sua personagem, é a típica dona de casa americana desesperada. E o desespero dessa ruiva me deixou no chão. Engraçado como eu passei a ver a vida de donas de casa de forma diferente depois do seriado, depois de prestar atenção nesses filmes. Sim, uma workaholic como eu se enrola para enxergar o valor de uma dona de casa ordinária, justamente pelo extremismo de realidades. Mas cuidar de uma casa é mais do que “pilotar” o fogão. Às vezes, é agüentar tudo o que a casa abriga. Mrs. Brown me sugeriu isso.

Depois, lembro da querida Diane Lane no filme “Infidelidade”. Ela interpreta uma esposa que se muda para o subúrbio e passa a ter um caso, provavelmente para desafogar a solidão e a rotina apática. Assim como Moore, ela é um poço de desespero. E o que as salva é o apego à família. Mas o interessante do desespero dessas duas donas de casas é que, antes de tudo, elas se mostram absurdamente humanas e sensíveis. Mas não ousaria dizer que essa sensibilidade seria uma fragilidade, porque é nessa sensibilidade que elas encaram a dor e o desespero e se tornam fortes para superar, seja por contar com elas mesmas, seja para estarem lá para apoiarem quem conta com elas.

Pensando, então, nesse lado desesperadamente sensível, lembro de uma dona de casa que me pareceu uma dona de casa por conformação, não por escolha ou vocação. Kate Winslet, em “Pecados Íntimos”. Assim como “As Horas”, esse filme está na minha lista de dramas favoritos. Ambas as personagens me pegaram de jeito. Sarah, personagem de Kate, entra de cabeça no tema dessa semana. Ela é puro e total desespero. Sensibilidade inconformada. Nota-se sua emoção desordenada desde o começo do filme e é isso que apaixona sobre ela. Mais do que as outras duas, aqui se vê a mulher com fontes maiores.

O mesmo acontece com Hermila, em “O Céu de Suely”, outro favorito. Impregnado da imagem feminina, o filme apresenta Hermila, condensa o que comentei sobre as outras três: o lado dona de casa, o lado feminino, o lado sensível e o lado da força. Com perdão da palavra, ela é escr*ta. Vai atrás do que quer, mesmo tendo um mundo de obstáculos contrariando, e dá orgulho de ser mulher.

Orgulho esse que podemos ter de forma mais singela e dinâmica com Penélope Cruz, em “Volver”. Outro filme favorito e impregnado de feminilidade. Penélope e Hermila partilham dessa sensibilidade velada mostrada no filme. Não dão o braço a torcer, mas nem por isso deixam de mostrar o desespero. É como se encarar ele com a cara limpa fosse o motivo de orgulho destemido. Chamaria de coragem. Coragem que muito par de bolas masculinas não tem.

São todas mulheres. Donas de um lar. Que enfrentam os problemas que quatro paredes podem ocultar. Tudo em um desespero muitas vezes silencioso. E é nesse silêncio que vemos a força de cada uma. Termino a coluna com orgulho de ter TPM todo mês e mesmo assim, rir da cara dos problemas desse mundo louco. No dia que a cólica estiver pior, buscarei inspiração em alguma dessas quatro mulheres desesperadas. Certamente lembrarei que o desespero é doloroso, mas ser mulher é superar isso – com orgulho e sem cair do salto. (E para quem ficou com a dúvida: sim, estou de TPM).




25 Comentários

  1. Bruno Mendonça
    14 | April | 2008 às 16:19

    3 letrinhas e um tempero especial para seu texto, em Maira.

    Um nivel de desespero totalmente diferente, mas que não pode ser esquecido é o de Charlote em Encontros e Desencontros. A personagem da linda Scarlett Johansson, (que peço há 3 natais que Papai-Noel me dê de presente) é deixada de lado pelo marido trabalhador, em um país desconhecido e totalmente diferente. Porém, ela acha seu porto seguro em um ator, na crise de meia idade. A jovem achava estar “estagnada”, em seu casamento ainda fresco e não muito feliz.

    Podia citar mais algumas… mas tenho jobs para entregar. Droga. Boa sorte com a TPM, Maira e continue fazendo estes ótimos textos.

