Pink Flamingos

Publicado em: 18-09-2007 @ 11:51 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Evitando atrair maiores atenções para si, Divine, uma mulher inescrupulosa, esconde-se adotando o falso nome de Babs Johnson. Ela é a pessoa mais imunda que existe, e mora em um trailer cor-de-rosa próximo � cidade de Baltimore, na companhia de uma fiel amiga e assistente de crimes; de seu pervertido filho; e de sua mãe, uma senhora doente mental que vive de lingerie em um berço infantil e é obcecada por ovos.

No centro da cidade, um casal invejoso mantém um negócio ilegal de bebês: continuamente seqüestram moças para serem fecundadas por um empregado e terem seus recém-nascidos vendidos para casais de lésbicas. O dinheiro é investido na venda de drogas para escolas. Toda essa sujeira a troco de nada além do almejado título de “pessoa mais imunda que existe”, pertencente � excêntrica (e imunda, claro) Divine.

Com a ingênua “(How Much Is) That Doggie in The Window”, de Patti Page, John Waters coroou um dos filmes mais ultrajantes já feitos, dando música � célebre cena de coprofagia (Divine devora fezes fresquinhas de um poodle) que lhe rendeu a honra de representar para o cinema o Papa do Trash e Príncipe do Vômito. Conheça um pouco sobre John Waters e Glen “Divine” Milstead, ícones do cinema independente; diretor e estrela de Pink Flamingos (1972), respectivamente.
John Waters nasceu em 22 de abril de 1946, nos EUA; mais especificamente em Baltimore, cidade-cenário de muitos de seus filmes. Foi onde conheceu grande parte de sua equipe, os Dreamlanders, inclusive o jovem Glen Milstead, que logo se tornou a glamurosa Divine. Waters tinha 18 anos quando realizou seu primeiro filme: o curta-metragem em 8 mm Hag in a Black Leather Jacket (1964). Mas foi com Multiple Maniacs (1970), seu segundo longa, que chamou a atenção. O filme foi exibido nas loucas sessões da meia-noite do Palace Theatre, em São Francisco, para onde Waters partiu na tentativa de arrecadar dinheiro para produzir seus próximos filmes. Abaixo, uma foto de John Waters e Glen Milstead juntos:

Seu objetivo era promover um novo tipo de humor, afrontando a tirania do bom gosto, e assim lançou Pink Flamingos (1972), que não permite duvidar de sua ousadia. O filme estourou nas sessões da meia-noite do cinema Elgin, em Nova Iorque, consagrando Waters como o “papa do trash”. Nos próximos anos, ele dirigiu pérolas como Problemas Femininos (1974), Polyester (1981) e Hairspray (1988; este virou peça de sucesso na Broadway, que, por sua vez, inspirou a recente versão com John Travolta), abordando temáticas como drogas, sexo, religião, donas de casa incompreendidas e adolescentes rebeldes. Recentemente, Waters parodiou o cinema independente na apaixonada comédia Cecil Bem Demente (2000), provando que sua filmografia é o perfeito exemplo da transição do underground para o cinema de massa, sem a perda de sua integridade estética. Também publicou livros de ensaios e de fotografia, e, atualmente, dá aulas de cinema e estudos subculturais na European Graduate School, na Suíça.

Glen Milstead nasceu em 19 de outubro de 1945, no subúrbio de Baltimore, nos Estados Unidos. Cedo, demonstrou comportamento afeminado e foi levado pela mãe ao médico, que o “diagnosticou” como homossexual. Em 1963, aos 18 anos, foi ao baile do colégio caracterizado como Elizabeth Taylor, sua diva. Nessa mesma época, conheceu o aspirante a cineasta John Waters e, louco por fama, aceitou firmar uma parceria que duraria até o fim de sua vida. Segundo Waters, seu objetivo era mostrar a beleza de Glen e testar sua própria loucura. O resultado disto foi o nascimento de Divine e, além de alguns filmes experimentais, longas como Pink Flamingos (1972), Problemas Femininos (1974) e Polyester (1981). Abaixo, três imagens de Divine:

Não tardou até que Glen se sentisse incomodado com sua criação, desejando ser reconhecido por sua capacidade cênica; não por um show de atrocidades. Fez uma série de apresentações, lançou o single “I’m So Beautiful”, viajou o mundo em turnê, estrelou dois filmes (em um deles, com um personagem masculino), mas voltou a trabalhar com Waters, em Hairspray (1988). No mesmo ano, aos 42 anos, decidiu guardar a saia no armário e empolgou-se com a idéia de estrelar um papel masculino na série de sucesso Married With Children, mas foi vitima de seu peso (170 quilos), falecendo depois de um ataque cardíaco durante o sono, na madrugada de sua estréia.

