As pérolas do Verão-2007

Publicado em: 13-11-2007 @ 2:25 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Certa feita escrevi para o site uma matéria que defendia a importância singular do ano de 1999 para o cinema. Mostrei quantos clássicos surgiram num ano só, e o tanto que o mesmo veio a acrescentar. Pois bem, acredito que todos os leitores presentes saibam que o período localizado aproximadamente no meio do ano, é aquele que foi eleito por Hollywood para extorquir o dinheiro dos espectadores ao redor do mundo. Desde Maio de 2007 – verão nos EUA – estamos sendo bombardeados por diversas pérolas do entretenimento, que curiosamente se mostraram de uma qualidade quase irrepreensível e de grande porte. Aqueles cinéfilos mais atentos estão cientes que este ano será o mais lucrativo da história. Uma enorme competição entre grandes nomes. É uma batalha épica nos tempos modernos. Talvez devido a essa imensa competitividade os produtos tenham sido tão notáveis.

Tivemos nesse meado de ano, longas como os terceiros capítulos das franquias do “Homem-Aranha”, “Piratas do Caribe”, “Shrek” e da “Trilogia Bourne” bem como o quinto volume da imensa série de “Harry Potter”, o longa animado derivado da parceria Disney/Pixar “Ratatouille”, a chegada de “Os Simpsons” ao cinema, a última seqüência de Duro de Matar, o live-action dos “Transformers”, entre outros. O indivíduo que vos fala, prestigiou a todos os projetos que fizeram as “caixas registradoras” dos cinemas trincarem a todo estante. Então, irei fazer uma pequena lista daqueles filmes que fizeram rios de dinheiro, mas que não esqueceram o que realmente interessa: A qualidade. Entretanto, antes de qualquer coisa, tenho que advertir que listas são extremamente pessoais e ingratas; por isso, peço minhas humildes desculpas por ser obrigado a estabelecer uma ordem de qualidade.

1. Homem-Aranha 3

Provavelmente, alguns leitores devem estar se perguntando: a lista começa do pior para o melhor? Sinto afirmar que não. Ao contrário da maioria dos espectadores, fui um daqueles que saiu da seção de Homem-Aranha de queixo caído. Isso porque eu nunca iria imaginar uma mescla de ação, drama, romance e comédia bem equilibrada, ainda mais no filme que mais faturou na terra do Tio Sam esse ano. Observado pela minha ótica como o melhor da trilogia, e como se pode notar, o melhor Blockbuster de 2007. O longa dá continuidade a história de Peter Parker (Tobey Maguire, de Seabiscuit) que agora é aclamado pela sociedade e deixa sobressair seu ego, negligenciando assim com aqueles que mais ama. Além desse conflito interno, ele tem que dar conta de três vilões: Homem-Areia (Thomas Haden Church, de “Sideways”), Duende Verde Jr. (James Franco, de “Tristão e Isolda”), e Venom (Topher Grace, de “Em Boa Companhia”).

2. Ratatouille

“Ratatouille” foi a maior prova da supremacia da Disney/Pixar, marcando infelizmente, o fim dessa perfeita parceria (a Disney comprou a Pixar). Entretanto, nos entrega essa última obra de arte da maneira mais bela possível, com uma qualidade técnica perfeita e com um roteiro impecável. Delicioso e agradável, o filme é indicado para todo e qualquer público, independente de qualquer pontuação que o caracterize. Juntamente com “Procurando Nemo” e “Os Incríveis”, compõe o trio das melhores animações dos últimos anos. A película conta as aventuras e desventuras de Remy (voz de Patton Oswalt) que tem como sonho ser um grande cozinheiro. Conseguindo parar em um grande e bem conceituado restaurante francês, ele tem sua chance de virar Chef quando conquista a amizade de Linguini (voz de Lou Romano), um jovem que trabalha nesse restaurante, mas não sabe cozinhar.

