Esta semana estou estreando como o novo colunista do Cinema com Rapadura. A partir de agora vocês irão ficar sabendo de tudo que acontece ou aconteceu no mundo do marketing focado para a 7ª arte.
Nos fatores que levam um filme a ser sucesso de bilheteria, tem um que passa quase despercebido aos olhos dos espectadores. Não basta um filme ter um ótimo roteiro e uma excelente produção se ele não tiver uma boa divulgação. Sim, se ninguém for ao cinema e pagar uns trocos para ver a fita, o filme será um fracasso. Não estou querendo dizer que filmes que não têm grande bilheteria são ruins. Pelo contrário, quero falar de como os filmes são divulgados. Como produtoras e distribuidoras armam ações publicitárias para atrair o público.
E para isso, ganhei um espaço semanal, aqui no RapaduraBlog. Vocês vão adentrar no mundo da publicidade, propaganda, Internet, enfim, do Marketing no Cinema. Vamos falar sobre cases, tendências e o que está acontecendo por aí. E é claro que se você quiser dar dicas ou sugestões, basta postar um comentário.
Vou começar falando de uma ação brasileira que promoveu o filme PodeCrer, que estreou no fim do ano passado nos cinemas.
No começo de agosto, foi criado um videoblog chamado “Babilônia, 1981”. Ali, eram postados vídeos de personagens que diziam estar na década de 80. Toda a caracterização levava a crer que era tudo verdade. E a história começou a ter vários capítulos, vários vídeos novos a cada dia. Os fatos eram bem corriqueiros. Três jovens contando suas aventuras e desventuras. Até aí, nada de mais.
Para ajuda a divulgar o videolog, foram disparados e-mails para os donos dos principais blogs do país, convidando-os para acessar o site e conferir os vídeos. Algumas indicações aqui, e uma molhadinha de mão de um blogueiro ali e toda blogosfera passou a comentar sobre o Babilônia 81.

E dentro de um desses vídeos os personagens do Babilônia, lançaram uma promoção: quem melhor divulgasse o videolog utilizando o seu próprio orkut, ganharia um disco de vinil. Com a ajuda dos blogues, da imprensa e do canal Fiz.TV da Net, a adesão dos internautas foi grande e muitos participaram da promoção. Reparem na imagem acima.
A ação saiu do campo virtual quando a Conspiração Filmes contratou a Espalhe, agência de guerrilha, para realizar algo no mundo real. Utilizando como referência, o “Verão da Lata de 1988”, um fato conhecido por alguns cariocas, que conta que um navio carregado com latas de maconha naufragou em alto mar e a maré trouxe as latinhas de droga para praia, virou tema da ação de guerrilha. Milhares de latas foram espalhadas pelas praias do Rio de Janeiro. Dentro delas, havia um rolinho de filme fotográfico com uma cena do filme PodeCrer. Fernanda Paes Leme e Cleo Pires eram reconhecidas no filminho.
Na Internet, foi revelada que a ação tratava-se de um viral para o filme. E nas ruas, começaram a ser vendidos discos de vinil com a trilha sonora do filme.
O filme não foi um grande sucesso de público. Mas utilizou ferramentas interessantes de divulgação.
Mais que alto impacto ao transmitir a mensagem é interessante ver o nível de interação dessas ações com o público. Pois, cada vez mais as pessoas estão contrárias a propagandas intrusivas ou a publicidades que deixem claro a tentativa de indução a compra ou a aceitação de uma idéia. Cada vez mais, agências, anunciantes e empresas utilizam ações “diferentes” para atingir seu público-alvo, sempre de maneira criativa e que desperte neles à vontade por adquirir conteúdo, e não só um produto.
Na semana que vem, comentarei sobre uma ação mais antiga, mas muito interessante, para o filme “Obrigado por Fumar”.
18 | June | 2008 às 03:52
Primeiro, parabéns pela coluna Bruno. E boa sorte! Agora a Maíra Suspiro, nossa outra colunista, tem um companheiro! Essa será uma leitura sagrada toda QUARTA-FEIRA (assim como é sagrada a leitura da coluna da Suspiro toda SEGUNDA). Eu sou louco por essas campanhas publicitárias de filmes e reunir todo esse material em forma de coluna será de grande valia não só para os leitores, mas para estudantes e amantes do Marketing no Cinema. Com certeza será a referência sobre o assunto na Internet.
Quando a campanha do Podecrer, não funcionou comigo. Apesar de ela ter sido praticamente em solo carioca (eu acho), eu não tive vontade de conferir esse filme. A idéia é muito boa, mas será que funcionou? Marketing significa troca. Que benefício eu teria comprando um Vinil do filme? Fica lindo, nostálgico, mas o filme não tem nada de atraente, e pouca gente usa vitrola (radiola) hoje em dia.
