Rapadura Blog - O Blog do Portal Cinema com Rapadura

A Colher Não Existe

Publicado em: 27-08-2007 @ 9:18 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

Matrix

Tenho um costume de sempre revisitar clássicos, principalmente trilogias. Sou do tipo que não gosto muito de filmes antigos. O sentido da palavra clássicos, para este rapadura que vos escreve, são filmes que marcaram para mim e não para os outros. Pouco me importa se “Tempos Modernos” ou “Ben-Hur” são tidos como clássicos do cinema mundial. Não me sinto mais burro por não gostar desses filmes, até porque, não sou obrigado a gostar.

De 1970 para cá é minha praia. Então não venham me dizer que eu não gosto de cinema. Eu posso até assistir e gostar de filmes mais antigos, mas reassistir? Raramente faço isso. Existem duas trilogias que ritualmente eu reassisto a cada um ou dois anos: “O Senhor dos Anéis” e “Matrix”. Vão me chamar de Pop e Teen. Não quero aqui dar uma de Oráculo, mas dá para perceber que tem gente metida a revolucionária que odeia todos os blockbusters. É impressionante como essas duas trilogias que citei não envelhecem. “O Senhor dos Anéis” eu comento em outra hora, ou melhor, no ano que vem, quando eu reassistir. Desta vez, fico apenas com a trilogia “Matrix”, que revi esses dias.

Passou flash quando começou o filme. Parecia eu, sentado numa poltrona no meio do cinema, na sexta-feira de estréia, depois de ter lido muita coisa boa sobre ele em 1999, época na qual o filme foi lançado nos EUA. Sem pretensão, fui assistir. Acabei saindo da sala de cinema sem entender píula nenhuma. Algumas idéias vagavam. Pegávamos pouca coisa no ar. O filme tem um contexto muito sensacional. É impressionante isso. É tanto que, hoje, depois de já ter assistido umas quatro ou cinco vezes toda a trilogia, tem coisa que ainda não consigo pegar. É o exemplo de “V de Vingança”, no qual existe um conteúdo bastante complexo e cada diálogo é uma arte a parte (coincidentemente, têm roteiro e produção dos irmãos Wachowski, os diretores/roteiristas/criadores de Matrix). O importante é ver como a cada vez que assistimos, entendemos algo diferente. Talvez por nossas experiências de vida irem mudando com o decorrer dos anos, o nosso poder de percepção acaba mudando também.

E as lutas? E os efeitos? O primeiro filme continua atual. Mesmo quase oito anos depois, onde a computação gráfica só evolui a cada dia, “Matrix” não fica atrás. Aquela cena do desvio das balas ainda impressiona. E ainda fico empolgado quando Morpheus diz, após presenciar tal ato, que Neo é “O Escolhido”. Ele é um pipocão de marca maior, pois além de ter seus atrativos visuais, tem muito conteúdo. Muito mesmo.

Fica a dica para quem viu há muito tempo a trilogia. Veja de novo. Tenho certeza absoluta que quem gostou, vai sentir a mesma coisa que sentiu quando assistiu no cinema. Daqui a pouco você vai voltar a falar “déj vu” nas pequenas repetições da vida. Pode ficar tranqüilo, que isso não é um erro da Matrix. Ou é? O_o

Para saber tudo os filmes, clique nos links abaixo:

- Matrix (The Matrix, 1999)
- Matrix Reloaded (Matrix Reloaded, 2003)
- Matrix Revolutions (Matrix Revolutions, 2003)

Que é isso Che?

