
Para você que está com saudades dos grandes filmes dos grandes mestres horror, vai aqui uma ajuda: uma lista dos mestres do horror da nova geração. Será que eles são tão bons como os antigos mestres?
Dos anos 60 e 70 para cá, a gente aprendeu a respeitar mestres como George Romero, John Carpenter, Dario Argento, David Cronenberg, Wes Craven, Lucio Fulci, Mario Bava, John Landis, Tobe Hooper, Joe Dante e, correndo por fora, David Lynch. Atualmente, novos nomes surgem para revitalizar o gênero. Surge uma nova geração de fãs dos velhos mestres que, em vez de renegar ou passar por cima de seus antecessores, prefere homenageá-los. Minha intenção nesse espaço é fazer um balanço dos nomes mais importantes surgidos nos últimos anos. Alguns desses cineastas são novatos, tendo dirigido apenas dois filmes. Outros têm mais tempo de estrada, mas só se tornaram mais famosos recentemente. Apresento, então, uma lista de nove novos mestres do horror.
Rob Zombie
Ele foi a principal razão de essa coluna existir, pois dia desses tive o prazer de conferir o excelente “Rejeitados pelo Diabo” (2005). Rob Zombie mostrou evolução técnica e sensibilidade impressionantes para alguém que está ainda começando. Seu estilo é descendente do horror rural americano dos anos 70, mas seu melhor filme também se parece bastante com um thriller policial. Para conhecer mais Zombie: “A Casa dos 1000 Corpos” (2003). Os dois filmes estão disponíveis em vídeo no Brasil. Sem falar que ele foi responsável pela nova versão do clássico “Halloween” (2007).
Eli Roth
Muitos que foram ao cinema para assistir “O Albergue” (2005) saíram com náuseas por conta da violência gráfica e do alto teor de gore. A ponta de Takashi Miike numa cena já entrega o tipo de filme de que Roth gosta. “O Albergue” teve total apoio de Quentin Tarantino, o que prova que o diretor está em boa companhia. A estréia de Roth veio com “Cabana do Inferno” (2002, disponível em DVD). Além da continuação de “O Albergue”, outros quatro filmes já foram anunciados sob a batuta do diretor. Recentemente ele fez parceria com o amigo Quentin Tarantino em “Grindhouse”, onde dirigiu um dos trailers falsos. Para o futuro, Roth dirigirá uma adaptação de Stephen King.
Kiyoshi Kurosawa
O Japão já tem uma boa tradição em cinema de horror. E um dos nomes mais importantes atualmente é o de Kiyoshi Kurosawa, que tornou-se mais conhecido em 2006 graças ao remake americano de uma obra sua: “Pulse” (2001). O “Pulse” original foi a única coisa que eu vi até o momento de Kurosawa, mas já deu pra perceber que o entusiasmo dos fãs não é em vão, sendo que o cineasta até já foi comparado com Andrei Tarkóvski! O diretor não é nenhum novato - já tem mais de vinte filmes em sua filmografia - mas só agora começa a ficar mais conhecido no ocidente. Seus títulos mais famosos, além de “Pulse”, são: “Charisma” (1999), “Seance” (2000) e Doppelgänger (2003). Seus filmes continuam inéditos em cinema e vídeo no Brasil.
Hideo Nakata
Se Kurosawa ainda é um pouco desconhecido no Brasil, o mesmo não se pode dizer de Hideo Nakata, que com o sucesso da série “Ringu” e dos posteriores remakes americanos, mostrou ser um mestre em criar boas histórias de fantasmas. Ele até já estreou em Hollywood, fazendo um remake de uma obra sua: “O Chamado 2” (2005). O legal é que ele reinventou o original, misturando um pouco com o também seu “Dark Water – Água Negra” (2002), não deixando muito espaço para o remake “oficial” de Walter Salles. Outros filmes de Nakata disponíveis em vídeo no Brasil: “Ring – O Chamado” (1998) e “Ring II – O Chamado” (1999). Possivelmente estará dirigindo “O Chamado 3″.
