Monólogo com o Sr. Cinema

Publicado em: 19-08-2008 @ 6:51 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Ismael Alberto Schonhorst

Olá velho amigo, como tem passado? Disseram por aí que estavas doente, se não me engano até que tinhas morrido, mas pelo jeito estás bem. Como estava sem novidades no front, e resolvi dar uma passada aqui em sua casa, para lembrar os velhos tempos. Boas lembranças, não? Passamos diversas aventuras fantásticas juntos. Por falar nelas, sabes por onde anda aquela nossa turminha divertida? Estou com saudades de quando aprontávamos mil e uma confusões. Éramos realmente do barulho! Sabíamos aproveitar, sempre curtindo a vida adoidado. Claro, nem tudo foi tão divertido assim, lembro que você já me contou diversas histórias tristes, por algumas, sou muito grato. Aprendi muito contigo, sempre fosses um de meus mestres, e acima de tudo, um grande amigo. Não só meu. Amigo de diversas pessoas, e de algumas várias delas, você tem me falado durante anos.

Mas ei, como vai Woody? Como vai Martin? Saudades de Bogart e Marilyn. E Ingrid, sempre pensei que havíamos sido feitos um para o outro, com ela desejaria ter tido uma “love story”. Ah, fiquei sabendo que Robert e Al até voltaram a se falar, é verdade? Bem, vou parar por aqui, para não desmerecer nenhum de nossos bons companheiros, simplesmente uma questão de honra mesmo. Que bom que tive a chance de conhecer tanta gente através de você, pois eles vem, e vão, mas seus contos ficam imortalizados, não é mesmo, Sr. Cinema? Sr. Contador de Histórias, perto de ti, todos somos um livro aberto, e nossas histórias uma odisséia. Por falar em livro, bela estante esta. Seu decorador tem muito bom gosto, igualmente seu arquiteto, dirigindo muito bem sempre a construção de sua morada, onde guardas este material fabuloso, onde estás, e contigo as memórias. Vejo na parede, e tenho que dizer, esta sua fotografia é maravilhosa, e espere, desculpe mudar de assunto, mas que ritmo quente é este ao fundo? Viu, mais um motivo pelo qual adoro te visitar, sempre me apresentas cantores, bandas, orquestras, e claro, suas músicas, nem sempre novas, mas ajudas a construir a trilha sonora de minha vida com estas descobertas que faço contigo. Parece até que tens um sexto sentido para adivinhar em qual clima estou, por exemplo, ontem eu estava mais para algo vindo de um cantor de jazz, mas agora acertastes no ponto que eu queria algo agitado, quanto mais quente melhor.

Sério, não deixe mais falarem por aí que estás no fim da vida. Eu lembro que tens tido alguns momentos não tão memoráveis, mas todos temos as vezes um dia de cão, não é de hoje. As pessoas tem te visitado menos, e as vezes bagunçado sua mobília, atrapalhando nós, inocentes, que ficamos em silêncio para te ouvir e ver melhor. Bando de amigos da onça, irritantes de fato, mas logo vão embora, não precisa ficar com psicose perante isso. Eu, e tantos outros, sempre vamos querer ver o que tens de novo para contar, és um verdadeiro guerreiro, um lutador! Vais sobreviver aos novos tempos, é tudo uma questão de adaptação.

Bem, já está ficando tarde, mas o trânsito deve estar um apocalipse agora. Acho que vou para casa a pé, não corro risco de ficar aí perdido no calor da noite, estou hospedado aqui perto no grande hotel, lá na rua 42.

Até mais amigo, logo estarei de volta, pois sei que sempre irás me receber bem. Obrigado por tudo. Boa Noite, e boa sorte!

Zuand nu cIiNeMA cmeuz mAnUX

Publicado em: 13-05-2008 @ 3:29 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Ismael Alberto Schonhorst

Estava eu, num momento de ócio, navegando pelas comunidades de “amigos” do Orkut. Estou para me formar como profissional de comunicação, e para ser um bom comunicador, ter conhecimento do público alvo é fundamental. A mesma coisa se diz na questão “ser legal com seus conhecidos”. Eis que na página de um destes conhecidos, vejo uma comunidade que me fez pular da cadeira, olhos saltarem para fora, coração acelerar, e o sangue subir me deixando vermelho. Claro, teria sido assim literalmente, se eu fosse um desenho animado. Mas juro, foi desta forma que me senti. O indivíduo fazia parte de uma comunidade chamada: “Eu adoro bagunçar no cinema!“. Comecei uma caça então, e desde procuras por “bagunça no cinema” até “zuando no cinema“, foram diversas comunidades que unem estes %#$@&#*@ (agora sim, literalmente ao estilo desenho animado de xingar).

