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Filmes Espaciais I – A Arte de Reproduzir o Infinito

Publicado em: 24-03-2008 @ 9:07 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Paulo Flausino

Por que sonhamos com as estrelas? Por que olhamos para cima com fascínio? Por que imagens cósmicas nos deixam deslumbrados? E por que filmes espaciais são simplesmente irresistíveis? Há dez mil anos, quando estávamos deixando de ser só mais um grupo de animais símios e aprendendo pouco a pouco a sermos uma civilização, os sábios daquele tempo já miravam seus olhos para cima esperando dos céus as respostas para todas as perguntas e creditavam ao espaço a responsabilidade por todas as nossas dádivas ou misérias. Milhares de anos depois, todas as civilizações em todos continentes (egípcia, persa, asteca, chinesa, romana, contemporânea e etc.) mantiveram e expuseram essa mesma obsessão pelo espaço através das ciências, das artes e das religiões.

Já nos últimos cem anos a maior invenção artística da humanidade, o cinema, vem produzindo inúmeras obras com o objetivo de divertir, documentar e ensinar a todos nós, leigos em astronomia, o que há espaço afora além de um vácuo negro, silencioso e com pontinhos brancos reluzentes.

Pensemos no tamanho da contribuição já dada pelo cinema, pois quantas pessoas aprenderam termos como: enxames nebulares, quadrantes estelares, constelações, supernovas, asteróides, cometas e planetóides, tudo isso apenas indo ao cinema? Quantos astrofísicos se descobriram homens da ciência depois de uma experiência cinematográfica com o espaço? Quantos poetas e escritores escreveram sobre o infinito apenas por deslumbrarem o cosmos na telona? Quantos amantes selaram suas paixões se inspirando na maravilha das estrelas expostas sob seus olhos? Quantos homens se extasiaram e encheram suas almas de vida após contemplarem uma aurora estelar reluzindo sob os frames de um vídeo espacial?

Uma das razões disso tudo é que além do véu misterioso que encobre as verdades cósmicas está a poesia da vida, o deleite da alma, o refugio do coração, a arte! Sim! A ARTE! A criação, a realidade, o cosmos, a vida… É pura arte! Pura arte Maior! Arte cósmica! Se foi feita por Deus ou pelo acaso não sei, o que sei é que sob a palavra “universo” sussurra o conceito de eternidade, de imensidade, de sincronicidade.

Tudo no espaço é tão denso, tão poético, tão brilhante, tão cheio de vida que a maior manifestação de arte humana, o cinema, não poderia deixar de tentar contribuir para que nossa obsessão milenar pelo espaço continue e se perpetue além das gerações que virão. Nesse intento é verdade que dezenas de filmes espaciais, que prefiro não citar, foram horrorosos e beiraram o ridículo fazendo com que o fantástico e o fabuloso se transformasse em grotesco, em brega, em jeca. Não importa e, haja o que houver, há um grande legado e está em nossas mãos um acervo fantástico de filmes espaciais dignos de serem vistos e revistos com entusiasmo e deslumbre.

Deste acervo de prodígios cinematográficos destaco:

- “Viagem a Lua” (1902)
- “Planeta Proibido” (1956)
- “O Planeta dos Macacos” (1968)
- “2001, Uma Odisséia no Espaço” (1969)
- “Solaris” (1972)
- “Alien, o 8º Passageiro” (1979)
- “Star Wars” e suas trilogias
- “Jornada nas Estrelas 2 - A Ira de Kahn” (1982)
- “Aliens - O Resgate” (1986)
- “Apollo 13” (1995)
- “Tropas Estelares” (1998)
- “Armageddon” (1998)
- “O Guia do Mochileiro das Galáxias” (2005)
- “Sunshine - Alerta Solar” (2007).

Esqueci algum grande filme espacial, caro leitor rapadura? Comente!

Este texto é um artigo introdutório de um assunto potencialmente vastíssimo e por esperar um debate mínimo, não pretendo me alongar mais, por isso, deixarei para uma próxima reflexão detalhar e colocar cada um desses filmes espaciais em seu devido lugar em termos de importância documental, artística, e de entretenimento de qualidade.

