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Câmeras não fazem filmes…

Publicado em: 22-06-2008 @ 11:51 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

“Câmeras não fazem filmes: os cineastas o fazem. Procure melhorar seus filmes não pelo acréscimo de equipamento nem de pessoal, mas pelo uso mais amplo daquilo que você tem. A parte mais importante de seu equipamento é você mesmo: o seu corpo móvel, sua mente imaginativa, e a sua liberdade de usar ambos”. (Maya Deren, em Film Culture, n.39).

Com essa afirmação, uma das cineastas mais respeitadas da história do cinema experimental trazia a tona uma das discussões que até hoje se faz presente: o que realmente faz um bom filme?

Numa época em que a tecnologia avança e torna possível que sejam levadas às telas obras que talvez não pudessem ter sido feitas há vinte anos atrás, torna-se necessário questionar se a qualidade dos projetos caiu ao mesmo tempo em que aumentou a capacidade mecânica de um computador criar imagens. Não que seja ruim fazer uso de tais recursos. Mas alguém mais notou como alguns longas vem camuflando sua falta de trama com montagens de fazer tremer a cadeira?

Explorar aquilo que tem de mais forte em si mesmo, como sua criatividade, sua capacidade e sensibilidade não deveria ser os recursos mais fortes que um profissional sério pode fazer uso? Acredito que de muito pouco (ou provavelmente de nada) adiantaria que tivesse a melhor câmera, se não tivesse por trás disso talento. Ele (o talento) é o que determina a qualidade do projeto no meu modo de ver. Um bom equipamento contribui para o resultado positivo de um filme, mas ele não é o bastante: o equipamento por si só não constrói a arte que poderá ser vista e apreciada.

Importante acrescentar que a respeito do que disse Deren, temos também o exemplo das inúmeras produções que dispõe dos melhores equipamentos e equipes bem formadas e nem por isso apresentam bons trabalhos. Diferente de cineastas como Alexander Hammid, que com sua sensibilidade e capacidade de percepção, conseguiu produzir obras como “Meshes of the Afternoon” (feito em parceria com a própria Maya Deren), até hoje um filme profundamente falado e debatido por suas inúmeras possibilidades de interpretação. Tipo de filme que pede para ser assistido uma, duas, três vezes e quantas mais necessárias forem.

Quer outros exemplos? Stan Brackage é outro cineasta independente que precisa ser citado entre os exemplos, tendo uma extensa e bem sucedida produção de filmes na da década de sessenta. A composição minuciosa de seus quadros junto às imagens bem elaboradas fez de seus filmes resultados da combinação “inventividade e possibilidade”, que levaram para a tela aquilo que grande parte das pessoas não conseguiria transpor. “Birds of Paradise” e “Prelude” são bons exemplos de seu trabalho.

O norte-americano Bruce Conner (foto à esquerda), responsável por algumas das obras mais comentadas, sendo um artista plástico talentoso, com produção iniciada na década de cinqüenta. Sendo considerado, junto com Andy Warhol, um predecessor das campanhas publicitárias e dos videoclipes, dirigiu “A Movie”, de 1958 e “Mongoloide”, que viria em 1978. A montagem (e claro, a percepção da composição) era grande parte da “arma” utilizada pelo cineasta para mostrar (e comprovar) que qualidade parte da iniciativa do diretor em não ter medo de tentar o novo, em não ter medo de expor temas polêmicos e nem sempre passíveis de fácil aceitação.

Cito também Kim Ki-Duk, um visionário, que também tem o costume de produzir e editar seus filmes. No recente “O Arco”, assistimos um claro uso das imagens em detrimento das palavras, aperfeiçoado pela profunda sutileza e sensibilidade do diretor. A substituição do óbvio dá lugar aos olhares, a planos que priorizam closes e efeitos de câmera parada, numa bem elaborada composição de quadros. As emoções são naturalmente intensificadas, libertando-se de algo que poderia ter-se tornado um roteiro clichê que não refletiria do mesmo jeito o que é passado.


