Sobre a Magia do Cinema e Meirelles

Publicado em: 19-11-2007 @ 5:09 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

Quando recebi o e-mail do Jurandir Filho (o Juras), indicando o novo blog do Fernando Meirelles, sobre sua nova incursão no cinema mundial, não pude conter a curiosidade. Apesar do recurso já ter sido usado por outros diretores, e até mesmo por Meirelles na ocasião da produção de “O Jardineiro Fiel”, nunca havia lido nada que acompanhasse o dia-a-dia de um set de filmagens vindo da fonte direta e mais completa que é o cineasta.

Acompanhava cada nova notícia sobre a escolha do elenco, as locações (que acabou por contemplar Canadá, Uruguai e Brasil – que vontade de viver em São Paulo só para acompanhar um dia que fosse de gravação) e tudo o mais que a imprensa divulgava sobre o título provisório “Blindness – Ensaio Sobre a Cegueira”. Agora, seria diferente. Ficaria sabendo da boca ou dos toques do brasileiro indicado ao Oscar e que trabalharia com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Gael García Bernal. Admirador do trabalho de Meirelles e do texto de Saramago que sou mesmo não tendo lido ainda o livro que deu origem ao filme, virei fã do diretor logo que li o primeiro post. A paixão com que o cara escreve é de deixar muito estudante de cinema babando. E pensar que tem um estagiário sortudo e, deixando de lado o recalque, provavelmente talentoso da ECA na equipe do filme.

Um dos melhores momentos da leitura do blog, que vez ou outra releio além de acompanhar as últimas novidades, continua sendo o Post 3: Sobre filmagem “al dente”, quando ele compara o trabalho com Moore e Ruffalo a cozinhar na mesma panela um ravióli e um fusili. O texto repleto de metáforas culinárias fala sobre os diferentes tempos dos atores. Aspectos do trabalho que só aprenderíamos no local ou de alguém realmente experiente.

Outro post marcante é aquele sobre carisma. Fernando Meirelles escreve sobre alguns nomes em seu elenco que transbordam dessa qualidade, caso da canadense Sandra Oh. Mas seus escritos vão além de suas impressões pessoais sobre este ou aquele ator. O autor descreve todo o processo que considera relevante em todas as etapas da criação de um filme. Desde o encontro com José Saramago para discutir o roteiro adaptado até os detalhes de edição. Para a sorte dos aficionados por cinema, o trabalho de Meirelles vai além do apenas posicionar câmeras e orientar o elenco principal. Ele gosta e gasta muito tempo preocupado com os mínimos detalhes. Detalhes esses que levam a múltiplas questões como as tratadas no Post 6: Sobre cocô, civilização e barbárie. É graças também a Meirelles que podemos aprender que filmar com mais de uma câmera não significa necessariamente preguiça ou dinheiro de sobra no orçamento, mas também criatividade e sensibilidade; que a preparação de atores é um processo muito mais complicado do que alguns poderiam imaginar (as oficinas para que todos agissem como cegos de olhos abertos incluíram os atores, figurantes e a equipe técnica); e que a observação é um trunfo para aqueles que querem seguir nessa área, vide os detalhes nos comportamentos de Ruffalo nas oficinas e de Bernal nos ensaios que lhe chamaram a atenção e ele aproveitou em cena.

Através desta recente ferramenta da Internet, nós humildes cinéfilos passamos a conhecer mais sobre técnicas, manias e idéias de um diretor. Coisas que alguns consideram um verdadeiro efeito broxante. Quando fiz um curso em uma Universidade Federal, ouvia alguns alunos colocarem que o apreendimento da técnica fazia perder o brilho e a magia da coisa. Pensava justamente o contrário. Achava fascinante o modo como cálculos e estratégias que pareciam oriundas de uma ciência exata se transformavam em tudo o que se via na tela. Hoje, depois de Diário de Blindness, entendi que o sentimento, a intuição, a emoção e o talento ainda prevalecem nesta área.

Para aqueles que não conhecem ainda Diário de Blindness, basta clicar aqui. O Cinema com Rapadura também acompanha as atualizações do blog e disponibiliza no portal as últimas notícias que surgem dos sets de filmagem.

