Cinema, Batman e Fanatismo

Publicado em: 03-08-2008 @ 5:19 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Acredito que estamos presenciando algo um tanto que inesperado. Imagino que boa parte dos cinéfilos, esperava ansiosamente a chagada do novo Batman. E agora em sua estréia, podemos ver o reflexo dessa espera; vide os assombrosos números nas bilheterias. Até aí tudo bem, até porque, não é todo dia que temos um Blockbuster tão bom quanto esse.

Comentários à parte, sabemos que o filme têm conseguido opiniões pra lá de positivas. Contudo, ponhamos em questão a seguinte situação: De acordo com o site IMDB, o maior do mundo, “Batman- O Cavaleiro das Trevas”, ocupa o “inalcançável” e tão cobiçado lugar #1 no top #250 de usuários. Considerando que nessa seleta lista, só adentram filmes cultuadíssimos como “O Poderoso Chefão”, “Um Sonho de Liberdade” e “Pulp Fiction”. É algo tão extraordinário, que todos estavam procurando uma explicação para tal. E ela veio mais inesperada do que se imaginava.

O preocupante esclarecimento, é que um grupo de fãs do novo filme de Christopher Nolan, estaria concedendo ao filme a nota máxima, e dando notas desprezíveis à obras-prima, como as já citadas. E como o sistema do a href=”http://www.imdb.com/chart/top” target=”_blank”>IMDB calcula os tops com base no número de votantes e porcentagem de cada nota, esse foi um prato cheio para que a tão tradicional imagem do site, perdesse vertiginosamente o seu valor. Ou seja: Ou se modifica o sistema de pontuação, ou veremos o verdadeiro sentido da palavra zona.

Agora realmente está imposta uma situação delicada. Prevaleceria a boa imagem do site, ou a opinião dos fanáticos? Imagine se isso continuar assim! Quantos blockbusters vão tomar lugar de filmes definitivamente imortalizados? Batman tem ao menos qualidade, mas e os outros filmes? Fica então a nota.

PS: Christopher Nolan deve está anestesiado de alegria. Até porque, não é todo dia que vemos a obra de um cineasta superar em números, os filmes que ele mais admira vide “O Poderoso Chefão”. Francis Ford Coppola que se cuide.

Oscar Revelação?

Publicado em: 20-07-2008 @ 8:44 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Nas minhas constantes reflexões sobre poder e importância do mundo cinematográfico e após assistir um dos filmes indicados ao prêmio máximo do Oscar desse ano, pude chegar a algumas conclusões. Para esclarecer melhor o motivo da matéria, o filme em questão chama-se “Juno” e a questão referente foi: seria correto implementar novas categorias na premiação do Oscar referentes a artistas e filmes revelação?

Eu fiquei horas pensando naquilo. Até porque, por um lado, artistas novos têm total condição de competir com muitos outros veteranos; bem como novos filmes. Só que todos nós sabemos que as premiações atuais baseiam-se na conveniência; claro que o quesito “qualidade” ainda é algo bem influente (graças a Deus). Porém, sabemos também que injustiças de premiações são algo que, se depender de seus realizadores, nunca sairá de moda.

No caso específico que me fez refletir sobre isso foi a talentosíssima Ellen Page que brilhou na pele de Juno MacGuff e anteriormente, viveu maravilhosamente a psicopata Haley em “Menina Má.com”. Ela conquistou a todos; menos a tão cobiçada estatueta dourada. Eu infelizmente ainda não vi a atuação de Marion Cotillard em “Piaf- Um Hino ao Amor”, que ganhou o prêmio de melhor atriz. Contudo, mesmo sem ter como estabelecer parâmetros, certamente Ellen Page não esteve em desvantagem.

Daí surgiu a pergunta: seria justo Page não ter ganhado a estatueta? Eu sou muito suspeito a falar sobre, pois simplesmente adorei “Juno”. Acredito que talentos como o dela tem que ser incentivados de todas as formas possíveis para que, futuramente, possa garantir a continuidade da qualidade cinematográfica; ao menos no âmbito das atuações. E nesse mesmo navio também iriam ser citadas, as produções mais alternativas como o próprio “Juno”, o indefinível “Magnólia”, ou o delicioso “Pequena Miss Sunshine”.