Cena de “O Arco”

E isso porque ainda nem falamos de um novo conceito que tem dominado várias culturas ultimamente. Com a inserção do vídeo, que trouxe ao cenário mundial uma corrente de trabalhos independentes, feitos em imensa quantidade com as câmeras digitais, assistimos curtas, médias e até mesmo longas sendo produzidos com maior freqüência. A internet ajuda a difundir materiais muito bons que podem ser achados nessa corrente que tem sido espalhada através do mundo - são mais acessíveis. Não que exista uma tremenda facilidade em fazê-lo (vídeos), mas é indiscutível que é uma realidade completamente diferente. As câmeras digitais, que podem nem sempre ter uma boa qualidade de imagem, estão aí para provar que não é a baixa resolução que diminui um talento a ser admirado através dele. Fortaleza é uma cidade que tem uma imensa cultura de produção de vídeos, por exemplo.

Como disse Maya Deren, é “o seu corpo móvel, sua mente imaginativa, e a sua liberdade de usar ambos”, definindo a qualidade do seu material.

O legado de Alfred Hitchcock

Publicado em: 29-02-2008 @ 3:08 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Um dos cineastas mais comentados de todos os tempos, Alfred Hitchcock levou s telas cenas que ficaram gravadas no imaginário de milhares de pessoas. Com sua clássica maneira de transformar histórias simples em interessantes tramas de suspense, ele costumava dizer que aprendeu tudo sobre o medo durante sua estadia em escolas católicas. E, mesmo tentando seguir carreira de engenheiro, foi no cinema que ele se encontrou de verdade.

O britânico, nascido em 1899, dirigiu seu primeiro longa-metragem aos vinte e cinco anos de idade, intitulado “The Pleasure Garden”. Entre várias produções, ele tinha como marca registrada o trabalho com roteiros que geralmente traziam de cara informações que considerava essenciais e básicas: a localização espacial e/ou temporal daquilo que desenvolveria ao longo de seu file. “Na forma comum do suspense, é indispensável que o público esteja perfeitamente informado dos elementos presentes. Senão, não há suspense”, acreditava. E apesar de sempre fazer uso de elementos princípio simples, Hitchcock carregava seus poucos personagens com uma dramaticidade, deixando-os mais consistentes e reais. Em seus percursos dentro do suspense, eles traçavam ainda um percurso interno, quase como uma tentativa de descoberta. Uma trajetória que os transformaria de alguma maneira ao longo do filme. E não poderia deixar de citar outro personagem importantíssimo em suas películas: a trilha sonora.

Além de inovador, um de seus grandes trunfos era a habilidade que tinha de mexer com o inconsciente popular. Alfred Hitchcock faleceu em 1980, mas deixou seu legado, seguido por profissionais declaradamente (ou não) de sua obra. Diretores que o citam em suas obras ou realizam refilmagens (nem sempre declaradas). Se são tão boas quanto as do mestre, aí eu deixo para que vocês decidam. Abaixo, segue alguns exemplos:

Plano de Vôo“, de Robert Schwentke

Refilmagem não declarada de “A Dama Oculta”, este longa traz Jodie Foster como uma mãe que viaja de avião com a filha. Ela adormece, e ao acordar, a menina não está mais ao seu lado. Desesperada, ela quer checar o avisão inteiro atrás da criança, mas todos desconfiam que ela é louca, pois os passageiros afirmam não terem visto a criança, e parar complicar mais ainda, o nome dela sequer consta da lista de pessoas dentro do avião. No original de Hitchcock, a trama gira em torno de uma mulher que dá pelo sumiço de uma senhora dentro de um trem. Assim como na “refilmagem”, ninguém acredita na heroína, e todos afirmam categoricamente que nenhuma senhora entrou naquele trem.

Paranóia“, D.J. Caruso

Depois de vários comentários acerca da trama, D.J. Caruso confessou que a história havia sido construída em cima de “Janela Indiscreta”. Em “Paranóia”, Shia LaBeouf fica retido em prisão domiciliar, e para passar o tempo começa a observar a vida dos vizinhos É quando começa a desconfiar que um deles pode ser na verdade um serial killer. O mesmo acontece a James Stewart e Grace Kelly, que interpreta a noiva do protagonista. Nesta trama, o que faz o mocinho ficar preso em casa é um acidente que deixa suas duas pernas engessadas. A principal diferença entre os dois está que, na nova versão, o suspense é transformado em uma trama mais adolescente.

