Confissões Platônicas

Publicado em: 16-07-2008 @ 1:42 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Aproveitando uma semana de sensibilidades estranhas e de correrias cretinas, peguei uma conversa despretensiosa com o parceiro colunista B. Mendonça e transformei na pauta dessa semana. Sim, a troca de idéias triviais entre dois amigos sobre esse negócio que se chama amor. Mas de leve, vai.

[Para ler ouvindo "Heart of Glass"] Pelo andar da carruagem, ainda vou escrever muita coisa torta aqui explorando esse tema cheio de pontas. Hoje ele vem de forma simplificada. Sabe quando você sentava com os amiguinhos do colégio e ficava comentando sobre quem você queria/tinha ficado? Pois é. Eu e o Mendonça exploramos a tecnologia do Skype discutindo quais personagens a gente queria ter por perto. Enfim, um rolinho básico.

Diz o Mendonça que ele já contrariou a máxima do Vinícius de Moraes (sobre beleza ser fundamental) nessas paixonites platônicas. Foram as características, os pequenos detalhes e até defeitos que fizeram com que ele desejasse que algumas mulheres fictícias, fossem reais. Eu já sou super fã de Vinícius e não me atreveria a tirar o mérito da beleza. Mas, certamente, ela não põe cama/mesa/banho: caráter e charme fazem uma diferença monstra! Por isso me espantei quando ele comentou que queria a Amelie Poulain, a tapioquinha. Mas, certo. Concordei com ele sobre a simpatia e doçura da francesa. Afinal de contas, quem resiste aos biquinhos franceses, hein? Pois é, ele apostou o dedão do pé esquerdo (alguém quer?) que isso tudo e a vontade de ajudar o mundo tornariam a Amelie uma namoradinha ideal. Bem, cada um com seu cada qual.

Depois ele me veio com uma doidinha. Aquela Claire, de “Elizabethtown”. Admito que ela me enervou um pouco, mas valeria o rolinho só pela boa vontade de fazer aquele guia de viagens espetacular! Para o Bruno, foi algo tipo paixão à primeira vista… Sei que eu falei que era coisa de doido mesmo, ai ele literalmente partiu para a loucura: Clementine, de “Brilho Eterno”. A perfeição das imperfeições. Seria um rolinho cheio de adrenalina e idas ao salão. Pelo menos o Mendonça foi realista: com o desvio de personalidade, na primeira dificuldade, tentarei esquecê-lo. Mas, vale pela espontaneidade absurda que encanta.

Até ai, a conversa tava super tranqüila, até ele pisar em um calo meu. Ele se apaixonou pela Charlotte, de “Encontros e Desencontros”, da mesma forma que eu meio que tive uma queda pelo Bob Harris. Esse negócio de estar perdida em outro lugar e dentro de si mesma mexeu com a gente. Vai ver esse quê de “preciso de apoio” é afrodisíaco…

Ai falando em afrodisíaco, me lembrei de pedofilia. Brincando, mas é que a Juno foi citada também. Tá que ela é novinha, mas tem um gosto musical ótimo, um humor sarcástico e um jeito bacana de ver as coisas da vida. Deixando que ninguém aqui é depravado. Mas, a menina até filho teve, então, foi citada. Não era tão menininha assim…

Enfim, a coluna poderia continuar por linhas e mais linhas, afinal de contas, todo mundo aqui já teve quedinhas por personagens. Eu mesma fiquei um nó tentando listar os meus. Tanto que não consegui citar nenhum ainda. Mas vocês devem ter alguém da telona para falar. Vamos, abram seus corações cinéfilos e confessem por quem vocês já suspiraram!

Síndrome das Metades

Publicado em: 01-07-2008 @ 1:53 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Estou doente. Só pode. Peguei a sindrome das metades. Ou algo do tipo. Conversando com o parceiro de aventuras e também colunista Bruno Mendonça, percebi que em duas semanas vi cinco filmes pela metade. Absurdo. Afinal de contas, o copo está metade cheio ou metade vazio? Estou doente mesmo ou o tédio fílmico que anda grande?

[Ouvindo "Going to a Town", do R. Wainwright] Sério. Chega a dar um desespero. Em menos de duas semanas, tentei assistir cinco filmes e todas as tentativas foram por água abaixo. Não vou culpar os filmes, até porque eles eram bons. Mas, e aí? O que é, então? Nunca mais vou conseguir assistir a um DVD por inteiro? Tá bom que eu prefiro muito mais ver o filme na telona, mas agora me tornei incapaz de assistir na telinha? Lascou.

Um tempo atrás, comecei a ver “Despedida em Las Vegas” e parei. Mas ali até teve uma explicação convincente: eu tava num dia impregnante e quis assistir àquele filme, em especial, noutro momento, mais inspirador e tranqüilo. Ok. E depois dele consegui ver outros filmes por inteiro, que eu lembre…

Daí essas semanas, comecei a usar meu aparelho de DVD. “Vamos lá, Suspiro”. Começo a ver “Menina Má.com”. Tá, eram bem 3h da madrugada e eu dormi no meio. Mas devo admitir que gostei até onde vi. Foi só o badalar do sono e do acordar-cedo do dia seguinte que falaram mais alto. Será que foi o meu inconsciente querendo evitar uma frustração, já que o filme tava surpreendentemente agradável? Bem, material para os Freuds da pipoca.