Bonequinha de Luxo

Publicado em: 28-08-2007 @ 11:01 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Bonequinha de LuxoNova Iorque s 6 da manhã. Uma entre as principais metrópoles do mundo ainda está despertando quando um táxi pára diante da Tiffany & Co., uma centenária joalheria. Do carro sai a solitária Holly Golightly, acompanhada somente do seu café da manhã: um croissant e uma bebida quente. Enquanto caminha para casa, observa as jóias nas vitrines. Essa é a rotina de Holly, uma moça ambiciosa que, além de cultivar uma séria obsessão por jóias, é cheia de desejos nobres como comprar o seu próprio apartamento para dar um lar ao irmão que está prestes a voltar da guerra; além de sustentá-lo. Para isso, ela se submete ao cargo de ‘acompanhante’, tendo que enfrentar horas ao lado de dezenas de ricaços de meia-idade em festas, bares etc.

Bonequinha de Luxo é inspirado em “Ao Começo do Dia”, romance do escritor estadunidense Truman Capote, publicado em 1958. O livro possui um conteúdo intenso e provocador; perfeito se a estrela do filme fosse alguém sexy e ousada como Marilyn Monroe. A loira foi cotada para o papel, mas este ficou com Audrey Hepburn, atriz de físico mirrado e de rosto angelical que trazia no currículo papéis como os de princesa, adolescente, freira… Era impossível para o público americano vê-la no papel de uma prostituta, de uma garota de programa (títulos que jamais seriam citados no decorrer do filme). Assim, deu-se início ao famigerado ‘inferno de desenvolvimento’, ou seja, a criação do roteiro. Neste caso, o processo tornou-se ainda mais difícil devido s limitações em relação personagem de Audrey, que deveria ser ‘eufemizada’ na medida do impossível. Apesar de todo o melindre, o filme gerou algumas polêmicas por conteúdo politicamente incorreto. Entre elas, o fato de Mickey Rooney, ator americano sob intensa maquiagem, interpretar jocosamente o carrancudo vizinho japonês da bonequinha de luxo. Blake Edwards redime-se assumindo que, apesar de sua forte amizade com Rooney, não repetiria a mancada se tivesse a chance.

Bonequinha de Luxo

Bonequinha de Luxo é marcado por duas célebres parcerias. A primeira delas é entre Audrey Hepburn e Hubert de Givenchy, iniciada nas gravações de Sabrina (1954), do respeitado cineasta Billy Wilder. O que começou como uma decepção (o jovem estilista pensava que vestiria Katharine Hepburn; não a neófita Audrey) durou até o fim da vida da atriz. Ela tornou-se sua musa definitiva e símbolo incontestável da moda. A outra parceria é entre Edwards, o cineasta, e Henry Mancini, o compositor. Os dois trabalharam juntos pela primeira vez em 1957, no drama Hienas do Pano Verde. Em seguida, vieram sucessos mundiais como o tema de A Pantera Cor-de-Rosa (1963) e, claro, “Moon River”, de Bonequinha de Luxo.

Como manda a elegância sugerida pelo filme, Mancini alterna a trilha sonora entre nuances jazzísticas. As músicas mais alegres, naturalmente, servem de fundo para os momentos divertidos e bem-humorados, bem como para a amalucada festa que Holly oferece alta-sociedade nova-iorquina. Um momento puramente Blake Edwards, de um humor surreal e, o melhor de tudo, improvisado. Vê-se gente bêbada fazendo todo o tipo de besteira inimaginável e Mancini acerta em cheio no despojado tom musical. Também em clima de brincadeira surgem as estereotipadas “Mr. Yunioshi” e “Latin Golightly”. O músico deixa a dramaticidade de suas composições para a música-tema da bonequinha de luxo, “Holly”, mas brinca até com a lacrimosa “Moon River”, transformando-a ao final num animado mambo com “Moon River Cha Cha”. Audrey Hepburn presenteia-nos novamente com sua doce voz (sublime é sua versão para “La Vie em Rose”, em Sabrina) em uma das cenas mais marcantes desta adorável ode futilidade.

Bonequinha de Luxo

Welcome to Twin Peaks…

Publicado em: 08-08-2007 @ 3:30 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha


Os cineastas David Lynch e Mark Frost se conheceram através de um projeto de longa-metragem da Warner sobre a vida de Marilyn Monroe. Eles deveriam dirigir e roteirizar o filme, respectivamente, mas, apesar de sentir-se atraído pela turbulenta vida da atriz, Lynch deixou clara a sua preferência pela ficção. Mais tarde, em uma conversa casual, Lynch e Frost visualizaram algo como um corpo sendo carregado pela água na margem de um rio. Os dois foram ABC com um projeto completo, incluindo o mapa de uma cidade fictícia que chamaram Twin Peaks. Em 08 de abril de 1990, após uma enormidade de burocracias, o piloto de Twin Peaks estreou na televisão americana. E assim foi lançado o que se tornaria um dos maiores mistérios da cultura pop internacional: “Quem matou Laura Palmer?”.

Numa manhã supostamente comum na aparente pacata cidade de Twin Peaks, é encontrado embrulhado em plástico o corpo da adolescente Laura Palmer. Garota mais popular do colégio, integrante de projetos sociais, filha e amiga adorada; sua morte causa extremo impacto em toda a cidade. Para solucionar o caso, o FBI envia a Twin Peaks o incorruptível Agente Dale Cooper, um jovem que adota métodos nada habituais em suas investigações, como sonhos premonitórios protagonizados por um anão dançarino e pela própria vítima do assassinato, Laura Palmer.


