A dois, por dois e em dois

Publicado em: 21-04-2008 @ 10:41 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Depois de mudar de assunto inúmeras vezes, finalmente decidi qual seria o motivo das linhas desta semana. Por puro acaso – e agradável sorte, o domingo teve um final surpreendente, com uma ida ao cinema. E durante 96 minutos, passei dois dias em Paris, vendo a loucura - ora cômica, ora trágica - que são os relacionamentos.

(Para ler ouvindo “Waltz For You”, com a Julie Delpy)

Ah, mais um filme de relacionamento!”. Esse pode ser o pensamento de alguns. E de fato, não é uma mentira. Mas “2 Dias em Paris” é cheio de leveza, sutileza e humor, combinação ótima para se curtir em um final de feriado, sem muitas pretensões, mas ainda sim, querendo algo mais após o fim da sessão.

Indo completamente para o oposto do esperado dos filmes que tratam de relacionamentos de forma mais profunda e reflexiva, “2 Dias” conseguiu ser leve. Deliciosamente leve. E me fez rir enquanto encarava os detalhes loucos de uma relação a dois.

Os diálogos do filme são sensacionais. De rir da cena e rir de como é verdade. E quando temos um roteiro digno, o filme ganha muito mais força. “Isso quer dizer que se eu não fosse sua namorada, eu não seria boa o suficiente para ser sua amiga?“. Sim, é a retrucada que Marion, a namorada, fala para o namorado Adam quando ele afirma que não tem relacionamento algum com suas ex-namoradas. Bizarro. E sensacional como ela falou isso de forma objetiva e rápida. Eu tentaria falar a mesma coisa. Quem já teve relacionamento sério deve saber: quantas vezes a criatura do passado não foi pivô de briga? Para alguns (como eu), é estranho cortar relações com um (ex) namorado, uma pessoa com quem você viveu tanto e compartilhou momentos bons e ruins, simplesmente porque não estão mais juntos. (Claro, a não ser que ele/a tenha aprontado bonito para o seu lado ou realmente seja uma pessoa insuportável…)

Mas, sim, os diálogos. Cheio de frases cheias de sarcasmo e ironia. Adoro! “Você poderia me trazer uma tigela cheia de vidro moído?”, é o que Adam pede ao garçom durante uma conversa incômoda com a namorada. “Ah, você é o novo namorado?”. Ai, os comentários inocentemente inconvenientes que os conhecidos fazem ao novo namorado… Eu mesma sofri com eles após o filme. Essas mil situações corriqueiras que acontecem no meio de um relacionamento. Altos e baixos. “E muitos entremeios”, como a própria Marion fala. Todos que provocam uma identificação instantânea. Algo bem “a vida como ela é”. Com todos os defeitos que fazem a nossa graça.

Acho difícil comentar o filme. Ele me pareceu tão simples que me complico ao tentar falar o óbvio. Quem sabe devo assistir novamente… Certamente irei. Os personagens são adoráveis. E quando vejo o caos deles, é como se enxergasse o nosso. Até as relações “pisando em ovos” com os sogros é retratada no filme. E para quem viu ou for ver a produção: o sogro é absurdamente hilário.

Os sogros, o ciúme, os ex-relacionamentos, as diferenças. O pacote completo. E o que mais me fez gostar do filme é o final, espetacular: condensado e claro, resumindo a essência do filme. A gente reclama da dor de cotovelo, reclama dos problemas a dois. Reclama. E sofre. Mas sempre procura um novo grande amor. E isso é bom. Achar o possível novo grande amor é revigorante. E sofrer por amor, bem, é clássico. Mas, amadurecer no amor… Acho que essa é a melhor parte. Quando se aprende – e consegue – não desistir do relacionamento por causa dos defeitos, e aí, aprendemos a relevar. Quando criamos coragem para encarar o passado desagradável, ao invés de fazer vista grossa. Quando aprendemos a ajudar a relação e não pular fora no primeiro problema. É ser sincero e contar apenas com a verdade entre os dois. Sei lá. É tão simples e tão difícil de falar. Ao invés de me enrolar em uma coluna, seria mais efetivo simplesmente colar o link para a cena final do filme, dizendo: eu assino embaixo.

Mas, para não tirar a graça do filme, termino com uma frase final de Marion, belamente interpretada por Julie Delpy: “Existe um momento na sua vida quando você não consegue mais se recuperar de um rompimento. E mesmo que essa pessoa encha seu saco 60% do tempo, você não consegue viver sem ela. E mesmo que ela acorde espirrando no seu rosto, bem, você ama os espirros dela, mais do que os beijos de qualquer outra pessoa.”




