Pelo andar da carruagem, os estudantes podem começar a dar adeus ao privilégio de ter meia-entrada garantida nos cinemas. “A meia-entrada é uma agressão”, foi a opinião de Luiz Gonzaga De Luca, vice-presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feenec), que fez questão de defender sua posição em entrevista cedida a G1: “Somos comerciantes como quaisquer outros”. Como se não bastasse o tom de incentivo ao consumo, De Luca ainda fez questão de ressaltar que “Cinema hoje é lazer, não cultura”, já que as maiores bilheterias estão relacionadas à filmes como “Homem-Aranha”.
As palavras do vice-presidente foram uma defesa a campanha lançada pela Feenec de reduzir a somente 30% a venda de meia-entrada utilizada por estudantes, que também é defendida no Estatuto do Cinéfilo, proposta criada pelo deputado de Minas Gerais do PV, Délio Malheiros. A idéia de Malheiros era exercer um maior controle sobre alguns conselhos e regrinhas existentes para as salas de cinema, como desligar o celular durante a exibição de filmes e sobre a atualmente discutida meia-entrada para os estudantes. O estatuto traz umas idéias um tanto rígidas, mas outras que muitas pessoas gostariam de ver em prática.
Para De Luca, algumas propostas estabelecidas no estatuto são completamente inviáveis, como a retirada obrigatória das pessoas que usarem o celular dentro da sala de cinema, durante a exibição do filme. O deputado sugeriu que os aparelhos fossem confiscados caso o dono não quisesse desligar antes da entrada na sala. É claro que existem pessoas que não se importam com os outros e adoram deixar o celular tocando em plena exibição, mas a medida já é bastante extrema. O vice-presidente afirmou que os funcionários não têm “poder de polícia” e que não poderiam retirar as pessoas da sala por causa do uso do celular.
De Luca também defendeu o tempo de exibição de propagandas no cinema, antes dos filmes, outro assunto abordado no estatuto, que tem a pretensão de limitar o tempo referente à publicidade durante as exibições: 5 minutos para propagandas comuns e 10 minutos para trailers. Nesse caso, a proposta é bastante atraente, se for pensado do ponto de vista que se vai ao cinema para ver o filme. Os trailers realmente têm tudo a ver com o momento, mas tempo para propaganda já existe em larga escala na televisão. O vice-presidente, entretanto, declarou que o tempo de projeções comerciais já é limitado à 5 minutos e que violações devem ser denunciadas ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar).
Seria uma boa poder ir ao cinema e não ter que ver aquelas propagandas que ninguém agüenta mais ver na televisão ou ouvir no rádio, mas seria bastante constrangedor ter que ser retirado da sala por não querer desligar seu celular. Porém, para os estudantes, parece que não há jeito, já que nem a proposta que pretende estabelecer direitos dos freqüentadores de cinema está do lado da meia-entrada.



O bruxo Harry Potter, criado pela autora J.K. Rowling, conseguiu mais do que fama ao longo dos anos de suas aventuras, ele conseguiu conquistar muitas pessoas. Desde criança, ele viveu suas aventuras na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, tanto as mágicas e cheias de emoções fabulosas, quanto aquelas comuns a todos os jovens, como problemas em relação � s amizades, ao primeiro beijo, � s provas da escola e aos desencontros familiares.
A carteirinha de estudante já garantiu muitos descontos para os jovens, nos ônibus e em muitos lugares onde o tema é se divertir. Ir ao cinema pagando meia-entrada é um privilégio para os estudantes, mas, agora, não para todos os estudantes. O que aconteceu foi que os cinemas do Brasil resolveram fechar mais esse círculo: agora só entra com meia-entrada quem for estudante de instituições de cunho educacional, ou seja, quem faz cursos de línguas ou informática e tem sua carteirinha por meio deles, não possui mais esse direito.