A verdade está lá fora?!

Podemos ver o que seus olhos vêem?

Publicado em: 29-10-2007 @ 12:40 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Paulo Flausino

Revendo o convincente documentário “Janela da Alma”, testemunhei uma frase inesquecível que dizia, mais ou menos, assim: “Apesar de enxergar bem sem óculos, eu sentia falta do enquadramento. Acho que a visão é mais seletiva de óculos”. Nesse mesmo instante pausei o vídeo, desliguei o monitor, fechei meus olhos, olhei para dentro e… algo aconteceu. Inspirei profundo e… algo se moveu. Dessa vez encontrei? Será? Sim! Não há mais duvida. Do imenso e profundo mar que é o inconsciente, emergiu um entendimento súbito (insight)!

Finalmente entendi um mistério que sempre me rondou, um enigma que sempre me incomodou! Que olhos são esses, que os diretores têm e que mais ninguém tem? Que visão de mundo é essa? Visão que, como um arpão, nos atravessa a alma, dilacera-nos os conceitos, reformula-nos as idéias e nos prende a algo único e fascinante que é o sentimento da transcendência, a sensação de sair de si, o poder de alcançar o outro, a proeza de transpor nossa limitada realidade! Através do trabalho deles podemos ser outras pessoas e viver outras histórias! Conhecer outros lugares e entender outras paragens!

É claro que não estou me referindo a Michael Bay’s e Tim Story’s da vida, que alastram o mundo cinematográfico com produtos descartáveis e renegam o potencial do cinema como arte e como canal de crescimento cultural e intelectual. Ali me referia a senhores como: Charles Chaplin, Orson Welles, Steven Spielberg, Sergei Eisenstein, Federico Fellini, Martin Scorsese, Stanley Kubrick, Peter Jackson, Woody Allen e “George Lucas”. Todos esses senhores são, em minha opinião, gênios incontestáveis sendo que cada um deles tem suas próprias particularidades que os engrandecem ou os apequenam dependendo de que contextos forem julgados e avaliados.

Voltando � quela grande questão: “Que olhos são esses, que somente eles têm, que mais ninguém tem? E mesmo que eles se diferenciem, um do outro, em vários e vários aspectos, o que todos eles têm em comum? O que? Hein?” Inspirado pelas palavras que grifei naquela frase citada no primeiro parágrafo, atrevo-me a dizer que sei o que liga a todos eles; o que os fazem manter um elo eterno de um para com o outro e os diferencia de todo o resto (nós)! Vamos pensar… “Elementar, meus caros Watsons Rapaduras!” Nada mais simples… Nada mais eficaz e diferenciador em nossas vidas e em nossa sociedade!

OLHAR COM A ALMA!!! Sim! Olhar com alma… Isso simboliza dar um significado profundo e singular para cada visão do dia-a-dia, isso representa valorizar a cada tomada que seus olhos venham a fazer! Com essa premissa de vida, eles conseguem a proeza de utilizarem suas visões SELETIVAS, de seus sensos de grandiosidade, de suas profundas admirações pelo belo e pela vontade irresistível de arrebatar e transportar multidões e mais multidões para o ENQUADRAMENTO da vida, que só eles conseguem vislumbrar e entender em profundidade real!

É assim que os enxergo. É assim que os sinto. É assim que os admiro! Quanto a você, meu amigo rapadura, que diretores você admira? Como você os enxerga?

Quem é você?

Publicado em: 14-09-2007 @ 12:57 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Paulo Flausino

Quem é Você?O que determina o que somos? Que atitudes marcam nossa personalidade? O que você faz, meu amigo leitor rapadura, para que possa dizer a si mesmo se você é bom ou mau, ousado ou tímido, sensível ou frio, tranqüilo ou agitado, prático ou intuitivo, sensato ou lunático? E quanto aos outros? O que fazemos ou deixamos de fazer para que os outros nos taxem e nos digam o que somos de uma forma ou de outra? E o que, raios!, isso tudo tem a ver com filmes afinal?