Psicose“, de Gus Van Sant

Este foi trabalhado do começo ao fim para seguir risca cada um dos passos tomados por Hitch. Os planos foram detalhadamente estudados por Van Sant, que disse ter feito um storyboard em cima do longa original, para ser extremamente fiel ao primeiro. Na época de seu lançamento (1998), quase quarenta anos depois que o primeiro havia sido levado s telas, a crítica não gostou muito do resultado. Mesmo tendo sido praticamente copiado, e isso com a afirmação categórica de Van Sant, o filme não foi bem aceito. Os atores não conseguiram o mesmo sucesso do primeiro, que contava a história de uma mulher que rouba 40 mil dólares e vai parar em um hotelzinho de beira de estrada, onde a trama se desenrola.

Brian DePalma

Declaradamente fã de Hitchcock, ele não esconde de ninguém suas homenagens. Em vários de seus filmes, há citações, diretas ou indiretas. Mas de alguma forma, o mestre do suspense está, segundo declarações do próprio DePalma, refletido em seu trabalho, especialmente nas construções de seus argumentos. “A Fúria” é provavelmente um dos trabalhos onde isso fica mais óbvio, onde alterna momentos de suspense e graça - outra marca de AH. Em “Femme Fatale” ele cita um dos filmes mais comentados da carreira do britânico: “Um Corpo Que Cai”.

Heath Ledger: O Baque!

Publicado em: 28-01-2008 @ 11:34 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Sempre que eu escutei frases do tipo “apaga-se uma estrela”, ou qualquer outro eufemismo do tipo para falar da morte de uma celebridade… não sei, para mim soava falso. Até uns dias atrás.

Na tarde da última terça-feira, 22, o mundo ficou chocado com uma notícia que parecia até inventada: o ator Heath Ledger havia sido encontrado morto em seu apartamento, em Nova York. Quer dizer, foi como me senti. E fiquei parada alguns minutos olhando a tela do computador, sem conseguir engolir as informações que estava lendo.

Imediatamente, começaram a pipocar notícias dando mais detalhes. O corpo estava no apartamento de uma gêmea Olsen (informação desmentida em seguida); indícios davam conta de que Ledger havia cometido suicídio (haviam pílulas ao lado do corpo); foi divulgado que uma nota de vinte dólares toda enrolada, encontrada no local, teria sido usada para cheirar cocaína e que outras drogas haviam sido encontradas no local – outro dado verificado mais tarde como falso. Fato é que nada disso importava exatamente: Ledger estava morto e nada mudaria isso.

Nascido em Perth, aos dezesseis anos ele deixou a cidade natal para viver em Sydney, onde poderia investir melhor na carreira almejada: ser ator. Quando a metrópole não conseguiu mais comportar os objetivos dele, simplesmente pegou a mochila e foi para os Estados Unidos, onde faturou o papel principal do longa-metragem adolescente “10 Coisas Que Eu Odeio Em Você“. Sucesso de público, o filme tornou o nome de Ledger conhecido mundialmente de maneira instantânea. Seu trabalho excedeu expectativas: era divertido, misterioso e extremamente carismático, com apenas vinte anos.

Admirado pela crítica, pelos colegas de profissão, familiares, amigos e milhares de fãs espalhados no planeta, o australiano chegou de mansinho � Hollywood e se tornou uma das grandes apostas da indústria, provando seu talento em produções polêmicas como “O Segredo de Brokeback Mountain“, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

Sobre o trabalho atrás das câmeras, ele costumava dizer: “Só faço isso porque me divirto. No dia em que não me divertir mais, simplesmente não farei mais“. O set para ele era como um segundo lar, amava o que fazia e fazia com paixão. Não é � toa que em pouco tempo conseguiu a proeza de atingir todas as atenções para si, sem precisar usar “truques” para fazer com que seu nome aparecesse. As pessoas gostavam dele: simples assim.

Alguns atores provocam no público verdadeira histeria, fanatismo e outros sentimentos quase doentios e inexplicáveis. Com ele não era assim. Avesso aos paparazzis, não era baladeiro e nunca fez nenhum esforço para aparecer na mídia. Talvez tenha sido esse um dos principais motivos para tanta admiração. Era genuíno, talentoso e fazia quem o assistisse em suas entrevistas se sentir mais próximo (pausa de uns cinco minutos). É, acho que tentar descrever isso não vai ser mesmo possível, mas espero que alguém tenha entendido.

Ledger deixou uma filha de apenas 2 anos, Matilda Rose; pais e familiares com o coração partido pela perda; e um público extremamente saudoso. Saudosos de escutar seu nome em produções mundo afora, saudosos de assistir ótimos filmes que ele poderia vir a fazer. Saudosos de Heath Ledger.