Achei perdido aqui em casa um DVD de “Desejo e Reparação”. “Opa! Vamo nessa”. Vamos, nada. No meio da guerra, pedi pinico. Fora que fiquei com abuso daquela loirinha arrogante. É, eu me irrito horrores com certos personagens. Uma graça.

Depois, acho que no dia seguinte até, comecei a ver “O Último Rei da Escócia”, que eu estava louca pra ver há tempos. Beleza. Bufu, desliguei a TV no meio. Simplesmente saí. Sem dó nem piedade. Sem vê nem pra quê. Foi quando comecei a ficar preocupada. Se um filme que eu estava querendo ver há tempos não me segurou no sofá, isso era sinal que a coisa tava afro-americana (evitando preconceito).

Pego emprestado “Amor à Flor da Pele”. Ok. Olhinho puxado para cá, olhinho puxado para lá. Sotaque engraçado aqui, carinhas iguais ali. Faltando trinta minutos para acabar o filme, desligo o DVD. Como assim?! Incontinência com o controle remoto? Só se for. Ou foi a rotina hollywodiana dos útimos meses que me deixou inquieta vendo um filme de estilo diferente?

Bem, não sei. Tudo que sei que estou arrasada. Tive que vir desabafar, até porque não achei outro tema para escrever essa semana, já que só consegui pensar nisso e nos olhinhos fofos do Wall-E. Mas ainda não assisti ao filme do carismático robô, então, não poderia falar dele ainda. Foi a crise mesmo. Vai ver vou ter que chamar o Dr. Gregory House para me ajudar. Ou quem sabe eu passei muito tempo vendo seriados e agora me desacostumei a ver filmes na TV. Será? Ou isso é fase de todo cinéfilo? Ou vai ver minha TPM veio de forma diferente esse mês: veio com inaptidão para Cinema na TV. Não sei. Sindrome cruel. Aceito sugestões e testemunhos.

O Quatro de 2004

Publicado em: 25-06-2008 @ 12:50 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

“Um é pouco, dois é bom, três é demais” e quatro? Quatro é o quê? Bem, agora vai ser Rapadura, pelos quatro anos de história, ora doce, ora dura, mas sempre no estilo Rapadura. E para não deixar passar em branco essa data, resolvi escrever rapidamente sobre os filmes que me marcaram 2004 - ano em que o portal surgiu e que minha pessoa surgiu no portal.

[Ouvindo Inexplicata, de Apollo 9 + Ceu] Bem, não teria como começar a coluna dessa semana sem citar esse filme lançado de 2004. Ele foi responsável pelo meu primeiro contato com o Rapadura´s World. “Tainá 2 – A Aventura Continua”. Não, eu não vi o filme, mas ele foi motivo de muita cara de pau e diversão. Foi quando fui chamada para quebrar um galho de entrevista. Horas (muitas horas) depois, estava eu e outros dois Rapaduras comendo pastel e discutindo um certo futuro aculá.

Depois veio “Closer - Perto Demais”, que deu pauta para uma das colunas que eu mais amei escrever e que foi um dos primeiros filmes que eu assisti com a “cambada” Rapadura junto. Certamente, foi um filme que marcou muito. Tanto que repercute até hoje em linhas tortas por aqui.

Teve “Alexandre” também, outro filme que rendeu algumas muitas citações. Claro, ele foi o responsável pela minha maior brochada no cinema. Afinal de contas, eu esperei horrores pelo filme, vibrei pelo tanto que já havia lido sobre o pequeno Alex e aí, aí vem o Oliver Stone e joga tudo suspiro abaixo… Enfim, brochei.

Mas “Alexandre” não foi um único “pioneiro” ou “top top” de alguma “categoria”. Em 2004, teve “O Aviador”, ganhador da categoria de maior cochilo que eu já tirei no cinema. Foi bem na época em que tava na moda fazer filme longo: “Menina de Ouro”, “Ray” e “O Sonhador”, aliás, “O Aviador”.

Tiveram aqueles filmes que me fizeram incorporar o personagem. Tipo, depois de “Jogos Mortais”, lembro que levantei da cadeira e pensei: já quero virar uma serial killer. Mas ok, não matei ninguém – só pensei em, mas ainda não. Teve “Sideways” que me fez querer sair e degustar todos os vinhos do mundo – e sim, ainda estou nessa árdua tarefa. Teve o documentário quântico “Quem Somos Nós?”, que me fez repensar mil vezes a loucura do dia-a-dia e ver bolhas em tudo que eu olhava… Sempre divertido quando aparecem esses filmes que ficam ecoando na nossa cabeça de alguma forma.

Claro, 2004 trouxe muito filme que fez a gente pensar de forma mais coisativa, de forma mais reflexiva. Teve “Diários de Motocicleta”, que me fez ter um orgulho estranho da coragem de alguns homens. Teve “Crash”, um dos melhores filmes para deixar você “coisativo”. Saindo do lado mais humano da coisa, 2004 trouxe “Em Busca da Terra do Nunca”, que fez muito Rapadura chorar.

