Certa feita escrevi para o site uma matéria que defendia a importância singular do ano de 1999 para o cinema. Mostrei quantos clássicos surgiram num ano só, e o tanto que o mesmo veio a acrescentar. Pois bem, acredito que todos os leitores presentes saibam que o período localizado aproximadamente no meio do ano, é aquele que foi eleito por Hollywood para extorquir o dinheiro dos espectadores ao redor do mundo. Desde Maio de 2007 – verão nos EUA – estamos sendo bombardeados por diversas pérolas do entretenimento, que curiosamente se mostraram de uma qualidade quase irrepreensível e de grande porte. Aqueles cinéfilos mais atentos estão cientes que este ano será o mais lucrativo da história. Uma enorme competição entre grandes nomes. É uma batalha épica nos tempos modernos. Talvez devido a essa imensa competitividade os produtos tenham sido tão notáveis.
Tivemos nesse meado de ano, longas como os terceiros capítulos das franquias do “Homem-Aranha”, “Piratas do Caribe”, “Shrek” e da “Trilogia Bourne” bem como o quinto volume da imensa série de “Harry Potter”, o longa animado derivado da parceria Disney/Pixar “Ratatouille”, a chegada de “Os Simpsons” ao cinema, a última seqüência de Duro de Matar, o live-action dos “Transformers”, entre outros. O indivíduo que vos fala, prestigiou a todos os projetos que fizeram as “caixas registradoras” dos cinemas trincarem a todo estante. Então, irei fazer uma pequena lista daqueles filmes que fizeram rios de dinheiro, mas que não esqueceram o que realmente interessa: A qualidade. Entretanto, antes de qualquer coisa, tenho que advertir que listas são extremamente pessoais e ingratas; por isso, peço minhas humildes desculpas por ser obrigado a estabelecer uma ordem de qualidade.

Provavelmente, alguns leitores devem estar se perguntando: a lista começa do pior para o melhor? Sinto afirmar que não. Ao contrário da maioria dos espectadores, fui um daqueles que saiu da seção de Homem-Aranha de queixo caído. Isso porque eu nunca iria imaginar uma mescla de ação, drama, romance e comédia bem equilibrada, ainda mais no filme que mais faturou na terra do Tio Sam esse ano. Observado pela minha ótica como o melhor da trilogia, e como se pode notar, o melhor Blockbuster de 2007. O longa dá continuidade a história de Peter Parker (Tobey Maguire, de Seabiscuit) que agora é aclamado pela sociedade e deixa sobressair seu ego, negligenciando assim com aqueles que mais ama. Além desse conflito interno, ele tem que dar conta de três vilões: Homem-Areia (Thomas Haden Church, de “Sideways”), Duende Verde Jr. (James Franco, de “Tristão e Isolda”), e Venom (Topher Grace, de “Em Boa Companhia”).

“Ratatouille” foi a maior prova da supremacia da Disney/Pixar, marcando infelizmente, o fim dessa perfeita parceria (a Disney comprou a Pixar). Entretanto, nos entrega essa última obra de arte da maneira mais bela possível, com uma qualidade técnica perfeita e com um roteiro impecável. Delicioso e agradável, o filme é indicado para todo e qualquer público, independente de qualquer pontuação que o caracterize. Juntamente com “Procurando Nemo” e “Os Incríveis”, compõe o trio das melhores animações dos últimos anos. A película conta as aventuras e desventuras de Remy (voz de Patton Oswalt) que tem como sonho ser um grande cozinheiro. Conseguindo parar em um grande e bem conceituado restaurante francês, ele tem sua chance de virar Chef quando conquista a amizade de Linguini (voz de Lou Romano), um jovem que trabalha nesse restaurante, mas não sabe cozinhar.
3. Piratas do Caribe: No Fim Do Mundo

Exatas 2 horas e 48 minutos. Será mesmo que todos achavam que esse tempo todo iria se resumir somente a efeitos especiais? Os que achavam, estavam redondamente enganados, pois, seguindo a regra dos longas citados anteriormente, esse último capítulo da trilogia de “Piratas do Caribe” tem uma qualidade estética maravilhosa, mas tem um roteiro que consegue sustentá-lo sem muitas dificuldades. Justamente por isso que a maioria dos espectadores se decepcionou com o longa, pois o roteiro vem acima de tudo. Nada de desligar a mente e se divertir. Vamos brincar de pensar. Tudo com o maravilhoso mundo dos piratas, que nesse terceiro capítulo, tem o dever de mostrar o destino de Jack Sparrow (Jonny Depp, de “Em Busca Da Terra Do Nunca”) e cia., que tem de enfrentar Davy Jones (Bill Nighy, de “Underworld”) que está sob o comando do Lorde Cutler Beckett (Tom Hollander, de “Um Bom Ano”).

O mais novo capítulo da franquia Bourne surpreendeu todo o público por não perder hora alguma a essência da trilogia, encerrando-a com o melhor produto derivado da mesma. O longa conta com um Matt Damon já familiarizado com o personagem, um roteiro muito bem construído que não deixa situação alguma pendente, e é claro, Paul Greengrass em sua melhor forma. O diretor conseguiu criar grandes seqüências de ação. Com sua típica “câmera de mão” torna tudo visto na tela o mais verossímil possível. Nesse grande desfecho, Jason Bourne (Matt Damon, de “Os Infiltrados”) continua fugindo de tudo e de todos, para continuar sua conturbada jornada a fim de recuperar sua memória e descobrir que realmente ele é.

Nada como 18 anos de experiência e milhares de revisadas no roteiro. A chegada da família amarela de Springfield aos cinemas é com uma classe que poucos têm. A série animada mais famosa da televisão mundial é convertida maravilhosamente para um longa-metragem inteligentíssimo, que trata de temas como religião, política, família, meio ambiente, entre outros; tudo com aquela sutileza que só essa adorada família consegue fazer. Não passa de um episódio alongado, mas, desde quando isso é um problema? Acompanhamos a extensão da história de Homer Simpson (voz de Dan Castellaneta) que, acidentalmente, ou nem tanto, acaba poluindo o rio de Springfield com o estrume de seu porco de estimação, e as autoridades locais, se vêem obrigadas a isolar a cidade mais poluída do mundo.
Temos diversos outros títulos como “Harry Potter E A Ordem da Fênix”, “Duro de Matar 4.0” e “Shrek Terceiro” que tem diversas qualidades, mas que infelizmente não entraram na lista acima. Enquanto a “Transformers” e ”Quarteto Fantástico e O Surfista Prateado”, talvez eles não sejam suficientemente dignos de juntar-se aos grandes nomes que fizeram a diferença esse ano; apesar do grande sucesso que ambos fizeram. Contudo, podemos concluir que esse foi um dos melhores anos de Blockbuster, se não o melhor, que não é tão importante quanto o ano de 1999 como disse no início, mas que certamente ficará para a história.