Publicado em: 15-08-2007 @ 8:47 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

Quem não tem um amigo(a) metido(a) a super dotado culturalmente ou que acha todos os blockbusters uma porcaria por que só assiste a filmes de arte? Geralmente eles são ou foram estudantes de universidades federais/estaduais e usam roupas vermelhas com imagens de revolucionários, ou são defensores ardorosos do cinema nacional. Nada contra os gostos de cada um, mas acho que tem limite para tudo. Eu respeito a opinião, agora aceitar são outros quinhentos. E quando isso acaba interferindo em algo, eu fico com muita raiva. Vou dar um exemplo, que pode até parecer anti-ético, mas como não vou citar nomes, não tem problema. Geralmente recebemos muitos e-mails todos santo dia de pessoas de todo o país (e até fora dele, já que temos muitos acessos nos EUA e adjacências) que querem ser os novos Rapaduras, que querem fazer parte da nossa famosa, premiada e sensacional equipe. Então, uma dessas pessoas chamou a atenção. Mandou um e-mail bacana, dizendo que queria falar dos filmes de arte para popularizar um pouco mais o mercado e etc. Aceitamos na boa e fomos conversar com essa pessoa eletronicamente. Entre uma conversa e outra, perguntamos se ela teria disponibilidade para produzir sobre o mercado comercial, cerca de 96,99999% do mercado que atingimos. Mercado comercial, no caso, filmes comerciais. Blockbusters e coisas do gênero. Sabe qual foi a resposta: “Eu posso até produzir, mas isso vai contra os meus princípios”.

Essa frase foi tão forte que preferi até pular do parágrafo. Escrever sobre blockbusters é contra os princípios? O que isso tem a ver? Só porque você é contra o PT que não pode escrever sobre ele? Só porque você torce pelo Vasco que não pode escrever sobre o Flamengo? Cadê a imparcialidade? Cadê o profissionalismo? Vamos sair dessa parte e ir para algo mais abrangente. Você tem um grupo de amigos e todos combinam de ver “Transformers” no fim de semana. Todos concordam, menos um, aqueles neandertal que é metido a Che Guevara que diz que tudo isso é culpa do sistema. Este também prefere não ver TV porque é controlada pela mídia, não escuta rádio porque a música cantada nelas geralmente são norte-americanas e outras frescuras do tipo.

Qual o problema em ver um blockbuster? Questão de gosto não se discute, mas deixar de ver por que não quer contribuir para algo ilusório que eles defendem é foda. Tem gente que deixa de tomar coca-cola por causa do capitalismo e não por causa do mal que ela faz. Entendem o que quero dizer? Cada um pensa da forma que quer, mas eu fico muito fulo quando vejo esse tipo de gente fazendo esse tipo de coisa. Se não já bastasse ter que aceitar políticos corruptos, agora temos que aturar uma epidemia de mentes fechadas.

Agora dizer que tudo é culpa do “sistema” para os problemas do mundo não resolve nada. Se quiser defender algo, faça com convicção. Não use telefone celular, não veja TV, não use computador, não coma McDonalds, não tome coca-cola, não escute músicas no rádio, não use câmeras fotográficas, não faça nada. Assim irei respeitar sua decisão. No mais, deixe de frescura, você não sabe o que está perdendo deixando de assistir a vários filmes bons por causa de besteira. Abra a cabeça e tome uma Brahma. E pare de dizer que a culpa é do sistema, porque todo programador fica fulo com isso. ;)

Contra a Pirataria?

Publicado em: 06-08-2007 @ 5:18 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

Ano passado aconteceu uma coisa bastante curiosa nos e-mails do portal Cinema com Rapadura. Recebemos uma chuva de mensagens de leitores querendo ver certos filmes, mas eles acabaram não chegando em suas respectivas cidades. Dois exemplos foram “Terror em Silent Hill” e “A Casa do Lago“. Por sinal, dois ótimos filmes. No caso de “Silent Hill“, segundo a própria distribuidora, a Columbia Pictures, ele foi lançado em todas as cidades. Por que o povo reclamou tanto que o filme não chegou em suas respectivas cidades? Se for para fazer um lançamento restrito, que avisasse, pelo menos. Pior foi criar expectativa e o cinéfilo sem saber o que fazer. No caso de “A Casa do Lago“, da Warner, foi algo mais justificável, afinal, só chegaram 60 cópias para todo o país. É tanto que depois que chegou a outras cidades, ele não deixou mais o TOP10 dos mais assistidos. Ambos já estão disponíveis em DVD. Este ano, cancelaram as estréias nos cinemas de “O Albergue 2” (Columbia) e “Viagem Maldita 2” (Fox), dois filmes que possuem público.