Aqueles que se Apaixonam Sozinhos

Publicado em: 23-01-2008 @ 11:12 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Em “O Amor não Tira Férias“, Kate Winslet vive a romântica Iris Simpkins, uma mulher que passou os últimos três anos de sua vida apaixonada por um homem que não corresponde seu afeto. Ao falar sobre sua história, ela diz: “Existe outro tipo de amor, o tipo mais cruel, aquele que quase mata suas vítimas. Chama-se ‘amor não correspondido’. E nesse tipo sou experiente. A maioria das histórias de amor fala de pessoas que se apaixonam mutuamente. Mas o que acontece com os demais? E as nossas histórias? Aqueles que se apaixonam sozinhos? Somos vítimas de uma relação unilateral. Somos os amaldiçoados dos amantes. Somos os não amados. Os mortos-vivos. Os deficientes sem estacionamento reservado”.

É preciso alertar os leitores de que as informações a seguir podem não agradar muito, se você não viu os filmes citados e não quer perder a surpresa.

Mas voltando ao assunto… Escutando essa afirmação, comecei a pensar nos filmes que mostram tramas sobre essas pessoas que amam de longe, sem nenhuma esperança de serem correspondidas. À princípio, não consegui lembrar de nenhuma, o que me levou a acreditar na teoria de Simpkins. Mas aos poucos, eles foram aparecendo.

Em “Grandes Esperanças” (1998), Finnegan Bell (vivido por Ethan Hawke) é desesperadamente apaixonado pela bela e fria Estella (Gwyneth Paltrow), a mulher que, literalmente, aprendeu a amar desde criança. Envolvido pelo jogo da manipuladora loira, ele se ilude durante a vida toda de que ela pode ser diferente, de que nutre sentimentos por ele. Depois de algum tempo se esforçando para continuar acreditando naquilo e fingir que está tudo bem, Bell acaba descobrindo o que esteve na sua cara o tempo inteiro: é confortável para ela tê-lo por perto. E só.

Diferente de Finnegan, Mark (Andrew Lincoln), de “Simplesmente Amor“, sabe desde o começo que seu amor por Juliet (Keira Knightley) é e será sempre apenas platônico. Acontece que Juliet é casada com o melhor amigo dele. Preocupado em jamais ultrapassar a tênue linha que o separa de sua paixão, Mark chega a tratar mal a moça, para que ninguém jamais desconfie de seus reais sentimentos, e para evitar qualquer proximidade. Vale ressaltar que uma das cenas mais bonitas da película é quando Juliet finalmente descobre por acidente o quanto o padrinho de seu casamento a ama, e o quanto ele tem sido competente em escondê-lo.

Em “Proposta Indecente“, John Gage (interpretado pelo ex-galã Robert Redford) é o típico milionário que tem tudo, menos amor. Certo dia, ele vê através de uma vitrine Diana (Demi Moore), e enxerga nela tudo aquilo que desejaria ter em uma mulher, e exatamente aquilo que falta em sua vida. Só que ela é casada. Pior (ou melhor): muito bem casada. O casal, que passa dificuldades financeiras e está prestes a perder a casa dos sonhos que vem construindo, aceita (em um momento desesperador) a proposta do ricaço de um milhão de dólares por uma noite com Diana. O problema é que essa única noite causa em Dave crises de ciúmes, que terminam em uma triste separação. Gage investirá então todas as suas fichas para conquistar Diana, até perceber que aquela é uma batalha perdida, e que ele ama sozinho naquela relação. Pois conforme ele mesmo diz quando termina o relacionamento, “ela nunca olharia pra mim como olha pra ele”.

E é claro que não poderia faltar no texto a recente adaptação para as telas de “O Amor nos Tempos do Cólera“. Florentino Ariza é um homem que acha que morrer de amor é uma das maiores honras concedidas a um homem. Apaixonado por Fermina Daza na adolescência, que a princípio o corresponde e depois o rejeita, ele passa a nutrir um amor platônico pela moça. Depois de enganar-se durante algum tempo dizendo a si mesmo que poderia superar, ele não consegue deixar de ter recaídas sempre que a vê, e enfim percebe o fato de que é ela a mulher de sua vida, e que ele esperará o tempo que for preciso, porque sem ela, parece que existe um buraco dentro de si que não pode sarar.