3. Piratas do Caribe: No Fim Do Mundo

Exatas 2 horas e 48 minutos. Será mesmo que todos achavam que esse tempo todo iria se resumir somente a efeitos especiais? Os que achavam, estavam redondamente enganados, pois, seguindo a regra dos longas citados anteriormente, esse último capítulo da trilogia de “Piratas do Caribe” tem uma qualidade estética maravilhosa, mas tem um roteiro que consegue sustentá-lo sem muitas dificuldades. Justamente por isso que a maioria dos espectadores se decepcionou com o longa, pois o roteiro vem acima de tudo. Nada de desligar a mente e se divertir. Vamos brincar de pensar. Tudo com o maravilhoso mundo dos piratas, que nesse terceiro capítulo, tem o dever de mostrar o destino de Jack Sparrow (Jonny Depp, de “Em Busca Da Terra Do Nunca”) e cia., que tem de enfrentar Davy Jones (Bill Nighy, de “Underworld”) que está sob o comando do Lorde Cutler Beckett (Tom Hollander, de “Um Bom Ano”).

4. O Ultimato Bourne

O mais novo capítulo da franquia Bourne surpreendeu todo o público por não perder hora alguma a essência da trilogia, encerrando-a com o melhor produto derivado da mesma. O longa conta com um Matt Damon já familiarizado com o personagem, um roteiro muito bem construído que não deixa situação alguma pendente, e é claro, Paul Greengrass em sua melhor forma. O diretor conseguiu criar grandes seqüências de ação. Com sua típica “câmera de mão” torna tudo visto na tela o mais verossímil possível. Nesse grande desfecho, Jason Bourne (Matt Damon, de “Os Infiltrados”) continua fugindo de tudo e de todos, para continuar sua conturbada jornada a fim de recuperar sua memória e descobrir que realmente ele é.

5. Os Simpsons

Nada como 18 anos de experiência e milhares de revisadas no roteiro. A chegada da família amarela de Springfield aos cinemas é com uma classe que poucos têm. A série animada mais famosa da televisão mundial é convertida maravilhosamente para um longa-metragem inteligentíssimo, que trata de temas como religião, política, família, meio ambiente, entre outros; tudo com aquela sutileza que só essa adorada família consegue fazer. Não passa de um episódio alongado, mas, desde quando isso é um problema? Acompanhamos a extensão da história de Homer Simpson (voz de Dan Castellaneta) que, acidentalmente, ou nem tanto, acaba poluindo o rio de Springfield com o estrume de seu porco de estimação, e as autoridades locais, se vêem obrigadas a isolar a cidade mais poluída do mundo.

Temos diversos outros títulos como “Harry Potter E A Ordem da Fênix”, “Duro de Matar 4.0” e “Shrek Terceiro” que tem diversas qualidades, mas que infelizmente não entraram na lista acima. Enquanto a “Transformers” e ”Quarteto Fantástico e O Surfista Prateado”, talvez eles não sejam suficientemente dignos de juntar-se aos grandes nomes que fizeram a diferença esse ano; apesar do grande sucesso que ambos fizeram. Contudo, podemos concluir que esse foi um dos melhores anos de Blockbuster, se não o melhor, que não é tão importante quanto o ano de 1999 como disse no início, mas que certamente ficará para a história.

Especial: 1999, o ano em que o cinema brilhou

Publicado em: 27-09-2007 @ 6:09 pm 
Postado em: Especiais
Escrito por: Amenar Neto

Foram 1999 anos de evolução humana e poucos de existência cinematográfica agregada à sua evolução; poucos, porém eficazes. As técnicas foram se aperfeiçoando, a visão se expandindo e a coragem aumentando; a prática foi demonstrada como grande implicante para um produto final. É lógico que somente não existiram obras primas nesse intervalo de um ano, mas podemos dizer assim, uma maior incidência delas. Indivíduos inspirados e determinados a trazer a vida objetos de adoração, existiram aos montes; deixaram marcas para nunca mais serem apagadas. Nunca, nem antes nem depois do feito, vimos algo desse tipo tão raro de se acontecer quanto chuvas no sertão, algo tão bom quanto gotas finais de um copo d’água. Obras para todas as idades, gostos e estilos foram criadas. Tudo em apenas 365 dias e 6 horas. Nasceram há quase 10 anos, mas viverão eternamente.