Homenagem do CCR a Newton Da Matta

Publicado em: 20-08-2007 @ 2:32 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

Newton Da Matta nasceu no dia 14 de fevereiro de 1935. Sua carreira artística teve início na rádio, aos onze anos, quando atou nas emissoras Tupy, Mayrink Veiga e Nacional. Nesta, foi também escritor de novelas e diretor de elenco. Posteriormente, foi ator e autor de tele-peças nas TV’s Tupi, Rio e Globo. No teatro, foi o primeiro Pedrinho do Sítio do Pica Pau Amarelo, montagem do Teatro Ginástico e Copacabana, no Rio de Janeiro. Ator e diretor, Da Matta foi o responsável por montagens do dramaturgo italiano Luigi Pirandello. Um dos diretores do musical “Alô Dolly”, no Teatro João Caetano, em 1960, foi convidado pelo próprio Herbert Richers e por Vitor Berbara a dirigir e atuar também como dublador.

A partir daí, Newton Da Matta tornou-se conhecido do grande público nacional. Pode ser que seu nome não lhe soe familiar, mas com certeza você já ouviu sua voz em um ou mais trabalhos na TV. Ele dublou seriados como “Dr. Kildare” (emprestando a voz a Richard Chamberlain) e “A Gata e o Rato” (dublando Bruce Willis). Participou também de longas-metragens dando voz aos rostos famosos de Dustin Hoffman, Paul Newman, Louis Jordan, Mickey Rourke, James Farantino, Peter O’Toole e, claro, Bruce Willis.

Em 1980, dirigiu a dublagem do desenho animado “Thundercats” e deu vida ao protagonista da série, Lion, quiçá seu trabalho mais marcante. Diretor do estúdio de dublagem Tempo Filmes, responsável por programas do Discovery Channel, People+Arts e Animal Planet, seu último trabalho como dublador foi o filme “Sin City”, emprestando mais uma vez sua voz ao astro de “Duro de Matar”. Faleceu aos 71 anos, no dia 06 de março de 2006, e entrou para a história da dublagem brasileira. Em São Paulo, lançou uma nova opção de trabalho para o mercado artístico. Seu curso técnico formou crianças e adultos nessa profissão que ainda é pouco valorizada.

Confira o vídeo exclusivo em homenagem a este grande profissional da dublagem brasileira que se foi e vai deixar muitas saudades:



Outros personagens famosos dublados por Newton da Matta foram Don Lockwood (Gene Kelly em “Cantando na Chuva”), Bert (Dick Van Dyke em “Mary Poppins”), Sonny (no filme “Eu, Robô”) e Padre Ralph de Bricassart (Richard Chamberlain na minissérie “Pássaros Feridos”).

“Minha voz continua a mesma, mas os meus cabelos, quanta diferença”

Publicado em: 14-08-2007 @ 12:40 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

Ao conceber um trabalho, seja para o cinema, teatro ou televisão, atores e atrizes enfrentam um processo conhecido como caracterização. Através dele, eles encontrarão as características psicológicas de seus personagens e poderão passar através do corpo o que se passa em suas mentes. Para ajudar no tal procedimento, existe um outro específico de caracterização física. É aí que queremos chegar com essa matéria. Provavelmente, você já reparou que existem astros e estrelas de Hollywood que passam por verdadeiras transformações a cada novo trabalho. Isso os ajuda a construir e incorporar melhor o alter-ego da vez. Emagrece daqui, engorda dali, coloca uma prótese acolá ou mesmo um simples corte de cabelo transformando os rostinhos carimbados da maior indústria do cinema em pessoas completamente diferentes.

Escolhemos duas atrizes e um ator que durante a sua longa filmografia mostraram facetas diferentes e vez ou outra irreconhecíveis. Seja qual for a cor do cabelo ou o peso indicado na balança, o Cinema com Rapadura reconhece acima de tudo o talento desses profissionais e presta a eles sua homenagem.

Sugestão: ler a matéria ouvindo a música “Cabelo”, na voz de Gal Costa.