Fato é que uma das piores coisas na vida de alguém são histórias mal-resolvidas, aquelas que fazem você revirar na cama de noite, por simplesmente não conseguir concretizar ou mesmo esquecer.

Entendimento entre Homens e Mulheres?

Publicado em: 20-01-2008 @ 7:04 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Sempre que eu estou em uma fase meio sem saber ou entender alguma situação, eu apelo para o cinema. Não sei se acontece com todo mundo, mas s vezes estou eu na minha e do nada, assisto um longa que me traz exatamente as respostas que eu preciso para resolver os dramas diários. Ok, talvez não tão dramáticos, mas ainda assim confusos.

Algumas produções têm mesmo essa capacidade em trazer soluções, ou pelo menos te fazer enxergar os problemas por um outro prisma. Nos últimos meses, por exemplo, eu tive a prova por a+b de que homens e mulheres não se entendem mesmo, assim, obviamente falando. Construir uma matéria sobre a impossibilidade de entendimento entre homens e mulheres abordadas em filmes como “A Dona da História” e “Separados pelo Casamento” tornou-se então quase uma emergência pra mim. Afinal, esse entendimento é difícil ou impossível?

Em “Separados Pelo Casamento”, o casal Brooke (Jennifer Aniston, na época, recém-separada do galã Brad Pitt) e Gary (o grandalhão Vince Vaughn) se conhecem, se apaixonam e decide morar junto. Até aí tudo muito tranqüilo e mágico no ar, não fosse o fato de que Gary nunca dá valor aos esforços da esposa na vida doméstica, assim como Brooke cobra do parceiro uma atenção que ele não entende que deve dar. O que a princípio engana os espectadores que esperam mais uma comédia romântica, acaba abordando de maneira delicada a dificuldade de encontro entre universo feminino e masculino. Brooke acha que são tão óbvias as mancadas de Gary que recusa-se a aponta-las para ele. Gary acredita que se Brooke não aponta nenhum problema é porque não existe nada de errado. E assim eles seguem.

O mesmo acontece em “A Dona da História”. Em uma das hilárias e reais discussões protagonizadas por Antônio Fagundes e Marieta Severo, ela joga na cara do companheiro com quem divide os lençóis por aproximados trinta anos que adora o pescoço da galinha, coisa que ele prontamente afirma ser mentira. Vale salientar, que eles estão no meio de uma discussão séria, em que ela afirma querer a separação dele, por desentendimentos irreconciliáveis. “Você não gosta nada, nunca come pescoço de galinha”, diz ele sobre a provocação. “Eu adoooooro pescoço de galinha. Mas sempre que coloco o prato na mesa, você voa em cima dele, então é claro que eu nunca como!”, defende-se ela. Ao que ele responde: “Então é por isso que você quer se separar? Pelo pescoço da galinha?”. É. Ele não entende, ela não consegue explicar, e um diálogo que nunca é realmente entendido pelos dois lados provavelmente não vai solucionar a questão.

E vocês, que acham sobre isso? Difícil ou impossível?

Embate Cinéfilo: Nora Ephron vs. Nancy Meyers

Publicado em: 24-12-2007 @ 2:20 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Românticas incuráveis acima de tudo, ambas são cineastas queridas do universo feminino, costumam escrever e dirigir seus filmes e conseguem chamar atenção até mesmo de alguns homens – façanha para quem escreve comédias românticas que teoricamente só agradam a mulheres. Eu disse teoricamente. Nora Ephron e Nancy Meyers parecem ter muito em comum, mas até onde?

A americana Nora Ephron, nascida em Nova Iorque, começou a carreira como roteirista, na década de setenta, trabalhando na série televisiva “Adam’s Rib“, que acabou não decolando. Mas só ao escrever “Harry e Sally – Feitos um para o Outro” (1989) ela tornou-se realmente conhecida. Estrelado por Meg Ryan e Billy Crystal, o filme foi um sucesso de crítica e público, com diálogos divertidos e bem escritos que abordavam de maneira interessante o lado masculino e feminino de uma relação entre um casal ao redor de quase dez anos. Os dois tornam-se amigos de maneira inesperada, e entre encontros e desencontros descobrem que talvez a relação dos dois tenha crescido mais do que esperavam. Numa das cenas mais conhecidas do cinema, Ryan finge um orgasmo numa lanchonete para provar a Harry que as mulheres conseguem fazer isso perfeitamente, o que provocou um momento histórico de gargalhadas.