O título desta coluna remete justamente a esse tipo de situação que acontece, mais particularmente, aqui no Brasil. Várias cidades ficam a ver navios em algumas estréias, mas a expectativa que o CCR, por exemplo, cria nos leitores em relação a certas produções acabam sendo frustradas por eles não terem como ver aos filmes, já que não chegaram em suas cidades. Afinal, só tem público em RJ e SP? Será que nas outras cidades não possuem pessoas que querem assistir aos filmes? As vezes penso que algumas distribuidoras brincam de lançar longas. Colocam produções para serem exibidas nos seus quintais e depois tiram, enquanto muita gente quer ver os filmes e não tem como. A solução é ter que esperar sair em DVD? Para muitos, com certeza. Para alguns, a solução acaba sendo algo ilegal, a pirataria. Vale ressaltar que o CCR é totalmente contra esse tipo de prática, porém esse é um caso que realmente ACONTECE.

Como combater a pirataria se o filme não chega aos cinemas e os preços dos cinemas são tão elevados? É, isso conta também. Pagar 16 reais em um cinema não é para qualquer pessoa. Principalmente quando você adora filmes e sempre vai aos cinemas nas estréias. As promoções deveriam ser mais freqüentes, para assim motivar os cinéfilos a irem mais aos cinemas. Fazer parcerias com o CCR e outros sites para acontecerem exibições especiais com leitores. Dificilmente você encontra uma pessoa que não goste de ir ao cinema. Nem que seja para se agarrar com alguém ou só para fazer bagunça com amigos.

Como motivar uma pessoa a NÃO fazer o download de um filme e a não assistir no conforto da sua casa? Precisa ser algo que valha a pena. E quando esses lançamentos não ocorrem em outras cidades, acaba sendo o último recurso. Uma prática mais inteligente seria essa: se o filme não tem muitas cópias ou se o lançamento realmente for limitado, vai tirando as cópias das cidades após uma ou duas semanas e vai lançando em outras cidades. Não custa nada e pelo menos a distribuidora mostra compromisso com o cinéfilo. O negócio aqui não é só ganhar dinheiro, mas sim ter o compromisso com o lançamento dos filmes em todas as capitais. Isso acontecendo, já seria uma grande ajuda. O bacana seria o pessoal do interior também tendo oportunidade de ver aos lançamentos e não tendo que esperar passar na Globo ou SBT após 5 anos.

Velhice ou Falta de Educação?

Publicado em: 30-04-2007 @ 12:21 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

VelhoNa matéria anterior, comentei um caso de quase sexo dentro da sala de cinema. Quem não conferiu, pode dar uma olhada clicando aqui. Desta vez, partirei de um ponto semelhante, mas que continua me incomodando: a falta de educação no cinema. Semana passada fui conferir uma das estréias da semana, numa sexta-feira bem tranqüila. Até que, pra variar, entrou um grupo de desordeiros. Barulhos, gritos e etc. Prevendo o que seria aquela sessão, acabei ficando emburrado logo de início. Para piorar, eles sentaram na fileira atrás da minha. Só posso ter jogado pedra na cruz. E olha que o filme nem ajudava muito, já que “Minha Mãe Quer Que Eu Case” é uma verdadeira porcaria.

O que dava para perceber escutando as conversas desses “delinqüentes” era que todos eram universitários. Alguns calouros. Percebi isso pelas conversas, que um deles disse a outro, sobre uma apresentação de trabalho na faculdade. Enfim, isso não quer dizer nada, mas partindo desse principio, imaginava que eles seriam no mínimo educados, afinal, conseguiram chegar faculdade. Estava enganado. Antes mesmo de começar o filme, já deu para perceber o que estava por vir. E para piorar, alguns deles estavam alcoolizados (e olha que eram apenas 16hrs de uma sexta-feira). Estou dizendo alcoolizado, pra ser gentil, já que os olhos vermelhos eram de outras substâncias. Até que, após o início do filme, um deles diz: “To afim de fumar uma pedra”. Para quem entende, sabe da gravidade do negócio.