Filmes como esses citados, certamente nunca terão chances de concorrer na academia, juntamente com devastadores “Babel”, “Os Infiltrados”, “Sangue Negro”, “Onde Os Fracos Não Tem Vez”, “Desejo e Reparação” e por aí vai. Obras mais alternativas só têm vazão mesmo, se forem estrangeiras. Daí o Oscar para filmes estrangeiros; caso contrário, são quase que descartadas. Tudo bem que, alguns desses filmes foram até indicados ao prêmio, porém só serve mesmo como forma de consolação. Até porque, seria difícil compreender como filmes que são ovacionados pelo público e crítica, poderiam ser esquecidos pela academia.

E após passar horas pensando, cheguei à conclusão que sim. Devem sim serem implantadas categorias no Oscar que privilegiem, ou dêem chances para que atores ou filmes revelação possam também levar o ouro para casa. É a forma de germinar aquilo que tanto se exigiu, mas que não se é reconhecido. E caso vocês perguntem, não, eu não acho que o Oscar signifique muito. Mas reconhecimento é reconhecimento. Cruel e exclusivo, mas necessário para honrar e encher o ego de quem algum dia de alguma forma, demonstrou o que significa a palavra qualidade.

Kate Winslet X Nicole Kidman

Publicado em: 13-07-2008 @ 9:00 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

E estamos todos vivos para presenciar o maior embate de atrizes que tenho notícia. Não seria necessário completar os nomes, mas as duas estrelas são Kate Winslet e Nicole Kidman. O Oscar do ano que vem será o cenário para tal batalha.

Primeiramente, podemos citar a Sra. Kidman, que tem milhões de fãs. Deu vida a personagens como o do magnífico musical “Moulin Rouge!”, do obscuro “Os Outros” e do enigmático “Dogville”. Essa talentosa atriz depois de algum tempo não tão fértil nos cinemas vai estrear o drama “Austrália”, que promete ser uma mescla do clássico “E O Vento Levou…” e do belíssimo drama “Desejo e Reparação”; dirigido por Baz Luhrmann, o mesmo gênio responsável por “Moulin Rouge!”. Minhas fichas estavam todas apostadas nela para, merecidamente ou como forma de reparação, ganhar o prêmio de melhor atriz. E tudo estava quase certo.

Porém, foram lançadas na Internet informações e imagens dos dramas “Revolucionary Road” e “The Reader”, que serão comandados respectivamente por Sam Mendes (“Beleza Americana”) e Stephen Daldry (“As Horas”). Ambos os filmes têm coisas em comum: São dramas de época estrelados por Kate Winslet. Os dois filmes estão sendo guiados por mãos experientes e trabalhados por personalidades competentes. “Revolucionary Road” será o responsável por reunir Leonardo DiCaprio e Kate Winslet desde o hegemônico “Titanic” e em “The Reader”, a moça irá contracenar com Ralph Fiennes.

Aí, meus caros colegas, por quem torceremos no próximo Oscar? Kidman já ganhou uma estatueta por “As Horas”, mas injustamente não ganhou por “Moulin Rouge!” e nem mesmo foi indicada por “Dogville”. Já Winslet foi indicada cinco vezes ao prêmio, mas não levou um sequer para casa. Ela foi a responsável por construir personagens inesquecíveis como Clementine Kruczynski na pérola “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” e Rose “Dawdson” no monstruoso “Titanic”.

Ambas são talentosíssimas, belíssimas e injustiçadas. Então, quem deve ganhar? Nicole Kidman para alavancar sua carreira ou Kate Winslet para finalmente conquistar seu primeiro prêmio na Academia? Para completar esse cenário, só faltava Natalie Portman, que não ganhou seu merecidíssimo Oscar por interpretar Alice Ayres em “Closer”. Mas se formos falar em injustiças cometidas pelo Oscar, não iríamos acabar tão cedo. Agora, basta esperar.

Heath Ledger: Oscar Póstumo

Publicado em: 07-07-2008 @ 12:49 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Creio que todos que se dizem seres terrestres sabem que dia 18 de Julho estréia mundialmente o novo e aguardadíssimo filme do Batman, dirigido por Christopher Nolan. E nele atua a personalidade em questão: Heath Ledger. Desde o começo das filmagens, já havíamos lido entrevistas com o próprio elenco do filme, onde diziam o quanto estava sendo perfeita a atuação de Ledger. Todos diziam que ele tinha se doado completamente ao personagem, e que obteve um resultado acima do apresentado por Jack Nicholson, que inclusive, esse último tinha interpretado o Coringa em outra versão do Batman e se ofereceu para atuar nessa também. Acostumado com papéis difíceis como Jack Torrence, de “O Iluminado”, o ator disse que não seria fácil interpretar o Coringa.