Sheryl Lee no papel da misteriosa Laura Palmer; o contraste entre
o momento mais sereno da personagem, no baile da escola, e a cena
em que seu corpo é encontrado.

A partir das averiguações de Cooper, a série é dividida em diversas tramas paralelas, quase sempre relacionadas ao caso de Laura, como se sua morte fosse necessária para, enfim, serem reveladas as verdadeiras facetas dos habitantes da pequena e misteriosa Twin Peaks. Temas como assassinato, adultério, estupro, incesto, prostituição, corrupção, solidão, incomunicabilidade, amor e sobrenatural são abordados através de uma ótica bastante particular, já conhecida do público de cinema através de filmes como Erasehead (1977), O Homem Elefante (1980) e Veludo Azul (1990), de David Lynch. Em Twin Peaks, Lynch, Frost e uma extensa equipe de roteiristas e diretores, demonstram um talento irresistível para transformar o trivial em extraordinário. Fazem com que qualquer espectador imaginativo entregue-se completamente sua trama mórbida e sublime, como as canções de Julee Cruise para a trilha sonora, que, com a colaboração de Angelo Badalamenti, ganha dose extra de mistério e sensualidade.


Esquerda: Agente Dale Cooper e a insaciável Audrey Horne
Direita: Agente Dale Cooper e o Xerife Harry Truman

Twin Peaks deixou uma legião de fãs saudosos ao final de 29 parcos episódios, tornando-se presença garantida em qualquer lista de “programas de TV mais cultuados” ou “melhores programas de TV de todos os tempos”. Repleta de simbologias, a série deu origem a memorabilias como o diário secreto de Laura Palmer e as fitas de Cooper para sua secretária, itens mais do que atraentes para os fãs; e consagrou dezenas de citações e cacoetes de seus personagens únicos. Em 1992, foi realizada pelas mesmas cabeças pensantes da série uma espécie de filme-fetiche intitulado Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer. É uma chance de ver, sem censura, tudo o que a série insinuou. Não obstante, é essencial lembrar a colaboração do projeto original ao amadurecimento do sistema televisivo. Twin Peaks quebrou barreiras, tabus, e foi de indispensável influência na criação de séries populares como Arquivo X (1993), Lost e Desperate Housewives (ambas de 2004).

Homenagem aos 81 anos da mulher que não tem idade - Marilyn Monroe

Publicado em: 25-07-2007 @ 1:43 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Marilyn Monroe

Eu que não gosto de escrever textos pessoais, começarei esta coluna falando de mim: além de não gostar de escrever textos pessoais, não gosto de homenagens “fora de época”, como, de repente, uma mobilização em comemoração dos 67 anos de O Mágico de Oz. Nada contra o filme; pelo contrário. Adoro e até sei as músicas de cór… mas, como disse, não gosto de textos pessoais, então vou parar de falar de mim. Antes, preciso justificar-me: eu que não gosto de homenagens “fora de época”, encontrei-me extremamente tentada a escrever sobre Marilyn Monroe no último junho, em que ela comemoraria 81 anos se não tivesse sofrido tão trágica morte. Logo pensei que iria contra os meus princípios, pois o melhor seria homenageá-la em seu aniversário de 80 ou 85 anos. O primeiro já passou; o segundo está tão longe… Foi então que percebi que Marilyn não tem idade.

É provável que muita gente pare para refletir sobre a razão de Marilyn Monroe ser nada menos do que o maior ícone de um século. A relação de Marilyn com as câmeras começou com a fotografia, mas a resposta está em seus filmes; em algum lugar. Ao assistirmos Marilyn Monroe, torna-se uma difícil tarefa discordar da atriz Natalie Wood, que afirmou carinhosamente: “quando a gente vê Marilyn na tela, deseja que vá tudo bem com ela, que seja feliz”. Billy Wilder, um entre os maiores cineastas que Hollywood acolheu, responsável pela mítica cena do vestido esvoaçante, assume que a questão mais ouvida dos jornalistas é como ele decidiu virar cineasta. Depois, claro, da pergunta que não quer calar: como era Marilyn Monroe? Wilder, pacientemente, respondia que a Srta. Monroe possuía uma série de defeitos, como os seus famigerados atrasos ao estúdio, mas a recompensa sempre falava mais alto. Quando Wilder via Marilyn na tela, os problemas enfrentados nas gravações pareciam jamais ter existido.

Marilyn Monroe

Vamos agora pensar juntos sobre o que faz desta mulher tão encantadora: apesar de imitada � exaustão, só ela consegue cerrar os olhos e fazer biquinho sem soar ridícula. Só ela pode transmitir tanta graça e sensualidade ao mesmo tempo, de forma tão natural. Só ela convence a mais ferrenha das feministas de que uma dama jamais pode assumir que seus pés doem, independente da altura do salto. Só ela faz parecer correto o casamento por interesse. Só um fenômeno como ela, depois de 45 anos de sua morte, consegue continuar vendendo como água bonecas, canecas, camisetas, sapatos, tatuagens, rosas (naturais, com seu rosto impresso), pôsteres, discos, livros, filmes etc, formando uma legião de fiéis fãs falidos, mas felizes (a aliteração foi desproposital).