O que podemos deduzir? Garotos sem inteligência alguma querendo se mostrar para os amigos e para quem estava presente ao cinema? Falta de apoio dos pais? Trauma de infância? Juventude perdida? Querendo ser incluso socialmente por meio das drogas? Burrice? É uma mescla disso tudo. Depois disso irão dizer: “Jurandir tu é muito careta”. Careta? Ficar com raiva de algumas “pessoas” (animais) que vão para um lugar público e ficam literalmente botando boneco e incomodando os demais presentes é ser careta? Repito: ficar com raiva disso é ser careta? Se careta for sinônimo de querer ser respeitado, eu sou então. E olha que não sou santo, tenho minhas manias e fraquezas como todos os outros, e adoro uma Brahma gelada, mas nem por isso saio na rua falando alto e dizendo que quero fumar algo.

Ainda bem que o filme era ruim, porque não deu nem vontade de reclamar. Mas daí eu fiquei pensando: Será que eu estou muito velho ou o a juventude está perdida? Em pensar que eles eram o futuro do Brasil há alguns anos atrás. Eu já tenho medo da política atual, imagina daqui uns anos, onde seremos comandados por esse “futuro do Brasil”.

Eu não acho que seja velhice. Muito provável que seja raiva de falta de educação. Já vi crianças com 7 anos serem mais comportadas no cinema do que esses cavalos paraguaios. Educação não tem idade. A falta de educação também não tem. Agora ser mal educado é mais fácil do que ser educado. Talvez por isso, os mais estúpidos prefiram serem mal educados. Conheço muita gente sem instrução alguma que dá um banho de educação e respeito em lugares públicos, diferentemente dessa raça de universitários que deveriam ter vergonha de usar esse nome.

Traduções Escabrosas

Publicado em: 12-04-2007 @ 1:42 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

traduzir.jpg

Uma dúvida paira no ar: os responsáveis pelas traduções de títulos e personagens de filmes são malucos? Drogados? Usam algum tipo de alucinógeno durante o processo de tradução? Se não, porque vemos traduções tão escabrosas? Marketing? Burrice?

Outro dia, assistindo ao mediano “As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Maria, O João e etc”, comecei a reparar na mania estúpida de algumas distribuidoras ao traduzir títulos e/ou nomes de personagens. Neste filme citado, Nárnia, não critico nem a tradução do título, já que foi fiel ao original, mas sim a tradução dos nomes das crianças. Peter virou Pedro, Lucy virou Lúcia, Susan virou Susana e Edmund virou Edmundo (o_O). A desculpa que eles deram foi para deixar o filme e personagens mais fáceis de serem pronunciados. As vezes acho que eles pensam que somos todos estúpidos.

Façamos um jogo rápido: Qual o seu nome? Tom Cruise? De acordo com minha capacidade elevada de tradução (nível distribuidora), vou traduzir esse nome para Antônio da Cruz. Ahh, seu nome é Peter Jackson? Agora ele é Pedro Jeckison. Quem gostaria de ter seu nome traduzido? Creio que ninguém, afinal, originalidade é algo que prezamos, pelo menos no nome. Quem me chamar de Jurandir Son, vai no mínimo, ser xingado. Você ainda não entendeu que isso é grave, dona Maria José? Seu nome agora é Mary Jack. Ok? Estamos falando de fidelidade. Não é a questão de nomes bonitos ou feios, e sim de fidelidade. Chamaram o Aragorn de “O Senhor dos Anéis” (anteriormente conhecido como Strider) de Passo Largo. Pelo menos não foi Aragão.