Nicole Kidman

No começo da carreira, Nicole Kidman ainda aparecia nas telonas com a vasta cabeleira que a incomodava nos tempos de criança, seja no tom castanho avermelhado de “Terror a Bordo” (1989) ou nos loiros em “Dias de Trovão” (1990) e “Um Sonho Distante” (1992). Mais tarde, já casada com Tom Cruise, com o qual contracenou nos últimos dois filmes citados, a bela volta a protagonizar filmes com um visual, digamos, menos selvagem. Foi com as madeixas domadas e alisadas que ela estrelou “Um Sonho Sem Limites” (1995) e fez uma participação em “Batman Eternamente” (1995).


Depois foi a vez de testar tons diferentes. Foi morena que ela apareceu ao lado de George Clooney em “O Pacificador” e ruiva ela deu vida bruxa Guillian de “Da Magia Sedução”. De volta aos cachos, desta vez, arrumados milimetricamente, e s mechas loiras, Kidman atua mais uma vez ao lado do marido em “De Olhos Bem Fechados” (1999). Após o divórcio, a carreira e o visual da moça deram um upgrade e, assim, as transformações tornaram-se mais constantes. Loira e bela, com os cabelos mais curtos ela fez “Os Outros” (2001), “Dogville” (2003) e “A Intérprete” (2005). Ruivíssima, ela protagonizou “Moulin Rouge” (2001). No melhor estilo joãozinho, a estrela surgiu em “Reencarnação” (2004). Nicole Kidman é a prova de que talento e beleza estão acima de cortes, cores de tintura e próteses nasais (com as quais confundiu muita gente no pôster de “As Horas”, de 2002).


Drew Barrymore

Desde que chamou a atenção em “E.T.” (1982), Drew Barrymore, ainda criança, trazia na cabeça belos cachinhos dourados. E foi com eles que continuou fazendo sucesso nos trabalhos seguintes como “Diferenças Irreconciliáveis” (1984), “Chamas da Vingança” (1984) e “Olhos de Gato” (1985). Mais grandinha e com os cabelos mais escuros decorrentes da idade, ela está em “Bem Longe de Casa” (1989). Melena loira ao seu favor, Barrymore troca a imagem inocente por uma sensualidade natural em produções como “Relação Indecente” (1992) e “Sem Refúgio” (1993).


Drew Barrymore no clássico “E.T.”

Morena, ela estrelou a produção “Enigma Mortal” (1993) e, em 1994, voltou mais loira ainda no longa “Quatro Mulheres e Um Destino”. De cabelo curtinho, a atriz levou o ano de 1995 trabalhando em “Amor Louco” e “Somente Elas”. Em 1996, fez uma participação marcante em “Pânico”, no qual aparece ao estilo chanel. Mais tarde, com uma longa cabeleira castanha, Barrymore deu vida a um clássico dos contos de fadas em “Para Sempre Cinderela” (1998) e voltou a utilizar tons mais escuros e penteados diferentes em “Fora de Casa” (2001) e “Os Garotos da Minha Vida” (2001). Recentemente, a também produtora encontrou um tom de loiro mais discreto como pode ser visto nas comédias românticas “Amor em Jogo” (2005) e “Letra e Música” (2006), adotando de vez em quando o ruivo (caso de “As Panteras”, de 2000).


Loira, morena ou ruiva.
Não dá para atribuir um só visual!

Brad Pitt

Brad Pitt chamou a atenção como o caubói bonitão de “Thelma & Louise” (1991) e em 1993 emprestaria seu rosto angelical, desta vez com cabelos e barba mais escuros, a um assassino psicótico em “Kalifornia” (1993). Porém, foi reconhecido como galã de Hollywood somente em 1994 graças aos olhos azuis e aos longos fios loiros. Foi com esse visual que ele estrelou “Lendas da Paixão” e “Entrevista com o Vampiro”. Em “Seven” (1995) e “Doze Macacos” (1995), ele surgiu com os cabelos mais curtos, mas ainda assim continuou arrancando suspiros da mulherada. Em “Inimigo Íntimo” e “Sete Anos no Tibet”, ambos de 1997, os tons mais claros e o comprimento médio voltaram a ocupar a cabeça de Pitt.