Segundo Wilder, não há dúvidas de que no cemitério em que Norma Jean Mortensen (nome de batismo de Marilyn) está enterrada há festa todo dia. Aliás, proporcionar alegria e encantamento certamente foi e continua sendo sua missão, pois Marilyn não tem idade. Esta, quiçá, é a razão do preconceito de muitas mulheres em relação � atriz. Enquanto elas envelhecem, Marilyn, que sacrificou sua vida pela sétima arte, sempre será Nell Forbes, Rose Loomis, Lorelei Lee, Pola Debevoise, Cherie, Sugar Kane, Roslyn Taber, entre outras maravilhosas personagens que, registradas no celulóide, viverão enquanto houver cinema.

Homenagem a Humphrey Bogart²

Publicado em: 11-07-2007 @ 3:53 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Caros leitores, como anunciado (1), eis a continuação da matéria sobre Humphrey Bogart, uma retrospectiva de sua filmografia resumida em dez títulos.

UMA AVENTURA NA MARTINICA (COMPRE O FILME)
(To Have and Have Not, 1944. De Howard Hawks. Com Walter Brennan, Lauren Bacall, Dolores Moran, Hoagy Carmichael)


O cenário é a ilha caribenha Martinica da Segunda Guerra Mundial. Harry Morgan (Bogart), um norte-americano, sobrevive do aluguel de seu barco para passeios turísticos. A Resistência Francesa lhe propõe uma boa quantidade de dinheiro para fazer o transporte ilegal de um de seus membros, mas, decididamente, Morgan não está disposto a arrumar problemas. Porém, ele conhece no hotel em que vive a charmosa batedora de carteiras Marie Browning (Bacall), uma jovem que sonha em voltar ao seu país. Em benefício de ambos, Morgan aceita correr os riscos e prestar o serviço � Resistência. Baseado em “Ter e Não Ter”, considerada uma das piores obras de Ernest Hemingway, o filme foi assumido por Hawks como um desafio. Aliás, o diretor adorava desafios. Um entre os seus preferidos era lançar novos astros e, acatando a sugestão de sua esposa, resolveu contratar uma jovem atraente que viu em uma revista, Betty Perske. A moça de apenas 19 anos conseguiu um contrato de alguns meses na Warner e deram início � sua transformação em Lauren Bacall. O resultado todos conhecemos: em Uma Aventura na Martinica somos testemunhas do surgimento de uma tórrida paixão entre dois atores, que resultaria no casal mais famoso e querido de Hollywood desde Douglas Fairbanks e Mary Pìckford.

PRISIONEIRO DO PASSADO (COMPRE O FILME)
(Dark Passage, 1947. De Delmer Daves. Com Lauren Bacall, Bruce Bennett, Agnes Moorehead, Tom D’Andrea)


Em sua fuga da prisão, Vincent Parry (Bogart) é encontrado � beira da estrada por Irene Jansen (Bacall), uma jovem pintora que resolve dar tudo de si para ajudá-lo. Acusado de ter assassinado sua esposa, ele não entende o sentimento compassivo da moça, até que ela confessa ter sido cadeira cativa em seus julgamentos e que aposta em sua inocência. Nesta terceira parceria entre Bogie e Bacall, foi adotado o uso de uma técnica moderna, aplicada anteriormente em A Dama do Lago, do mesmo ano: a câmera subjetiva, em que o que vemos em tela é a visão do personagem. Diferente do longa-metragem de Robert Montgomery, o filme abandona o recurso antes da metade, recorrendo a bandagens cirúrgicas para ocultar o personagem de Bogart, evidenciando apenas sua voz inconfundível. O manda-chuva do estúdio, Jack Warner, detestou a idéia de o seu maior astro permanecer “escondido” por tanto tempo, mas, ainda assim, a parceria Bacall & Bogart atraiu bastante público aos cinemas, gerando mais um sucesso para a Warner.

O TESOURO DE SIERRA MADRE (COMPRE O FILME)
(The Treasure of Sierra Madre, 1948. De John Huston. Com Walter Huston, Tim Holt, Bruce Bennett)


Fred (Bogart) e Bob (Holt) são americanos que vivem de esmolas no México. Eles arrancam algum dinheiro de um homem que lhes ofereceu trabalho duro e saiu � francesa, passando-lhes a perna. Fred tira também a sorte grande ao jogar na loteria, ganhando algumas centenas de dólares. Os dois conhecem Howard (Huston), um velho minerador que lhes conta sobre algumas jazidas de ouro jamais acessadas pelo homem. O interesse dos rapazes é imediato, então os três unem fundos para pagar alguns equipamentos e partem para o local a fim de explorá-lo. Mais uma parceria entre o cineasta John Huston e Bogie, é ainda hoje considerada um dos melhores retratos da ganância humana. Em uma das interpretações mais marcantes da sua carreira, Bogart assume com realismo o papel de um homem que, aos poucos, tem o seu caráter desintegrado pela ambição, como profeta o personagem de Walter Huston, pai do diretor. O ator Robert Blake, que futuramente trabalharia com David Lynch e causaria polêmica ao assassinar sua esposa, faz aqui uma participação curiosa como o menino da loteria.