Me desculpem os que não me entenderem, mas odeio adolescentes no cinema. Adolescentes eu falo não no sentido biológico, físico, temporal, ou como você quiser definir. Falo de adolescentes como estado mental mesmo. Pessoas que tem necessidade de aparecer, e para isso chegam ao ponto de gastar dinheiro (que não é pouco), para ir esculhambar com a diversão de pessoas que estão ali para adivinhem o quê? Não, não estão para sexo, nem para serem narradoras do filme, nem para falar no celular. As pessoas normalmente vão ao cinema para ver filmes, mas cada vez mais, alguns seres com desejo de diferenciação, vão e fazem tudo menos isso.

Como que uma pessoa chega ao ponto de se orgulhar destas escrotidões? E o pior, se orgulhar, criar uma comunidade, onde outros vão entrar, para discutir assuntos de extrema importância, como por exemplo:

- Qual seu ponto “estratégico”
- Q Tipo de Bagunça vc faz?
- já foi expulso do Cinema? pq?

Sim, estes são exemplos de tópicos, transcritos fielmente, sem nem corrigir o Português. O mais bacana é que entrando nos tópicos, você vê que não é coisa só de brasileiro esta zorra:

“huhuuhuhuh
da ultima veiz ki foi eu i uma galerinha… nós já xegamuh cantanu ‘ UM ELEFANTI INCOMODA MTA GENTIIIIII’.. hahahahaha, dae começo os treillers.. i a genti começava a ler td im voz alta pra todu mundu.. ae qnd apareçia a cena dus kara gostosu;… nós assubiavamus mól altaum.. TODU MUNDU OLHAVA… (detalhe.. u fiume era d SUSPENSE)… ae na hr q ia acontecer alguma coisa pra levar sustu a genti começava a ri…
ASHHUaushuhAUHSHUUH
i nas part mais nada v du fiume.. qnd apareçia cenas d dia.. a gente começava
AII EU NUM VÔ V ESSA PART.. TO COM MEDU
uhasuhahushuauhsuhauh
i taméim… compramuh COCA-COLA (em latinha..)
aew toda hr q alguém abrinha uma latinha d refri a genti fazia u barulho do gás com a boka…
ahahahahhahahahaha
e algumas vezis a genti tmém fikava levantanu toda hr pra FINGI q ia arruma a calça, compra alguma coisa.. i no banheru…!
kkkkkkkkkkkkk, i usavamuh a luzinha du celular comu lanterna ainda.. nu meiu du fiume.. huuhuhuh
sort q num spulsaru a genti.. hehe “

De que país esta pessoa é (não falo o nome, pois foi postado como Anônimo), eu não sei, pois ainda não entendi qual a língua está sendo utilizada na mensagem. Se alguém souber, por favor, me avise.

Desculpem eu estar acabando o texto, sem ter chegado a uma grande conclusão, sem ter apresentado nenhuma solução, sem nem ao menos ter opinado explicitamente. Tive que dividir com vocês mais esta decepção que os seres humanos tem me causado. E eu achando que o pessoal as vezes fazia bagunça sem querer, ou sem perceber, e que no final tinham vergonha disso. O Orkut mostrou que eu estava enganado. Certo, pensei em uma solução. Para dirigir tem que ter licença, certo? Proponho que para ir ao cinema precise de licença também, incluindo aulas teóricas de comportamento, até aulas práticas de como assistir um filme de boca fechada, sem fazer barulho. Quem desobedecer as leis, vai perdendo pontos na carteira. Se insistir, perde ela, e vai ter que ficar tacando pipoca na cabeça do outros só em casa, até levar uma bronca dos familiares, com surra opcional, e aprender que CINEMA É O LUGAR ONDE SE VÊ FILME!

A Infame Arte do Mi Mi Mi!

Publicado em: 05-05-2008 @ 12:22 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Ismael Alberto Schonhorst

Opa! |Fly| a.k.a. Ismael Alberto Schonhorst, se apresentando como mais novo membro da equipe de colaboração do Rapadura Blog. Tudo certo com os senhores? Alguns vão me conhecer de outros locais, outros vão entrar em contato com meu estilo de escrever somente agora, mas enfim, peço permissão para trazer à tona temas calorosos, debates divertidos e matérias polêmicas, não necessariamente nesta ordem (que por sinal, é diferente da ordem que pensei antes de escrever).