Quatro anos depois, ela levaria � s telas “Sintonia de Amor” (1993), dessa vez dirigindo além de escrever. Muito bem aceito, Ephron conseguiu com isso firmar-se de vez como um dos talentos novos que surgiam e adaptou-se � tarefa de assumir de vez a posição de direção dos trabalhos que escrevia. Inspirado no longa “Tarde Demais Para Esquecer“, onde os apaixonados Sam Baldwin (Tom Hanks) e Annie Reed (Meg Ryan) passaram quase toda a história separados. Mais uma vez ela trabalhava com Ryan como sua protagonista, mas dessa vez trazia Hanks como par romântico. A parceria bem sucedida aconteceria novamente em “Mensagem para Você” (1998), numa história contemporânea sobre correspondência através de emails por dois desconhecidos que na vida real se odiavam. No auge dos chats, o longa caiu como uma luva na época em que foi lançado.

Entre os últimos trabalhos está a adaptação do seriado “A Feiticeira” (2005) para as telas, trazendo nada menos que a respeitada Nicole Kidman no papel título; e o ainda inédito ” Flipped“, atualmente em fase de pré-produção.

Também americana, nascida na Pensilvânia, a tímida Nancy Meyers não se arriscou tanto na direção quanto Nora Ephron, que tem no currículo sete trabalhos como diretora. Mas Meyers chefiou quatro produções, das quais três delas com roteiro de sua autoria. No ciclo das coincidências, lá vem mais uma: acontece que Nancy iniciou a carreira como roteirista através de séries de televisão, primeiro “Private Benjamin” (1980) e em seguida ” Baby Boom” (1988), não muito conhecidas. Teve seu nome respeitado pelos figurões de estúdios quando escreveu “O Pai da Noiva” (1991), estrelado por Steve Martin e Diane Keaton, que abordava de maneira cômica a melancolia de um pai ao ter que ver a filha, que até então era sua, casar e ir embora. Em seguida, ela assume o roteiro de “Era uma Vez um Crime” (1992), que tornou-se um fiasco na frente do trabalho anterior. Nem mesmo o carisma de James Belushi, na época um dos atores mais presentes no cinema, conseguiu alavancar a produção.

Em “Operação Cupido” (1998), primeiro trabalho da roteirista na direção, e produzido pela Disney, trazia a terceira adaptação da história das gêmeas que são criadas separadamente e encontram-se num acampamento de verão. Com uma trama tão saturada, seria difícil conseguir extrair algo dela que fizesse o público optar por assisti-la e ainda por cima, gostar a ponto de fazer a publicidade do “boca a boca”. A Disney soltou a batata quente na mão da inexperiente Meyers, que conseguiu fazer do projeto algo novo, fazendo com que uma só garota interpretasse os dois papéis: proeza inédita. A ruivinha que aos dez anos de idade assumiu a complicada tarefa foi ninguém menos que Lindsay Lohan, nos papéis de Hallie e Annie, passando a ser conhecida no mundo todo pela façanha.

Pouco tempo depois, ela encararia pela primeira vez a direção (e a produção) de algo que não era seu escrito em “Do Que as Mulheres Gostam” (2000), divertida comédia romântica com Mel Gibson e Helen Hunt, onde um homem passava literalmente por um choque, e começava então a ouvir o que as mulheres pensavam, aprendendo a lidar com a própria canalhice.

Nos trabalhos recentes de Meyers estão o ótimo “Alguém Tem Que Ceder” (2003) mais uma vez ela trabalha com Diane Keaton, isso sem falar em Jack Nicholson, a badalada Amanda Peet, Keanu Reeves e a talentosa Frances McDormand, sobre um homem que só se relaciona com mulheres mais novas até encontrar a interessante mãe da namorada atual e… bom, aí eu contaria o filme, não é mesmo?! Basta dizer que é um daqueles filmes que compensam ser alugados.