SABRINA (COMPRE O FILME)
(Sabrina, 1954. De Billy Wilder. Com Audrey Hepburn, William Holden, Walter Hampden, John Williams, Martha Hyer)


Sabrina (Hepburn) é filha do chofer da importante família de empresários Larrabee. Criada na mansão dos patrões de seu pai, nutre desde menina uma paixão platônica pelo caçula da família, David (Holden), um boa-vida que coleciona casamentos. Enviada a uma grande escola de culinária em Paris, amadurece em sua estada, voltando � Long Island com a devida elegância. Preocupado em garantir um acordo empresarial, Linus (Bogart), o filho mais velho dos Larrabee, arruma mais um casamento para o irmão mais novo. Intencionando manter Sabrina longe do irmão prometido, Linus aproxima-se dela, mas acaba envolvendo-se. Depois de uma gama de personagens relacionados ao gangsterismo e outros crimes, Bogie adiciona � sua galeria um galã de meia-idade, provando a sua indiscutível versatilidade. Ele foi dirigido pelo já premiado Billy Wilder, hoje considerado um entre os maiores diretores de todos os tempos. Há boatos de que Bogie antipatizava com a doce Audrey Hepburn, insistindo que o papel deveria ser repassado � sua esposa, Lauren Bacall. Felizmente, essa não era uma possibilidade e Audrey realizou uma das performances mais graciosas do cinema; além de dar início a uma parceria com Hubert de Givenchy, estilista francês que a transformaria também em uma lenda da moda. Realizado há mais de 50 anos, Sabrina continua emocionando com a mesma intensidade os espectadores de um bom romance.

A TRÁGICA FARSA (COMPRE O FILME)
(The They Harder They Fall, 1956. De Mark Robson. Com Rod Steiger, Jan Sterling, Mike Lane, Max Baer)


Eddie Willis (Bogart), consagrado jornalista esportivo, é contratado por um grupo de homens para trabalhar como assessor de imprensa de um novo talento do boxe. Logo ele descobre que o “habilidoso” rapaz não passa de um homem corpulento e ingênuo que acredita ser forte e resistente como ouve dizer. Apesar de respeitado comunicador, Willis está desempregado e, em troca de uma boa fortuna, aceita a proposta de forjar para a imprensa informações acerca do lutador. Diferente de grande parte dos filmes estrelados por Bogart, A Trágica Farsa é assumidamente crítico. Propõe o desmascaramento da indústria milionária e desumana do boxe, que não distingue seus esportistas de um cavalo de corrida. Em um desempenho mais do que digno de respeito, é com este filme que Humphrey Bogart, uma entre as lendas imortais de Hollywood, despede-se do cinema.

Bogie faleceu em 14 de janeiro de 1957, vitimado por um câncer de garganta ocasionado pelo cigarro, seu inseparável companheiro (inclusive nos filmes). Com sua última esposa, a atriz Lauren Bacall, dividiu as telas quatro vezes e teve dois filhos: Stephen Humphrey Bogart e Leslie Bogart. O nome de sua filha é uma demonstração de gratidão ao ator Leslie Howard que, como citado na primeira parte da matéria, foi quem fez a carreira de Bogie em Hollywood deslanchar, na segunda metade da década de 30. Nestes 50 anos de sua morte, não há melhor homenagem do que comemorar seu legado: os seus filmes.

Ele foi agraciado com o maior dom que um homem pode ter: talento. O mundo inteiro o reconheceu… Sua vida, ainda que não longa se medida em anos, foi rica e plena… Não temos motivos para sentir pena alguma dele; apenas de nós mesmos por tê-lo perdido. Ele é absolutamente insubstituível. Jamais haverá outro como ele”. (John Huston)

Homenagem a Humphrey Bogart¹

Publicado em: 26-06-2007 @ 3:53 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

“We live in an age of mediocrity. Stars today are not the same stature as Bogie, James Cagney, Spencer Tracy, Henry Fonda and Jimmy Stewart” (Lauren Bacall)

Há 50 anos, Humphrey Bogart morreu em conseqüência de um câncer na garganta, vitimado pelo cigarro. Apesar desta inevitável sensação da perda daquele que foi um entre os grandes astros do cinema americano, Bogie deixou um precioso legado: seus filmes. Entre eles, estão A Floresta Petrificada, Anjos de Cara Suja, Vitória Amarga, O Último Refúgio, O Falcão Maltês: Relíquia Macabra, Casablanca, Uma Aventura na Martinica, Passagem Para Marselha, À Beira do Abismo, Prisioneiro do Passado, O Tesouro de Sierra Madre, Paixões em Fúria, Uma Aventura na África, Sabrina, Horas de Desespero. Bogart dividiu sua carreira com grandes diretores, como Raoul Walsh, Howard Hawks, Michael Curtiz, John Huston, Billy Wilder, William Wyler, entre outros. Trabalhou com outros grandes atores e atrizes. Aliás, de suas quatro esposas, três eram atrizes. Entre elas, Lauren Bacall, com quem compartilhou seus últimos anos. Como cinéfila, é inegável a minha paixão pelo cinema clássico, então torço para que agrade aos leitores do CCR lerem, quinzenalmente, um texto sobre o assunto. Prometo não ficar limitada e discutir os mais variados aspectos desta era do cinema. De forma alguma intenciono dar � minha coluna um aspecto nostálgico. Para começar, cumpri com minha vontade de homenagear Humphrey Bogart em seu qüinquagésimo ano de morte, comentando dez de seus filmes em uma coluna dividida em duas partes. Boa leitura.