O visual de Brad Pitt é sempre um show parte

Outra vez com o corte e a cor diferentes, o ator arrancou elogios por sua atuação em “Clube da Luta” (1998). De cabelo raspadinho, o ator participou da seqüência “Doze Homens e Outro Segredo” (2004) e protagonizou ao lado da nova esposa Angelina Jolie o longa “Sr. e Sra. Smith” (2005). Ano passado, assumiu sem reservas os tons grisalhos no premiado “Babel” (2006). Fora das salas de exibição, Brad Pitt também é famoso por desfilar por aí surpreendendo sempre com um toque diferente no visual, fazendo dele um par perfeito para a ex Jennifer Aniston, famosa por ditar moda com seus penteados nos Estados Unidos.




De cabelos longos, curtos ou raspados.
Não importa, trata-se de Brad Pitt!

Aumenta a quantidade de cópias dubladas no Brasil. Veja os números e entenda o motivo!

Publicado em: 30-07-2007 @ 8:06 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

Os mais atentos notaram mesmo antes de qualquer pesquisa oficial. O circuito cinematográfico no Brasil tem recebido um aumento considerável das cópias dubladas, inclusive para aqueles filmes que normalmente aportariam às salas nacionais somente em versão legendada. Em 2007, além das animações voltadas para o público infantil, os filmes de público adolescente e jovem não só tiveram um aumento das tais cópias dubladas como em alguns casos esse número chegou a ultrapassar a quantidade de cópias legendadas. Um exemplo disso foi a estréia de “Transformers” na semana passada. A produção chegou ao mercado com 530 cópias das quais 53% dubladas e 47% legendadas. César Silva, diretor geral da Paramount Pictures Brasil, distribuidora do filme, disse ao Boletim Filme B que a escolha pelas cópias dubladas partiu dos próprios exibidores. “Conversei com vários exibidores, discutimos caso a caso, e, nas salas localizadas no interior e em áreas populares, a preferência recaiu sobre as cópias dubladas”, afirmou.


A cópia dublada de “Homem-Aranha 3″ superou em vendas a legendada

A opção majoritária em exibir a versão dublada de “Transformers” pode ser explicada pelo excelente desempenho que as cópias em português dos sucessos de bilheteria “Homem-Aranha 3” e “Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo” obtiveram. João José Passos Neto, do grupo Moviecom que tem mais de 90 salas em nove estados, a maioria no interior de São Paulo, apresenta alguns dados. Em Belém do Pará, no Castanheira Shopping, a versão no idioma original de “Homem-Aranha 3” alcançou a marca de 14.130 ingressos vendidos. A cópia dublada alcançou uma cifra de 21.139 espectadores. A grande prova da superioridade numérica da dublagem, no entanto, está no número de salas. A versão dublada bateu a legendada com apenas uma sala contra duas da variante falada em inglês.


“Piratas do Caribe 3″ foi um dos filmes que a cópia dublada
superou a legendada em algumas praças

Na mesma praça, “Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo” conseguiu um público de 12.463 espectadores com as duas cópias legendadas enquanto a similar dublada fez 14.324 pessoas irem ao cinema. Em São Paulo, no Penha Shopping, essa superioridade aumenta consideravelmente. A versão em português de “Homem-Aranha 3” fez 80% do público do período em que estava em exibição. Passos Neto complementa dizendo que “realmente, tivemos uma surpresa esse ano. Em várias posições, a versão dublada de ‘Homem-aranha 3’, ‘Piratas do Caribe 3’ e ‘Quarteto Fantástico 2’ funcionou bem melhor que a legendada. No caso do nosso circuito, apenas nos cinemas Alameda, em Juiz de Fora, Jaruaguá, em Araraquara, e São Pedro, em Belém, as cópias legendadas foram mais fortes. Em todo o resto, ganharam as dubladas”.

Uma das razões para esse crescimento é apontada por Ricardo Szperling, programador do complexo Cinemark. “A informação que nossos gerentes recebem do público (…) é que o cliente gosta da comodidade da versão dublada. Além disso, eles também citam que, com a cópia dublada, podem prestar mais atenção nas cenas do filme, tendo assim uma experiência mais agradável”, explica.

