
Tenho um costume de sempre revisitar clássicos, principalmente trilogias. Sou do tipo que não gosto muito de filmes antigos. O sentido da palavra clássicos, para este rapadura que vos escreve, são filmes que marcaram para mim e não para os outros. Pouco me importa se “Tempos Modernos” ou “Ben-Hur” são tidos como clássicos do cinema mundial. Não me sinto mais burro por não gostar desses filmes, até porque, não sou obrigado a gostar.
De 1970 para cá é minha praia. Então não venham me dizer que eu não gosto de cinema. Eu posso até assistir e gostar de filmes mais antigos, mas reassistir? Raramente faço isso. Existem duas trilogias que ritualmente eu reassisto a cada um ou dois anos: “O Senhor dos Anéis” e “Matrix”. Vão me chamar de Pop e Teen. Não quero aqui dar uma de Oráculo, mas dá para perceber que tem gente metida a revolucionária que odeia todos os blockbusters. É impressionante como essas duas trilogias que citei não envelhecem. “O Senhor dos Anéis” eu comento em outra hora, ou melhor, no ano que vem, quando eu reassistir. Desta vez, fico apenas com a trilogia “Matrix”, que revi esses dias.
Passou flash quando começou o filme. Parecia eu, sentado numa poltrona no meio do cinema, na sexta-feira de estréia, depois de ter lido muita coisa boa sobre ele em 1999, época na qual o filme foi lançado nos EUA. Sem pretensão, fui assistir. Acabei saindo da sala de cinema sem entender píula nenhuma. Algumas idéias vagavam. Pegávamos pouca coisa no ar. O filme tem um contexto muito sensacional. É impressionante isso. É tanto que, hoje, depois de já ter assistido umas quatro ou cinco vezes toda a trilogia, tem coisa que ainda não consigo pegar. É o exemplo de “V de Vingança”, no qual existe um conteúdo bastante complexo e cada diálogo é uma arte a parte (coincidentemente, têm roteiro e produção dos irmãos Wachowski, os diretores/roteiristas/criadores de Matrix). O importante é ver como a cada vez que assistimos, entendemos algo diferente. Talvez por nossas experiências de vida irem mudando com o decorrer dos anos, o nosso poder de percepção acaba mudando também.
E as lutas? E os efeitos? O primeiro filme continua atual. Mesmo quase oito anos depois, onde a computação gráfica só evolui a cada dia, “Matrix” não fica atrás. Aquela cena do desvio das balas ainda impressiona. E ainda fico empolgado quando Morpheus diz, após presenciar tal ato, que Neo é “O Escolhido”. Ele é um pipocão de marca maior, pois além de ter seus atrativos visuais, tem muito conteúdo. Muito mesmo.
Fica a dica para quem viu há muito tempo a trilogia. Veja de novo. Tenho certeza absoluta que quem gostou, vai sentir a mesma coisa que sentiu quando assistiu no cinema. Daqui a pouco você vai voltar a falar “déj vu” nas pequenas repetições da vida. Pode ficar tranqüilo, que isso não é um erro da Matrix. Ou é? O_o
Para saber tudo os filmes, clique nos links abaixo:
- Matrix (The Matrix, 1999)
- Matrix Reloaded (Matrix Reloaded, 2003)
- Matrix Revolutions (Matrix Revolutions, 2003)

Quem não tem um amigo(a) metido(a) a super dotado culturalmente ou que acha todos os blockbusters uma porcaria por que só assiste a filmes de arte? Geralmente eles são ou foram estudantes de universidades federais/estaduais e usam roupas vermelhas com imagens de revolucionários, ou são defensores ardorosos do cinema nacional. Nada contra os gostos de cada um, mas acho que tem limite para tudo. Eu respeito a opinião, agora aceitar são outros quinhentos. E quando isso acaba interferindo em algo, eu fico com muita raiva. Vou dar um exemplo, que pode até parecer anti-ético, mas como não vou citar nomes, não tem problema. Geralmente recebemos muitos e-mails todos santo dia de pessoas de todo o país (e até fora dele, já que temos muitos acessos nos EUA e adjacências) que querem ser os novos Rapaduras, que querem fazer parte da nossa famosa, premiada e sensacional equipe. Então, uma dessas pessoas chamou a atenção. Mandou um e-mail bacana, dizendo que queria falar dos filmes de arte para popularizar um pouco mais o mercado e etc. Aceitamos na boa e fomos conversar com essa pessoa eletronicamente. Entre uma conversa e outra, perguntamos se ela teria disponibilidade para produzir sobre o mercado comercial, cerca de 96,99999% do mercado que atingimos. Mercado comercial, no caso, filmes comerciais. Blockbusters e coisas do gênero. Sabe qual foi a resposta: “Eu posso até produzir, mas isso vai contra os meus princípios”.