Existe um grande problema com certas campanhas: as pessoas entenderem errado. Por exemplo, imagina alguém achando umas latinhas dessas na praia e achando uma propaganda do filme. Muita gente poderia considerar de mau gosto por ser uma poluição urbana, mesmo que eles limpem depois. Aquelas pessoas mais chatas poderiam até pegar mais no pé e até alguém tentar explicar que era uma campanha publicitária, ainda assim teria um pensamento negativo. “É propaganda? Sujam as praias e ainda ganham dinheiro com isso. Que beleza hein?”. Não duvido nada que deve ter acontecido isso.
No mais, ótimo relato. Muito bom saber que agências brasileiras estão se dedicando para trazer boas propagandas para os cinéfilos. Só acho que poderiam ter bolado algo melhor para as latinhas, apesar de ter sido um fenômeno em épocas passadas.
18 | June | 2008 às 09:16
Acho fantastico essas campanhas publicitárias!
Não sou conhecedor de muitas delas, mas as poucas que vi e ouvi falar me agradaram bastante.
Conseguem deixar o publico curioso e “excitado” para ver o filme.
Acho que a mais interessante que vi foi a do filme das tartarugas ninjas. Foi lindo vê-las salvando uma pessoa em um prédio em SP.
Belo texto… e seja bem vindo!
Abraaço..
18 | June | 2008 às 11:26
gostei da idéia da coluna.
no caso desse filme, tive a mesma impressão do Juras
achei que as latinhas na praia causam má impressão.
18 | June | 2008 às 11:28
Respondendo ao Jurandir…
Não, não funcionou, nem no Rio…
18 | June | 2008 às 14:08
Eu não gosto de ver TV com muita frequencia (alem de não ter nada de bom não me sobra tempo) então não vejo muita coisa sobre marketing, mas normalmente os filmes aki no brasil vem rotulados pelos atores ou diretores em consequencias de premios ganhos pelos mesmos, da ultima campanha publicitaria q me lembro foi para o filme “Quarteto Fantastico e o Surfista Prateado”, no shoping q fui assistir ao filme montaram um mini replica dos predios de NY onde vc podia passar por dentro e tinha telões exibindo a cena da perseguição do tocha ao surfista, sem falar q nas escadas rolantes tinham banners na frente conforme o degrau surgia aparecia uma foto do filme, achei muito legal
18 | June | 2008 às 15:05
- Juras.
De fato podem atibuir algo negativo a ação, já que sujaram as praias. Porém, tudo estava dentro de um contexto: os anos 80 no rio de Janeiro. Os vídeos do Babilônia traziam a vontade daquela geração, e como o episódio das latinhas de maconha (se alguém tiver curiosidade é só bater no google Verão da Lata de 1988, não ponho o link aqui por que fazem apologia direta ao uso de drogas) aconteceu perto desta época, acho que foi um gancho interessante.
E o outra Mkt de Guerrilha é assim mesmo. O objetivo é gerar IMPACTO. Surpreender as pessoas que passam e gerar um boca a boca. É o velho espirito, falem bem, falem mal, mas falem de mim.
- Rodrigo
Pude ver essa interação nos hall de cinema do Quarteto Fantástico, quem sabe até comento sobre ela futuramente. Tem bastante material legal para mostrar.
18 | June | 2008 às 16:57
Adorei a coluna e posso dizer que esse era um assunto que faltava aos sites relacionados a cinema no Brasil, muito se tem feito a respeito disso mas pouco é falado.
E depois de conhecer Lost eu me interessei bastante a respeito dessas formas diferentes de divulgação, sendo assim parabéns pela coluna (serei um leitor assíduo a partir de hoje).
A propósito, o filme ‘PodeCrer!’ é ótimo e a trilha sonora também é muito boa!
18 | June | 2008 às 16:58
Eu era fã do Babilônia1981 bem antes do filme começar a ser divulgado de verdade. Achava brilhante os curtas no Videolog deles. Quase participei de uma promoção no fotolog deles - ia ganhar um vinil style, muito provavelmente o vinil do filme.
Propagandas virais são geniais. A inovação publicitária me faz ter fé no curso de Publicidade e Propaganda e nos rebentos que sairão de lá.
Agora um dos garotos virou Global (faz o Toma Lá-da-Cá) mas ainda acho ele excelente. Na verdade, ele é o que está em melhor forma do programa - talvez batendo o rei da comédia teatral brasileira na atualidade, Miguel Falabella.
Mas, enfim, acho que esta propaganda mencionada na coluna não surtiu muito efeito. Talvez porque é um projeto incubado e precisa se desenvolver muito no Brasil. E, como o Igor disse, as latinhas causam má impressão. :/
18 | June | 2008 às 18:42
Caramba… faço publicidade e propaganda e tô escrevendo um artigo sobre cinema focado no markenting. E o material que tem sobre o assunto é realmente grande. Por isso minha felicidade de saber desse espaço aqui no blog. A iniciativa da coluna é muito boa!!!
