Infelizmente, Charlie Kauffman não faz parte dos meus conhecidos. Imagina estar por perto quando este teve um insight assim: “Que tal filmar um sobre um casal que após brigarem, decidem por vez apagar suas memórias relacionadas?”. Eu não estive com Charlie quando ele teve essa idéia miraculosa (sim, acho “Brilho Eterno…” um milagre!), mas posso dizer que sinto esse cara aí como um companheiro, quando o assunto é cinema-expectador. Explico: Charlie deve gostar de David Cronenberg. Ou se não gosta, assistiu. Tem um Q dos filmes de Cronenberg nos filmes roteirizados por Kauffman, que é na verdade o que me faz acreditar que é um filme, antes de uma só-surrealidade. Explico: vi os filmes de Cronenberg quando criança. Então por mais bizarros que eles fossem, eu sabia, era cinema. Era ficção(?).
Os filmes escritos por Kauffman são bizarros, isso é fato. São estranhos, incomuns, diferente de tudo, igual, ao mesmo tempo, a tudo. Explico: igual são os assuntos, frente a subliminaridades, que nas entrelinhas dos discursos ordinários, seus personagens, até-então, prosam. Agora, Charlie decidiu por ele mesmo filmar. Chega de interpretações, quero eu (ele) dirigir meu (seu) automóvel de design abstrato.
SYNECDOCHE, NEW YORK tem como história um dramaturgo interpretado por Philip Seymour Hoffman, que é deixado pela esposa (Catherine Keener) determinada a levar sua carreira artística a Berlim, e nisso leva sua (deles) filha junto. No teatro onde Hoffman trabalha a bilheteira (Samantha Morton) por ele é apaixonada. Ela mora em um prédio onde tem constantes incêndios. Hoffman vai ao médico e descobre que seus órgãos estão entrando em estado de falência. No meio disso, o dramaturgo ganha “a bolsa dos gênios” de uma Fundação e parte para construir um ambicioso projeto de teatro, onde cada ator irá ser ele ou ela (a bilheteira) mesmos, enquanto acompanhamos os envelhecimentos e decadências físicas e artísticas de todos os envolvidos.
Bizarro? Surreal? Simplesmente estranho(?). Nada tem de simples os roteiros de Kauffman, e agora então, guiando suas próprias palavras, será mais-ou-menos entendido? E precisa? Cinema é uma experiência de vida. Bem melhor: uma experiência viva. “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”, “Adaptação”, “Quero ser John Malcovich”, “Natureza Quase Humana” e “Confissões de uma Mente Perigosa”. Esqueci algum? Charlie Kauffman não é gênio, é um ser comum, que pensa. Racional, ele é analítico, fora do normal. Sem padrão, ele consegue penetrar no mesmo. Penetrou em Hollywood, tanto, que agora realiza seu filme, assinado embaixo por ele mesmo. Um homem simples, com dizeres miraculosos. Nós escutamos? Enxergamos? Pouco importa? Ao que parece Charlie sim, importa-se com isso. Se não ele parava de falar sobre coisas como sétimo andar e meio de um edifício, empresa que apaga memória seletiva, ou sobre um homem que acompanha a falência de seus órgãos, enquanto tem a oportunidade de realizar seus sonhos. Eu enxergo Charlie, e ele gosta disso. Eu sinto.
AVALIAÇÃO DO TRAILER: 10/10
ESTRÉIA NOS EUA: 24 de Outubro de 2008


24 | setembro | 2008 às 23:50
Concerteza depois de assiti esse filme , eu vosai deprimido da sala de cinema, igual aconteceu nos outros filmes ai citados, deprimido eu digo no sentido de “pensar na vida”.
muito bom texto Mauricio.
25 | setembro | 2008 às 00:32
mau, que fase é essa cara? ehuhuaehuaeh
so texto foda…
mando bem demais de novo!
em sequencia!
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como o Philip Seymour Hoffman trabalha, não?
sempre fazendo filmes!
e escolhendo bem tbm!
muito legal o trailer, mas espero q as muitas cenas boas desse teaser não sejam as únicas do filme!
gostei do take dos dois saindo do banheiro, singelo!
25 | setembro | 2008 às 02:05
UAAAAUU!! Que trailer! A cena da tatuagem descascando eu voltei cinco vezes. “Quando vamos ter platéia? Já se passaram dezessete anos”. Que cena, cara, o que foi aquilo?! E o elenco, então? Sem comentários! Clássico instantâneo!!
Mau, você podia legendar o trailer pra todo mundo entender os diálogos fantásticos, vamos aumentar o público pra esse filme, que ele merece!
E que bom que o Kaufman fez como o Arriaga, (roteirista dos geniais Amores Brutos e Três Enterros, entre outros) e começou a dirigir além de escrever. Quem dera eles fossem como o Woody Allen, fazendo um filme por ano…
Só tenho medo do título que esse filme vai receber no Brasil. Espero que não resolvam ser “criativos” e sim, que mantenham o original.