Com devidas recomendações de Nicholson, na cara e coragem, Ledger decidiu ir em frente. Foi, atuou e brilhou. E talvez, morreu devido ao estado de abismo e depressão que entrou após dar a obscura vida ao denso personagem de Frank Miller. Más línguas contam que foi uma forma de propaganda bizarra. Outras falam que foi uma simples, porém duvidosa, parada cardíaca. Mas aí vem a questão: O que merece um ator que não somente interpreta, como incorpora um personagem? No mínimo admiração! E, se conjugada a essa incorporação, vem uma excelente atuação? Só pode dar Oscar! Mas vem uma terceira e importantíssima questão: E se o brilhante ator está MORTO? Daí vem sendo criado um movimento entre o elenco do filme e demais críticos e fãs, que defendem que Ledger no mínimo merece uma indicação póstuma ao Oscar.

Então perguntamos: Pessoas não devem ser homenageadas em vida?

E respondem: Não somente. Peter Finch, de “Rede de Intrigas”, é uma prova disso. Homenagem não é uma ferramenta empregada só quando os indivíduos “estão entre nós”. É um reconhecimento de suas ações, de suas obras em vida. Em casos, trata-se de um ato reparatório (e esse é quase o caso).

Portanto, resta-nos esperar. Não se dão prêmios devido ao falecimento do indivíduo, mas devido ao seu trabalho. E nesse caso, o trabalho realmente parece ser bom. O dia 18 dirá. Heath Ledger dirá. Nós diremos. O Oscar dirá. E não se esqueçam de Jack Nicholson afirmando: “Eu disse!”.

Titanic 2: Jack is back

Publicado em: 01-07-2008 @ 1:39 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Aproveitando essa série de matérias nostálgicas sobre a obra-prima “Titanic”, de James Cameron, encontrei um vídeo falso na Internet onde o mesmo brinca com a história do “Titanic” original, e numa edição muito bem feita, faz uma montagem de outros filmes que Leonardo DiCaprio fez, como “Prenda-me se for capaz” e “Romeu & Julieta”; e aproveita também trechos de outros longas como “Hulk”. Num lance imensa criatividade, arrumam um jeito de trazer Jack Dowson de volta à vida. Vale à pena assistir. Aproveite. Ou não!



Nota do Editor: Isso é mais velho que a Arca de Noé.

O outro lado da laranja

Publicado em: 29-05-2008 @ 12:28 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Caros e fieis leitores do Cinema Com Rapadura, como acredito que todos aqui gostam de cinema, certamente entenderão perfeitamente o que irei dizer. Gosto para cinema é pessoal e intransferível. Mas o pequeno agravante é que, como qualquer outro tipo de arte, no cinema, certas obras são escolhidas para fazer sucesso. Citar nomes seria extremamente dispensável, mas até mesmo para justificar o título da matéria sou obrigado a fazê-lo.

Acredito que qualquer um que ousa a dizer que gosta de cinema, já deve ter ouvido falar em “Laranja Mecânica”, do eterno mestre Stanley Kubrick. Provavelmente deve ter ouvido coisas mirabolantes, elogios extremos e críticas sempre positivas. E quem além de ouvir falar nele, que já o assistiu, deve saber o quanto ele é bom. Mas justamente aí que eu entro em controvérsia: o filme que foi convencionado como bom, tem que ser realmente bom? Eu já passei sérios problemas a respeito disso, quando certos filmes que as pessoas endeusavam, eu simplesmente gostava ou vice-versa. E quando você expõe sua opinião não tão favorável, automaticamente é tratado como um leigo ou coisa do tipo.

Isso é um tremendo absurdo! Claro que, se muitas pessoas gostam de uma determinada coisa, ela deve ser realmente boa, mas não dizem que a beleza está nos olhos de quem vê? E se pararmos para observar como foi convencionado sobre a qualidade de determinado filme, todos os seus posteriores expectadores estão propícios a gostarem dele, até mesmo pelo fato implícito da cobrança pública a respeito da sua pseudo-intelectualidade? Ou seja, muitas vezes as pessoas gostam de certos filmes não pelo o que elas acham deles, mas pelo que elas têm que achar.