  2. Jurandir Filho
    14 | April | 2008 às 16:30

    :twisted:

  3. Maíra Suspiro
    14 | April | 2008 às 16:39

    Pois é, Brunão,

    até pensei em colocar “Encontros e Desencontros”, assim como pensei em colocar a Nicole Kidman, de “Os Outros”, mas achei as outras citadas mais convenientes para o perfil que eu estabeci para a pauta dessa semana. Elas tinham mais o quê de dona de casa que eu comecei citando. Mas certamente, Scarlett está bem desesperada no filme e é uma das minahs figuras femininas favoritas do Cinema. Ela e sua busca por si mesma.

    Que bom que deu pra agradar com o texto… Quem sabe em um próximo eu cite o teu querido “Mad Man” né? :razz:

  4. Maíra Suspiro
    14 | April | 2008 às 16:40

    Jurandir,

    :shock:

    (quase esqueço de te responder huiehue)

  5. Bruno Mendonça
    14 | April | 2008 às 17:43

    Maíra, assim que começar a ver Mad Men, flagrará uma mulher desesperada, exatamente no perfil que estabeleceu. Mas não vou contar, para não perder a graça.

    Parei no 5o episódio, porque o arquivo tava corrompido e não tinha net em Curitiba, ontem a noite. Um puto roubou cabos da BRTelecom… acontece!

  6. Maurício Saldanha
    15 | April | 2008 às 02:31

    dona de casa Maíra, como cita a palavra orgulho em seu texto. só para lembrar:

    Orgulho: Conceito exagerado que alguém faz de si próprio.

    Um tanto quanto exagerandemente feminista essa 103. Ainda creio que entre-as-linhas desse texto, more uma não dona, e por isso, feminista exgerada, ao menos, aqui. hoje, nessa parada 103.

  7. Maíra Suspiro
    15 | April | 2008 às 08:01

    Bruno,
    que bizarrice, hein? :(

    e Maurício,
    a intenção era essa mesmo, ficar feminista. Algo para brincar com o fato da TPM e comentar a intertextualidade do seriado com alguns filmes. O comentário no final da coluna não foi desproposital. ;)

  8. Maíra Suspiro
    15 | April | 2008 às 08:06

    e Maurício,

    TPM: tensão pré-menstrual, aquela que mexe com os hormônios femininos, que costuma alterar comportamentos e emoções, provocando picos desordenados e cólicas, provocando situações inusitadas.

    acho que a 103 entrou nesse clima. valeu pelo comentário observador :)

  9. Ronald Luis - Fortaleza/CE - 23 anos
    15 | April | 2008 às 08:53

    Maíra sem querer lhe desejar o mal, espero que vc tenha muitas TPM’s, pois seu texto ficou ótimo… Bem com a cara de uma mulher desesperada…

    Como diria Doc Brown em De Volta Para o Futuro II, melhor do que estudar viagens no tempo é mergulhar num ser misterioso e desconhecido que é a mulher…

    Um forte abraço.

  10. Jurandir Filho
    15 | April | 2008 às 09:52

    Enquanto umas quebram pratos durante a TPM, outras escrevem bpns textos. Vai entender essa raça. Huahauahaa! :mrgreen:

  11. Raphael Queiroz
    15 | April | 2008 às 09:57

    Ótimos exemplos de mulheres desesperadas e marcantes, dentre elas a que mais se destaca, para mim, é Hermila de “O Céu de Suely”, mulher forte que enfrenta tudo em busca do que quer, o filme ainda é mais marcante por ter sido rodado na minha cidade natal, reconhecer ela na tela é um grande prazer.
    Boa matéria com feminismo no tom certo.

  12. Marcelo Coldfer
    15 | April | 2008 às 11:01

    Maíra. Você considera Bridget Jones uuma mulher desesperada ? Me veio logo ela na cabeça.

  13. Marcelo Coldfer
    15 | April | 2008 às 11:06

    Outras duas que eu lembrei

    -Miranda Priestly - O diabo veste Prada
    e Sheba Hart - personagem de Cate Blanchet em Notas sobre um escândalo.

    Elas são mulheres desesperadas Maíra

    Você acha que eu entendo de mulheres desesperadas ?

  14. Maíra Suspiro
    15 | April | 2008 às 11:21

    Marcelo, menino!