A FLORESTA PETRIFICADA (COMPRE O FILME)
(The Petrified Forest, 1936. De Archie Mayo. Com Leslie Howard, Bette Davis, Dick Foran, Charley Grapewin)

A Floresta Petrificada - Howard e Bogart

O deserto é um cenário incomum para um filme de gângster, mas é onde se concentram as ações de A Floresta Petrificada. Um escritor andarilho (Howard) encontra um pequeno restaurante onde aproveita para descansar e acaba se deparando com algo surpreendente: um velho orgulhoso de ter levado um tiro de Billy the Kid e uma jovem leitora de poesia francesa (Davis). Excêntrico e incrédulo nas questões sentimentais, aceita com relutância o fato de se apaixonar pela moça, até que chega ao restaurante o temido criminoso Duke Mantee (Bogart), que lhe ajudará � sua maneira a promover seu sacrifício sentimental. Howard e Bogart haviam protagonizado esta história no teatro, e Howard impôs ao estúdio que o colega repetisse na produção o papel do gângster. Foi a oportunidade para Bogie escapar dos dramas e comédias meia-boca que lhe ofereciam, além de ter despertado o estúdio para uma característica que marcaria sua carreira: sua vocação para o vilanismo. Bogart faria novamente o papel de Duke Mantee em 1955, em seu único trabalho para a televisão. Contracenariam com ele Henry Fonda e Lauren Bacall.

ANJOS DE CARA SUJA (COMPRE O FILME)
(Angels with Dirty Faces, 1938. De Michael Curtiz. Com James Cagney, Pat O’Brien, Ann Sheridan, George Bancroft, ‘The Dead End Kids’)

Anjos de Cara Suja - Bogart e Cagney

Dois meninos são pegos roubando um trem de carga. Na fuga, um deles consegue pular a cerca que dá acesso ao seu esconderijo e fugir da polícia; o outro não. Este simples fato influi no destino de ambos: Rocky Sullivan (Cagney), o garoto que não conseguiu escapar, torna-se um gângster temido; seu colega, Jerry Connelly (O’Brien), vira padre. Ao fim de uma de suas diversas passagens pelo presídio, Rocky parte em busca de Jim Frazier (Bogart), um advogado ardiloso que lhe passou a perna; e acaba conhecendo e se envolvendo com um grupo de jovens delinqüentes como ele fora um dia. Anjos de Cara Suja foi uma das vítimas da Legião da Decência, um órgão católico que tratava de censurar os filmes (principalmente os de gângsteres). Isso gerou toda uma nova onda de filmes do gênero, que passaram a mostrar a origem desses criminosos, o que os motivou a serem quem são; além de um final obrigatoriamente moralista, contornado com sabedoria por alguns cineastas (é o caso de Curtiz). Bogie, que mais uma vez interpreta um homem inescrupuloso, era na época apenas um ator contratado da Warner e estrelou em seguida uma série de filmes do mesmo modelo.

O ÚLTIMO REFÚGIO (COMPRE O FILME)
(High Sierra, 1941. De Raoul Walsh. Com Ida Lupino, Alan Curtis, Arthur Kennedy, Joan Leslie)

O Último Refugio - Ida Lupino e Bogart

Roy Earle (Bogart), um articulado criminoso, é liberado da prisão em troca de um favor: liderar um grande assalto a um hotel fino. Junto do bando que o acompanhará está Marie (Lupino), uma mulher de história não muito digna, mas que se mostra dedicada e interessada em Roy. Por sua vez, ele se apaixona por outra moça (Leslie, então com 16 anos incompletos), uma jovem que conhece na estrada em uma de suas andanças. Este é um dos últimos exemplares do filme de gângster, que dominou o cinema de Hollywood na década de 30. Bogart, que estava exausto de incorporar personagens menores, lutou para fisgar o papel de Roy ‘Cão Doido’ Earle, um criminoso astuto, mas sentimental. Com este papel, Bogie pôde destacar-se e entrar para a chamada “Fila de Assassinos”, da qual faziam parte ninguém menos do que Edward G. Robinson, James Cagney, George Raft e Paul Muni, os maiores foras-da-lei da História do cinema americano. O Último Refúgio foi o filme que apresentou Bogie a John Huston, co-roteirista e futuro diretor, com quem manteria uma parceria frutífera. Além disso, o filme foi para Bogart a razão de seu reencontro com a magnífica atriz Ida Lupino e o realizador Raoul Walsh, com quem houvera trabalhado em Dentro da Noite (1940). Lupino, futuramente, se destacaria também na carreira de diretora. Nostálgico, O Último Refúgio lamenta o fim do gênero, mas abre alas para a estética que dominaria o cinema de Hollywood nos anos 40: a estética do noir.