Ano passado aconteceu uma coisa bastante curiosa nos e-mails do portal Cinema com Rapadura. Recebemos uma chuva de mensagens de leitores querendo ver certos filmes, mas eles acabaram não chegando em suas respectivas cidades. Dois exemplos foram “Terror em Silent Hill” e “A Casa do Lago“. Por sinal, dois ótimos filmes. No caso de “Silent Hill“, segundo a própria distribuidora, a Columbia Pictures, ele foi lançado em todas as cidades. Por que o povo reclamou tanto que o filme não chegou em suas respectivas cidades? Se for para fazer um lançamento restrito, que avisasse, pelo menos. Pior foi criar expectativa e o cinéfilo sem saber o que fazer. No caso de “A Casa do Lago“, da Warner, foi algo mais justificável, afinal, só chegaram 60 cópias para todo o país. É tanto que depois que chegou a outras cidades, ele não deixou mais o TOP10 dos mais assistidos. Ambos já estão disponíveis em DVD. Este ano, cancelaram as estréias nos cinemas de “O Albergue 2” (Columbia) e “Viagem Maldita 2” (Fox), dois filmes que possuem público.
Na matéria anterior, comentei um caso de quase sexo dentro da sala de cinema. Quem não conferiu, pode dar uma olhada 

Estava eu, num domingo à tarde, indo para o cinema relaxar (isso há uns meses atrás). Assistir a um filme básico por puro entretenimento. O escolhido foi “O Matador”, novo filme de Pierce Brosnan. Estava muito bem acompanhado, por sinal, com a Sra. Jurandir Filho. Sentamos na última fileira do cinema, como de costume, para evitar barulhos que acontecem na sala e chegam por todos os lados. Normalmente num domingo as salas estão cheias e nesta não era diferente. Apesar de não estar lotada, era um pouco difícil ver cadeiras vagas. Algumas cadeiras da nossa fileira estavam vagas, até que, entram dois casais e sentam ao nosso lado. Até ai tudo bem, afinal, é um direito deles sentarem onde quiserem. Percebi que eles conversavam muito alto e faziam brincadeiras, neste instante, comecei a me incomodar. E olha que nem tinha começado o filme ainda, talvez já prevendo o que seria aquela exibição. Eu no alto de minha inocência, pensei: “Acho que quando começar o filme eles vão ficar calados”. Ilusão. Começou o filme, e o barulho continuou. Olhei para os cristãos, que deveriam ter entre 15 a 17 anos, e vi uma imagem um tanto quanto constrangedora: um dos casais estava praticamente fazendo sexo. E senti a aura sexual encostar no meu corpo. Eu não tenho nada contra o sexo. É até uma fantasia fazer no cinema, mas presenciar aquilo, ao meu lado, numa sala cheia de gente com o único interesse de assistir ao filme, foi muito estranho. Principalmente porque eles estavam do meu lado e eu vi a mão o garoto passando pelo corpo da menina. Beijos barulhentos, e uns gemidos por falta de ar era o de menos. Até que eles param de fazer aquele ato de quase acasalamento, e começaram a conversar em tom alto com o outro casal como se não estivessem numa sala de cinema. Os costumeiros pedidos de silêncio aconteceram aos montes. Até que chega a hora de uma maldita pipoca. Fora aquele barulho irritante do saco, eles ainda brigavam para pegar um pouco de pipoca.
Finalmente tive a sorte de assistir “As Bicicletas de Belleville” (2003), uma animação francesa fantástica do diretor Sylvain Chomet. Mas não vou falar aqui da história. Quem tiver a oportunidade, confira. Quero falar mesmo é da magia do desenho.