Trouxe “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, que deixou – e deixa até hoje – muita gente torta das idéias. Eu mesma lembro que assisti ao filme pela primeira vez duas semanas após terminar um namoro longo. Seria traumático, se não tivesse sido tão inovador a experiência. Teve também “Antes do Pôr do Sol”, que até hoje me faz querer correr para aproveitar tudo antes que o sol se ponha. Teve “Efeito Borboleta”, que me fez pensar em como seria tudo se pudesse voltar no tempo e mudar certos detalhes. E não só isso: me fez pensar como seria o hoje com algumas mudanças no passado. Por exemplo: como eu estaria hoje se não tivesse atendido o telefonema que me chamava para quebrar o tal galho-Rapadura?

Vishe, “O Fantasma da Ópera” saiu em 2004 também. Esse seria outro filme que poderia me render uma brochada fulminante como “Alexandre”, mas acho que o Gerard Butler e o momento em que eu estava contribuíram para o meu ponto de vista positivo.

Ah, também teve filmes estranhamente engraçados, como “Napoleon Dynamite”, meu nerd favorito, e “I Heart Huckabess” que é o bizarro em carisma. E teve “De Repente 30”, que veio cheio de surpresas boas e sensações legais.

Enfim, 2004 trouxe filmes para tudo quanto era gosto, pra tudo que era humor. Trouxe comédia, trouxe drama, trouxe experiências e frustrações. Acho que são ingredientes interessantes para mixar em um ano. E mais interessante ainda quando vem com uma Rapadura no meio. É, quatro anos depois, parece que foi ontem. Até o cinco, então.

Sexy look nos Heróis

Publicado em: 16-06-2008 @ 2:27 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

A vida é cheia de surpresas agradáveis, não é mesmo? Domingo passado, estava tomando um cappuccino despretensioso com meu bluepartner em uma locadora próxima da minha casa, quando duas estimadas figuras adentraram o recinto. Dois diretores e profissionais que tem meu carinho registrado: Halder Gomes e Glauber Filho. Conversa pra lá, café e quitutes pra cá, um assunto pra lá de divertido começou. As referências sexuais dos Super-Heróis. Sim, profetizando um pouco o que Joseph Campbel discursou em ”O Poder do Mito”, me diverti horrores com desses dois elementos que sempre me dão ótimas pautas.

[Ouvindo "Hot One", trilha de "Velvet Goldmine"] Afinal de contas, as referências sempre existiram. Resta saber se estávamos atentos ou não. E quando o negócio tem teor sexual, algo me diz que fica muito mais infame e divertido. Por exemplo, quem nunca havia percebido que o Super-Homem é a drag-queen do Clube dos Heróis? Aquela capa vermelha esvoaçante pode ser uma referência à Priscila, a rainha do deserto, que vivia “atrepada” em cima do ônibus purpurinado, esbanjando brilho no ar. Além do quê, vamos combinar: colan azul com sunguinha vermelha de cotton por cima… Não é exatamente o look que o macharal escolheria para cair na balada. Além do mais, pelo que me falaram, o Super-Homem aí sempre recusava os convites da Mulher Maravilha para andar no jatinho transparente dela. É, recusava a companhia de um mulherão daquele… Ele preferia ir voando. Evidêcia da mania de ficar direto se exercitando, que segundo o seriado “Queer as Folk”, é o passatempo favorito das bees.

Mas, não vamos fazer injustiças. Ainda mais quando estamos falando dos queridos heróis que tanto se arriscam para salvar nosso mundo, certo? O Super-Homem não está sozinho nessa. A Mulher Maravilha, por exemplo, tem umas referências bizarras. Uma mulher daquela, dizem, certeza era frígida. Aquele mini-micro-short apertava o juízo dela em outros pontos e aquele cinto enorme mais parecia um cinto de castidade do que um elegante acessório.

Quanto ao Batman, preciso comentar muito? Couro preto e mil bugigangas metálicas. Bem, oi? Masoquismo? O Batman é a referência top do masoquismo enrustido. Isso explicaria aqueles mamilos ridículos que colocaram na roupa dele no filme dirigido pelo Joel Schumacher, quando o George Clooney encarnou o papel. Enfim, mamilos, dor, sensualidade… Há quem veja relação. Eu, na verdade, já vi cafonice. E sim, não vamos esquecer o acessório principal do Batman: o Robin! O casal mais celebrado dos HQs. Fica para vocês suspeitarem quem é ativo e quem é passivo. Mas eu aposto que o Batman vira o morceguinho dentro da bat-caverna, viu? E por sinal, pega até mal para o Batman… Já que o Robin é novinho, fofinho e inho-inho, existe até sugestão que meu herói favorito siga a vibe do Michael Jackson: pedofilia.

Falando em novinho, lembrei do Homem-Aranha, o punheteiro da Liga Heróica. Sim, ou vocês nunca suspeitaram daquele monte de gosma que ele fica jorrando por ai? Digo, as teias que ele rebola com a mão… Ora, ele é o guri da turma que quer salvar o mundo. É um nerd sem muito sucesso com as garotinhas. Está descobrindo a vida boa através da faceta do Homem-Aranha. E, e… Meu povo, aranha! Preciso mesmo dizer a mensagem subliminar que isso tem?