Eu gostei de “Laranja Mecânica”. Achei extremamente crítico, inteligente, e artisticamente belo. Mas por ser demasiadamente e desnecessariamente desconfortável, além da atuação exacerbada de Malcolm Mcdowell, meu apreço não foi o que esperava; gosto muito dele, mas não o idolatro. E não temo em falar isso; mas temia até algum tempo atrás, até porque não existiam muitos “aliados”, por assim dizer. Essa minha percepção foi construindo-se aos poucos, quando observei que uma boa parte dos expectadores do filme tinha um discurso igual, que expressava implicitamente que alguns deles estavam com a mente previamente formatada para aderir aos positivos adjetivos atribuídos ao filme. E isso tende a propagar-se cada vez mais.

E expandindo mais o tema, podemos notar que isso acontece constantemente. “Pulp Fiction”, por exemplo, é outro grande destaque. Eu só consegui gostar dele realmente, depois de assisti-lo algumas vezes. Com o tempo, apenas amenizei algumas características negativas que tinha notado anteriormente. Mas, devo salientar que observo por uma ótica bem específica. Espectadores ordinários, aqueles que tratam o cinema somente como pipoca, por exemplo, gostam do filme por que ele é violento. Mas infelizmente, se não fossem pelos espectadores ordinários que só fazem propagar informação, o que seria dos filmes? “Matrix” ficou famoso pelas cenas de ação munidas de inovadores efeitos. “Kill Bill” ficou marcado pelo excesso de sangue. “O Senhor dos Anéis” destacou-se pelas grandes batalhas. Mas será que esses filmes só são isso? Será mesmo que a superficialidade é algo tão dominante assim? Definitivamente não! Porém é isso que os trouxeram ao “Hall” da fama, como se suas outras milhões de qualidades não existissem; ou ao menos, não fossem consideradas.

E num pólo oposto, podemos ver aqueles filmes que são muito bons que não fazem tanto sucesso. São títulos que gradativamente vêm ganhando força, como por exemplo: “Magnólia”, de Paul Thomas Anderson; “2001: Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick; “Vanilla Sky”, de Cameron Crowe; “Dogville”, de Lars Von Trier; “Réquiem para um Sonho”, de Darren Aronofsky; e por aí vai. Esses filmes citados são do tipo que não foi feito para todos. Não considerem esse meu discurso como boçal, mas essa é a pura verdade. São do tipo de filme que mesmo que eles queiram, nunca irão conseguir contemplar a classe de pseudo-cinéfilos.

E é justamente por isso que eu defendo a liberdade de expressão, condenando automaticamente o preconceito exercido pelas pessoas enquanto à opinião alheia. Para quem já tem uma noção de cinema, ouvir certos comentários chega a ser irritante. Acredito que só devemos mesmo falar quando sabemos fazê-lo, não é mesmo? Contudo, ainda que sejamos incoerentes ou inconscientes, devemos expressar nossa opinião, seja ela bem fundamentada ou não. Até porque, é muito melhor ouvir as pessoas pensando com suas próprias cabeças, do que novamente, por mais uma longa linhagem, somente reproduzir aquilo que alguém, algum dia, disse que deveria ser.

O Cinema e o Som

Publicado em: 06-05-2008 @ 11:59 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

O cinema não é feito somente de uma seqüência aleatória de imagens. Definitivamente não. Não afirmo isso visando somente os aspectos filosóficos, psicológicos e ideológicos do mesmo, mas também em seus termos técnicos. E dentre esses, eis um dos mais importantes: O som. Há pouco tempo atrás, conferi um documentário sobre a importância fundamental do som para as produções cinematográficas. Nele, foi devidamente exposto que o primeiro filme “visual” da história teve tanta importância quanto o primeiro filme “sonoro” da mesma. Nada mais justo, afinal, o áudio tem função tão relevante quanto a imagem.

O som a qual me reporto, é a todo aquele que ouvimos durante o filme; desde as falas pronunciadas pelos atores, passando por efeitos sonoros magníficos, até às canções que completam as cenas. Inclusive, tem uma categoria reservada no Oscar exclusivamente para essa função, que é a “Edição de Som”. Afinal, o que seriam das mais belas cenas de Hollywood sem uma maravilhosa trilha sonora de fundo, como aquela clássica cena do chuveiro de “Psicose”, ou as diversas seqüências espaciais de “2001: Uma Odisséia No Espaço”? Provavelmente pouca coisa.