Eu não sou contra as traduções. Longe disso. O questionamento aqui é em relação aos títulos monstruosos ou de mal gosto. Se é para traduzir dessa forma, melhor deixar como ele é originalmente, não é verdade? Algumas traduções até são bacanas. “O Silêncio dos Inocentes” ficou bacana. Tem aqueles que mantiveram os nomes originais e ficou ótimo. Exemplo: “Minority Report” (apesar de ter ganho o subtítulo “A Nova Lei”), “Independence Day”, “Batman Begins” e etc. Mas ter que agüentar “Hurricane – O Furacão” para “Hurricane” (ué, furacão já não é Hurricane?) é dose.

3 exemplos

Podemos resumir tudo isso em mania de querer abrasileirar tudo que não foi criado aqui. Para você ter idéia de como os títulos dos filmes são os mais prejudicados com esse tipo de “tradução”, vou citar alguns exemplos. Cuidado para não cair da cadeira. Vale dizer, antes de tudo, que quando o título não é traduzido, para não perder a oportunidade, eles colocam subtítulos. Por exemplo, “Aeon Flux”, que não recebeu tradução, mas um subtítulo: “Operação Terminus” (?). Ou “Closer”, que para não ser traduzido, levou um subtítulo “Perto Demais”. “Nanny Mcphee” levou “A Babá Encantada”. É aquele velho ditado: “Antes só, do que mal acompanhado“. Mais exemplos: “Forrest Gump - O Contador de Histórias“, “Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento”, “Pulp Fiction - Tempo de Violência“, “Moulin Rouge - Amor Em Vermelho” e “Taxi Driver - Motorista de Táxi” (Valha-me Deus!!!). Algumas traduções medonhas: “Annie Hall” aqui virou “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”; “The Tuxedo” virou “O Terno de 2 Bilhões de Dólares”; “Jurassic Park” virou “Jurassic Park Parque dos Dinossauros” (lol).

E para não deixar de comentar, os portugueses são um dos que mais fazem traduções horríveis. Tudo bem que pra eles certas palavras tem sentido, mas para nós, é no mínimo engraçado. Vamos aos exemplos:

No Brasil: Arquivo X
Em Portugal: Ficheiros Secretos

No Brasil: O Ratinho Encrenqueiro
Em Portugal: Não Acordem o Ratinho Adormecido

No Brasil: O Gordo e o Magro
Em Portugal: Bucha e Estica

No Brasil: Planeta dos Macacos
Em Portugal: O Homem que Veio do Futuro

No Brasil: Um Tira da Pesada
Em Portugal: O Caça-Polícias

No Brasil: E o Vento Levou
Em Portugal: E Tudo o Vento Levou

Sexo no Cinema

Publicado em: 06-04-2007 @ 2:14 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

fantasy354.jpgEstava eu, num domingo à tarde, indo para o cinema relaxar (isso há uns meses atrás). Assistir a um filme básico por puro entretenimento. O escolhido foi “O Matador”, novo filme de Pierce Brosnan. Estava muito bem acompanhado, por sinal, com a Sra. Jurandir Filho. Sentamos na última fileira do cinema, como de costume, para evitar barulhos que acontecem na sala e chegam por todos os lados. Normalmente num domingo as salas estão cheias e nesta não era diferente. Apesar de não estar lotada, era um pouco difícil ver cadeiras vagas. Algumas cadeiras da nossa fileira estavam vagas, até que, entram dois casais e sentam ao nosso lado. Até ai tudo bem, afinal, é um direito deles sentarem onde quiserem. Percebi que eles conversavam muito alto e faziam brincadeiras, neste instante, comecei a me incomodar. E olha que nem tinha começado o filme ainda, talvez já prevendo o que seria aquela exibição. Eu no alto de minha inocência, pensei: “Acho que quando começar o filme eles vão ficar calados”. Ilusão. Começou o filme, e o barulho continuou. Olhei para os cristãos, que deveriam ter entre 15 a 17 anos, e vi uma imagem um tanto quanto constrangedora: um dos casais estava praticamente fazendo sexo. E senti a aura sexual encostar no meu corpo. Eu não tenho nada contra o sexo. É até uma fantasia fazer no cinema, mas presenciar aquilo, ao meu lado, numa sala cheia de gente com o único interesse de assistir ao filme, foi muito estranho. Principalmente porque eles estavam do meu lado e eu vi a mão o garoto passando pelo corpo da menina. Beijos barulhentos, e uns gemidos por falta de ar era o de menos. Até que eles param de fazer aquele ato de quase acasalamento, e começaram a conversar em tom alto com o outro casal como se não estivessem numa sala de cinema. Os costumeiros pedidos de silêncio aconteceram aos montes. Até que chega a hora de uma maldita pipoca. Fora aquele barulho irritante do saco, eles ainda brigavam para pegar um pouco de pipoca.