E o Hulk, meu povo? Certeza que ele foi exposto à radiação e ficou tudo atrofiado. Daí, mais um ponto para a minha teoria citada no RapaduraCast sobre “Sex and the City”: mau-humor pode ser reflexo direto de uma vida sexual inativo. Aí temos o Hulk, que fica ver de de raiva, porque não pode dar uma. E outra prova de que os documentos dele ficaram atrofiados é o fato de que, quando ele se transforma, a roupa toda se rasga, menos o shortinho. Coitado, nem assim cresce…

Enfim, referência sexual nos heróis dá pano para muita coisa. Se eu que nem entendo muito da turma consigo pensar em algumas brincadeiras, imagine quem acompanha bem e, claro, tem um senso de humor elástico. Alguém aí tem mais sugestões sobre o assunto?

O Sexo, a Cidade e o Cinema

Publicado em: 09-06-2008 @ 2:20 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Dez anos depois, lançam o filme baseado na minha série favorita: “Sex and the City”. Depois de muitas histórias pessoais entrelaçadas com a série, chega a hora de matar um pouco a saudade – ou a vontade de ver qualquer coisa sobre o assunto. Superando o medo de frustrações, entrei na sala para conferir e adivinha só: me like it!

satc.jpg[Para ler ouvindo a música do filme] Hello, lover! Após um RapaduraCast comentando o pré-filme, eis que vem a coluna pós-filme. Fico até com medo de escrever. Primeiro porque o fato de ser auto-crítica aumenta bem mais quando o assunto é algo tão querido como SATC. E mais: quando já se soltaram tantos burbulhinhos sobre o assunto, a expectativa cresce. Como diz a personagem Carrie no filme, “o valor da aposta aumenta”. Mas, quer saber? Espontaneidade e diversão, eis o casal da vez.

Sobre a série. As expectativas rondavam sobre um filme tal qual um episódio “alongado”. De fato, são perceptíveis as semelhanças. Tenho certeza de que a intenção era agradar ao público que teve a oportunidade de acompanhar a série e, em conjunto, agradar aos “novatos” no assunto. A boa da vez é que tive a impressão de que eles conseguiram. O começo do filme, a intro narrada pela Carrie com todas as seqüências dinâmicas e glamourosas, é um presente nostálgico e querido aos fãs da série. Os pequenos flashes de cenas de episódios passados – que eu já sabia de cor, a música envolvente – apesar da Fergie – com o jingle cativo super sofisticado… Começa bem demais! Quando, de fato, entramos no enredo que vai guiar o resto do filme, percebemos os trocadilhos com detalhes da série, citações recorrentes, as lembranças dos desfechos… Tudo encaixado. Apesar do filme focar mais ainda na Carrie e tirar um pouco do espaço das outras três, foi um reencontro ótimo.

Sobre as personagens. Apesar das mudanças, as “meninas” continuam as mesmas. Claro, com seus retoques. Carrie anda menos confusa e destrambelhada, mas ainda envolvida “in a Big thing”… Samantha até conseguiu se comportar durante o filme todo, mas conservou sua essência de “sexualmente bem-resolvida” com afinco. Miranda provou que debaixo da couraça irracional, existe alguém que também sente. Mas que ainda valoriza o bom senso para tudo. E Charlotte, que tando já me deu abuso, me cativou horrores no filme. Romântica convicta, ela faz caras e bocas que pagam o ingresso. Queridas. Amigas queridas que adorei reencontrar.

Sobre o assistir. Quebrando outra expectativa, a primeira sessão foi a melhor. Sim, até agora, vi o filme duas vezes. E a primeira sessão foi infinitamente melhor. A sintonia dos cinéfilos era contagiante. As mesmas risadas, as mesmas sacadas… Tenho certeza de que na primeira sessão a maioria era de fãs veteranos. Senti como se fosse, de fato, um reencontro depois de anos sem contato. E claro, “Sex and the City” não é “Sex and the City” sem coquetéis. Definitivamente, deveria ter entrado com um drink na mão. Mas, ok, tive que deixar para depois.

Sobre o Marketing. Todo mundo esperava merchandising de peso no filme. E, de fato, ele bateu o ponto. Mas, como na série, estava bem disfarçado. A Apple marcando presença com a maçãzinha aparecendo de fundo sempre que a cena estava no quarto/apê da Carrie. O iPhone alado carregado pela Samantha e marcando presença no casamento. As marcas. A moda. O estilo. Apesar de tantas citações, a maior “venda” ali foi do status de ser fabulosa, independente e apaixonada, com muito, muito estilo.

Sobre o fashionismo. Óbvio, estava inundando o filme em todos os segundos. E estava lindo. Westwood, Oscar de La Renta, John Galliano, Prada, Gucci, Versace, Dior… A lista é enorme. E linda de se ver, apesar dos exageros. Admito que não morreria nem teria dor de cabeça por aquela bolsa da Luis Vitton da Louise. Mas morreria sim, por alguns saltos que vi patinando pelas calçadas… Afinal de contas, um bom salto alto faz parte do kit de qualquer mulher vaidosa.

Sobre as cenas. “No!”. A melhor cena do filme, certeza, é o grito da Charlotte para o Big. Quem viu, sabe qual é. Sensacional. Em segundos ela emocionou – e fez rir - em extremos rápidos. Aliás, ela me deixou com nó na garganta em todas as cenas. Arrasou. A cena da Miranda e do Steve, com Al Green de fundo… Deliciosa. A cena em que a Carrie aparece com o figurino da abertura da série. Fofo! E o Ano Novo com direito a beijinhos do Anthony e do Standford? Ótimo.