E eu não poderia deixar de citar o recente sucesso de bilheteria “O Amor Não Tira Férias” (2006), mais uma refilmagem que deu certo. Contando o drama de duas mulheres que estão decepcionadas, romanticamente falando, e resolvem trocar de casa durante as festas de fim de ano. Cameron Diaz e a querida Kate Winslet assinam os papéis principais e fazem de uma história de decepções o impulso para a possibilidade de uma nova vida de maneira bem humorada. Resta salientar, que nos últimos dois trabalhos citados, Nancy Meyers dirigiu, escreveu e produziu. Ok, ela conseguiu impressionar.

As duas cineastas tem em sua maneira de dirigir e escrever algo que lembra os românticos longas das décadas de quarenta e cinqüenta, época de ouro do cinema. Nancy é declaradamente fã dos filmes desse período, apesar de Nora trazer essa tendência com mais força. Mas é possível perceber até mesmo pelo figurino de seus personagens a referência, que além das roupas, sem falar na maneira inconfundível de filmar.

Que ambas são talentosas � s suas maneiras e em seus gêneros nós sabemos. Mas e você, prefere alguma? Ou nenhuma das duas?!

Manifesto Contra as Continuações Despropositadas!

Publicado em: 14-11-2007 @ 6:33 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Alguns filmes trazem na sua essência um fechamento natural de história. De maneira tal, que não existe como fazer uma continuação desse longa. Ele é bem feito, produzido, finalizado e construído (com utilização de tempo necessário para contar a história), e não necessita de uma segunda parte. Na verdade, não existe como trazer uma segunda parte dele sem desmerecer a qualidade e o bom nome do primeiro. São exemplos disso os recentes (talvez não tão recentes) “Efeito Borboleta” e “Premonição”.

Mas alguns “mercenários” da indústria cinematográfica insistem em ir de contrapartida a essa lógica e filmar novos episódios, usando do bom desempenho do antecessor para conseguir algum dinheiro de alguns espectadores que não percebem essa enrolação e ficam até mesmo felizes em saber que podem assistir um pouquinho mais daquilo que os satisfez algum tempo atrás.

O primeiro modo de reconhecer esses aspirantes a roubo de obra alheia é olhar os créditos: grande parte da equipe técnica do primeiro sequer entra no segundo (ou terceiro, ou quarto…), porque já sabe de antemão da bomba que está por vir, e visando manter a boa reputação e o respeito entre os profissionais, tira o nome de “projetos” como esse.

Basta de usar filmes que arranhem a imagem dos originais simplesmente por ganância! Basta de estúdios que não conseguem ter a mentalidade de que apoiar trabalhos como esse acabam por desacreditar o cinema para as pessoas! Basta de tentar obter sucesso em projetos que não merecem nosso respeito!

Somos terminantemente contra a banalização de bons enredos, somos contra as continuações despropositadas que ferem o fechamento de filmes que merecem um ponto final e não uma vírgula seguida de continuação!Alguns filmes trazem na sua essência um fechamento natural de história. De maneira tal, que não existe como fazer uma continuação desse filme. Ele é bem feito, produzido, finalizado e construído (com utilização de tempo de filme necessário para contar a história), e não necessita de uma segunda parte. Na verdade, não existe como trazer uma segunda parte dele sem desmerecer a qualidade e o bom nome do primeiro. São exemplos disso os recentes (talvez não tão recentes) “Efeito Borboleta” e “Premonição”.

Mas alguns “mercenários” da indústria cinematográfica insistem em ir de contrapartida a essa lógica e filmar novos episódios, usando do bom desempenho do antecessor para conseguir algum dinheiro de alguns espectadores que não percebem essa enrolação e ficam até mesmo felizes em saber que podem assistir um pouquinho mais daquilo que os satisfez algum tempo atrás.

O primeiro modo de reconhecer esses aspirantes a roubo de obra alheia é olhar os créditos: grande parte da equipe técnica do primeiro sequer entra no segundo (ou terceiro, ou quarto…), porque já sabe de antemão da bomba que está por vir, e visando manter a boa reputação e o respeito entre os profissionais, tira o nome de “projetos” como esse.

Basta de usar filmes que arranhem a imagem dos originais simplesmente por ganância! Basta de estúdios que não conseguem ter a mentalidade de que apoiar trabalhos como esse acabam por desacreditar o cinema para as pessoas! Basta de tentar obter sucesso em projetos que não merecem nosso respeito!

Somos terminantemente contra a banalização de bons enredos, somos contra as continuações despropositadas que ferem o fechamento final de filmes que merecem um ponto final e não uma vírgula seguida de continuação!

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