Enquanto isso, o filme acontecia, no seu ritmo (lento demais, por sinal), e sem nenhum atrativo, a não ser Pierce Brosnan, mostrando um personagem fora de forma, e barrigudo. Em pensar que ele já foi James Bond. Até que o casal que quase pratica sexo em cima de mim, num momento que eles tentam prestar atenção no filme, surge um comentário: “Aff, que filme ruim”. LÓGICO QUE É RUIM! Eles mal olharam pra tela durante os primeiros 45 minutos. Até que eles começam a conversar em tom alto (de novo) e um casal que estava mais abaixo toma uma atitude que eu deveria ter feito antes, mas não fiz porque minha raiva já estava no nível de violência física, por isso me controlei: “Vocês não vão calar a boca não?”. Eu escutei um “Glup” de medo (rs²). Silêncio. Fazia tempo que eu não sabia o que era isso. Até que eles voltam a fazer barulho e eu me acostumo e nem ligo mais. Por azar o filme tinha um áudio ruim, porque se fosse um King Kong da vida ou Star Wars, a gente nem escutaria qualquer tipo de conversa paralela, por causa do áudio ensurdecedor.

Até que quando parecia ter acontecido de tudo naquela sessão, entram pela porta dos fundos sete cavalos. Isso mesmo. Adolescentes que são gigantes em tamanho e com cérebro de formiga. Se já não bastasse isso, eles terem feito um ato ilegal, afinal, entraram pela porta dos fundos sorrateiramente, o barulho começou a se prolongar no meio da sala. Barulho aqui, e barulho ali. Tentei me concentrar no filme, só que este não ajudava. E pra variar, os moleques que entraram no meio da sessão saíram 10 minutos antes de acabar. E o casal do meu lado continuava seu ato sexual. Acabou o filme, e olhei para o rosto de casal. Iria dizer algo, mas acho que eles entenderam a minha expressão no olhar.

Cinema de Palavras Mudas

Publicado em: 16-05-2006 @ 11:59 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Jurandir Filho

Mais brilhante do que expressar emoções por palavras é expressar sem elas. O risco de ocorrer má interpretação – ou interpretação alguma – é grande, mas ao mesmo tempo em que se abre a porta para a possibilidade de erro, abre-se a porta para a imaginação de cada um, e isso não tem preço. Filmes que mexem com isso me encantam facilmente, principalmente quando brincam com animação.

Finalmente tive a sorte de assistir “As Bicicletas de Belleville” (2003), uma animação francesa fantástica do diretor Sylvain Chomet. Mas não vou falar aqui da história. Quem tiver a oportunidade, confira. Quero falar mesmo é da magia do desenho.

Os personagens são fantásticos. Pouquíssimas palavras, mas muita exploração sonora. Eles interagem de forma subliminar, muda, mas mesmo assim, intensa. Mesmo mexendo apenas os olhinhos, uma onda de emoção é passada a cada tela. Os vícios de cada personagem nos fazem conhecê-lo além do tempo da história. Os gestos que delineiam traços do caráter. Muita simpatia, muita empatia. Tenho que concordar com uma amiga de infância, “os franceses são fantásticos”.