Na verdade, toda a década de 90 no aspecto cinematográfico, foi singular. Acompanhamos a brilhante estréia de Quentin Tarantino nos cinemas com “Cães de Aluguel”, logo depois com seu segundo e maravilhoso trabalho “Pulp Fiction - Tempos de Violência”. Também tivemos sucessos como “Forrest Gump - O Contador de Histórias”, o inigualável filme de Steven Spielberg “A Lista de Schindler”, o clássico da animação “O Rei Leão”, etc. Digamos que foi toda uma década de sucessos. Seguindo a regra, vários notáveis títulos fecharam esses dez anos com chave de ouro; uma real convenção da genialidade. Somente para materializar essa idéia, segue uma pequena lista do tanto que se fez em tão pouco tempo; obras de valores ainda inestimáveis pelo homem. Particularmente quase todos os filmes que serão citados, figuram como os que mais admiro. Concorde ou não, acredito que é necessário reconhecer suas qualidades.

Magnólia

Talvez nem todos conheçam esse longa-metragem; ou até mesmo não tiveram paciência para assisti-lo. Entretanto aqueles que viram, provavelmente, concordam quando se afirma que ele é “divino”. “Magnólia”, obra-prima máxima do diretor Paul Thomas Anderson (“Boogie Nights – Prazer Sem Limites”), narra a história de nove personagens aparentemente desconhecidas, mas que aos poucos tem suas histórias interligadas por algum ponto em comum. Aos poucos vai mostrando o quanto é complexa, e ao mesmo tempo simples, a relação das pessoas na organização atual da sociedade. São três horas e meia de diálogos, com direito a resoluções bíblicas e tudo mais. Indicado a três Oscar, sendo eles: Melhor Canção Original, Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante para Tom Cruise (“Missão Impossível”).


À Espera de Um Milagre

Segundo filme dirigido por Frank Darabont (“Um Sonho De Liberdade”), que foi adaptado de um romance de Stephen King. Como já diria Kubrick a respeito de King: “obras literárias medianas rendem bons filmes”. A trama mostra o drama vivido por Paul (Tom Hanks, de “Um Dia a Casa Cai”), que é um dos responsáveis pelo corredor da morte durante o ano de 1935. Num dia comum, chega à prisão um enorme rapaz chamado Jonh Coffey (Michael Duncan) que foi condenado à morte por estuprar e assassinar duas meninas. Eles vão se conhecendo aos poucos. Paul percebe que Coffey é capaz de operar milagres através de sua “oração”. A vida de todos que eram responsáveis por aquele corredor, são mudadas depois da chegada desse novo e milagroso prisioneiro. Entretanto, ficamos incertos da sua inocência, e descobrimos gradativamente o que realmente aconteceu para aquele divino indivíduo estar ali. Em minha opinião, a melhor obra de Darabont, que teve apenas quatro indicações ao Oscar, entre elas está a de Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (Duncan). Uma das maiores injustiças já cometidas pelo Oscar, por sequer conceder uma estatueta para essa inigualável obra.


Matrix

Um dos maiores marcadores da “linha do tempo” cinematográfica. Atualmente um dos maiores ícones do cinema, um dos filmes mais cultuados e, depois de “2001: Uma Odisséia no Espaço” é o melhor filme de ficção científica. “Matrix” foi uma grande surpresa, que veio de diretores e roteiristas até então considerados amadores, mas que deixaram o mundo boquiaberto com efeitos especiais maravilhosos, uma história super inteligente, e um roteiro bem fundamentado como poucos - tudo isso embalado com muitas acrobacias e Kung-Fu. Essa “maravilha da computação” mostra a dinâmica entre máquina/homem, situado num futuro sombrio, onde as máquinas dominam os homens. Nessa mistura teológica, filosófica e científica, acompanhamos a história de Neo (Keanu Reeves, de “Velocidade Máxima”), que é tido como The One (O Escolhido), aquele que livrará a humanidade dessa subordinação para com as máquinas. Ele é conduzido por Morpheus (Laurence Fishburne, de “Assalto à 13ª DP”) e acompanhado por sua musa Trinity (Carrie Anne-Moss, de “Chocolate”) nessa jornada de auto-conhecimento da sua nova identidade. Ganhador de quatro Oscar: Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Som, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Montagem.