Enfim, sou vidrado em marketing viral e gostei muito desse usado pelo podecrer. Ainda que tenha suas falhas (algumas um tanto óbvias) é muito bom ver um interesse maior na divulgação de filmes por aqui. Parece que aos poucos a industria de cinema brasileira tem começado a se utilizar melhor de táticas de marketing. Um passo importante, sem duvidas.
19 | June | 2008 às 09:27
Parabéns pela coluna, pessoal!
Quanto a ações de marketing, eu lembro de já ter visto aqui no Brasil uma campanha que espalhou rolos de filmes pela areia das praias de Copacabana, Ipanema, eu acho… se eu não, me engano, era do “Meu nome não é Johnny” e os rolos tinham partes do filme. Teve os conteiners do Indiana Jones que eu vi no saguão de vários cinemas 2 meses antes da estréia do filme, mas acho que isso não conta muito.
Talvez o Bruno já tenha pensado nisso, mas vcs poderiam falar em breve de marketing viral na internet. Vide o que a Warner e a 42 Entertainment estão fazendo com Batman - O Cavaleiro das Trevas há mais de um ano. Mobilizando pessoas pelo mundo a buscar coisas, recriar o universo do filme online, tudo isso sem mostrar muito sobre o filme e atingindo o objetivo deles: alcançar mais público. Tem outros filmes que estão tentando algo assim também: Hellboy, O Procurado, Arquivo X…
19 | June | 2008 às 12:29
Bruno + Marketing + Cinema?
tá óóóótemo. \o/
e já tô doida pela próxima coluna.
“obrigado por fumar” é espetácular!
19 | June | 2008 às 14:35
Pô legal, muito legal a idéia de criar um tópico sobre o marketing aplicado ao cinema. Afinal de contas, nunca o marketing foi tão importante como está sendo hoje para o cinema. Vemos que um bom trabalho de marketing consegue elevar o nível de abragência do público, aguçando a curiosidade do público. Hoje em dia um filme que pretende ser um grande sucesso não é nada sem uma boa divulgação. Parábens pela a iniciativa.
19 | June | 2008 às 17:18
Ótima idéia, ótima coluna, um assunto mais que interessante e que ultimante está sendo muito utilizado pelos grandes filmes…
Parabéns Bruno Mendonça e parabéns CCR.
19 | June | 2008 às 17:44
Ótima coluna Bruno e parabens pelo espaço.
Sou aluno de marketing e me interesso muito pelo assunto.
Não escutei muito deste filme, mas se eles utilizaram esta forma de publicidade foi muito bem pensado. Afinal, o que eh melhor do que juntar a velha-guarda (como os vinis vendidos e associações com eventos passados) com a nova (internet, videologs, orkuts). Bem pensado, pena que não deu certo.
Muitos filmes e empresas tem poderosas ferramentas de marketing, alguns somente pelo nome da empresa (Disney e Pixar são grandes exemplos) outros porquê realmente utilizam um sistema de marketing interessante. Este tipos de filmes, não estou conseguindo lembrar de um exemplo agora =/, são conhecidos normalmente pelos seus cartazes diferenciados, onde demonstram algo a mais do que o filme. Os teasers, trailers, não somente te passam cenas dos filmes e sim ideias. Normalmente é aquele filme que você para de respirar quando vai descobrir o final.
No mais, ótima coluna. Como Jurandir disse, leitura SAGRADA toda quarta! Parabens.
20 | June | 2008 às 13:22
Mais uma Seção no CCR que adorei saber que vai ser semanal.
Nunca prestei atenção no jogo de marketing dos filmes que já foram lançados.
Mas, saber que o jogo já existiu e ainda existe é muito interessante. Esse jogo de marketing só dá mais vontade de ver o filme sim.
E aqu ino blog vou poder acompanhar o que já foi feito.
Boa sorte aí, Bruno.
Não esquece de dar uns toques sobre os filmes que ainda serão lançados. Onde podemos buscar as informações e tal. Sei que as notícias no CCR já são de grande ajuda. Mas, sempre foge alguma coisa.
Valeu, então…
Abraços
22 | June | 2008 às 20:20
Criatividade é a palavra chave para tudo que se faz, quando eu falo tudo é tudo mesmo.
Na tv, no rádio, no jornal e em todos os outros meios de comunicações a propaganda é a alma do negócio. E por que então no cinema seria diferente?
Não é, no cinema tanto quanto em outros meios de comunicação a propaganda é boa parte do negócio. Imagine se um filme de super-heroi teria a mesma bilheteria, se não fosse divulgado, é óbvio que não.
E usar a criatividade é necessário para que cada vez mais atinja um maior publico.
1 | July | 2008 às 17:14
Ótima essa ídeia da nova seção, marketing no cinema é um tema muio interessante, parabéns pela coluna Bruno, começarei a acompanha-la.