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Pirataria x Fim do Cinema

Publicado em: 30-06-2008 @ 1:26 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Halder Gomes

A pirataria é muito simples, boa e democrática quando o realizador nunca teve que refinanciar o mesmo carro 2 vezes para custear filmagens e honrar compromissos assumidos, assumir dívidas imensas como pessoa física para arcar com despesas de pós-produção, deixar de estar com a família para passar madrugadas (meses) editando, ter agiotas cobrando o tempo inteiro, abrir mão do trabalho para e ficar sem receita para poder concluir um filme, etc x mil… E o que o pirateiro fez enquanto isso? Apenas ficou na espreita, esperando a hora de sugar todo o seu esforço. Só para registrar um filme na Ancine, paga-se a taxa de R$ 3.000,00. Quem paga esta taxa? O pirateiro? Quem pagou por todas as despesas do filme? O pirateiro? Quem vai realmente ter lucro no filme que você fez? Ora, nessa fórmula mágica, o pirateiro, claro!

É um castigo muito grande um realizador/empreendedor fazer um filme de sucesso no Brasil. Tudo isso está causando um tremendo mal ao país, que um dia pensa em tornar-se uma indústria de cinema. Sendo realista, isto não vai acontecer. Quando a cadeia produtiva é prejudicada em toda sua extensão, a possibilidade de investimento cai drasticamente, aumentando ainda mais a obrigação do governo em bancar toda a produção nacional, pois o investidor de sã consciência não vai investir nas circunstâncias atuais. E se de repente entra um presidente que não gosta de cinema? Isto já aconteceu antes, lembram? Pois é, se existisse um terreno fértil e seguro para investimento, não seria o fim do cinema no país, mas do jeito que está seria o fim.

Quando o cidadão compra um filme pirata, ele compra porque quer ver o trabalho do artista, se emocionar com ele, porque gosta dele, etc… Mas não quer pagar por isso. Ora, isto é escravidão e egoísmo! Pergunta se o cara que compra filme pirata compra remédio pirata, comida pirata, água pirata, plano de saúde pirata… Claro que não. Por quê? Porque estas outras opções podem causar danos nele, já o filme pirata, não. Só causa nos outros. Então é puro egoísmo, e como o artista não recebe, é pura escravidão.

Imagine você, médico, que estudou a vida inteira, de repente chegar ao trabalho e ter outra pessoa no seu lugar, que nunca fez nada, e dizer que dali pra frente ele é o médico e você pode arrumar suas malas. O pirateiro faz isso com o realizador, não é com o distribuidor não. O distribuidor apenas vende. Ele só perde o dinheiro. O realizador perde o tempo (que é dinheiro), perde dinheiro, perde a autoria, perde saúde, perde o trabalho, perde o direito ao trabalho, perde o estímulo…

A pirataria exerce o mesmo princípio de um câncer no seu filho, que você gerou, criou, cuidou e investiu, daí a doença simplesmente chega e se apodera, leva seu filho e ainda deixa a conta. Ou um assalto a mão armada, onde todo seu trabalho e investimento são tomados de você. A pirataria é isso, um câncer, um assalto.

Se um dia todo seu esforço e investimento virar um sucesso, podem trocar a autoria deste texto e assinar embaixo.

PERFIL: Halder sempre foi um sonhador, e lutou muito para torná-los realidade. Apesar de formado em Administração de Empresas e Pós Graduado em Marketing, a paixão pelas artes sempre falou mais alto, sejam elas marciais, plásticas ou cinematográfica. Hoje Halder é um artista plástico de destaque, diretor e produtor de cinema brasileiro e hollywoodiano, faixa preta em taekwondo e proprietário da ATC Artes Marciais, uma das maiores estruturas especializadas do país.

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