Passos Neto concorda e aponta outros três motivos: “A melhoria na qualidade dos sons dos cinemas, a melhoria técnica da própria dublagem, e o hábito do público de ver filmes na TV e em DVD, que agora oferece a versão dublada com mais facilidade que o VHS”. César Silva disse ainda que esse “é um dos caminhos para se popularizar mais o cinema e trazer para as salas um público que está mais acostumado a ver filmes dublados na TV e em DVD”.

Gosto da idéia de aumentarmos essa oferta, pois a cópia dublada tem mais chance de atrair um espectador que, hoje, não está indo ao cinema. Acho que só não fazemos mais versões dubladas pelo custo adicional”, avalia Szperling. Atualmente, os custos para se produzir uma versão dublada comum, sem um elenco de vozes conhecidas e canções, não sai por menos que R$ 70 mil e não é todo filme que merece essa atenção. “O filme tem que ter um apelo, uma marca conhecida, ou não vale a pena”, diz Patricia Kamitsuji da Fox Filmes do Brasil. “Na verdade esse é um investimento de médio prazo, pois esperamos que a platéia que assiste a filmes dublados passe a freqüentar mais os cinemas”, completa.


“Duro de Matar 4.0″ estréia com 15% das cópias dubladas

O mais importante para aqueles que temem perder a chance de conferir os exemplares em seu idioma pátrio é que a decisão pelo aumento no número de cópias dubladas não vem alterando a quantidade das versões legendadas. “Duro de Matar 4.0” estréia esta semana com 370 cópias, 15% dubladas. A escolha por essas quase 50 versões em português só aumentou o lançamento do filme. “A gente adicionou, não substituiu. Tivemos, portanto, um custo adicional de cópias, na tentativa de incluir mais público. Cada vez mais, no multiplex, é importante oferecer as duas versões do filme”, comenta Kamitsuji.

Confira os vídeos exclusicos das entrevistas com os dubladores de “Transformers”, produção que chegou aos cinemas brasileiros com 53% das cópias dubladas.

Filmes que só você viu (ou pouca gente lembra)

Publicado em: 11-07-2007 @ 3:53 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

Garanto que você, leitor do Cinema Com Rapadura, tem um filme que marcou a infância e que andava perdido em suas memórias. Garanto também que se em um belo dia, você se deparasse com ele sendo exibido na Sessão da Tarde ou no Cinema em Casa você comentasse sobre ele em uma roda de amigos em vã tentativa de encontrar outra pessoa que também tivesse assistido a essa produção. E se um deles assinalasse positivamente, com certeza, você ficaria muito contente. Afinal, finalmente você encontrou alguém, além de suas irmãs, com quem você possa comentar sobre esses “clássicos” que te acompanharam até hoje.

Escolhi três fitas para discorrer neste post. É provável que, em todo o grupo de leitores do blog, encontremos outros espectadores e/ou fãs destes filmes. Ou não. Mas garanto que você também tem uma lista de longas que (quase) ninguém viu ou ouviu falar.

Loucuras em Plena Madrugada (Midnight Madness, 1980)

Este filme de 1980 é uma produção Disney e foi o primeiro trabalho do então jovem Michael J. Fox. A história é a seguinte: Leon, um típico gênio, convida cinco universitários para o seu apartamento e os desafia a participar de um jogo criado por ele. Primeiramente, eles se recusam, mas a rivalidade entre si faz com que todos aceitem o desafio.

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Leon, o criador do jogo (no centro acima), e os líderes
das cinco equipes na disputa

Eles devem reunir uma equipe (sinalizada por cores) e seguir do pôr-do-sol até o amanhecer resolvendo pistas e charadas. O jogo funciona da seguinte maneira:

1. Uma pista inicial é dada aos jogadores para ser resolvida.
2. Quando resolvida, a pista os leva a um determinado local.
3. No novo local, eles devem encontrar uma nova pista que os levará a outro lugar e assim por diante até o final.

Essa corrida pela vitória os levará em situações divertidíssimas a lugares como uma pista de mini-golfe, uma cervejaria e o aeroporto de Los Angeles.