12 Comentários

  1. Jurandir Filho
    21 | April | 2008 às 22:47

    Genial. Ótima coluna. Assisti ao filme no sábado e gostei demais. Vi sem nenhuma vontade e saí de queixo no chão. Desde “Closer”, não via um filme sobre relacionamentos TÃO BOM. Ele tem a direção e roteiro de Julie Delpy (aquela coisa linda de “Antes do Amanhecer” e “Antes do Pôr-do-Sol”). Além ter a moça como protagonista também!

    Achei o filme ótimo e tão impactante como “Closer”. Apesar de que não seja recomendado para quem estar namorando. As discussões do filme são basicamente tudo que acontecem nas vidas dos enamorados. As vezes dói ouvir uma verdade. Imagine VER escancarado nas telonas alguns pensamentos bizarros que você possui. Talvez “Closer” seja melhor por ser bem mais abrangente, mas “2 Dias” está pau a pau.

    Excelente filme. Vale conferir!

  2. Jurandir Filho
    21 | April | 2008 às 22:52

    E recomendo escutarem a música que a Susp colocou no começo da coluna: Waltz For You. ;)

  3. Bruno Mendonça
    22 | April | 2008 às 00:02

    Valeu a dica, Maira. Vou conferir o filme. Para mim é mais fácil, pois sou um cara “sem coração”. Beijos.

  4. Samuel Varela - 29 - Crato-CE
    22 | April | 2008 às 09:33

    Quando terminei de assitir closer, que achei um excelente filme, fiquei pensando: Vai demorar muito para fazerem outro filme tão bom quanto este… Mas, segundo a coluna e os comentário, aí está ele… um filme ao estilo de Closer… ainda não o vi mas espero que chegue logo por aqui…
    E, Maíra, parabéns por mais uma ótima coluna…

  5. Raphael Queiroz
    22 | April | 2008 às 09:38

    A Maíra está a toda nessa coluna! Muito boa e uma ótima dica de filme, eu estava mesmo procurando algo interessante para assistir no cinema. Valeu Maíra!

  6. Maíra Suspiro
    22 | April | 2008 às 11:08

    Jurandir,

    a música é uma graça mesmo, né? Aliás, a Delpy é uma fofa. E o filme é espetacular. Sabia que tu ia gostar dele :D

    Bruno,

    sem coração? ai meu Deus… Ontem tu me disse que curitibano tem fama de ser fechado. Não me diga que agora tem fama de ser sem-coração também! ¬¬ beijo, querido

    Samuel,

    pois é, surpresa boa, né? Acho que Closer tem um tom oposto a “Dois Dias”, mas ambos tratam os relacionamentos de formas sinceras. E “Dois Dias”, por ser leve, é bem mais fácil de agradar e de se “tragar” do que Closer. Adorei os dois. :)

    Raphael,

    espero que a dica valha a pena, viu? Depois me conta. :*

  7. Igor Vieira
    22 | April | 2008 às 20:22

    já quero ver!

  8. 36465789
    22 | April | 2008 às 21:02

    PELO AMOR DE DEUS MENINA! ESCREVE ALGUMA COISA INTERRESANTE! SE VC Ñ SABE SAI DAÍ!!

  9. Diego Benevides
    23 | April | 2008 às 21:59

    Inclusive, esse quote final que tu colocou, eu também tinha colocado no meu about do orkut.
    O filme é fantástico, devo assistir mais umas três vezes certeza! ;~~~~~~

  10. Ronald Luis - Fortaleza/CE - 23 anos
    28 | April | 2008 às 16:16

    O Filme realmente é maravilhoso.

    Não sei porque quando vi me lembrei de vc Maíra…!!!

    Ainda bem que minha esposa não quis ir comigo. Foi melhor assistí-lo sozinho…

    Parabéns mais uma vez pela coluna!

  11. Raphael Queiroz
    29 | April | 2008 às 13:52

    Maíra obrigado! A dica valeu a pena sim!!
    Ótimo filme gostei bastante! Adorei os diálogos e ri muito em algumas cenas! Mas parece q muitos não gostaram, na sala que eu fui assistir tinha umas 15 pessoas e eu contei 5 que saíram antes do filme acabar, mas isso é o de menos! Obrigado mais uma vez e até a próxima coluna!

  12. Leonard Capibaribe
    30 | April | 2008 às 17:12

    :cool: Primeira vez comentando no rapadura e logo sobre um filme que eu realmente achei interessante… É meio difícil para as pessoas que realmente estão acostumadas a um certo tipo de filme, mas não deixa a desejar tanto na comédia quanto na edição…

Deixe um Comentário

Opções:

Size

Colors