Curtindo os antibióticos e o sofá companheiro da casa alheia, uma velha idéia passou pela minha cabeça: tem filme que é tão ruim, tão chato, que você não consegue parar de assistir, só pela curiosidade de saber se pode piorar ou se existe esperança no fim do… ruim.
(Para ler ouvindo “I Just Can´t Get Enough“)
Vez ou outra, me pego em algum fim de semana livre zapeando a TV, procurando algo para puro e despretensioso entretenimento. Eis que paro em algum filme por distração. E eis que, em algumas das vezes, o filme não era bem um filme “de vergonha”. Mas, e daí? Vamos ver no que dá - ou no que não dá, mais especificamente falando…
Foi o que aconteceu depois de um jantar na casa do meu pai. Super convenientemente, quando sentamos para a sobremesa no sofá, começou o SuperCine da Globo. Sim, por ser da Globo, já é um sinal divino de que não é algo bom, mas, deixa lá… E deixei mesmo, percebendo que estava começando um tal de “Garganta do Diabo”. Na hora, eu só pensei em “Garganta Profunda”, mas aí ia ser pano para outro tipo de conversa, certo? Enfim, sei que o filme é com o Dennis Quaid, o Christopher Plummer, a Juliette Lewis e a Sharon Stone. E não, não pensem que isso melhora algo. Só piora: o Quaid está da cor de terracota, o Plummer tá parecendo emaranhado de pêlo de gato, a Juliette me faz ter pena das cenas esdrúxulas e a Sharon provou que estava ruim (eufemismo) de atuação nessa época. Efeito dominó. Catastrófico.
Como que eu superei os “reclames do plim-plim” e não mudei de canal ou apelei para um DVD? Freud pode explicar, talvez. Mas tem filme que é tão ruim, que me faz ficar grudada na tela para ver se pode ficar pior. E é ruim de ruim mesmo! Não digo só aqueles filmes de “começo-meio-e-fim”, como meu pai costuma falar. Aqueles que são bobos, mas redondos, e que aliviam o drama da vida real. São os ruins mesmo! A vantagem é que eu esqueço eles logo… Depois de dois dias, nada mais resta. Aproveito então, que a memória ainda dura para ilustrar a situação com o tal “Guela do Diabo”, aliás, “Garganta”…
Pensando bem aqui, ele até que rendeu umas risadas. “Vá-botar-um-ovo!”. Melhor frase do roteiro, certeza. A menina grita isso quando o irmão mais novo a acorda imitando um galo no último volume. Ou as caretas que a Sharon “Sem-Cruzada-de-Perna” Stone faz fingindo estar com medo…. E a direção de som é típica de um repeteco direto do Media Player.
Afinal, sou só eu ou alguém mais tem esse comportamento avesso? Será que tem um limite? O filme tem que ser “para cima” para ganhar nossa empatia. Ou ele tem que ser de ruim a ladeira abaixo para provocar nossa inquietude curiosa. Mas se ele ficar entre a linha tênue – ou não tão tênue – desses dois tipos, ele passa batido. Será? Por exemplo, outro filme desse mesmo diretor, o Mike Figgis, me fez querer ver o filme depois e não grudar pelos defeitos dele. Ah, o filme em questão é “Despedida em Las Vegas”… Comecei a ver, não peguei o ritmo e preferi ver depois, com um humor melhor. Mas com “Garganta do Diabo” foi exatamente a mesma sensação de “será que pode ficar pior?” ou “e essa pizza vai acabar como?”.
Enfim, se existir um estudo do comportamento dos cinéfilos, me voluntariaria para a causa das reações absurdas. Alguém mais sugere uma reação absurda?

5 | May | 2008 às 09:43
Maíra sempre acerta. Um texto melhor que o outro.
Posso citar vários e vários filmes que estive a ponto de parar, desligar a TV, ou sair da sala de cinema, mas me contive para me convencer de que o ruim era mesmo uma merda.
Por várias vezes cheguei da faculdade, cansado e não consegui dormir e sentei a frente da TV. Esses dias, peguei-me assistindo um filme que, há muito tempo atrás, eu já adorei. “Panico 2″. Sério. E mesmo já sabendo o final, mesmo já sabendo quem matou quem, como, quando e onde, eu ressisti o desejo de mudar de canal, desligar a TV, ou cortar os pulsos por já ter pendurado o poster do filme no meu quarto. Mas fiquei, cena a cena, esperando “melhora no fim, eu lembro, não pode ser tão ruim! Eu não podia gostar de uma coisas dessas!” No fim, não melhorou. E eu já sabia na verdade que não melhoraria. Mas acabou que pelo menos, no fim de filme, consegui dormir tranqüilo.
5 | May | 2008 às 13:06
Recentemente eu fui ao cinema ver um filme que todo mundo falou o diabo dele, críticas unãnimes negativas com o filme ” Possuídos” do diretor de O exorcista (clássico), não fizeram comq ue eu deixasse de ver o filme, na telona.
Mesmo assim eu quis ver o filme, por mórbida curiosidade mesmo. Sei lá -um cara fala que começa a ver insetos pelo corpo todo e outra pessoa começa a viajar na dele - fui ver, com minha conta em risco. só pra saber.
Acontece com todos mesmo Maíra - comigo acontece muito disso. Não só na TV como também quando estou na locadora escolhendo o que vou ver e me deparo com algum filme que tremina com ..fatal…mortal…brutal…a noite de .. ou as loucas aventuras de… etc
Sabe, que há filmes que eu gosto somente do prólogo, ou uma cena em particular, ou somente o final. Pois é .Me agradaria muito se começassem a vender pedaços de filmes com as cenas que mais gostamos…hehehe.