Mas o que fiquei pensando depois de ver o filme foi: será que todo mundo entendeu? Provavelmente não. Infelizmente, boa parte das pessoas que eu conheço dormiria no meio do filme, acharia sacal. Apenas fofinho, mas sem história alguma. Não por incapacidade intelectual – talvez, mas muito provavelmente por que não somos acostumados a absorver esse tipo de produção.

Somos da era da comunicação. E muitos entendem isso como era do “jorro de informações compulsivas”, quando tudo tem que ser dito, explícita e objetivamente. Walter Benjamim já falava disso, Umberto Eco e Ciro Marcondes também fizeram coro. Cada dia que passa, com o avanço das comunicações, o homem perde a sensibilidade de ser narrador e ouvinte. A atenção se dissipa e não processamos tão bem informações que não nos chegam de forma óbvia.

No cinema americano, sempre temos problemas e tensões. O clímax. Mas todos sabemos que no final tudo vai se resolver. As ansiedades serão aliviadas, os problemas resolvidos, o final esclarecido. No cinema europeu, não há tanto essa preocupação em “saciar” o público, mas sim em questionar e levantar pontos inesperados. É aquele filme que acaba e metade da sala fica: ahn? São dois extremos, talvez, mas podemos encontrar filmes que intermediam essa linha.

“Encontros e Desencontros” e “Moça do Brinco de Pérola”. Dois filmes pelos quais sou apaixonada, por todos os motivos possíveis, pessoais e técnicos. Muito provavelmente, “Encontros e Desencontros” me ganhou de cara pela situação na qual eu assisti ao filme. Eu estava quase a própria personagem da Scarlett Johanson, a Charlotte. Mas vendo pela segunda vez, reafirmei minhas idéias. O filme não termina como todos nós esperávamos, o que chega até a dar raiva. Muitas cenas não terminam como supostamente achávamos que deveria terminar. Não há casos de amor tórridos nem encontro de almas gêmeas. A maior mensagem do filme não é dita pela boca dos personagens, mas pelos olhos. Melhor exemplo que esse, só “Moça do Brinco de Pérola”, que chegou a me deixar agoniada, com vontade de pular na tela e fazer os dois de atracarem! Por sinal, são dois filmes com a loirinha Scarlett Johanson… Bom gosto que ela tem!

No segundo filme, os diálogos se tornam secundários, se comparados com o peso dos olhares dos personagens, principalmente do pintor Vermeer (Colin Firfh) e a empregada Griet (Scarlett). A timidez, a resignação, a admiração, o ciúme. Tudo passa como faísca e nenhuma palavra sequer é dita. E não só entre os personagens principais, mas todo o elenco é envolvido por essa “nebulosidade”. Brilhante. Acho até que um filme assim envolve mais quem assiste, por que convida a pessoa a participar do subjetivo, a interpretar, a adivinhar o que realmente passa pela cabeça daquela personagem. Tal qual nas obras barrocas. O cinema como arte, realmente.

Outro filme que trabalha também essa linha “muda” é o recentemente premiado “Crash”. Em quantas cenas ali não se esperou uma avalanche de palavrões, ou um choro infinito, ou um abraço gratificante? Várias! Mas o diretor trabalhou muito bem os atores para que eles valorizassem a arte de interpretar. Passar uma emoção por uma frase é muito simples. Dizer “eu te amo” é muito fácil. Provar isso, demonstrar isso, é algo que demora uma vida inteira se for o caso.

O óbvio é óbvio. Não tem mistério. Não tem charme. O dito pelo não-dito é muito mais atraente e misterioso. Exige mais de quem assiste. Torna a vida e a relações muito mais valiosas. E como Rodrigo Santoro disse uma vez em resposta sobre sua participação em “As Panteras”, “se a ausência de palavras fosse tão insignificante, o cinema mudo não seria tão aplaudido”.

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