São cinco as equipes na competição. A amarela é formada pelos mocinhos do filme (Fox interpreta o irmão problemático do protagonista que é forçado a entrar na competição) e os azuis representam os vilões. A equipe verde tem os brutamontes do time de futebol americano, enquanto os brancos são representados pelos nerds e as vermelhas por um grupo de feministas.


Neste vídeo, é possível ver quase todas as equipes.
Os brancos são a exceção. Reparem também
no jovem Michael J. Fox.


Aqui, os azuis não conseguem encontrar a nova pista.

Se Minha Cama Voasse (Bedknobs and Broomsticks, 1971)

Outra produção Disney, “Se Minha Cama Voasse” é um musical, ao estilo de Mary Poppins, que mistura animação e atuações live-action. Eglantine Price é uma bruxa amadora que é forçada a abrigar três irmãos órfãos em sua casa. Devido a suas traquinagens, os garotos acabam descobrindo uma cama que através de suas maçanetas mágicas os levam aos mais diversos lugares do mundo, incluindo uma ilha habitada por animais. Eles, então, partem em busca de um professor que pode ajudá-los a encontrar um antigo amuleto que os ajudará defender a Inglaterra dos nazistas em plena Segunda Guerra Mundial.

Neste divertido filme família da Disney, os personagens vão encarar situações como uma partida de futebol na selva, um baile no fundo do mar e roupas que dançam por si só.


Musical extraído de “Se Minha Cama Voasse”.
Mais uma vez, a bruxa amadora Eglantine
se atrapalha nos feitiços.

Alice in Wonderland (Alice in Wonderland, 1985)

Esta adaptação do clássico de Lewis Carroll foi levada TV em um especial de duas partes no ano de 1985. A história mescla as aventuras vividas pela pequena Alice nos dois livros de Carroll, “Alice no País das Maravilhas” e “Alice Através do Espelho”. Filmado com atores de verdade, o filme tem a participação do ex-beatles Ringo Starr.

alice.jpg
Capa do DVD de
“Alice in Wonderland”, lançado em 2006

Se você já achava o clássico Disney alucinógeno e muito louco, você precisa assistir a essa produção. A história todo mundo já sabe. Uma garotinha, que apesar dos seus sete anos já se acha grande o suficiente para tomar o chá de todas as tardes e ao mesmo tempo odeia livros sem gravuras, acaba seguindo um coelho branco apressado e vai parar em um mundo onde nada é o que parece ser. Aqui, a Rainha de Copas, a Duquesa, o Coelho Branco, a Cigarra e todos os demais personagens têm a loucura multiplicada por dez. E este musical ainda tem em Natalie Gregory a melhor personificação que Alice poderia encontrar.

E você? Já assistiu a alguma dessas produções? Tem uma lista de clássicos que só você viu? Deixe o seu comentário.

A Revolução Feminina pelos traços da Disney

Publicado em: 01-07-2007 @ 12:01 pm 
Postado em: Especiais
Escrito por: Igor Vieira

Ao longo dos anos de produção dos clássicos Disney é possível notar a influência de importantes fatos históricos. “Alô Amigos” e “Você já foi à Bahia?” foram realizados na época em que os Estados Unidos buscava o apoio dos países da América Latina na causa contra os Soviéticos. Uma evolução em particular me chamou a atenção. A forma como a mulher foi e vem sendo retratada pelos longas de animação da companhia é curiosa de observação e já foi até tema de monografia de um aluno na UFC. Neste post, me dedicarei exclusivamente a tratar das intituladas Princesas Disney. Se por alguma vez os meus comentários parecerem sexistas, peço desculpas antecipadas e peço aos (às) ofendidos (as) que se manifestem nos comentários.