O FALCÃO MALTÊS: RELÍQUIA MACABRA (COMPRE O FILME)
(The Maltese Falcon, 1941. De John Huston. Com Mary Astor, Gladys George, Peter Lorre, Sydney Greenstreet, Elisha Cook Jr.)

O Falcão Maltês - Relíquia Macabra - Bbogart

Em 1539, o rei da Espanha foi presenteado pelos Templários de Malta com um imponente falcão de ouro maciço, incrustado de pedras preciosas. Atacado por piratas, o rei teve o seu suntuoso objeto roubado, sem jamais conseguir notícias de seu paradeiro. 400 anos depois, o detetive Sam Spade (Bogart) é contratado por uma jovem (Astor) para que encontre sua irmã, mas logo percebe tratar-se de um blefe. A mocinha, aparentemente inocente, faz parte de um grupo de pessoas dispostas a arriscar suas vidas em busca do falcão maltês. Interessado em livrar-se da culpa por dois assassinatos que acredita ter ligação com o caso, Spade resolve observar de perto a procura pela estatueta e conhece os limites da ganância humana. O romance O Falcão Maltês, de Dashiell Hammett, havia sido adaptado para o cinema duas vezes: em 1931 e 1936, mas fracassaram. Em sua estréia como diretor, Huston criou o filme com o qual todos os filmes de detetive seriam comparados. Além disso, com uma história de crime e ambição, personagens peculiares e astutos, e uma estética sombria influenciada pelo Expressionismo Alemão, Huston criou aquele que é considerado o primeiro filme noir da História do cinema. O Falcão Maltês: Relíquia Macabra definiu a carreira de Bogart. Traçou sua imagem de ator de face expressiva, para a qual apenas olhando podemos saber seus pensamentos. E, como sabiamente professaria Norma Desmond, um ator é, antes de tudo, um rosto.

CASABLANCA (COMPRE O FILME)
(Casablanca, 1942. De Michael Curtiz. Com Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre)

Casablanca - Bogart e Bergman

Após viver um passado tenebroso, Rick, um norte-americano, consegue estabelecer-se como proprietário de um bar em Casablanca, no Marrocos francês. O país está prestes a ser invadido pelo exército nazista e a cidade torna-se uma espécie de estada para aqueles refugiados políticos que querem viajar a Portugal e, de lá, tomar um navio rumo aos Estados Unidos. Porém, os vistos estão cada vez mais raros e um importante líder da resistência tem seu destino confiado a Rick, um caso de amor mal-resolvido de sua esposa. Talvez seja duro acreditar, mas Casablanca tinha tudo para não dar certo. Era apenas mais uma produção, e a equipe estava estranhamente dispersa. O roteiro, baseado na peça “Everybody Comes To Rick’s”, era escrito em cima da hora; a maior preocupação de Ingrid Bergman era se teria de cortar o cabelo para o seu próximo trabalho, Por Quem os Sinos Dobram (1943), com Gary Cooper; implicavam com “As Time Goes By” por achá-la inadequada etc. Com a entrada dos Estados Unidos na guerra, este tornou-se o tópico preferido do cinema. Apesar da grande quantidade de filmes desta temática, Casablanca se sobressaiu, levando os principais prêmios no Oscar de 1944: melhor filme, melhor direção e melhor roteiro. Lançado há 65 anos, freqüenta até hoje a lista dos dez melhores filmes americanos de todos os tempos. Além de uma história repleta de tensão e romance, da notável trilha sonora de Max Steiner, dos diálogos cínicos e inteligentes etc, um fator que colaborou para tamanho sucesso é incontestável: o elenco. Este foi quase que completamente feito de excelentes atores estrangeiros (o diretor Michael Curtiz, inclusive, era húngaro, e foi escalado pela Warner para ser um novo Lubitsh), com exceção do nova-iorquino Bogart. O que observamos é uma reunião de talentos em prol de Casablanca. O filme, por sua vez, retribuiu com a imortalidade que só o cinema pode oferecer, transformando Bergman e Bogart astros absolutos.

Continua…

Breve comentário sobre o papel de Chico Buarque no cinema

Publicado em: 10-05-2007 @ 1:55 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Chico Buarque

Alguns devem ter soltado um ruidoso “ahn?”. Outros, mais atenciosos, devem já saber do que se trata. Pois é, um dos maiores artistas da música brasileira também teve considerável participação no cinema. Pra quem não sabe, esse senhor que possui um currículo musical de mais de quarenta anos, teve a sua estréia como compositor em 1967, no filme “Anjo Assassino”, de Dionisio Azevedo. Em “Garota de Ipanema”, filme baseado na música de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, Chico teve participação na trilha sonora, além de atuar ao lado de personalidades como Rubem Braga, Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, entre muitos outros, inclusive o próprio Vinicius de Moraes. Em 1972, no filme “Quando o Carnaval Chegar”, de Cacá Diegues, ele tem a oportunidade de tomar conta de praticamente toda a trilha sonora e de atuar ao lado de amigos como Nara Leão, Maria Bethânia e Hugo Carvana, interpretando um artista mambembe.

