“Câmeras não fazem filmes: os cineastas o fazem. Procure melhorar seus filmes não pelo acréscimo de equipamento nem de pessoal, mas pelo uso mais amplo daquilo que você tem. A parte mais importante de seu equipamento é você mesmo: o seu corpo móvel, sua mente imaginativa, e a sua liberdade de usar ambos”. (Maya Deren, em Film Culture, n.39).

Com essa afirmação, uma das cineastas mais respeitadas da história do cinema experimental trazia a tona uma das discussões que até hoje se faz presente: o que realmente faz um bom filme?
Numa época em que a tecnologia avança e torna possível que sejam levadas às telas obras que talvez não pudessem ter sido feitas há vinte anos atrás, torna-se necessário questionar se a qualidade dos projetos caiu ao mesmo tempo em que aumentou a capacidade mecânica de um computador criar imagens. Não que seja ruim fazer uso de tais recursos. Mas alguém mais notou como alguns longas vem camuflando sua falta de trama com montagens de fazer tremer a cadeira?
Explorar aquilo que tem de mais forte em si mesmo, como sua criatividade, sua capacidade e sensibilidade não deveria ser os recursos mais fortes que um profissional sério pode fazer uso? Acredito que de muito pouco (ou provavelmente de nada) adiantaria que tivesse a melhor câmera, se não tivesse por trás disso talento. Ele (o talento) é o que determina a qualidade do projeto no meu modo de ver. Um bom equipamento contribui para o resultado positivo de um filme, mas ele não é o bastante: o equipamento por si só não constrói a arte que poderá ser vista e apreciada.
Importante acrescentar que a respeito do que disse Deren, temos também o exemplo das inúmeras produções que dispõe dos melhores equipamentos e equipes bem formadas e nem por isso apresentam bons trabalhos. Diferente de cineastas como Alexander Hammid, que com sua sensibilidade e capacidade de percepção, conseguiu produzir obras como “Meshes of the Afternoon” (feito em parceria com a própria Maya Deren), até hoje um filme profundamente falado e debatido por suas inúmeras possibilidades de interpretação. Tipo de filme que pede para ser assistido uma, duas, três vezes e quantas mais necessárias forem.
Quer outros exemplos? Stan Brackage é outro cineasta independente que precisa ser citado entre os exemplos, tendo uma extensa e bem sucedida produção de filmes na da década de sessenta. A composição minuciosa de seus quadros junto às imagens bem elaboradas fez de seus filmes resultados da combinação “inventividade e possibilidade”, que levaram para a tela aquilo que grande parte das pessoas não conseguiria transpor. “Birds of Paradise” e “Prelude” são bons exemplos de seu trabalho.
O norte-americano Bruce Conner (foto à esquerda), responsável por algumas das obras mais comentadas, sendo um artista plástico talentoso, com produção iniciada na década de cinqüenta. Sendo considerado, junto com Andy Warhol, um predecessor das campanhas publicitárias e dos videoclipes, dirigiu “A Movie”, de 1958 e “Mongoloide”, que viria em 1978. A montagem (e claro, a percepção da composição) era grande parte da “arma” utilizada pelo cineasta para mostrar (e comprovar) que qualidade parte da iniciativa do diretor em não ter medo de tentar o novo, em não ter medo de expor temas polêmicos e nem sempre passíveis de fácil aceitação.
Cito também Kim Ki-Duk, um visionário, que também tem o costume de produzir e editar seus filmes. No recente “O Arco”, assistimos um claro uso das imagens em detrimento das palavras, aperfeiçoado pela profunda sutileza e sensibilidade do diretor. A substituição do óbvio dá lugar aos olhares, a planos que priorizam closes e efeitos de câmera parada, numa bem elaborada composição de quadros. As emoções são naturalmente intensificadas, libertando-se de algo que poderia ter-se tornado um roteiro clichê que não refletiria do mesmo jeito o que é passado.

Cena de “O Arco”
E isso porque ainda nem falamos de um novo conceito que tem dominado várias culturas ultimamente. Com a inserção do vídeo, que trouxe ao cenário mundial uma corrente de trabalhos independentes, feitos em imensa quantidade com as câmeras digitais, assistimos curtas, médias e até mesmo longas sendo produzidos com maior freqüência. A internet ajuda a difundir materiais muito bons que podem ser achados nessa corrente que tem sido espalhada através do mundo - são mais acessíveis. Não que exista uma tremenda facilidade em fazê-lo (vídeos), mas é indiscutível que é uma realidade completamente diferente. As câmeras digitais, que podem nem sempre ter uma boa qualidade de imagem, estão aí para provar que não é a baixa resolução que diminui um talento a ser admirado através dele. Fortaleza é uma cidade que tem uma imensa cultura de produção de vídeos, por exemplo.
Como disse Maya Deren, é “o seu corpo móvel, sua mente imaginativa, e a sua liberdade de usar ambos”, definindo a qualidade do seu material.

Um dos cineastas mais comentados de todos os tempos, Alfred Hitchcock levou s telas cenas que ficaram gravadas no imaginário de milhares de pessoas. Com sua clássica maneira de transformar histórias simples em interessantes tramas de suspense, ele costumava dizer que aprendeu tudo sobre o medo durante sua estadia em escolas católicas. E, mesmo tentando seguir carreira de engenheiro, foi no cinema que ele se encontrou de verdade. 



Na tarde da última terça-feira, 22, o mundo ficou chocado com uma notícia que parecia até inventada: o ator 


Alguns filmes trazem na sua essência um fechamento natural de história. De maneira tal, que não existe como fazer uma continuação desse longa. Ele é bem feito, produzido, finalizado e construído (com utilização de tempo necessário para contar a história), e não necessita de uma segunda parte. Na verdade, não existe como trazer uma segunda parte dele sem desmerecer a qualidade e o bom nome do primeiro. São exemplos disso os recentes (talvez não tão recentes) “Efeito Borboleta” e “Premonição”.