Lucky McKee
Dos apenas dois títulos que vi de McKee, deu para perceber que ele é um cineasta de personalidade. Ele ainda não se tornou famoso, mas os fãs do gênero – eu incluso - já o acompanham desde “May – Obsessão Assassina” (2002). Pude ver o seu segundo título, “Sick Girl” (2006), constante na antologia “Masters of Horror”, e são dois filmes com histórias bem diferentes, mas com um estilo bem parecido. Inclusive, a atriz Angela Bettis está presente nos dois. Ela teve sua voz presente em “A Floresta” (2006), outro filme de McKee. “A Floresta” e “May” podem ser encontrado nas locadoras.
John Fawcett
“Escuridão” (2005) não foi muito bem recebido pela crítica e pelo público, mas o filme tem seus admiradores. E aquele final é bem perturbador, não? O filme de Fawcett que obteve melhor repercussão, ainda que restrita aos fãs, foi “Possuída” (2000), um dos melhores filmes de lobisomem já realizados. Talvez não se trate de um caso de autor, mas não é um nome que mereça ser descartado. Os dois filmes citados estão disponíveis em vídeo.
Alexandre Aja
“Alta Tensão” (2003) foi o filme que fez com que o nome de Alexandre Aja se tornasse um dos mais quentes do mundo. Claro que Hollywood não ia deixar passar e também tirar uma casquinha do talento do rapaz. Podemos conferir a sua estréia americana do diretor no sangrento “Viagem Maldita” (2006), remake do clássico “Quadrilha de Sádicos”, de Wes Craven. Ele está cotado para dirigir o remake de “Piranha”.
Scott Derrickson
“O Exorcismo de Emily Rose” (2005) foi o melhor título de terror a passar nos cinemas recentemente. Uma belíssima mistura de filme de tribunal com horror satânico. Eu até hoje sinto um calafrio sempre que acordo às três horas da madrugada. O filme anterior de Derrickson foi “Hellraiser: Inferno” (2000), mais um da franquia iniciada por Clive Barker. Eu não vi esse Hellraiser, mas depois do filme da Emily Rose, fiquei até bem curioso. Outro filme dele a não perder de vista é “Paradise Lost”, previsto para 2009 e inspirado no clássico poema de John Milton que fala sobre a rebelião de Lúcifer no paraíso e a queda de Adão e Eva.
Ji-woon Kim
Não poderia faltar um exemplar do cinema sul-coreano que está passando pela melhor fase de sua história. Há desde filmes “de arte” a filmes de diversos gêneros. O título mais conhecido de Ji-woon Kim é “A Tale of Two Sisters” (de 2003, e que recebeu o horrendo título “Medo” no Brasil), que está dando o que falar mundo afora. Além da beleza plástica, seu filme é de arrepiar, o que prova que histórias de fantasmas ainda assustam. Nenhum filme do diretor foi lançado em vídeo no país ainda.
Poderia citar M. Night Shyamalan também, mas esse é um caso de diretor que transcende o gênero. Como David Lynch. Cada novo filme de Shyamalan é um acontecimento para mim. Também poderia citar Takashi Miike, mas esse maluco está muito tempo na direção de filmes, tendo mais de sessenta títulos no currículo. Então, não é bem uma revelação. Brad Anderson (“O Operário”) também poderia ser citado, já que ele até foi convidado para integrar a segunda temporada de “Masters of Horror”, mas ainda é cedo para considerá-lo um importante diretor do gênero.
Vez ou outra a morte aporta em nossas vidas e nos faz refletir sobre o sentido disso tudo. Se não encontramos resposta, pelo menos ficamos mais conscientes de nossa finitude e de nossa fragilidade. Há alguns dias, morreu um grande amigo meu. Fiquei abalado não só pelo fato de o rapaz ter sido meu amigo, mas também por ele ter a mesma idade que eu. E pensar que eu ainda viverei coisas boas durante um bom tempo - pelo menos, assim espero - e que a vida dele já chegou ao fim é algo difícil de aceitar.
Certa vez, conversando com um amigo pela internet, ele me falou que tinha assistido a “Amor Flor da Pele”, de Wong Kar-wai, umas seis vezes, a fim de compreender melhor. Da primeira vez, ele não havia gostado muito, mas depois passou a achar Kar-wai um gênio. Fiquei realmente admirado com o que ele disse, já que tenho um problema de ansiedade que faz com que eu dificilmente adquira o hábito de rever filmes. São tantos os títulos pra se ver que eu ia achar que estaria perdendo tempo. Poderia estar vendo um inédito.
