
Esses dias, aqui mesmo no blog do Rapadura, li uma matéria dizendo que para o vice-presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas, cinema é lazer e não cultura.
É claro que ir ao cinema é uma forma de divertir-se e tem muitos filmes que ajudam neste intuito. Mas não podemos, de jeito nenhum, esquecer que o cinema é uma manifestação artística que mistura várias artes. A literatura nos roteiros, a música na trilha sonora, a pintura e artes plásticas na direção de arte, figurino e objetos de cena, a fotografia na iluminação e captação de imagem. Enfim, é uma forma de juntar várias artes e construir algo novo.
Aqui em Curitiba, infelizmente perdemos quase todos os nossos espaços culturais. Lugares destinados a só passar filmes alternativos, artísticos ou até fazer maratonas de filmes famosos. Os antigos cinemas de rua faliram, foram abandonados, e hoje em seus espaços funcionam bingos, prostíbulos ou até igrejas evangélicas. Até mesmo as salas mantidas pela prefeitura fecharam, e as que “sobreviveram” sempre estão carecendo de melhores cuidados. Aí, sobram só os cinemas de shopping, que podem até ser confortáveis, ter um excelente som, uma imagem perfeita, mas só exibem filmes que dêem retorno a bilheteria, deixando de lado os filmes fora do “circuitão”.
Será que, se as grandes exibidoras reservassem uma sala por semana, para passar filmes ditos “alternativos”, eles não teriam um certo movimento? Não daria um certo retorno? Para ver estas fitas, só agüentando o mofo dos cinemas mal cuidados, ou depois, alugando os filmes em locadoras especializadas em filmes cults.
Caros leitores, me respondam: isso acontece também nas cidades de vocês, ou só aqui na capital paranaense?


8 | maio | 2008 às 02:51
Em Fortaleza acontece todos os sábados uma sessão chamada CINEMA DE ARTE. Sábado pela manhã que, após a exibição, tem debate sobre os temas abordados no filme exibido. Durante toda semana o filme exibido no sábado, passa em um horário (19:30).
Isso acontece nos cinemas UCI e acho um projeto muito bacana. Inclusive, isso já acontece por aqui há mais de 25 anos.
8 | maio | 2008 às 08:56
Jurandir Filho, sou de Feira de Santana - BA, e como eu queria q aki na minha cidade tivesse um cinema UCI, infleizmente só temos um Cine Place com 4 salas, exclusivas para filmes q só dão retorno, ou não nê?!
e imagine só, lá não cheira muito bem 
O q + se aproxima de uma sala de cinema arte q temos aqui é um Cine Porno q ainda se mantem ativo, o ingresso é R$2,00
Abraçossss
8 | maio | 2008 às 09:05
Na minha cidade só tem um cinema com duas salas, e fica localizando em um shopping: Mas dificilmente passa filmes underground ou cults. Antigamente havia um cinema em seu prédio próprio, isso a uns 15 anos atras, esse sim passava filmes cults, e as sessões após as 20:00 era somente para maiores de 18 anos.
8 | maio | 2008 às 10:12
Eu particulamente acho que se não da público e porque não esta atingindo o coração e os desejos das pessoas. Podemos criticar esse fato, mas é melhor não subverte-lo, e acreditar que ele não existe. AS pessoas não curtem muito o cinema de arte, pelo menos, a sua grande maioria. A própria definição que cultura é o que se vê em filme de arte, pra mim, ja é errada. Enfim, como aqui não é um forum, não adianta gerar muita discurção.
8 | maio | 2008 às 11:53
Rio de janeiro falando. O que acontece aqui é a completa invasão dos sistemas Multiplex, geralmente em shopping que passam os filmes do circuito aberto. Claro que há excessões, recentemente assisti a “Estômago” num desses (caso raro). Os filmes mais cabeça geralmente ficam na zona sul da cidade - Botafogo, Leblon, Ipanema, Gávea, lugares conhecidos do horário nobre -mas nem tem tanto mofo, são lugares até muito bem cuidados. E há os resquícios dos antigos cinemões no centro da cidade (alguém já ouviu falar da Cinelândia?). É pouco acessível, principalmente pra quem mora do outro lado da cidade, mas até que vale a pena
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8 | maio | 2008 às 13:41
Em Brasília, a gente tem dois cinemas que são especializados em filmes “de arte” ou cult, alternativo - como queira chamar. É o Cine Academia e o Cine Brasília. O Cine Academia é cheio de filmes de arte e alternativos mas também é monopolizado pela classe alta de cá (que, caso as pessoas não saibam, não é de forma alguma a maioria - mesmo que tenhamos deputados e senadores mil). Ele fica localizado a quilômetros de distância do centro da cidade, muito bem posicionado próximo as “cidades-satélites” com mais poder aquisitivo e não possui muitas linhas de ônibus passando por perto. Significa que pra você chegar lá você vai de carro ou você vai de carro, entendem?