Escolhas… Sim! Escolhas! Essa é a palavrinha mágica que determina, sintetiza e responde a todas essas perguntas. Para que as pessoas sintam que são importantes ou não, que pertencem a algo ou não e que são parte de um determinado grupo ou de outro, só há uma maneira conhecida de se fazer isso: diferenciarmo-nos uns dos outros a partir do julgamento de nossas escolhas e das escolhas dos outros! Mas que escolhas são essas? Ora… São as nossas mais óbvias escolhas no dia-a-dia, tais como: as palavras e em que tom as dizemos, as roupas que vestimos, as musicas que escutamos, os lugares que passeamos, a faculdade/profissão que escolhemos, e enfim, os filmes que assistimos. Então os filmes que escolhemos dão pistas (indicativos) do que somos e de como agimos? Sim! Poucas pessoas se dão conta disso, mas o gênero preferido de cada um diz muito sobre o mundo interno (inconsciente) do indivíduo e de como ele age… Por favor não vamos fazer uma associação simplista e pobre dizendo que quem gosta de western sonha em ser peão, quem curte um romance é carente ou quem aprecia o gênero fantasia tende a ser lunático!

O que ocorre é que todos nós temos algumas necessidades que, inevitavelmente, já nascemos precisando delas. São as chamadas necessidades inatas, tais como: as fisiológicas (respiração, comida, sexo, sono, etc.), de segurança (estabilidade, ordem, proteção, etc.), sociais (relacionamento, afeto, amizade, etc.), de auto-estima (confiança, conquista, êxito, etc.) e, finalmente, as de auto-realização (religião, educação e crescimento pessoal). E sabe aquele vazio que todos nós sentimos de vez em quanto? Pois é… O que passa é que algumas dessas necessidades não estão sendo supridas e nem poderiam ser, pois do contrário não seriamos humanos e sim Mestre Jedis…

A melhor maneira que inventamos para fechar esses buracos existenciais é refugiarmo-nos (por compensação) nas artes, sejam elas musicais, visuais ou meditativas. E é aqui que entra a importância da sétima arte! Ao escolhermos um determinado gênero de filme estamos, na verdade, escolhendo aquilo que nos complementa e/ou nos impulsiona emocionalmente em nossas vidas!

Vamos pensar… Ao vermos filmes lúdicos como “Star Wars” ou o seriado “Jornada nas Estrelas” fazemos uma viagem interior e entramos em contato com o nosso lado que deseja transcender, que sonha em fazer parte de algo cósmico e infinito, é magia! Pura magia! Ao apreciarmos filmes noir como “Pacto Sinistro” ou “A Marca da Maldade” estamos na realidade buscando um modo de sacudir a monotonia (interna) da realidade através do choque visual dado pelos altos contrastes em preto e branco que esse gênero proporciona. Quando vemos a um musical como “Cantando na Chuva” ou “A Noviça Rebelde” é inevitável, mesmo que sejamos acanhados e tímidos (introvertidos), que o nosso lado mais brincalhão, mais extrovertido e expansivo sinta-se impulsionado a “sair para fora” e a se manifestar…

Como não se sentir tentado a olhar para as nossas mais intensas e dolorosas angustias ao depararmo-nos com dramas como as da trilogia da dor de Alejandro González Iñárritu (“Amor Cão”, “21 Gramas” e “Babel”)? E que melhor maneira há, para alguém que busque uma injeção de animo/motivação do que ver a filmes como “À Procura da Felicidade” ou “Rock – Um Lutador”? É ou não é? Hein?! Quando precisamos suprir com a nossa necessidade de estreitar os nossos laços de amizade e de família que estimulo no mundo seria melhor do que vermos a filmes “família” como “Pequena Miss Sunshine” ou “Mary Poppins”?

Em outra oportunidade trataremos mais desse e de outros assuntos reflexivos, mas enquanto isso: diga-me você, leitor rapadura, que filmes te marcaram emocionalmente?

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