1. A LEI DO DESEJO, de Pedro Almodóvar. Bem diferente da sutileza de Ang Lee, o Almodóvar dos anos 80 era visceral, subversivo e sem frescuras. Pra um filme gay, “A Lei do Desejo” é também bastante agressivo e as cenas de sexo são quase explícitas. Já faz muito tempo que vi esse filme no cinema, mas acho que até hoje nunca vi nada tão forte no gênero.
2. MORTE EM VENEZA, de Luchino Visconti. O mais aristocrata dos cineastas do mundo era gay e “Morte em Veneza” talvez seja um de seus filmes mais pessoais, ainda que seja a adaptação de um romance de Thomas Mann. Não era um roteiro escrito pelo próprio cineasta. O filme mostra a paixão de um homem doente por um adolescente de feições andróginas na Veneza dos tempos do cólera.
3. FELIZES JUNTOS, de Wong Kar-wai. O relacionamento conturbado de dois namorados que moram em Hong Kong e vão passar as férias na Argentina. Um filme sobre os altos e baixos de uma relação, com uma belíssima fotografia e as já conhecidas elipses de Kar-wai.
4. AS REGRAS DA ATRAÇÃO, de Roger Avary. Filme sobre uma ciranda de paixões das mais diversas envolvendo um bissexual, uma garota virgem, um traficante de drogas e um namorado ausente. Um filme com uma narrativa não-linear a cargo do roteirista de “Pulp Fiction”.
5. TRAÍDOS PELO DESEJO, de Neil Jordan. Na época que “Traídos pelo Desejo” surgiu nos cinemas, os responsáveis pelo marketing do filme recomendavam aos espectadores a não contar o final do filme pra ninguém. Pena que quando o filme chegou no Brasil todo mundo já sabia que a tal namorada de Stephen Rea era um transexual. Ainda assim, não deixa de ser surpreendente a cena da revelação.
6. MISTÉRIOS DA CARNE, de Gregg Araki. Esse filme pôde ser visto recentemente nos cinemas. “Mistérios da Carne” narra em paralelo a vida de dois rapazes que estudaram juntos na infância. Quando crescem, um vira garoto de programa para homossexuais e o outro fica obcecado por discos voadores. Filme “pancada”.
7. DEUSES E MONSTROS, de Bill Condon. A relação entre o diretor James Whale (dos clássicos “Frankenstein” e “O Homem Invisível”), vivendo seus últimos dias de vida, e um jovem que trabalha em sua casa como jardineiro. O diretor Bill Condon exploraria novamente a temática homo em filme mais recente: “Kinsey – Vamos Falar de Sexo”.
8. MENINOS NÃO CHORAM, de Kimberly Peirce. O filme que deu o primeiro Oscar para Hilary Swank, que levou a segunda estatueta no ano passado, com “Menina de Ouro”, de Clint Eastwood. “Meninos não Choram” trata da dificuldade de uma moça que tenta viver como um rapaz numa cidadezinha do interior dos EUA. O filme é uma tragédia barra-pesada. Destaque para a cena de sexo entre Hilary e Chloë Sevigny.
9. DESEJO PROIBIDO, de Jane Anderson, Martha Coolidge e Anne Heche. A mesma Chlöe Sevigny, um ano depois de “Meninos Não Choram”, esteve em outra produção sobre lesbianismo. DESEJO PROIBIDO é um filme de segmentos produzido pela HBO, mostrando histórias que se passam nos anos 60,70 e 2000. Novamente, Chlöe arrasa quando está em cena.
10. MADAME SATÃ, de Karim Ainouz. Pra terminar, um filme brasileiro, dirigido por um cearense e brilhantemente protagonizado por Lázaro Ramos. O filme narra a vida de João Francisco dos Santos, vulgo “Madame Satã”, no Rio de Janeiro da década de 30. Além de homossexual, João Francisco era negro, o que só aumentava o nível de preconceito da sociedade. Felizmente ele tinha muita coragem. E quando precisava partir pra porrada, isso não era problema pra ele.