    Você me fez lembrar de mulheres que mereceriam ser citadas! Nem sequer lembrei dessas que você citou… e adorei ser lembrada delas. cada uma com um desespero diferente, talvez. Principalmente a personagem da Cate.

    Acho que eu não posso dizer se você entende de mulheres desesperadas. Nem eu entendo muito hehe. Mas certamente você tem uma boa memória e isso ajuda em um desespero! haha

    beijo :)

  15. Maíra Suspiro
    15 | April | 2008 às 11:24

    Ronaldo,

    eu também espero ter muitas TPMs pela frente: não quero ter filhos agora! :D obrigada pelo comentário, viu?

    Raphael,

    se eu que não conheço Iguatu, fiquei contente com o filme, porque acho que foi tudo registrado com muito carinho e atenção aos detalhes pitorescos, imagine você, que conhece bem o lugar! E Hermila é, realmente, uma mulher intensa…

  16. Igor Vieira
    15 | April | 2008 às 16:05

    lembrando que os homens tb sofrem

    :roll:

  17. Gustavo Ferreira(Bauru SP)
    16 | April | 2008 às 00:21

    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah

    cada vez q leio essas materias fico pensando como são chatas!
    aqui só deveria ter rapaduracast e mais nada,ganhariam dinheiro do mesmo jeito e até mais ainda!!!!!

  18. Maíra Suspiro
    16 | April | 2008 às 11:22

    Gustavo,

    não precisa ler as colunas ou as matérias do blog :) você pode acessar só na sexta para conferir o RapaCast. Que bom que você gsta mesmo do programa!

    Mas o argumento do dinheiro, devo dizer, foi ÓÓÓTIMO, né, Jurandir?

  19. Marcelo Coldfer
    16 | April | 2008 às 11:58

    ^Gustavo, pelo horário do seu comentário, vc poderia ter ido dormir do que ter lido a matéria e falado bobagem

    Respeite o espaço dos outros.

    Maíra -continue cada vez melhor, nunca olhando para os comentários vazios.

  20. Jurandir Filho
    16 | April | 2008 às 12:51

    Não entendi o motivo dessa discussão. :roll:
    Gustavo, se prepara então, porque em algumas semanas o blog vai lotar de matérias variadas. Você pode até não gostar (e eu respeito isso), mas tem um monte de gente que curte demais.

  21. William Fernandes
    17 | April | 2008 às 12:35

    Ótimo texto, como sempre…

    Mulher é desesperada, pois os homens não são capazes de solucionar problemas que só elas são capazes… Com TPM e tudo, haha

    Ah! O blog é um lugar pra entretenimento e interação, e com as colunas da Maíra ele fica com muito mais conteúdo.
    hehe

  22. Maíra Suspiro
    18 | April | 2008 às 02:26

    Marcelo,

    sempre bom ver seus comentários por aqui :*

    William,

    obrigada pelo apoio :*

  23. Alexandre Montenegro
    20 | April | 2008 às 10:02

    Realidade às vezes pode se tornar uma película.
    Uma película pode se tornar realidade.
    Esta é uma das coisas fascinantes da sétima arte.

    Maíra, como de custume, está de parabéns.

    Thank’s Maíra!
    103 \o/!

  24. Alexandre Montenegro
    20 | April | 2008 às 10:05

    Maurício e o seu dicionário Aurélio! hehehe
    Thank’s Maurício!

  25. Maíra Costacurta
    20 | April | 2008 às 17:51

    Estou de queixo caído. Há mais ou menos dois meses, eu comecei a assistir o seriado Desperate Housewives, e posso dizer que tenho a mesma percepção de donas de casas que você citou no texto (além de termos o mesmo nome, claro).

    “São todas mulheres. Donas de um lar. Que enfrentam os problemas que quatro paredes podem ocultar. Tudo em um desespero muitas vezes silencioso. E é nesse silêncio que vemos a força de cada uma.”

    Acho que Julianne Moore e Diane Lane fizeram um ótimo trabalho interpretando “donas de casa desesperadas”. Não falo das outras porque não assisti aos outros filmes citados.

    É a primeira vez que acesso o Rapadura Blog, e pelo visto, isso fará parte da minha rotina agora.

Deixe um Comentário

Opções:

Size

Colors