A função do som acima de tudo é esboçar o que se vê na tela, porém em áudio. Por exemplo: Foi comprovado cientificamente que a área relacionada com a identificação e lembranças de situações é a da audição. A visão é fundamental, claro. Mas quando ouvimos algum ruído de determinado filme, automaticamente relacionamo-lo à obra a qual ele pertence. Ou seja: É um aspecto importantíssimo, que é responsável pelas sensações e impressões que temos de determinado longa.

Entrando então no assunto “Trilhas Sonoras”, todos sabem o quanto importante, gratificantes e agradáveis elas são; e também são responsáveis por caracterizar um determinado filme ou diretor. Nesse caso, o maior representante dessa classe chama-se Quentin Tarantino[bb]. Esse célebre indivíduo tem como uma de suas marcas registradas, trilhas sonoras bem divertidas e alternativas. As mais conhecidas são a dos filmes: “Pulp Fiction”, “Kill Bill Vol. 1”, “Kill Bill Vol. 2” e “À Prova de Morte”. Stanley Kubrick[bb] também ficou marcado por sempre utilizar músicas clássicas em seus filmes, como em “Laranja Mecânica” e “2001”. Quando destacamos outras trilhas de grande qualidade, temos as dos filmes: “Encontros e Desencontros” e “Maria Antonieta” - ambos de Sofia Copolla (outra que marca seus filmes devido a trilha) -, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, “Hora de Voltar”, “Vanilla Sky”, “Moulin Rouge”, “Babel”, “Réquiem Para Um Sonho”, “O Poderoso Chefão” e “Fonte de Vida”.

Portanto, é pertinente observar que o cinema não se resume somente a imagens ou somente a sons; eles estão completamente interligados, e compõem uma necessária dependência. Dependência que consegue construir os mais belos e inesquecíveis momentos de produções áudios-visuais; momentos esses, que marcam toda a vida daqueles que os assistem.

As pérolas do Verão-2007

Publicado em: 13-11-2007 @ 2:25 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Certa feita escrevi para o site uma matéria que defendia a importância singular do ano de 1999 para o cinema. Mostrei quantos clássicos surgiram num ano só, e o tanto que o mesmo veio a acrescentar. Pois bem, acredito que todos os leitores presentes saibam que o período localizado aproximadamente no meio do ano, é aquele que foi eleito por Hollywood para extorquir o dinheiro dos espectadores ao redor do mundo. Desde Maio de 2007 – verão nos EUA – estamos sendo bombardeados por diversas pérolas do entretenimento, que curiosamente se mostraram de uma qualidade quase irrepreensível e de grande porte. Aqueles cinéfilos mais atentos estão cientes que este ano será o mais lucrativo da história. Uma enorme competição entre grandes nomes. É uma batalha épica nos tempos modernos. Talvez devido a essa imensa competitividade os produtos tenham sido tão notáveis.

Tivemos nesse meado de ano, longas como os terceiros capítulos das franquias do “Homem-Aranha”, “Piratas do Caribe”, “Shrek” e da “Trilogia Bourne” bem como o quinto volume da imensa série de “Harry Potter”, o longa animado derivado da parceria Disney/Pixar “Ratatouille”, a chegada de “Os Simpsons” ao cinema, a última seqüência de Duro de Matar, o live-action dos “Transformers”, entre outros. O indivíduo que vos fala, prestigiou a todos os projetos que fizeram as “caixas registradoras” dos cinemas trincarem a todo estante. Então, irei fazer uma pequena lista daqueles filmes que fizeram rios de dinheiro, mas que não esqueceram o que realmente interessa: A qualidade. Entretanto, antes de qualquer coisa, tenho que advertir que listas são extremamente pessoais e ingratas; por isso, peço minhas humildes desculpas por ser obrigado a estabelecer uma ordem de qualidade.

1. Homem-Aranha 3

Provavelmente, alguns leitores devem estar se perguntando: a lista começa do pior para o melhor? Sinto afirmar que não. Ao contrário da maioria dos espectadores, fui um daqueles que saiu da seção de Homem-Aranha de queixo caído. Isso porque eu nunca iria imaginar uma mescla de ação, drama, romance e comédia bem equilibrada, ainda mais no filme que mais faturou na terra do Tio Sam esse ano. Observado pela minha ótica como o melhor da trilogia, e como se pode notar, o melhor Blockbuster de 2007. O longa dá continuidade a história de Peter Parker (Tobey Maguire, de Seabiscuit) que agora é aclamado pela sociedade e deixa sobressair seu ego, negligenciando assim com aqueles que mais ama. Além desse conflito interno, ele tem que dar conta de três vilões: Homem-Areia (Thomas Haden Church, de “Sideways”), Duende Verde Jr. (James Franco, de “Tristão e Isolda”), e Venom (Topher Grace, de “Em Boa Companhia”).