A internet tem mudado a relação das pessoas com o cinema. Não que se tenha passado a gostar mais ou menos de ver filmes. Mas houve uma mudança e ela veio para melhor. Hoje é possível encontrar filmes que seriam praticamente impossíveis de se ver dez anos atrás. Isso porque a internet se tornou não apenas um meio de se aprender sobre cinema através de sites especializados ou de listas de discussão: é que ela também disponibiliza os próprios filmes para download mesmo. Não duvido nada que filmes raros como “The Day the Clown Cried”, de Jerry Lewis, ou “Fear and Desire”, de Stanley Kubrick, já estejam nos e-mules ou torrents da vida.
Hoje em dia muito se tem falado de uma suposta falta de criatividade em Hollywood. Isso é atribuído principalmente por causa dos inúmeros remakes produzidos - sejam de produções americanas, sejam de outros países -, das várias adaptações de quadrinhos para o cinema e da “importação” de cineastas estrangeiros para a indústria hollywoodiana. Mas será que isso é verdade mesmo? Será que os produtores americanos estão recorrendo a isso simplesmente pela falta de idéias novas? Vamos por partes.
Geralmente, se eu for ler um livro adaptado para o cinema, prefiro que seja antes de ver o filme, já que o livro normalmente vem antes do filme. Mas já aconteceu de eu ler o livro depois de ter visto o filme. Por exemplo, só li “O Cemitério”, de Stephen King, alguns anos depois de ter visto o filme “O Cemitério Maldito”, de Mary Lambert. E o que aconteceu é que o livro deixou o filme bem atrás. Stephen King tem o poder de fazer com que a gente acredite naquilo tudo. Enquanto se está lendo “O Cemitério”, acredita-se piamente que aquele cemitério indígena tem mesmo o poder de ressuscitar os mortos, nem que eles venham como zumbis e com seus corpos ainda em contínuo estado de putrefação.
Quem assistiu a “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, de Woody Allen, deve se lembrar daquela cena em que Allen e Diane Keaton vão ao cinema e chegam atrasados cinco minutos para a sessão. Para Diane, aqueles cinco minutos não significam muita coisa, mas Allen se recusa a ver o filme, preferindo rever um longo documentário sobre o holocausto, que estava passando numa sala ali perto.
1. HISTÓRIA REAL (The Straight Story). Um filme atípico na filmografia de David Lynch, ainda que muito de sua marca esteja presente nessa história de um velhinho que parte numa longa viagem em cima de um cortador de grama. Ele atravessa várias cidades devagarinho, nesse “meio de transporte” com o objetivo de ver o seu irmão, que estava muito doente. Ele tem suas próprias razões para querer viajar em cima de um cortador de grama, em vez de um meio de transporte mais rápido. Pra que razão melhor do que ver aquele céu estrelado? Curiosamente, o veterano Richard Farnsworth, o protagonista do filme, cometeu suicídio poucos meses depois do filme, aos 80 anos de idade. Farnsworth foi indicado a dois Oscars, sendo que um deles por “História Real”.
2. O ESTRANHO CAMINHO DE SÃO TIAGO / A VIA LÁCTEA (La Voie Lactée). O genial Luis Buñuel conta a história de dois vagabundos saindo de Paris e seguindo o caminho de Santiago de Compostella, na Espanha. Ao mesmo tempo que mostra o percurso dos dois, Buñuel nos apresenta o que ele e Jean-Claude Carrière consideravam as seis maiores heresias. Os dois fizeram uma intensa pesquisa e fizeram um filme bastante polêmico e considerado ofensivo pelos católicos mais radicais.
3. E SUA MÃE TAMBÉM (Y Tu Mamá También). Talvez um dos filmes em que a gente mais sente a alegria de viajar. Talvez porque seus protagonistas são muito jovens e cheios de vida. No México, dois rapazes e uma mulher mais velha que eles partem numa viagem pelo interior do país. No caminho, eles aprendem muito sobre sexo, amizade e a valorização de cada momento da vida, como se fosse o último. Belíssimo e sensual trabalho de Alfonso Cuarón.
4. SIDEWAYS - ENTRE UMAS E OUTRAS (Sideways). Diferente dos jovens do filme de Cuarón, os protagonistas de “Sideways” já se aproximam da meia-idade e a vida já lhes trouxe muitas amarguras e decepções. Talvez por isso que o personagem de Paul Giamatti não consegue sentir se entusiasmar tanto com essa viagem. Para ele, o principal objetivo da viagem vai ser mesmo conhecer as principais rotas de vinho da Califórnia. Mas, para sua sorte, a amizade, o retorno da auto-estima e as mulheres estarão pelo caminho.