Sobre a saudade. Acho que ela foi o ingrediente principal para o fato de eu ter me divertido tanto com o filme. Sem sombra de dúvidas. Cumpriu o papel, com um timing quase perfeito – as cenas de drama mereciam uns segundos a mais para fechar bem a emoção. Agora é curtir a nostalgia com as seis temporadas e um longa-metragem de cabeceira.

Sobre sexo, cidade e cinema. Se tem uma coisa de sempre me agradou no pacote do “Sex and the City”, essa coisa é a liberdade destemida. É. Liberdade para falar o que se quer, como se quer e quando se quer, deixando de lado a vergonha, os tabus. Simplesmente natural. E quando digo ser livre, digo também o ser livre para ter opiniões. Logo, a liberdade acerta as críticas, as negações e os julgamentos contrários ao que a série mostra. Todos tem direito a opiniões, sejam elas coerentes ou não. Mas, acima de tudo, é livre. E destemida, principalmente, por tratar as mulheres como seres absolutamente competentes e reais, donas do seu próprio nariz, sem medo de admitir que procuram um grande amor. Trata-se de ser natural. E sentir-se natural.

Na coluna dessa semana, não vou questionar nada. Sem perguntas. Apenas excesso de saudade e de amor. Seja na chuva, na rua, na fazenda, numa casinha de sapê ou na cidade, atire a primeira pedra quem nunca sentiu amor e tesão. E se você, de fato, puder atirar essa pedra… Não sabe o que está perdendo.

Não julgue o cara pelo DVD

Publicado em: 27-05-2008 @ 3:29 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

A coluna dessa semana veio bem dinâmica. Já que são dois publicitários discutindo algo, digo que foi um brainstorm. E já que estávamos no auge do tédio, digo que estávamos em ócio criativo. E já que somos cinéfilos, o papo tinha que terminar em cinema. E dai surgiu a lição da semana: não julgue alguém pelo DVD!

(Para ler ouvindo “If”, da Charlotte Gainsbourg + Etienne Daho)
No meio do tédio e das janelinhas tortas de um MSN de Domingo, eu e o Bruno Mendonça começamos a jogar papo – e tempo – fora. Foi quando ele me confessou uma nóia: não alugar filmes bobos para não cair nos conceitos de quem poderia ver os DVDs. Sim, a princípio, eu achei engraçado. Mas depois pensei um pouquinho e vi que já tinha pensando sobre isso. Não sobre não alugar um DVD por receio do julgamento alheio, mas sobre o que as pessoas pensam sobre os DVDs dos outros.

Vira e mexe, estou numa locadora e presto atenção nas figuras que estão por lá. Aquele casal antigo que quer um filme pra assistir juntinho e aproveitar o restinho do fim de semana. Aquele cinéfilo que quer uma edição especial do filme tal. Um professor de universidade que quer algum material para animar a aula. As crianças. Gente como a gente. E vira e mexe, me pego analisando os DVDs que eles pegam. Ou mesmo escutando os comentários – e alguns deles me dão nos nervos…

Mas, como diz o Bruno, “projeto meu superego no balconista da locadora, ele é meu sensor”. Penso: ele vai recriminar você por alugar um filme bobinho? É, é assim mesmo. Mas, e daí? Você tem que “fazer o filme” pegando uns filmes do tipo bem “cabeça” e discretamente colocar uma comédia romântica para desopilar? Juro que já imaginei o desespero de pessoas como o Bruno e o carão que a pessoa do balcão poderia fazer analisando os DVDs. Quase uma repressão militar. Seria cômico se não fosse trágico. Afinal de contas, laguem está tendo sua liberdade de escolha da prateleira podada! Mas, acredito que a nóia dele possa ter sossego. Pode ser uma saída, então, ele pedir para alguém alugar para ele. Ou fingir que está alugando como favor para alguém, distraindo-se no telefone.

Pior que acredito que isso acontece mesmo. Se não for com o balconista, que seja com a pessoa ao lado. E mais ainda se for alguém que, por acaso, você queira impressionar. Afinal de contas, rola paquera na locadora também. Vai que você está com aquela penca de filmes imbecis na mão, para puro e irracional divertimento, e lá vem aquela criatura que você sempre quis chamar a atenção. Climão. Ou quando você quer dar uma de entendido da área e vai comentar os filmes que a pessoa está levando? São várias situações que podem decorrer de uma rápida olhada nos DVDs alheios.

Parágrafo filosofal, enfim, quem vê DVD, vê coração? Digo, dá para julgar alguém pelos seus DVDs? Certamente, pelos DVDs da locadora, não. Ora mais, vai que a criatura está fazendo o favor de pegar os filmes para alguém. Ou vai que é uma ocasião alheia da rotina. Ou um trabalho da faculdade. Vai que você pensa que a pessoa é cinéfila e começa a comentar o clássico tal e depois escuta: ah, ta, é para um trabalho chato da faculdade. Pois é. Tudo é possível. Existe muito mais coisa entre uma prateleira de locadora e uma pessoa do que diz nossa vã “cinefilogia”.