Em 1937, a Disney produziu o primeiro filme inteiramente animado, “Branca de Neve e os Sete Anões“. Branca de Neve era tão bonita que despertava à inveja da Rainha, sua madrasta. Fugida do palácio após uma tentativa de assassinato, Branca de Neve conhece sete anõezinhos que trabalham em uma mina. Em troca de abrigo e proteção, passa a cuidar da casa, cozinhar e fazer outros serviços domésticos. A Rainha descobre o paradeiro da enteada e disfarçada lhe oferece uma maçã envenenada. Branca de Neve então cai em sono profundo até que seu Príncipe Encantado venha em seu resgate. Branca de Neve era o exemplo de mulher da época: bonita, delicada, servil, prendada, obediente e modesta. A vaidade feminina era condenada na figura da Rainha que proferia a todo instante: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?”.

Branca de Neve e os Sete Anões

“A Gata Borralheira” ou simplesmente “Cinderela” chegou às telas em 1950. Também criada pela madrasta, a moça é outra que sofre maus bocados. Obrigada a vestir trapos e trabalhar como empregada para a Madrasta e suas meio-irmãs, era chamada de Gata Borralheira por elas como pirraça. Sonhando com o Príncipe do reino, ela ganha da Fada Madrinha a oportunidade de ir ao baile. Cinderela mantém todas as características de Branca de Neve, inclusive o bom coração e o carinho pela natureza e animais.

Cinderela é que era mulher de verdade

Nove anos depois, foi a vez de outro conto de fadas ganhar um filme Disney. “A Bela Adormecida” contava a história de Aurora, uma jovem princesa ameaçada por uma bruxa má. Ao completar 16 anos, Aurora espetaria o dedo em uma roca e adormeceria até que o beijo de um príncipe a fizesse acordar. Prometida ao Príncipe Filipe, ela seria entregue em casamento mesmo contra sua vontade, mais uma prova da subserviência feminina ao patriarcado. O sono eterno prometido pela bruxa Malévola que só seria desfeito quando da chegada de um príncipe é mais uma prova de que, na época, mulher boa era mulher “morta”.

Naquela época, mulher boa era mulher "morta"

Trinta anos se passaram até que os estúdios Disney investissem suas fichas em uma nova princesa. É provável que a revolução feminina tenha afastado o tema da pauta do grande conglomerado de entretenimento que preferiu realizar produções sobre bichinhos. “A Pequena Sereia” estreou em 1989 e ao contrário de suas colegas anteriores, Ariel não levava desaforo para casa. Filha do furioso Rei Tritão, a sereiazinha desafiava o pai fugindo de casa para observar a terra firme. Ela se apaixona por um humano e termina por fazer um pacto com a bruxa Úrsula. Atrevida e desobediente, Ariel guarda muito da rebeldia adolescente dos anos 80. As coisas aqui começavam a mudar.

A Pequena Sereia: quase dá para ouvir Madonna tocando ao fundo

Em 1991, “A Bela e a Fera” vira sucesso mundial. Bela vive na França e funciona como a salvaguarda do pai, um inventor motivo de chacota na aldeia. Independente e segura de si, a moça dispensa um pretendente cobiçado por toda a mulherada e ainda tem coragem suficiente para enfrentar a Fera que mantém seu pai prisioneiro. Bela mostrou que a mulher é bem mais que cozinhar, lavar e passar. Adoradora de livros, a moça era inteligente o suficiente para driblar o mal-humor do carrasco.

Representação da mulher dos anos 90: inteligente, independente e chefe de família

No ano seguinte é a vez de Jasmine chamar a atenção em “Aladdin”. Filha de um sultão, a princesa é contra os protocolos da corte e se recusa a viver cercada pelas paredes do castelo. Ela sempre consegue um jeito de realizar suas vontades e acaba casando-se com o ladrão de rua Aladdin. Desde então a Disney trouxe outros perfis femininos de maior força, como Esmeralda de “O Corcunda de Notre Dame”, Pocahontas e Mulan, mas nenhuma delas ganhou oficialmente o título de princesa, motivo pelo qual não discorrerei sobre seus traços de personalidade.

Jasmine defende seus direitos

A parceria com a Pixar trouxe outros temas para os filmes da Disney e os contos de fada ficaram meio esquecidos. Talvez o perfil das crianças do novo século indicasse que elas já tinham superado temas tão pueris. A prova de que isso não ocorreu é o sucesso da marca “Princesas Disney”. O selo tem inúmeros produtos licenciados e ocupa lugar privilegiado entre os cinco temas de festas infantis mais procurados. Pelo visto, as mulheres podem sim ser independentes, modernas e continuar sonhando com um lindo palácio e um príncipe encantado vindo em seu cavalo branco.