5. FLORES PARTIDAS (Broken Flowers). Assim como o personagem de Giamatti, o personagem de Bill Murray nesse filme é um homem anestesiado e que já perdeu o gosto pela vida. Até o dia em que ele recebe uma carta anônima que lhe avisa de um filho adolescente, do qual ele não sabia da existência. Auxiliado por seu vizinho e amigo, ele faz uma viagem em busca da mãe de seu filho. O final é belíssimo.
6. CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS. Um dos melhores filmes dos últimos anos do cinema brasileiro, essa pérola dirigida pelo pernambucano Marcelo Gomes é uma das mais inspiradas odes sobre a amizade já realizadas. Grande sacada colocar como um dos protagonistas um estrangeiro. É assim como nos sentimos naquele lugar devastado pela fome e pela miséria, mas que pelo menos não cai bombas do céu. Poucos filmes me deram tanto prazer nesse ano de 2006.
7. ONDE ANDA VOCÊ?. Já que estamos falando de filme brasileiro, lembro desse título tão mal recebido pela crítica e pelo público, mas que me proporcionou momentos de muita alegria. Na trama, um comediante decadente realiza uma viagem em busca de um comediante lendário que mora numa terra distante do Nordeste brasileiro. Vale tudo para alcançar a felicidade perdida. Adoro o tom agridoce desse filme. Dirigido por Sérgio Rezende, que voltou s telas com “Zuzu Angel”.
8. DIÁRIOS DE MOTOCICLETA (Diarios de Motocicleta / The Motorcycle Diaries). Projeto bem mais ambicioso dirigido por um cineasta brasileiro é essa cinebiografia de parte da juventude de Che Guevara, quando ele saiu de motocicleta com um amigo para conhecer a América do Sul. Este é o exemplo clássico de road movie que mostra o quanto uma viagem pode interferir na vida de uma pessoa e modificá-la para sempre.
9. THELMA & LOUISE. Já entrando no território misto de road movie com filmes de fuga, um dos exemplos mais acabados da filmografia de Ridley Scott é “Thelma & Louise”. O que acontece quando duas mulheres saem em busca da liberdade que há tanto tempo lhes foi negada? Na história, uma dona de casa e uma garçonete fogem de suas vidas e de seus maridos num Thunderbird. A viagem das duas vai ser no mínimo explosiva.
10. TRÊS ENTERROS (The Three Burials of Melquiades Estrada). A viagem não é nada agradável, principalmente para o homem que matou acidentalmente Melquiades Estrada. Para ele, essa viagem é como uma purgação pelos seus pecados. No meio do caminho, o deserto que castiga o corpo, cobras venenosas, a pobreza do México e um velho cego que pede para que uma alma caridosa lhe faça o favor de ceifar a sua vida miserável. Excelente estréia na direção de Tommy Lee Jones.
Existem dois extremos: o público dos “filmes de arte” que rejeita os gêneros mais populares e o público leigo que rejeita o “cinema de arte”. Coloco as aspas nesses termos porque eu também considero o cinema de gênero uma forma de cinema de arte.
Lendo ontem uma entrevista de Leo McCarey publicada no livro “Afinal, Quem Faz os Filmes”, de Peter Bogdanovich, soube de um interessante fato ocorrido durante as filmagens de “Não Desonres o Teu Sangue” (1952). No meio das filmagens, o ator Robert Walker faleceu. Leo McCarey ficou sem saber o que fazer e teve uma solução inteligente para finalizar o seu filme. Ele modificou o roteiro, fazendo com que o personagem de Walker morresse e procurou alguma cena retirada de outro filme que mostrava Walker morrendo. Ele conversou com Alfred Hitchcock, que havia trabalhado com o ator em “Pacto Sinistro” (1951) e aproveitou uma cena do filme de Hitch que mostra ele morrendo - fingindo que estava morrendo, claro. Depois, fizeram uma trucagem para mudar o fundo, desenvolveram uma situação em que o personagem morre num acidente de táxi e o próprio McCarey gravou as últimas palavras do personagem com uma voz quase inaudível. Nunca vi esse filme, que parece não ser o melhor do diretor, mas confesso que fiquei curioso para assistir. 