25 | setembro | 2008 às 02:52
Pôster do filme:
25 | setembro | 2008 às 09:01
To vendo que o ano que vem promete ser bem agradável em matéria de cinema, esse ano está sendo.
Eu realmente fiquei impressionado com o elenco de atrizes nesse filme atuando ao lado de Seymour- Hoffman.
.. e Charlie Kaufman…não é preciso dizer nada né?.
25 | setembro | 2008 às 09:14
Mais um texto para o qual bato palmas!
Mais um filme que verei no cine na estréia!
Continue assim, Mau.
Bjks!
25 | setembro | 2008 às 13:19
Isso Mau…
Um triller desses por dia é o suficiente pra mim…
Obrigado…
25 | setembro | 2008 às 23:06
To louco pra ver esse filme… sou louco por Kauffman!!!
25 | setembro | 2008 às 23:15
Gustavo,
esse filme será exibido no Festival do Rio e aparece com o nome ‘Sinédoque, Nova Iorque’. Parece que nossas preces foram atendidas…
26 | setembro | 2008 às 00:47
Depois de Brilho Eterno eu (como qualquer outro cidadão normal) fiquei tentado a conhecer mais sobre o trabalho do Charlie Kauffman. E sendo esse o primeiro filme que ele dirige fica a expectativa do que virá a seguir.
Para um bom filme ou para um mau filme (não importa), crio a expectativa de presenciar um grande experiência cinematográfica.
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Já tem data de estréia no Brasil?
26 | setembro | 2008 às 08:52
Como eu disse acima, passará no festival do Rio. Pra quem é daqui e está a fim…
As datas são:
27/9, 21h30: Palácio 1
29/9, 16h15: Estação Barra Point -> É nesse que eu vou! =D
3/10, 15h15 e 19h45: Estação Ipanema 2
8/10, 13h30 e 18h10: Estação Vivo Gávea 2
Tb serão exibidos Be Kind, Rewind, Vicly Cristina Barcelona, Queime Depois de Ler, Velha Juventude…….
26 | setembro | 2008 às 09:21
Eu também curo muito o trabalho de Charlie Kaufman. Atá aquele Natureza Quase Humana que é bizaaaaro !
Já gosto desse filme mesmo sem ter visto
26 | setembro | 2008 às 09:21
Eu tbm curto…
26 | setembro | 2008 às 16:53
‘Sinédoque, Nova Iorque’. Gostei, Alline, acho que assim facilita pra mais pessoas assisti-lo. Menos gente vai engasgar com o título.
E que inveja de quem mora no Rio!
(Pelo menos durante o Festival…)
26 | setembro | 2008 às 16:54
Ou “assistirem-no”, sei lá.
26 | setembro | 2008 às 17:50
Eu acho que concordo… Mas não tenho certeza =D. Eu (que, modéstia a parte, tenho um vocabulário beeem extenso) não sabia o que era ‘Sinédoque’. Será que o povão sabe?
Inveja só durante o Festival? Fala assim do Rio, não!rs
27 | setembro | 2008 às 10:47
Infelizmente não estará passando num horário adequado pra mim, no Festival do Rio… e queria ver.
Ah, sobre o comentário da Alline, “Be Kind, Rewind” é um filme q tbquero ver, mas ainda não estava liberado.. vou lá hj ver se liberaram.
vou ver se consigo comprar no dia na bilheteria, quem sabe. 
“Vicky Cristina Barcelona” e ia comprar, mas na sessão escolhida já estava esgotada, apesar de não constar lá na papeladas que ficam na parede..
“Queime antes de Ler” tb não passa em um horário e cinema adequados pra mim…
Mas hj vou ver “RocknRolla”, do Guy Ritchie, deve ser mais do mesmo, mas se for, será bom… hehehe
Ah, e voltando ao post, Brilho Eterno é um dos melhores filmes de sempre. Sou fã.
3 | outubro | 2008 às 09:19
Ótimo trailer, ótimo texto.
Mais um filme para a lista dos imperdíveis.
Nota: 10
Ps.: Também não sabia o que era Sinédoque e fui procurar na net.
Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa.
- o todo pela parte e vice-versa:
” ‘A cidade inteira’ viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos ‘cascos’ de seu cavalo.”
(J. Cândido de Carvalho)
‘A cidade inteira’ = O povo.
‘cascos’ = Parte das patas.
- o singular pelo plural e vice-versa:
O ‘paulista’ é tímido; o ‘carioca’, atrevido.
‘paulista’ = Todos os paulistas.
‘carioca’ = Todos os cariocas.
- o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum):
Para os artistas ele foi um ‘mecenas’.
‘mecenas’ = Protetor.
Modernamente, a metonímia engloba a sinédoque.
Fonte: http://www.coladaweb.com/porgramatica/figuras_de_linguagem.htm