Clube da Luta

Depois de comandar um dos filmes mais cultuados do cinema, “Seven - Sete Crimes Capitais”, David Fincher cria a - considerado por alguns - nova Bíblia. Com uma narrativa extremamente interessante e bem conduzida, “Clube da Luta”, mesmo oito anos depois de sua criação, consegue ser atual devido à forma moderna com que Fincher conduz as coisas. O filme mostra a monótona vida de Jack (Edward Norton, de “O Ilusionista”), que apesar de ter uma boa vida financeira e levemente equilibrada, sofre de problemas de insônia. Tudo prossegue assim, até quando ele conhece Tyler (Brad Pitt, de “Tróia”) durante um vôo de avião e ficam amigos. Dessa amizade, surge a idéia de criar um “clube da luta”, onde os amigos se espancam violentamente durante combates sangrentos. Algum tempo depois, a relação entre Jack e Tyler vai se desgastando, fazendo com que as desavenças comecem. Seria uma briga muito simples, se não fosse pelo fato de Tyler fazer parte da vida de Jack mais do que ele pensava. Um grande estudo sobre a mente das pessoas, além de uma grande e bela crítica à sociedade na qual estamos inseridos. Foi injustamente indicado a somente o Oscar de Melhores Efeitos Sonoros.


O Sexto Sentido

Uma produção humilde, com um diretor de segunda viagem e que não prometia muito. O que mesmo esperar sobre isso? É justamente aí que M. Night Shyamalan nos pega de surpresa. O cara carrega milhões de cidadãos para o cinema a fim de assistir um suspense. Não me recordo outra vez que aconteceu algo de forma tão eficaz como essa. O longa-metragem conta com um roteiro muito bom, uma direção surpreendente e atuações inspiradas. Do que mais precisamos? Tornou-se um ícone do cinema, dotado de um dos melhores e surpreendentes finais. Talvez hoje em dia já se saiba mesmo antes de assistir, mas a sensação de acompanhar toda a história é extraordinária. A película tem em sua bagagem a história do Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis, de “Duro de Matar”) que é um grande profissional da área de psicologia, mas falhou anteriormente com um de seus pacientes. Algum tempo depois ele está trabalhando para ajudar Cole (Haley Joel Osment, de “A.I. – Inteligência Artificial”) que tem um quadro difícil, pois é dotado de um grande agravante: o garoto tem visões de pessoas mortas. Indicado a seis Oscar, dentre eles: Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Roteiro Original.


Beleza Americana

A supremacia do recheado Oscar de 2000; oito indicações e cinco estatuetas conquistadas. Sam Mendes (“Estrada para a Perdição”) caprichou nessa película sobre relacionamentos não só amorosos como familiares. Sensível, moderno, dinâmico e inteligente, que condena o “American Way Of Life”, o filme conta a vida de Lester Burnham (Kevin Spacey, de “Corrente do Bem”). Ele é um chefe de família tradicional que toma diversas decisões para fazer de sua vida algo extraordinária. Entretanto, ele vive uma crise familiar com a traição de sua esposa Carolyn (Annette Bening, de “Marte Ataca!”) e a constante rebeldia de sua filha Jane (Thora Birch, de “Agora e Sempre”). Após conhecer a amiga de sua filha, ele começa a ter fantasias com ela, ao mesmo tempo em que tenta aproximar-se da mesma. Destaque para as atuações de Kevin Spacey e Annette Bening, para o roteiro e pela direção de Sam Mendes.


Acredito que apresentei seis bons motivos para que as pessoas possam reconhecer o quanto foi importante esse ano para o cinema. Agradando a Gregos e Troianos, mas, acima de tudo, agradando a todos. Infelizmente, a premiação do Oscar do ano seguinte não foi justa, mas isso não é nenhuma novidade - tento me conformar aos poucos. Injustiças à parte, existe gratidão que tenho para com Hollywood por essas formidáveis obras que superam qualquer decepção. Como poucas vezes aconteceram, posso afirmar sem receio: a perfeição foi alcançada com êxito.

Página 2 à 2«12

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