2. Ratatouille

“Ratatouille” foi a maior prova da supremacia da Disney/Pixar, marcando infelizmente, o fim dessa perfeita parceria (a Disney comprou a Pixar). Entretanto, nos entrega essa última obra de arte da maneira mais bela possível, com uma qualidade técnica perfeita e com um roteiro impecável. Delicioso e agradável, o filme é indicado para todo e qualquer público, independente de qualquer pontuação que o caracterize. Juntamente com “Procurando Nemo” e “Os Incríveis”, compõe o trio das melhores animações dos últimos anos. A película conta as aventuras e desventuras de Remy (voz de Patton Oswalt) que tem como sonho ser um grande cozinheiro. Conseguindo parar em um grande e bem conceituado restaurante francês, ele tem sua chance de virar Chef quando conquista a amizade de Linguini (voz de Lou Romano), um jovem que trabalha nesse restaurante, mas não sabe cozinhar.

3. Piratas do Caribe: No Fim Do Mundo

Exatas 2 horas e 48 minutos. Será mesmo que todos achavam que esse tempo todo iria se resumir somente a efeitos especiais? Os que achavam, estavam redondamente enganados, pois, seguindo a regra dos longas citados anteriormente, esse último capítulo da trilogia de “Piratas do Caribe” tem uma qualidade estética maravilhosa, mas tem um roteiro que consegue sustentá-lo sem muitas dificuldades. Justamente por isso que a maioria dos espectadores se decepcionou com o longa, pois o roteiro vem acima de tudo. Nada de desligar a mente e se divertir. Vamos brincar de pensar. Tudo com o maravilhoso mundo dos piratas, que nesse terceiro capítulo, tem o dever de mostrar o destino de Jack Sparrow (Jonny Depp, de “Em Busca Da Terra Do Nunca”) e cia., que tem de enfrentar Davy Jones (Bill Nighy, de “Underworld”) que está sob o comando do Lorde Cutler Beckett (Tom Hollander, de “Um Bom Ano”).

4. O Ultimato Bourne

O mais novo capítulo da franquia Bourne surpreendeu todo o público por não perder hora alguma a essência da trilogia, encerrando-a com o melhor produto derivado da mesma. O longa conta com um Matt Damon já familiarizado com o personagem, um roteiro muito bem construído que não deixa situação alguma pendente, e é claro, Paul Greengrass em sua melhor forma. O diretor conseguiu criar grandes seqüências de ação. Com sua típica “câmera de mão” torna tudo visto na tela o mais verossímil possível. Nesse grande desfecho, Jason Bourne (Matt Damon, de “Os Infiltrados”) continua fugindo de tudo e de todos, para continuar sua conturbada jornada a fim de recuperar sua memória e descobrir que realmente ele é.

5. Os Simpsons

Nada como 18 anos de experiência e milhares de revisadas no roteiro. A chegada da família amarela de Springfield aos cinemas é com uma classe que poucos têm. A série animada mais famosa da televisão mundial é convertida maravilhosamente para um longa-metragem inteligentíssimo, que trata de temas como religião, política, família, meio ambiente, entre outros; tudo com aquela sutileza que só essa adorada família consegue fazer. Não passa de um episódio alongado, mas, desde quando isso é um problema? Acompanhamos a extensão da história de Homer Simpson (voz de Dan Castellaneta) que, acidentalmente, ou nem tanto, acaba poluindo o rio de Springfield com o estrume de seu porco de estimação, e as autoridades locais, se vêem obrigadas a isolar a cidade mais poluída do mundo.

Temos diversos outros títulos como “Harry Potter E A Ordem da Fênix”, “Duro de Matar 4.0” e “Shrek Terceiro” que tem diversas qualidades, mas que infelizmente não entraram na lista acima. Enquanto a “Transformers” e ”Quarteto Fantástico e O Surfista Prateado”, talvez eles não sejam suficientemente dignos de juntar-se aos grandes nomes que fizeram a diferença esse ano; apesar do grande sucesso que ambos fizeram. Contudo, podemos concluir que esse foi um dos melhores anos de Blockbuster, se não o melhor, que não é tão importante quanto o ano de 1999 como disse no início, mas que certamente ficará para a história.

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