E o Cine Brasília que fica bem mais centralizado. Também é, se não me engano, o cinema mais antigo da cidade e foi projetado junto com Brasília. Quase sempre os festivais internacionais - de curtas, longas, cults, alternativos, musicais e o que vier pela frente - passam por lá e muitas dessas exibições são de graça. O único ruim deste detalhe é que sendo de graça a sala lota e é apenas uma sala (gigantesca, mas ainda uma).
Pelo menos as pessoas que vão nestes eventos tem um pouco mais de noção e se concentram na exibição dos filmes, sem ficar comendo, papeando ou se devorando na cadeira ao lado.
8 | maio | 2008 às 14:14
Diversão ou cultura, penso que ainda hoje o cinema é os dois, mais diversão que cultura, mas pode ser ambos, só acho que existe um fanatismo quanto à ele ser cultura, como se o cinema encarado como diversão fosse uma afronta a inteligência, as pessoas querem ver algo divertido, as mazelas do mundo a gente deixa pra igreja, terapia, escola …
Quanto a salas de cinema alternativas, tem que se levar em conta o custo de manter uma sala de cinema, nem faço idéia, mas imagino que manter sessões pra meia dúzia de pessoas só pra verem filmes diferentes é um absurdo, dvd serve pra que? O prazer de assistir ao um filme esta naquilo que ele é, não onde é exibido.
8 | maio | 2008 às 17:13
De uma forma ou de outra, o “público” também é reponsável, se esses cinemas foram tirados é porque não davam retorno, ou seja, as pessoas não iam assistir. É por isso, talvez, que esse diretor disse isso, pois o pública busca mais lazer do que cultura.
A vantagem de São Paulo é essa, aqui tem tantos os cinemas grandes, tipo cinemark, quantos os menores de rua, mesmo sendo em menor quantidade. Mas sempre tem uma seção cult por aqui é só procurar…
9 | maio | 2008 às 16:32
Eu sou morador de Sampa, e volte a e meia tem alguma mostra de cinema de filmes de arte - e por incrível que pareça a maioria é de graça, como as do Cinesesc ou do Cinusp, e também há uma quantidade até razoável de cinema que passam filmes assim.
Ainda bem…
9 | maio | 2008 às 18:04
Sou de São Paulo, e aqui ainda existem os “cinemas de rua”, devidamentes patrocinados e bancados por grandes empresas. Apesar de as vezes dividirem filmes blockbusters, na sua maioria passam filmes alternativos, que supostamente não dariam lucro. É uma pena.
Mas as salas não deixam a desejar para as dos grandes shooppings… nem o preço dos ingressos…=D
10 | maio | 2008 às 23:26
Também sou do Paraná. Sou de Londrina. Aqui a gente sofre pois cinema bom mesmo só temos 1, no shopping principal da cidade. Temos um outro cinema, em um shoppinzinho que a cada semana passa filmes fora do circuito comercial. Passa lá alguns filmes alternativos e documentários como “Sicko”, “Shine a Light”, e filmes alternativos como “A Espiã”, ou daqui do Brasil também, como “A Casa de Alice”. É interessante, mas mesmo assim todos os filmes que deviam passar não passam, e nem mesmo os que são de “dentro” do circuito comercial passam no do shopping. Alguns filmes como “Pequena Miss Sunshine” e “A família Savage”, que estava com vontade de ver, não passaram em nenhum cinema. Uma pena. Mas, mesmo assim, ainda dá pra ver alguns filmes mais alternativos, e os principais sucessos de bilheteria, crítica e tal. Mas que sinto falta de certos filmes aqui, eu sinto.
26 | junho | 2008 às 00:53
Sou de Ponta Grossa e aqui a gente pode contar com dois projetos, o ‘tela alternativa’ (todas as terças) e o ‘cinearte’ (aos sábados, quinzenalmente) que rolam curtas, longas e documentarios alternativos no cine teatro ópera… o público não é muito grande, mas as pessoas que vão, estão lá pq gostam mesmo, até pq sempre, depois tem a discussão e crítica do que foi assistido. Dois projetos muito bacanas, que são organizados pela secretaria de cultura e pelo curso de artes da cidade.