PetroMerchanRacer

Publicado em: 19-05-2008 @ 2:20 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Pintando e bordando com a publicidade, pensei em trabalhar com informações na coluna dessa semana, já que a inspiração foi dar uma voltinha e ainda não resolveu voltar. Foi aí que Murphy me fez dar de cara com duas matérias do jornal “Meio&Mensagem” e da revista “Marketing”. Logo, Petrobras e Speed Racer são os “convidados” da semana.

petromerchanracer.jpgMerchandising sempre me pareceu divertido. Isso me colocando como consumidora. Sempre me sinto em um “Onde está o Wally?” interativo quando estou vendo um filme e noto a inserção conveniente – ou não – de uma marca. E me colocando como publicitária, o merchandising é uma saída do comercial tradicional e tem um quê de subliminar que muito me agrada.

E, claro, merchandising bom tem que ser bem feito. E para ser bem feito, não pode ser percebido tão obviamente pelo telespectador. E aí, todo mundo sai ganhando: o filme tem seus custos barateados com o investimento e a empresa tem sua marca divulgada sem estar em uma propaganda, diversificando sua atuação. Em colunas passada, até citei casos de merchandising vistos na época. Certamente, vocês terão outros tantos para comentar também…

Mas, na coluna de hoje, um merchandising em particular me chamou a atenção: a Petrobras e o filme “Speed Racer”. Ainda não vi o filme, mas soube dos “babados” da negociação. A Warner Bros. procurou a Petrobras para uma ação de merchandising setorizado. Traduzindo: apenas nas cópias do longa exibidas no Brasil e em países sul-americanos que possuem postos de gasolina da “bambambam” do petróleo verde-amarelo. O motivo? Bem, segundo o Luiz Antônio Vargas, gerente de publicidade de promoções da Petrobras, a Warner queria entrar no mercado latino e queria encontrar uma empresa pra viabilizar isso.

Conversa vai, conversa vem, idéia aqui e exigências ali, parece que o negócio deu certo. Saindo da inserção tradicional, aparecendo de pano de fundo em determinados momentos do filme, a idéia foi fechada com uma equipe de corrida, a Petrobras Bioenergy, que usa combustível renovável. O carro da equipe, batizado de Green Energy, de longe já mostra a quem pertence. Com o nosso verde-amarelo, ele traz o nome da marca estampado, junto com o lubrificante Lubrax, participante do mix de produtos da Petrobras.

A ação só me fez lembrar como a Petrobras costuma ser ousada nas estratégias de Marketing. Afinal de contas, ela vai ter seu nome inserido no roteiro do filme, vai ter um carro correndo ao lado do famoso Mach 5, exigiu que a imagem não fosse associada a vilões e ainda vai ter painéis com a logo espalhados nos circuitos criados pelos irmãos Wachovski.

O preço disso tudo? Ouvi falar de cerca de R$ 3,6 milhões. Comparando às outras ações da empresa, sai até barato, levando em consideração que a marca vai correr outros países e ainda poderá utilizar o filme em campanhas próprias no Brasil e em outros países da América do Sul.

Enfim, deixando a política estatal de lado, é bom saber que uma empresa brasileira anda patrocinando o cinema.

Esperança no fim do… ruim?

Publicado em: 05-05-2008 @ 1:04 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Curtindo os antibióticos e o sofá companheiro da casa alheia, uma velha idéia passou pela minha cabeça: tem filme que é tão ruim, tão chato, que você não consegue parar de assistir, só pela curiosidade de saber se pode piorar ou se existe esperança no fim do… ruim.

(Para ler ouvindoI Just Can´t Get Enough“)
Vez ou outra, me pego em algum fim de semana livre zapeando a TV, procurando algo para puro e despretensioso entretenimento. Eis que paro em algum filme por distração. E eis que, em algumas das vezes, o filme não era bem um filme “de vergonha”. Mas, e daí? Vamos ver no que dá - ou no que não dá, mais especificamente falando…

Foi o que aconteceu depois de um jantar na casa do meu pai. Super convenientemente, quando sentamos para a sobremesa no sofá, começou o SuperCine da Globo. Sim, por ser da Globo, já é um sinal divino de que não é algo bom, mas, deixa lá… E deixei mesmo, percebendo que estava começando um tal de “Garganta do Diabo”. Na hora, eu só pensei em “Garganta Profunda”, mas aí ia ser pano para outro tipo de conversa, certo? Enfim, sei que o filme é com o Dennis Quaid, o Christopher Plummer, a Juliette Lewis e a Sharon Stone. E não, não pensem que isso melhora algo. Só piora: o Quaid está da cor de terracota, o Plummer tá parecendo emaranhado de pêlo de gato, a Juliette me faz ter pena das cenas esdrúxulas e a Sharon provou que estava ruim (eufemismo) de atuação nessa época. Efeito dominó. Catastrófico.

Como que eu superei os “reclames do plim-plim” e não mudei de canal ou apelei para um DVD? Freud pode explicar, talvez. Mas tem filme que é tão ruim, que me faz ficar grudada na tela para ver se pode ficar pior. E é ruim de ruim mesmo! Não digo só aqueles filmes de “começo-meio-e-fim”, como meu pai costuma falar. Aqueles que são bobos, mas redondos, e que aliviam o drama da vida real. São os ruins mesmo! A vantagem é que eu esqueço eles logo… Depois de dois dias, nada mais resta. Aproveito então, que a memória ainda dura para ilustrar a situação com o tal “Guela do Diabo”, aliás, “Garganta”…

Pensando bem aqui, ele até que rendeu umas risadas. “Vá-botar-um-ovo!”. Melhor frase do roteiro, certeza. A menina grita isso quando o irmão mais novo a acorda imitando um galo no último volume. Ou as caretas que a Sharon “Sem-Cruzada-de-Perna” Stone faz fingindo estar com medo…. E a direção de som é típica de um repeteco direto do Media Player.