… e já que você falou em Garganta do Diabo Maira, êta filminho ruim. As cenas do ataque das cobras é de chorar.
5 | May | 2008 às 13:41
Eu vi um pedaço desse filme enquanto fazia um empanado de frango. Numa cena do bar, onde cara dá uma porrada na mulher. Filme estilo supercine mesmo. Escolheram bem!
5 | May | 2008 às 14:17
Maíra isso realmente acontece, quem nunca parou na frente da tv e viu um filme e ficou assistindo, mesmo esse sendo ruim, em alguns casos ruim de doer, como o filme que vc citou. Outro dia assisti Memórias de Homem Invisível na Band, filme antigão que eu assisti quando era moleque no Cinema em Casa, achei tão tosco vi por puro saudosismo e não acreditei que já gostei daquilo. Ótima matéria e eu me identifiquei muito com ela.
5 | May | 2008 às 15:29
Esses filmes “ruins” eu nunca assisto pela televisão porque termino desligando ela ou mudando de canal logo no início do filme, as vezes até consifo chegar a metade do filme.
Parece loucura minha, mas na maioria das vezes eu prefiro alugar esses tipos de filmes, assim fico com a obrigação de assistir, já que estou pagando. Então, mesmo o filme sendo péssimo eu assisto até o final. E posso, dessa maneira, ter minha opinião se o filme é ruim mesmo ou é pior…
5 | May | 2008 às 20:56
contar que levou um monte de sustos na cena das cobras a srta. não conta, né Suspiro
=D
5 | May | 2008 às 23:01
Eu tb tenho essa mesmo comportamento. Assisto a (porcaria do) filme até o final só para ver no que vai dar! Fico com raiva! Solto no meio do filme… “Não é possível!”, “Quantos minutos restam para terminar?” Engraçado… fico contando os minutos para terminar, mas não consigo pegar o controle remoto para desligar a tv\dvd. Será que Freud explica?
5 | May | 2008 às 23:07
Bruno, querido!
nunca saí de uma sala de cinema no meio do filme. digo, por motivos relacionados ao filme. só emergências de outras áreas, enfim… mas já tiveram alguns que me fizeram dormir. e esse lance de dormir nem funciona muito comigo. se eu pego um filme ruim desse, eu perco é o sono. prejuizo duplo! enfim, sempre bom ver você por aqui, viu? :*
Marcelo,
vez ou outra, eu também tenho essa “mórbida curiosidade” que você citou. penso algo assim: se é pra dizer que é ruim, vou me armar dignamente pra jogar areia no bicho. e ai, claro, tenho que ver o filme para ter meus proprios comentários.
e essa história aí de lançar os “pedaços” bons do filmes me cativou, viu? haha. e sobra as cobras: não gosto de cobras
Jurandir,
essa cena é tosca. aff. a tal mulher esmurrada é a Juliette Lewis, que tá uma vaca de tão irritante no filme… afff… ainda bem que você tinha seus empanados
5 | May | 2008 às 23:11
Raphael,
na Band? Arrasou! haha. e eu achando quea Globo poderia ser o fim do túnel. vou buscar mais filmes do naipe na Band! e sobre essa de rever e não acreditar que um dia gostamos do filme é trágica, né? rola uma vergooonha… haha. :* :*
Samuel,
corajoso, você. eu nunca alugo. me dá pena. aí a masoquismo demais para uma suspiro só. mas o lance da obrigação me convenceu… e como eu até respondi em um comentário acima: pelo menos você vai ter a sua opinião muito bem argumentada sobre a ruindade do filme!
Igor,
ssssssssssshhhhh! só porque tu tava assistindo comigo depois no jantar ¬¬ nem tem graça.
Lisandra,
juro que não sei se ele explicaria… vai que ele também faria parte da nossa turma. hahah
5 | May | 2008 às 23:11
E é tão bom saber que eu não sou “doida” sozinha.. hahah
6 | May | 2008 às 15:56
Quanta Besteira.
6 | May | 2008 às 16:56
Melhor seria ter comentado “Garganta Profunda”! Hehehe!
Esta frase “Vá-botar-um-ovo!” está assim no original? Deve ser coisa da dublagem? Muitos dubladores quando pegam filmes ruins no trabalho, fazem estas comedias de sacanagem.
Realmente na Band, está passando ums filmes toscos. Acho legal ums filmes de artes marciais com dublagens engraçadas. Parece que estou assitindo Tela Class do “Hermes e Renato na MTV”. Estes tipos de filme e a novela da Record “Caminhos do Coração” são os melhores programas humoristicos da atualidade. Não gosto de novelas, mas esta da Record é muito trash.
Finalmente, vai passar “Into The Wild” aqui em Fortaleza.
Já estou com o filme a mais de um mês gravado no dvd, esperando somente um “play”. Mas disse para mim mesmo, vou ver no cinema. E nada de estrear, mandei até mensagem para o “Panelada Responde” pedindo ajuda. Mas sabado estarei as 10:30 no Iguatemi para ver, numa das poucas sessões é do “Cinema de Arte”!? Bem que o CCR poderia financiar o cinema e eu pagar com uma critica do filme? Hehehe!
Quem define o que é “Cinema de Arte”? Bom assunto para uma próxima materia. Ou não.