Princesas: juntas elas enchem os cofres da Disney

Percebendo o poder de influência que o tema tem ainda hoje nas crianças, especialmente as meninas, a Disney prepara para 2009 dois grandes lançamentos. De volta aos famosos contos infantis, ela adaptará a história de Rapunzel ao cinema. O filme trará personagens em 2D em cenários tridimensionais. A outra animação promete fazer mais barulho. “A Princesa Sapo” terá como protagonista a primeira princesa negra do estúdio e contará as aventuras de Maddy que buscando o príncipe encantado em forma de sapo se transforma em um deles. A produção promete ser um retorno aos grandes clássicos já que será realizada toda em animação tradicional.

Cinema de Autor

Publicado em: 26-06-2007 @ 3:10 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

A idéia deste post surgiu em uma conversa de bar com o nosso amigo Raphael Santos. O assunto é um tanto polêmico para alguns. Há quem diga que, com a industrialização do cinema em Hollywood, o cinema autoral parou de existir. A influência do produtor é tanta que o filme acaba sendo mais dele do que do próprio diretor. Walter Salles utilizou essa justificativa para o fracasso de crítica de “Água Negra”, seu debute na indústria americana.


Volver: Cores e Mulheres de Almodóvar:
marca registrada do cineasta

Outros ainda afirmam que o roteirista e o editor são tão importantes no resultado final quanto o diretor das películas. Isso é fato, mas não podemos negar que em meio enxurrada de produções comerciais, cineastas de verdade resistem bravamente.

Podemos citar alguns tipos de autores. Existem aqueles que trabalham em sintonia com o resto da equipe e seus trabalhos podem ser reconhecidos facilmente. Estética, direção de atores, temáticas, tudo em uníssono, como uma espécie de marca registrada. Esse é o caso de nomes como Pedro Almodóvar e Martin Scorsese. O espanhol e o americano têm um estilo muito peculiar e mesmo quem não é muito fã reconhece fácil a sua assinatura. Quem se enquadra nessa categoria é o também americano Woody Allen. O excêntrico nova-iorquino construiu a carreira com um tipo de comédia só seu e mesmo quando foge regra produzindo dramas tensos como é o caso de “Match Point – Ponto Final” deixa escapar em alguns momentos as características que o tornaram famoso. Allen e Almodóvar se diferenciam aqui de Scorsese por escreverem seus próprios roteiros. Talvez por isso o diretor de “Os Infiltrados” mereça maiores créditos por conseguir manter uma unidade.


Eastwood em “Menina de Ouro”:
temática recorrente

Outro grupo de autores é daqueles que não imprimem uma marca visual a seus filmes, mas somente temática. Clint Eastwood conta histórias diferentes em suas fitas, mas não esconde a preferência por questões éticas e sempre com um olhar bondoso para aqueles que escolhem caminhos por vezes condenados pela opinião pública. Foi assim com “Sobre Meninos e Lobos”, “Menina de Ouro” e os dois mais recentes “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”. Mel Gibson também é adepto deste grupo, ao tratar da expiação dos pecados pela dor em seus três últimos projetos realizados no comando da direção.

Por fim, encontramos os que trabalham com estórias diferenciadas, temas divergentes, estética própria a cada nova incursão cinematográfica. Nem por isso, eles deixam de imprimir na tela sua ideologia e visão de mundo produzindo uma obra de arte que carrega uma autoria. Darren Aronofsky é, quem sabe, o maior expoente desse bando. Você consegue imaginar algum outro diretor realizando “Fonte da Vida”?


Quentin Tarantino: autor de
seus próprios filmes

Não podemos esquecer de Quentin Tarantino e Tim Burton, difíceis de classificação já que apresentam todas as características citadas. O que todos esses nomes têm em comum é a idéia de que um verdadeiro autor de cinema trabalha não só dirigindo câmeras e atores, mas passeia pelo mundo das idéias seja na forma ou conteúdo de seus filmes.

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