Afinal, sou só eu ou alguém mais tem esse comportamento avesso? Será que tem um limite? O filme tem que ser “para cima” para ganhar nossa empatia. Ou ele tem que ser de ruim a ladeira abaixo para provocar nossa inquietude curiosa. Mas se ele ficar entre a linha tênue – ou não tão tênue – desses dois tipos, ele passa batido. Será? Por exemplo, outro filme desse mesmo diretor, o Mike Figgis, me fez querer ver o filme depois e não grudar pelos defeitos dele. Ah, o filme em questão é “Despedida em Las Vegas”… Comecei a ver, não peguei o ritmo e preferi ver depois, com um humor melhor. Mas com “Garganta do Diabo” foi exatamente a mesma sensação de “será que pode ficar pior?” ou “e essa pizza vai acabar como?”.

Enfim, se existir um estudo do comportamento dos cinéfilos, me voluntariaria para a causa das reações absurdas. Alguém mais sugere uma reação absurda?

A dois, por dois e em dois

Publicado em: 21-04-2008 @ 10:41 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Depois de mudar de assunto inúmeras vezes, finalmente decidi qual seria o motivo das linhas desta semana. Por puro acaso – e agradável sorte, o domingo teve um final surpreendente, com uma ida ao cinema. E durante 96 minutos, passei dois dias em Paris, vendo a loucura - ora cômica, ora trágica - que são os relacionamentos.

(Para ler ouvindo “Waltz For You”, com a Julie Delpy)

Ah, mais um filme de relacionamento!”. Esse pode ser o pensamento de alguns. E de fato, não é uma mentira. Mas “2 Dias em Paris” é cheio de leveza, sutileza e humor, combinação ótima para se curtir em um final de feriado, sem muitas pretensões, mas ainda sim, querendo algo mais após o fim da sessão.

Indo completamente para o oposto do esperado dos filmes que tratam de relacionamentos de forma mais profunda e reflexiva, “2 Dias” conseguiu ser leve. Deliciosamente leve. E me fez rir enquanto encarava os detalhes loucos de uma relação a dois.

Os diálogos do filme são sensacionais. De rir da cena e rir de como é verdade. E quando temos um roteiro digno, o filme ganha muito mais força. “Isso quer dizer que se eu não fosse sua namorada, eu não seria boa o suficiente para ser sua amiga?“. Sim, é a retrucada que Marion, a namorada, fala para o namorado Adam quando ele afirma que não tem relacionamento algum com suas ex-namoradas. Bizarro. E sensacional como ela falou isso de forma objetiva e rápida. Eu tentaria falar a mesma coisa. Quem já teve relacionamento sério deve saber: quantas vezes a criatura do passado não foi pivô de briga? Para alguns (como eu), é estranho cortar relações com um (ex) namorado, uma pessoa com quem você viveu tanto e compartilhou momentos bons e ruins, simplesmente porque não estão mais juntos. (Claro, a não ser que ele/a tenha aprontado bonito para o seu lado ou realmente seja uma pessoa insuportável…)

Mas, sim, os diálogos. Cheio de frases cheias de sarcasmo e ironia. Adoro! “Você poderia me trazer uma tigela cheia de vidro moído?”, é o que Adam pede ao garçom durante uma conversa incômoda com a namorada. “Ah, você é o novo namorado?”. Ai, os comentários inocentemente inconvenientes que os conhecidos fazem ao novo namorado… Eu mesma sofri com eles após o filme. Essas mil situações corriqueiras que acontecem no meio de um relacionamento. Altos e baixos. “E muitos entremeios”, como a própria Marion fala. Todos que provocam uma identificação instantânea. Algo bem “a vida como ela é”. Com todos os defeitos que fazem a nossa graça.

Acho difícil comentar o filme. Ele me pareceu tão simples que me complico ao tentar falar o óbvio. Quem sabe devo assistir novamente… Certamente irei. Os personagens são adoráveis. E quando vejo o caos deles, é como se enxergasse o nosso. Até as relações “pisando em ovos” com os sogros é retratada no filme. E para quem viu ou for ver a produção: o sogro é absurdamente hilário.

Os sogros, o ciúme, os ex-relacionamentos, as diferenças. O pacote completo. E o que mais me fez gostar do filme é o final, espetacular: condensado e claro, resumindo a essência do filme. A gente reclama da dor de cotovelo, reclama dos problemas a dois. Reclama. E sofre. Mas sempre procura um novo grande amor. E isso é bom. Achar o possível novo grande amor é revigorante. E sofrer por amor, bem, é clássico. Mas, amadurecer no amor… Acho que essa é a melhor parte. Quando se aprende – e consegue – não desistir do relacionamento por causa dos defeitos, e aí, aprendemos a relevar. Quando criamos coragem para encarar o passado desagradável, ao invés de fazer vista grossa. Quando aprendemos a ajudar a relação e não pular fora no primeiro problema. É ser sincero e contar apenas com a verdade entre os dois. Sei lá. É tão simples e tão difícil de falar. Ao invés de me enrolar em uma coluna, seria mais efetivo simplesmente colar o link para a cena final do filme, dizendo: eu assino embaixo.