Para “Joana Francesa”, também de Cacá, compõe a música de mesmo nome, inspirado na atriz Jeanne Moreau, protagonista do longa e de quem Chico sempre foi fã. Foi para “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto, que o músico compôs uma de suas canções mais cultuadas até hoje: “O Que Será (À Flor da Terra)”. Para inspirar-se, utilizou o romance de Jorge Amado, no qual o filme é baseado. Tudo indica que funcionou direitinho, mas, ao ser perguntado sobre do que se trata a letra da música, Chico responde: “é uma música de perguntas, e não de respostas”. Marcando para sempre a vida das crianças brasileiras, ele compõe a trilha sonora de “Os Saltimbancos Trapalhões”, em 1981. Claramente baseado em “O Circo”, de Charles Chaplin, o filme mostra o grupo de comediantes como artistas de um circo. Talvez o filme não seja o melhor, mas difícil é tirar da cabeça letra e melodia de “Piruetas”. Foi em 1986 que “A Ópera do Malandro”, peça escrita por Chico, fora adaptada para o cinema pelas mãos de Ruy Guerra, cineasta português. Pela primeira vez, Chico participa de forma quase que integral em um longa-metragem, sendo responsável por toda a trilha sonora, atuando e escrevendo parte do roteiro.

Mais recentemente o trabalho de Chico pode ser conferido no filme “A Máquina”, de 2005, ainda em cartaz em vários cinemas do país. O romance de Adriana Falcão virou peça e não tardou para virar filme. A trilha sonora, primorosa, ficou por conta de Robertinho do Recife, DJ Dolores e, claro, Chico. Dele, podemos ouvir as músicas “Porque era ela, porque era eu”, em versões instrumentais e com letra; além de “Acalanto”, cantada pela mãe de Karina (personagem de Mariana Ximenes) para que a moça adormeça tranqüilamente em seu colo.

Além disso, Chico teve livros adaptados e muitas outras trilhas compostas (cerca de cinqüenta). Esse foi apenas um breve comentário sobre um assunto que gera pano pra manga, tema pra tese, assunto pra livro… ou, quem sabe, um futuro especial no CCR dedicado exclusivamente imensa participação do compositor no mundo do cinema.

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Grandes narizes, grandes artistas

Publicado em: 19-04-2007 @ 2:32 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Vivemos em uma época em que tudo o que é considerado defeito pode ser mudado com cirurgia plástica, lasers e mais uma tonelada de soluções escabrosas. Muitos atores recorrem a esse tipo de técnica, mas há os que preferem manter o seu imponente nariz e fazê-lo famoso por gerações.

Grandes Narizes do Cinema
Férrer e Depardieu, a dupla nariguda.

No caso do ator porto-riquenho Jose Férrer e do francês Gérard Depardieu, os seus grandes narizes lhe deram a oportunidade de interpretar o escritor Cyrano de Bergerac. Este viveu na metade do século XVII, é autor de livros que se encaixam entre a fantasia e a ficção científica e tem como maior característica física um enorme nariz. A vida do autor foi levada inúmeras vezes ao teatro, s telinhas e aos telões, tendo, no cinema, os nossos célebres narigudos como protagonistas.

Grandes Narizes do Cinema
Tim Roth em dose dupla. Nariz para dar e vender.

Já com o talentoso Tim Roth, as coisas não foram tão simples. O ator enfrentou severos comentários de Rick Baker, o responsável pela maquiagem do filme “Planeta dos Macacos”, de Tim Burton. Baker disse: “Roth tinha o pior rosto a ser transformado no de um chimpanzé. Para que isto funcione, é preciso procurar atores com a fisionomia ideal: nariz pequeno e os lábios superiores longos. Eu implorei a Burton para não selecionar pessoas de nariz grandes para o elenco. Acabou sendo uma vantagem, pois o personagem de Roth diferenciou-se dos demais“.

Grandes Narizes do Cinema
Nem o Beatle Ringo Starr escapou.

A ficção também já foi cruel com os narigudos. Um exemplo clássico é o musical “A Hard Day’s Night” (que chegou ao Brasil com o terrível título “Os Reis do Iê-Iê-Iê”), em que o pobre baterista do The Beatles, Ringo Starr, sofre preconceito até por parte das fãs, que não lhe enviam cartas porque Ringo possui um nariz “um pouco avantajado demais”. A dor de Ringo é tamanha, que este some pelas ruas, sozinho, prejudicando a si e banda.

Grandes Narizes do Cinema
Nariz, nariz e mais nariz. Rossy é a nariguda mais famosa.

Entre as moças, o exemplo mais marcante, quiçá, é o de Rossy de Palma. A atriz espanhola teve sua estréia em “A Lei do Desejo”, de Pedro Almodóvar e, entre os filmes do diretor permaneceu durante grande parte de sua carreira. Apesar de ter estreado em papéis secundários, jamais deixou de chamar a atenção dos espectadores, sempre impressionando-os com o seu nariz indefectível. Rossy é um exemplo de orgulho que todos os narigudos deveriam seguir: ao invés de ser submetida ao bisturi, a atriz conserva o seu diferencial, preferindo comparar-se a uma obra de Picasso.

Para você, o nariz da pessoa influi em algo? Que outros artistas você acha que deveria entrar na lista? O que é pior do que ter nariz grande? Comente!

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