Pois bem, como diria Glauber Rocha (um dos diretores pelo qual tenho amor e ódio ao mesmo tempo, tema que irei aprofundar brevemente), o assunto é cinema, cinema, cinema, o assunto é… cinema. O assunto é cinema, mas o foco que proponho hoje é subversão no cinema. O que leva as pessoas terem medo de algo que lhes faça pensar. Eu ingenuamente acreditava que nos tempos atuais, todos estavam acostumados a serem contestadas durante um filme. Vide exemplos de sucesso, mesmo que não de primeiro momento, tipo “Clube da Luta“, ou casos mais blockbusters como “Matrix“. Na minha cabeça, coisas diferentes não causavam mais receio na população geral (que curte um bom filme).

Estava enganado! Semana passada, eu organizei em minha faculdade uma mostra de cinema underground, ou brasileiramente falando, cinema “udigrudi”. Levei os diretores, para que houvesse um debate, um feedback pós-apreciação de suas obras, e coisa e tal. Falei que a presença deles não obrigava ninguém a gostar. Queria que assistissem e manifestassem sua opinião. Manifestaram bem demais. Em menos de meia hora de exibição, os mais ou menos 200 participantes que estavam lá na hora que o DVD começou a rodar, diminuíram para 30 pessoas no máximo. O conteúdo dos filmes era de um certo peso. A estética diferente do padrão hollywoodiano. As idéias apresentadas, por demais bizarras ao ver geral. Mas as pessoas nem tentaram entender, se chocaram por besteira, demonstraram uma hipocrisia, e saíram, não importando os diretores estarem presentes, dispostos a discutir e aceitar tranquilamente as críticas. Isso me lembra muito o pessoal que saia correndo das salas de cinema ao assistir “Laranja Mecânica” nos anos 70…

Mas, caso semelhante, e em maior nível, posso citar que tenha ocorrido com um filme chamado “Murder-Set-Pieces” (de 2004, mas chegou só agora ao Brasil, com um título traduzido que me recuso a citar. O Google está aí para isso, caro Padawan). Minha irmã alugou o filme, pois na capa prometia ser algo ao estilo “Jogos Mortais“, só que em doses cavalares. Resultado, ela odiou. Era o que ela esperava, só que de uma forma diferente do que imaginava. Era doses para elefantas, não para cavalos. Ela contando na mesa o quão ruim e sem sentido o filme era, me despertou interesse. Resolvi pesquisar, antes de decidir se encarava a má qualidade que ela alertava. Descobri que o filme tinha passado pelo tribunal da inquisição, ministrado por milhares de internautas que haviam odiado o filme. Fui mais a fundo, e parei em sites mais “confiáveis”, e acabei achando algumas opiniões favoráveis a ele, sempre citando o quão mega subestimado o filme estava sendo. Pronto, resolvi ver…

E o filme é bom! Não é ruim, nem ótimo. Até eu diria que é um bom em nível quase caindo para o regular. Mas não é a qualidade dele, como filme, que me chamou a atenção. Ele a princípio, é besta, sem história, Sem sentindo, com crueldade na mais crua forma. Mas se você assistir ele com a mente aberta, lendo nas entrelinhas, acaba descobrindo o potencial do filme. Ao estilo “Violência Gratuita“, do mestre Michael Haneke, o filme é uma piada com quem está assistindo. Ele olha nos seus olhos, bem fundo, e diz; “Alugou o filme querendo carnificina, não é? ENTÃO TOMA!“. Em uma cena que adorei, o personagem principal vai a uma locadora de filmes pornôs, e pede o filme “The Nutbag“, que para constar, é o primeiro filme do diretor de “Murder-Set-Pieces“. A realidade dentro de um filme, ou um filme que mostra a outra realidade, a do cinema. A sacada é que o tal filme, é no mesmo estilo do que você está assistindo, um longa de Violência x Violência. Ou seja, ele mesmo mostrou que as pessoas buscam filmes sangrentos hoje em dia, querem um pornô de bestialidades sádicas. Mas a coisa complica quando no meio do filme, acabam dando de cara com uma crítica a elas mesmas. Quando batem os olhos na ridicularização. Quando se encaram com a já citada subversão de valores. Você é um monstro, o filme te diz. E você não gosta, e sai por aí criticando pela internet, seu refúgio, seu Éden. Onde você mostra que tem “culhões” de detonar os filmes.

Mas quando você encara esta mesma situação, e se tivesse a chance de retrucar, na cara dela, você escaparia, jogaria fora a chance. Pois você tem medo de se ver realmente contestado perante um filme, um espetáculo. Cinema é diversão sim, mas também é educação, é protesto, e é “senta aí que vou te mostrar o quão tosco é sua vida”.

Viva para os fortes que ficaram até o final da mostra. Viva para os sábios que sabem ler as entrelinhas. Viva para os bravos que recebem a porrada, levantam, e dão outra em troca. Viva o cinema transgressor, de contracultura, e o cinema “udigrudi” nacional e underground mundial (não necessariamente de revolução).

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