Mas, para não tirar a graça do filme, termino com uma frase final de Marion, belamente interpretada por Julie Delpy: “Existe um momento na sua vida quando você não consegue mais se recuperar de um rompimento. E mesmo que essa pessoa encha seu saco 60% do tempo, você não consegue viver sem ela. E mesmo que ela acorde espirrando no seu rosto, bem, você ama os espirros dela, mais do que os beijos de qualquer outra pessoa.”

Mulheres, Desesperadas

Publicado em: 14-04-2008 @ 2:29 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Semana passada, o RapaduraCast tratou de como o Cinema pode influenciar a vida. Pensando sobre o que escrever neste começo de semana, aproveitei uma idéia sobre essas influências, inclusive dada por uma criatura de azul aculá, e vi ligações entre os filmes e um seriado em particular. “Desperate Housewives” e as mulheres desesperadas do Cinema é o tema desta segunda-feira de Abril.

(Para ler ouvindo “Feeling Good“, Nina Simone)
Ando me envolvendo com as personagens do seriado “Desperate Housewives” de uma forma bastante agradável, seja pelas risadas, pelas identificações óbvias ou pelas semelhanças surpreendentes. Eis que eu queria muito falar sobre isso aqui explicitamente. (Sim, já que a coluna sobre o passado começou por uma reflexão provocada por uma personagem do seriado). Aí, ouvi a sugestão do menino de azul e pensei: de fato, existem várias mulheres desesperadas no Cinema.

Julianne Moore, em “As Horas”, é a minha favorita. O filme por si só é sensacional. E digamos que ele tem três mulheres desesperadas. Mas Laura Brown, sua personagem, é a típica dona de casa americana desesperada. E o desespero dessa ruiva me deixou no chão. Engraçado como eu passei a ver a vida de donas de casa de forma diferente depois do seriado, depois de prestar atenção nesses filmes. Sim, uma workaholic como eu se enrola para enxergar o valor de uma dona de casa ordinária, justamente pelo extremismo de realidades. Mas cuidar de uma casa é mais do que “pilotar” o fogão. Às vezes, é agüentar tudo o que a casa abriga. Mrs. Brown me sugeriu isso.

Depois, lembro da querida Diane Lane no filme “Infidelidade”. Ela interpreta uma esposa que se muda para o subúrbio e passa a ter um caso, provavelmente para desafogar a solidão e a rotina apática. Assim como Moore, ela é um poço de desespero. E o que as salva é o apego à família. Mas o interessante do desespero dessas duas donas de casas é que, antes de tudo, elas se mostram absurdamente humanas e sensíveis. Mas não ousaria dizer que essa sensibilidade seria uma fragilidade, porque é nessa sensibilidade que elas encaram a dor e o desespero e se tornam fortes para superar, seja por contar com elas mesmas, seja para estarem lá para apoiarem quem conta com elas.

Pensando, então, nesse lado desesperadamente sensível, lembro de uma dona de casa que me pareceu uma dona de casa por conformação, não por escolha ou vocação. Kate Winslet, em “Pecados Íntimos”. Assim como “As Horas”, esse filme está na minha lista de dramas favoritos. Ambas as personagens me pegaram de jeito. Sarah, personagem de Kate, entra de cabeça no tema dessa semana. Ela é puro e total desespero. Sensibilidade inconformada. Nota-se sua emoção desordenada desde o começo do filme e é isso que apaixona sobre ela. Mais do que as outras duas, aqui se vê a mulher com fontes maiores.

O mesmo acontece com Hermila, em “O Céu de Suely”, outro favorito. Impregnado da imagem feminina, o filme apresenta Hermila, condensa o que comentei sobre as outras três: o lado dona de casa, o lado feminino, o lado sensível e o lado da força. Com perdão da palavra, ela é escr*ta. Vai atrás do que quer, mesmo tendo um mundo de obstáculos contrariando, e dá orgulho de ser mulher.

Orgulho esse que podemos ter de forma mais singela e dinâmica com Penélope Cruz, em “Volver”. Outro filme favorito e impregnado de feminilidade. Penélope e Hermila partilham dessa sensibilidade velada mostrada no filme. Não dão o braço a torcer, mas nem por isso deixam de mostrar o desespero. É como se encarar ele com a cara limpa fosse o motivo de orgulho destemido. Chamaria de coragem. Coragem que muito par de bolas masculinas não tem.

São todas mulheres. Donas de um lar. Que enfrentam os problemas que quatro paredes podem ocultar. Tudo em um desespero muitas vezes silencioso. E é nesse silêncio que vemos a força de cada uma. Termino a coluna com orgulho de ter TPM todo mês e mesmo assim, rir da cara dos problemas desse mundo louco. No dia que a cólica estiver pior, buscarei inspiração em alguma dessas quatro mulheres desesperadas. Certamente lembrarei que o desespero é doloroso, mas ser mulher é superar isso – com orgulho e sem cair do salto. (E para quem ficou com a dúvida: sim, estou de TPM).

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